31 de dez de 2014

Os melhores livros de 2014

Final de ano chegando, 2014 se vai e 2015 está logo ali, pedindo para ser desbravado. Como é de praxe, todo blogueiro que se preze e/ou leitor fanático faz aquela listinha básica dos melhores do ano, e comigo não será diferente. Seguem as cinco melhores leituras desse ano que passou:

5º lugar - O Temor do Sábio por Patrick Rothfuss
Uma fantasia diferente das habituais, agora alcançando um novo nível. A sequência de O Nome do Vento traz novas aventuras para Kvothe e mais pontas soltas são deixadas ao final da leitura, deixando todos os fãs ávidos pelo terceiro e último livro, do qual não temos previsão nenhuma de lançamento. Desbrave a resenha.

4º lugar - Steelheart por Brandon Sanderson
Uma das leituras mais agradáveis e divertidas dos últimos tempos. Heróis com poderes são fáceis de encontrar, mas e vilões? Em Steelheart temos vários deles e David encontra um grupo que é especialista em combatê-los. Dinâmico ao extremo, fica a dica para quem quer começar a ler em inglês também. Desbrave a resenha.

3º lugar - As Mentiras de Locke Lamora por Scott Lynch
Recheados de humor negro e com uma linguagem não muito delicada, Locke Lamora e seus companheiros aprenderam a roubar desde cedo e agora só pensam em dar golpes grandes, capazes de abalar uma cidade. Uma das grandes surpresas no Brasil em 2014, As Mentiras de Locke Lamora e seu autor Scott Lynch vão fincando seu espaço na fantasia e a série promete crescer muito. Desbrave a resenha.

2º lugar - The Way of Kings por Brandon Sanderson
Uma das séries mais épicas que pude desbravar até hoje e ainda está apenas no começo!!! The Way of Kings é o primeiro livro de The Stormlight Archive e o autor Brandon Sanderson conseguiu construir o mundo de Roshar de uma maneira extremamente singular e grandiosa, com personagens bem explorados e batalhas sangrentas pelo domínio das Shattered Plains. Desbrave a resenha.

1º lugar - O Guerreiro Pagão por Bernard Cornwell
Uma obra-prima em termos de batalhas. O autor Bernard Cornwell sabe como ninguém descrever o sufoco de uma parede de escudos e combates singulares, e em O Guerreiro Pagão tudo é feito de forma magistral. Temos Bebbanburg, temos Cnut, temos os padres incomodando a vida de Uhtred, enfim, temos tudo que um romance de ficção histórica precisa. Leitura obrigatória! Desbrave a resenha.

Enfim, esses foram os livros que mais gostei de desbravar em 2014. Foram leituras MUITO BOAS e que fizeram 2014 valer a pena, com certeza, ainda mais por ter conhecido tantas séries diferentes e todas com suas características próprias. Deixo como destaque também o livro Mistborn: O Império Final, do autor Brandon Sanderson, O Aprendiz de Assassino, da autora Robin Hobb, e também a trilogia Legend, da autora Marie Lu, que consegui finalizar. Outros livros não me agradaram TANTO assim, como O Olho do Mundo, O Poder da Espada e também Roubo de Espadas, mas mesmo assim pretendo continuar as séries, principalmente A Roda do Tempo por ser tão bem recomendada pela maioria dos leitores.

Era isso, fica aqui portanto o meu Feliz Ano Novo para todos os desbravadores desse mundo e que 2015 seja repleto de ótimos livros! Obrigado por sempre acompanharem o blog nesse período e continuem desbravando, afinal, o mundo é pequeno para tantos leitores.

11 de dez de 2014

Resenha: O Aprendiz de Assassino - Robin Hobb


Título: O Aprendiz de Assassino
Original: Assassin's Apprentice
Série: Saga do Assassino/Farseer Trilogy #01
Autora: Robin Hobb
Páginas: 416
Editora: LeYa (julho de 2013)

Sinopse: Fruto de uma infidelidade, Fitz, filho de Cavalaria, é um bastardo real, desprezado pelo mundo, sem amigos e solitário. O rapaz refugia-se nos estábulos da realeza e apenas sua conexão mágica com os animais – a antiga arte conhecida como Manha – proporciona-lhe um pouco de alegria e companheirismo. Mas a Manha, se usada com frequência, é uma mágica perigosa e mal vista pela nobreza. Então, quando Fitz é finalmente adotado pela casa real, ele deve abrir mão de seus antigos costumes e aprender a viver esta nova vida: artilharia, escrita, bons modos, a magia do Talento… e, secretamente, aprender a matar um homem, já que é treinado para se tornar o assassino real e um dos homens de confiança do Rei Sagaz. Quando salteadores bárbaros começam a atacar os povoados costeiros, Fitz será encarregado da sua primeira missão. Ao mesmo tempo, perceberá que está rodeado de intrigas, segredos, desonra, heroísmo, aventuras e magia. Embora alguns o vejam como uma ameaça ao trono, ele talvez se torne a principal peça para a sobrevivência do próprio reino. Em O Aprendiz de Assassino, primeiro volume da série “Saga do assassino”, Robin Hobb cria uma das histórias mais amadas da literatura de fantasia.

Primeiro livro da trilogia Saga do Assassino, O Aprendiz de Assassino nos apresenta Fitz, filho bastardo do príncipe Cavalaria, atual herdeiro dos Seis Ducados. Nosso protagonista chega em Cidade de Torre do Cervo a pedido da realeza, causando um certo desconforto nos nobres que sempre viam Cavalaria como um homem íntegro e incapaz de possuir um bastardo. Lá, devido à sua condição, é menosprezado pela maioria dos habitantes e precisa aprender a lidar com isso.

Quem o "adota", podemos dizer assim, é o mestre dos estábulos Bronco, e é exatamente lá que Fitz viverá boa parte de sua infância. Aprendendo a cuidar dos cavalos e também afeiçoando-se bastante aos cachorros que existem por lá, Fitz vai estreitando seu laço com os bichinhos e aos poucos percebe que sua relação com eles não é meramente afetiva, há sempre algo mais, algo que explicarei logo adiante, no decorrer dessa resenha.


Ao mesmo tempo que cresce, Fitz é contratado pelo rei Sagaz para que se torne um assassino e ajude a expulsar os Salteadores dos Navios Vermelhos, bárbaros que começam a atacar a costa dos Seis Ducados e pretendem criar ainda mais problemas. E é a partir daí que o livro começa a ficar bom. A história é contada pelo próprio Fitz muitos anos depois e flui tranquilamente, sendo em primeira pessoa e com as lembranças do protagonista sendo inseridas durante a narrativa.

Para aprender as técnicas de assassinato, Fitz conta com a ajuda de Breu, o antigo assassino do rei e conhecedor dos mais variados segredos dessa arte. Suas aulas nunca têm data certa para acontecer e dependem muito da boa vontade de Breu para que ocorram. Normalmente no meio da noite, quando Fitz está podre de cansado e pretendia ficar dormindo. hahaha

"Se tudo o que eu tivesse feito na vida fosse ter nascido e ser descoberto, ainda assim teria deixado uma marca em toda aquela terra, para todo o sempre. Cresci sem pai nem mãe, numa corte onde todos me conheciam como um divisor de águas. E um divisor de águas me tornei."

Aprofundando-se um pouco mais no livro, conhecemos o Talento, uma espécia de "controle cerebral" que uma pessoa pode ter sobre outra. Essa arte, segundo trecho do livro, é, na sua forma mais simples, o estabelecimento de uma ponte entre os pensamentos de duas pessoas. Há muitas maneiras de empregá-lo. Durante uma batalha, por exemplo, um comandante pode enviar uma simples informação e comandar diretamente os seus oficiais, se estes tiverem sido treinados para recebê-la. Um indivíduo muito Talentoso pode usar sua habilidade para influenciar até mesmo mentes que não tenham sido treinadas ou as mentes dos seus inimigos, inspirando neles medo, confusão ou dúvida. Homens tão dotados são raros. Mas, se incrivelmente agraciado com o Talento, um homem pode aspirar a falar diretamente com os Antigos, estes que são inferiores apenas aos próprios deuses. No mínimo intrigante, né? Ainda mais depois de saber que o Talento é uma herança de família, só transmitida para quem tem sangue real.

Como já dá pra adivinhar, o nosso Fitz possui essa habilidade, mas não tem a menor ideia de como ela funciona e para isso é levado a Galeno, mestre do Talento da Cidade de Torre do Cervo, para que aprenda alguma coisa. Infelizmente, esse Galeno desgraçado não gosta nem um pouco do protagonista e faz de tudo para que ele NÃO desenvolva a sua habilidade. É uma baita sacanagem! Enfim, deixo os detalhes para quem for ler a obra.

Agora vamos ao diferencial do livro: a ManhaEla é o poder do sangue animal, da mesma forma que o Talento vem da linhagem dos reis. Começa como uma bênção, dando a você as línguas dos animais. Mas depois se apodera de você e te puxa para baixo, faz de você um animal como os outros. Até que finalmente não há sequer um resquício de humanidade em você, e você corre e late e prova sangue, como se a matilha fosse tudo o que você alguma vez na vida tivesse conhecido. Até que nenhum homem possa olhar para você e pensar que um dia foi um homem.

Como havia dito lá no começo da resenha, Fitz tem uma ligação especial com os animais, e essa ligação chama-se Manha. Porém, seu "babá" Bronco repudia essa arte e proíbe que Fitz a utilize, o que nem sempre acontece. Ainda mais quando ele está próximo de Narigudo, um cão que aceita essa conexão com Fitz e ambos tornam-se amigos inseparáveis. Nem tudo é alegria, como vocês acabarão descobrindo quando tiverem o livro em mãos.



Voltando um pouco aos bárbaros, os Salteadores dos Navios Vermelhos, por sinal, não tem um papel TÃO importante assim nesse primeiro livro, pois eles são somente apresentados a nós e pouco se sabe sobre quem são e quais as suas motivações. Porém, deve-se considerar algo a respeito deles: quando pegam reféns e os soltam, esses reféns ficam completamente loucos, desprovidos de pensamento crítico, como se não fossem mais humanos, e viram algo bem parecido com zumbis mesmo, num processo que é chamado de Forjamento. Como eles se transformam, o que é feito com eles dentro dos Navios? São perguntas que você só descobrirá lendo.


Porém, o maior mistério desse primeiro livro fica por conta do Bobo. Todo misterioso e cheio de frases enigmáticas, nunca dá para saber se o que ele está falando é brincadeira ou a mais pura verdade, capaz de mudar o destino de muita gente. Para mim não é um personagem que foi simplesmente colocado ali por um acaso do destino, ainda acredito que será muito importante no desenrolar da história. Muitas tretas me aguardam, estou só prevendo!


Só tem um negócio que me incomodou quando finalizei a leitura: eu não consigo ver o Fitz como um assassino! Sim, é isso mesmo!! Ele teve o treinamento dele, cresceu, apanhou e aprendeu com tudo isso, mas enquanto eu lia eu não pensava: "Nossa, esse cara é um matador, nunca vou querer incomodá-lo". Talvez tenha sentido isso justamente por causa do título (O APRENDIZ de Assasssino), mas enfim, acho que é algo remediável e no segundo esse aspecto deve melhorar bastante, espero. Considero também o fato do livro terminar com ele tendo uns 15 anos (pela minha memória), então ainda há muito que se desenvolver e a prática certamente o ajudará com isso.

A autora consegue descrever de uma maneira leve e precisa os Seis Ducados, as descrições não são monótonas e dá pra encaixar perfeitamente Fitz dentro do cenário. Preparem-se também para sentir diversas emoções com alguns personagens: vocês irão odiar/desprezar Majestoso, respeitar Veracidade e desejar saber tudo mais sobre Cavalaria, os três príncipes e filhos de Sagaz. Muitas intrigas políticas estão por trás de todos os problemas, diga-se de passagem...

Enfim, para finalizar, digo que O Aprendiz de Assassino é uma leitura que considerei bem válida e possui suas peculiaridades que a tornam uma obra levemente diferenciada das demais. Não é algo excepcional, que eu PRECISE recomendar para todo mundo que lê fantasia, mas acredito que valha a pena investir e conhecer mais sobre Fitz e o núcleo que o cerca. Os dois volumes finais da trilogia, O Assassino do Rei e A Fúria do Assassino, já foram lançados aqui no Brasil e você pode encontrá-los facilmente em qualquer site pela internet afora. Até a próxima resenha!

Avaliação final:

Saga do Assassino:

1º livro - O Aprendiz de Assassino
2º livro - O Assassino do Rei
3º livro - A Fúria do Assassino

Convite aos leitores de fantasia

Boa tarde, desbravador!

Que tal participar de uma leitura conjunta e ter a oportunidade de discutir mais sobre aquela obra que você tanto queria conhecer? É pensando nisso que o grupo Livros de Fantasia e Aventura faz no Facebook, uma vez ao mês, uma leitura conjunta de alguma obra de escolha dos membros e dessa vez o livro escolhido foi O Aprendiz de Assassino por Robin Hobb.


Fruto de uma infidelidade, Fitz, filho de Cavalaria, é um bastardo real, desprezado pelo mundo, sem amigos e solitário. O rapaz refugia-se nos estábulos da realeza e apenas sua conexão mágica com os animais – a antiga arte conhecida como Manha – proporciona-lhe um pouco de alegria e companheirismo. Mas a Manha, se usada com frequência, é uma mágica perigosa e mal vista pela nobreza. Então, quando Fitz é finalmente adotado pela casa real, ele deve abrir mão de seus antigos costumes e aprender a viver esta nova vida: artilharia, escrita, bons modos, a magia do Talento… e, secretamente, aprender a matar um homem, já que é treinado para se tornar o assassino real e um dos homens de confiança do Rei Sagaz. Quando salteadores bárbaros começam a atacar os povoados costeiros, Fitz será encarregado da sua primeira missão. Ao mesmo tempo, perceberá que está rodeado de intrigas, segredos, desonra, heroísmo, aventuras e magia. Embora alguns o vejam como uma ameaça ao trono, ele talvez se torne a principal peça para a sobrevivência do próprio reino. Em O Aprendiz de Assassino, primeiro volume da série “Saga do assassino”, Robin Hobb cria uma das histórias mais amadas da literatura de fantasia.

Fica o convite então para todos vocês. A leitura inicia amanhã, dia 12 de dezembro!

9 de dez de 2014

Novidades sobre a trilogia Mistborn


Grande notícia para todos os fãs de Brandon Sanderson: segundo um leitor da série, a editora LeYa lhe enviou uma resposta sobre o lançamento de O Poço de Ascensão (título provisório, mas provavelmente será esse mesmo) e disse que a previsão é para o mês de Fevereiro de 2015.

Essa capa ainda não é oficial

A sequência de O Império Final, primeiro livro da trilogia Mistborn e que já foi resenhado aqui, é muito aguardada pelos leitores de fantasia e tomara que corresponda às expectativas.

O que acharam da notícia? Já leram o primeiro livro? Gostaram?

2 de dez de 2014

Recebendo as postagens por e-mail

Bom dia, desbravador!

Como foi o final de semana? Espero que tenha sido bom e de muitas leituras. Eu iniciei o livro O Aprendiz de Assassino e estou gostando. E vocês, leram o quê?

Como sei que vários de vocês costumam acompanhar sempre o blog e as vezes acabam perdendo uma ou outra postagem, fiz este tutorial bem simples de como seguir o blog pelo e-mail e receber todas as postagens diretamente na sua caixa de entrada:

1º - Na aba lateral, procure por "RECEBA TODAS AS POSTAGENS DO BLOG NO SEU E-MAIL";


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5º - Clique no link que lhe foi enviado e você verá a confirmação do cadastro do seu e-mail.

Pronto! A partir de agora você receberá todos os posts, promoções, notícias e atualizações que forem feitos aqui no blog. Não esqueça de comentar e também divulgar para os seus amigos e seguidores sobre o Desbravando Livros.

Agradeço desde já pela atenção e participação de todos os desbravadores.

Uma ótima terça-feira a todos vocês!

1 de dez de 2014

Resenha: O Olho do Mundo - Robert Jordan


Título: O Olho do Mundo
Original: The Eye of the World
Série: A Roda do Tempo #01
Autor: Robert Jordan
Páginas: 800
Editora: Intrínseca (agosto de 2013)

Sinopse: Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará. Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época das celebrações de final de inverno — o mais rigoroso das últimas décadas —, e, mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira. Quando a vila é invadida por bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como também os conduz àquela que será a maior de todas as suas jornadas. A desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que um dos jovens seja o profético Dragão Renascido — aquele que poderá salvar ou destruir o mundo. 

O Olho do Mundo é o primeiro de uma série de CATORZE livros intitulada A Roda do Tempo, escrita pelo autor Robert Jordan, falecido logo após terminar o 11º livro, mas que felizmente o autor Brandon Sanderson teve a honra e a gigantesca responsabilidade de finalizar os três volumes finais e não deixou os leitores da série na mão e sem saber o final.

Como visto na sinopse acima, é numa vila tranquila na região dos Dois Rios que tudo começa. Vamos sendo apresentados aos jovens personagens principais Rand al'Thor (possui a maior parte dos pontos de vista da história), Mat Cauthon, Perrin Aybara, Nynaeve al'Meara (Sabedoria da vila, comanda o conselho de mulheres da cidade, mesmo sendo apenas uma adolescente) e Egwene al'Vere (filha do prefeito) aos poucos, assim como outros que fazem parte da história e tem lá a sua importância. Enquanto todos festejam o final do inverno, coisas estranhas começam a acontecer: uma desconhecida aparece na vila de repente e um cavaleiro negro misterioso é visto pelos jovens nos arredores, mas ninguém o consegue identificar.

Em determinado momento seres muito estranhos, com cabeças de bode e extremamente musculosos, atacam a vila e destroem tudo e todos ao seu redor, procurando por alguma coisa ou alguém. Até então eles eram somente lendas e mitos para os habitantes da vila, mas os Trollocs agora tornam-se um pesadelo real. E é nessa hora que aparecem Moiraine e Lan. A misteriosa mulher é uma Aes Sedai, capaz de controlar o poder que move a Roda do Tempo, enquanto o homem é um Guardião, jurado a protegê-la e, para mim, um dos grandes mistérios desse primeiro livro, pois somente nos é revelado quem ele realmente é e quais são suas origens na segunda parte do livro. Ambos estão à procura do Dragão Renascido, que segundo as profecias irá ressurgir quando o mal tomar conta do mundo e ele será a salvação (ou não) da humanidade.

 

Falando um pouco mais sobre a parte mágica da história toda, O Poder Único vem da Fonte Verdadeira, a força que impulsiona a Criação, a força que o Criador gerou para girar a Roda do Tempo. Saidin, a metade masculina da Fonte Verdadeira, e saidar, a metade feminina, trabalham uma contra a outra e ao mesmo tempo em conjunto para produzir essa força. Saidin é maculado pelo toque do Tenebroso, somente homens podem utilizá-lo e a maioria deles foi tão corrompida a ponto de enlouquecerem.  Somente saidar, a força utilizada pelas Aes Sedai, pode ser usada com  segurança. Apenas poucas pessoas conseguem aprender a tocar a Fonte Verdadeira e usar o Poder Único, e algumas dessas poucas podem aprender num nível mais elevado, outras, num nível menor. 

Focando bastante na fuga dos protagonistas em direção ao desconhecido, ao longo da história vamos desbravando novos lugares, como Baerlon, Caemlyn, Ponte Branca, Fal Dara, entre outros, com nossos protagonistas (quase) sempre acompanhados por Moiraine e Lan. Aos poucos percebe-se que não só um Dragão Renascido pode ter reencarnado, mas vários falsões Dragões aparecem para tentar preencher esse cargo e com eles as intrigas políticas também começam, pois sempre que alguém resolve se intitular de algo em livros de fantasia épica é certo que alguma treta vai rolar.


Não sei por que, mas esse livro realmente não me convenceu. Existem várias partes boas na narrativa, confesso, mas entre elas a leitura parece se arrastar que até cheguei a parar umas duas vezes para ler outras obras e depois resolvi voltar aqui para finalizá-la. Essas partes boas e ruins intercaladas realmente atrapalharam a dinâmica da leitura, pois sempre que o negócio começava a fluir vinha algo que estragava o ritmo. É claro que as explicações sobre os lugares, as histórias, alguns personagens lendários e afins são importantes em qualquer tipo de livro, mas quando isso acontece a todo momento pode prejudicar a leitura, como foi no meu caso.

Voltando um pouco aos personagens, nesse primeiro livro eles não são tão desenvolvidos assim (compreensível, já que a série tem 14 volumes) e eu acabei não gostando TANTO de nenhum, aquele gostar a ponto de torcer pelo personagem e querer que ele se dê sempre bem. Um leve destaque apenas para Perrin, cuja conexão com os lobos me fez dar um pontinho positivo para ele. Tirando os principais, somente Lan me fez querer ler mais e mais sobre ele, já que aquele ar todo misterioso do Guardião foi bem usado ao longo da narrativa e acredito que ele terá um papel ainda mais importante ao longo dos livros, não só apenas guiar o grupo.

Enfim, para resumir, O Olho do Mundo não foi um livro que me cativou e me fisgou a ponto de me obrigar a ler sua sequência imediatamente e recomendá-lo para todo mundo, mas pode-se perceber todos aqueles ingredientes básicos para uma fantasia épica, como vários personagens, um mundo gigantesco a ser explorado com suas diversas peculiaridades, dezenas de criaturas totalmente diferentes e prontas para matar os protagonistas, assim como muitos outros fatores. Não lerei A Grande Caçada em breve, mas no futuro provavelmente darei uma chance, pois a maioria dos leitores diz que a série melhora mesmo do 2º livro em diante.

Avaliação final:

A Roda do Tempo:

1º livro - O Olho do Mundo
2º livro - A Grande Caçada
3º livro - O Dragão Renascido
4º livro - A Ascensão da Sombra
5º livro - As Chamas do Paraíso
6º livro - Lord of Chaos
7º livro - A Crown of Swords
8º livro - The Path of Daggers
9º livro - Winter's Heart
10º livro - Crossroads of Twilight
11º livro - Knife of Dreams
12º livro - The Gathering Storm
13º livro - Towers of Midnight
14º livro - A Memory of Light
Livro extra - New Spring

25 de nov de 2014

Resenha: The Way of Kings - Brandon Sanderson


Título: The Way of Kings
Original: The Way of Kings
Série: The Stormlight Archive #01
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 1007
Editora: Tor Books

Sinopse: Roshar is a world of stone and storms. Uncanny tempests of incredible power sweep across the rocky terrain so frequently that they have shaped ecology and civilization alike. Animals hide in shells, trees pull in branches, and grass retracts into the soiless ground. Cities are built only where the topography offers shelter. It has been centuries since the fall of the ten consecrated orders known as the Knights Radiant, but their Shardblades and Shardplate remain: mystical swords and suits of armor that transform ordinary men into near-invincible warriors. Men trade kingdoms for Shardblades. Wars were fought for them, and won by them. One such war rages on a ruined landscape called the Shattered Plains. There, Kaladin, who traded his medical apprenticeship for a spear to protect his little brother, has been reduced to slavery. In a war that makes no sense, where ten armies fight separately against a single foe, he struggles to save his men and to fathom the leaders who consider them expendable. Brightlord Dalinar Kholin commands one of those other armies. Like his brother, the late king, he is fascinated by an ancient text called The Way of Kings. Troubled by over-powering visions of ancient times and the Knights Radiant, he has begun to doubt his own sanity. Across the ocean, an untried young woman named Shallan seeks to train under an eminent scholar and notorious heretic, Dalinar’s niece, Jasnah. Though she genuinely loves learning, Shallan’s motives are less than pure. As she plans a daring theft, her research for Jasnah hints at secrets of the Knights Radiant and the true cause of the war. The result of over ten years of planning, writing, and world-building, The Way of Kings is but the opening movement of the Stormlight Archive, a bold masterpiece in the making.

Brandon Sanderson está, de fato, entrando na lista dos meus autores favoritos. Cada livro dele é praticamente uma obra-prima e com The Way of Kings não foi nada diferente, muito pelo contrário, é a confirmação de que o autor está sempre melhorando! Primeiro livro da série The Stormlight Archive, a qual promete ter DEZ livros, essa obra foi feita para aquele leitor que adora batalhas, personagens bem desenvolvidos, momentos vibrantes e todo aquele clima épico que envolve um mundo gigante (Roshar) e que está em guerra.

O livro começa com um prelúdio cerca de 4.500 anos antes da história atual, quando dois Heralds conversam após uma batalha contra os temidos Voidbringers, seres que expalhavam destruição por onde passavam, e decidem partir, deixando suas armas e a humanidade para trás. Vale ressaltar que existem 10 ordens de Radiants e que cada uma dela segue um dos dez Heralds. Quando eles decidiram deixar os humanos, um deles ficou para trás e nunca foi encontrado, além de os Radiants terem se voltado contra a própria humanidade e tentá-lo dizimá-los. Ficou um pouco confusa essa parte, né? Leia e certamente tudo fará sentido!

Após essa explicação inicial, somos transportados no tempo para 4.500 anos depois, quando acompanhamos um banquete de comemoração à união de dois povos: Alethkar e os Parshendi. O ponto de vista fica com Szeth, um Truthless, obrigado a cumprir ordens e jamais desobedecê-las, mesmo que contrariando a si mesmo e desejando não ter sido treinando para matar. Sua missão é muito simples: ser visto matando o rei Gavilar Kholin, governante de Alethkar. Nessa parte nos são apresentadas uma shardplate e uma shardblade, cujos donos se tornam praticamente um exército inteiro, visto que elas têm habilidades especiais e são decisivas no campo de batalha. Enfim, ao final do capítulo, Szeth consegue fazer o seu serviço e é aí que a treta começa.

Antes de avançar, preciso falar sobre Roshar. O mundo criado por Brandon Sanderson é incrível e extremamente diferente dos vistos hoje em dia. Devido às highstorms, tempestades violentas que devastam todo lugar por onde passam e acontecem seguidamente, a população precisou se adaptar a isso e agora vive em formações rochosas que os protegem (um pouco) dessas tempestades, pois não há escolha: ninguém que tenha enfrentado uma highstorm de frente jamais sobreviveu. Como a geografia dos locais virou predominantemente rochosa, as plantas e animais que vivem sobre elas são bem peculiares e adaptados a esse tipo de ambiente.

Mais cinco anos se passam após Szeth ter realizado sua missão e finalmente (!) chegamos à narrativa principal, ambientada principalmente nas Shattered Plains, planícies devastadas e muito peculiares, com abismos gigantes entre si (ver imagem ao lado) e que obrigam os exércitos a utilizarem pontes para atravessá-las devido à sua distância (ver imagem abaixo). Lá, 10 exércitos diferentes do lado de Alethkar lutam contra os Parshendi para vingar a morte de Gavilar, agora comandados por Elhokar, herdeiro do antigo rei. Cada um dos povos vive em um lado oposto das Shattered Plains, os Alethkar a oeste e os Parshendi a leste, e para se enfrentarem precisam atravessar essas formações e tentar escolher o melhor lugar para uma batalha, além de sempre perseguir os chamsfiends (imagem aqui), monstros que possuem gemstones dentro de si, as quais são extremamente cobiçadas.

Shattered Plains
Vale ressaltar também que, em Alethkar, as pessoas que estão no poder possuem olhos claros, enquanto as que têm olhos escuros fazem parte da camada mais baixa da população, principalmente escravos. E é aí que entra um dos nossos personagens principais: Kaladin. Obrigado a abandonar seu treinamento de cirurgião e ir para a guerrar com seu irmão, Kaladin acaba se tornando escravo no exército do Highprince Sadeas e trabalha como bridgeman, responsável por levar as pontes de abismo a abismo para que os exércitos possam cruzar. Um dos personagens mais ferrados e destroçados por dentro de toda a literatura, é o que posso antecipar sobre Kaladin. Antes de virar escravo, Kaladin era um mestre com sua lança e protegia as fronteiras de Alethkar, mas após tantas perdas sucessivas das pessoas que ama e dos seus companheiros é impossível manter-se o mesmo. Após determinando momento Kaladin passa a ser acompanhado por Syl, uma spren, tipo de espírito que estabelece uma ligação com alguém e passa a seguí-lo. No início ela possui uma personalidade extremamente limitada, mas com o tempo começa a adquirir um senso crítico e também desenvolve os seus pensamentos para um nível superior.

Kaladin, ao ver que seus companheiros bridgemen também encontram-se em situações não muito boas, acaba tentando tomar as rédeas da situação e procura sempre uma maneira de fazê-los não morrer na batalha seguinte, pois um bridgeman serve de isca para os Parshendi, já que eles sempre chegam antes ao campo de batalha e precisam largar as pontes para os exércitos lutarem. Muitas provações aguardam por Kaladin, já que ele parece ter sido feito para isso: sobreviver enquanto todos ao seu redor partem.


Outro personagem importante é Dalinar Kholin, shardbearer completo e irmão do antigo rei, comandante de um dos exércitos de Alethkar e agora intrigado com um livro chamado The Way of Kings, que contém pensamentos dos antigos Radiants e seus ideais. Atormentado pelas highstorms, Dalinar sempre tem visões quando elas chegam, mas ninguém sabe ao certo se elas são reais ou apenas frutos de sua imaginação. Preparem-se para as melhores batalhas do livro com Dalinar e seu filho Adolin, dois shardbeares que conseguem suportar ataques de centenas de Parshendi e com isso estão sempre na linha de frente quando uma guerra acontece. Esse cara ainda será muito importante no decorrer da série, ainda mais por nutrir uma antipatia por Sadeas, comandante de outro dos exércitos de Alethkar.
Shardbearers, guerreiros que possuem shardplate e/ou shardblade

Acharam que não ia ter personagem feminina nesse livro? Pois se enganaram! Shallan Davar está aí para provar que nem só de homens fortes e guerreiros se faz uma boa fantasia épica. Com a intenção de virar aprendiz de Jasnah Kholin, filha do antigo rei, Shallan viaja e também tem outros planos em mente, muito menos íntegros. Atormentada pela morte recente do pai, ela deixa sua casa e seus irmãos para trás e aposta todas as suas fichas nisso, mal sabendo que irá se inserir em uma trama muito mais complexa. Shallan foi a personagem que menos simpatizei, mas ela certamente será importante para o desenvolver da história pois acaba nos apresentando diferentes aspectos de Roshar e seus estudos sobre seres do passado provavelmente mudarão o rumo de todos os personagens em algum momento.


O sistema de magias é bem complexo, composto por surgebinding e voidbinding, cada um deles dividido em dez tipos diferentes (imagem abaixo). Não nos são apresentados muitos detalhes sobre isso nesse primeiro volume, então vou deixar essa explicação para outro momento, quando souber melhor como explicá-lo para você, leitor. Só fique sabendo que esse sistema é muito interessante e nem todos os personagens podem utilizar esses diferentes tipos de magia.

Arte interna do livro com anotações de algum leitor

Você, que está lendo essa resenha nesse exato momento e costuma ler em inglês, parta logo para The Stormlight Archive e admire-se com um livro excelente, protagonizado por personagens muito bem construídos e um worldbuilding gigantesco, capaz de deixar qualquer leitor perdido em meio a tantos lugares e suas peculiaridades. Não preocupe-se com o tamanho do menino, 1.007 páginas, algumas delas podem até não fazer sentido em algum momento e parecem apenas enrolação de linguiça, continue, seja insistente, e NÃO TENHA PRESSA EM TERMINÁ-LO. O final te deixará todo tonto e ávido por mais. Eu avisei, podem me cobrar depois...

Por fim, digo para vocês que a edição da Tor Books é simplesmente magnífica. Com capa dura e cheia de imagens incríveis e coloridas ainda por cima, essa edição de The Way of Kings é leitura obrigatória para os fãs de fantasia épica e que ainda por cima não dispensam um livro bonito e gigante, digno de ser folhado. Que venha o próximo, um monstro colossal de quase 1.100 páginas!

Avaliação final:

The Stormlight Archive:

1º livro - The Way of Kings
2º livro - Words of Radiance
3º livro - Oathbringer (previsão de lançamento para 2016)

4º livro - Sem nome
5º livro - Sem nome
6º livro - Sem nome
7º livro - Sem nome
8º livro - Sem nome
9º livro - Sem nome
10º livro - Sem nome

27 de out de 2014

Resenha: O Trono Vazio - Bernard Cornwell


Título: O Trono Vazio
Original: The Empty Throne
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #08
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 302
Editora: Record (agosto de 2015)


Sinopse: As forças de Wessex e da Mércia se juntaram para combater os dinamarqueses, mas a instabilidade da união e a ameaça dos ataques dos reinos pagãos vizinhos são um perigo para a Britânia, pois Æthelred, o senhor da Mércia, está à beira da morte e não tem herdeiros, o que abre caminho para disputas pelo trono. Uhtred de Bebbanburg, o maior guerreiro da Mércia, sempre apoiou a senhora Æthelflaed para que se tornasse a sucessora do trono, mas será que a nobreza aceitará uma mulher como líder? Mesmo ela sendo a viúva de Æthelred e irmã do rei de Wessex? Enquanto os mércios travam brigas internas e os saxões ocidentais tentam anexar o reino aliado, novos inimigos surgem na fronteira norte. Os saxões precisam desesperadamente de uma liderança forte, mas, em vez disso, lutam por um trono vazio, ameaçando arruinar todos os esforços para unir e fortalecer seu reino.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Essa resenha foi feita a partir da versão britânica, intitulada The Empty Throne, em outubro de 2014, data de lançamento do e-book estrangeiro. Depois, foi atualizada com imagens e nomes em português em 12/06/2015, quando foram anunciadas a capa e a sinopse da nossa edição brasileira.

Com a morte de Æthelred pedindo para chegar após ser ferido gravemente na batalha final do último livro, muitas artimanhas se desenrolam para definir quem será o próximo comandante da Mércia. Todo mundo sabe que um trono vazio é sinal de guerras se aproximando, e aqui não é diferente, ainda mais se tratando de um trono tão importante e primordial para que um dia os reinos se unam e formem a tão sonhada Inglaterra almejada por Alfredo, o Grande. Quem deve tomar o seu lugar? Qual pessoa tem mais direito a herdar o trono? Será que uma mulher dará conta do recado? São questões que permeiam todo o livro e trazem alguns debates muito interessantes.

Uhtred ainda está muito (!) machucado depois de ter matado Cnut e quase ter morrido na luta, precisando ficar de repouso sempre que possível e mal conseguindo cavalgar. Um dos objetivos desse 8º livro é fazer Uhtred recuperar-se dos ferimentos e voltar às batalhas, mas o desenrolar eu vou deixar pra vocês descobrirem, não quero estragar a alegria do leitor contando tudo tão cedo.


O livro começa diferente dos demais, com o prólogo sendo narrado pelo filho de Uhtred, provando que é realmente filho de um guerreiro e mostrando um pouco dos seus pensamentos e do seu medo em relação a Æthelflæd, esposa de Æthelred. Aliás, esse livro parece ter sido feito para ela. Æthelflæd torna-se aqui uma das grandes protagonistas para a formação da Inglaterra, num tempo onde mulher nenhuma conseguia se diferenciar e participar tão ativamente das batalhas. E é por ser assim que ela consegue o apoio dos seus subordinados, tornando-se esperança para muitos deles.

Essa obra também foca um pouco em Æthelstan, filho do rei Eduardo e neto de Alfredo, designado a um dia ser rei. Quem acaba tomando conta do garoto é nosso grande protagonista Uhtred, que o ensina a tomar decisões bem difíceis para um garoto de apenas 14 anos e comuns para o futuro rei.

“He needed to know it, see it, smell it, and survive it. I was training the boy not just to be a warrior, but to be a king.” 
“He’s a boy who must learn to be a warrior and a king,’ I said, ‘and death is his destiny. He must learn to give it.’ I patted Æthelstan’s shoulder. ‘Make it quick, boy,’ I told him. ‘He deserves a slow death, but this is your first killing. Make it easy for yourself.” 

Como vocês puderam perceber até agora com essa resenha, Uhtred acaba ficando em segundo plano em praticamente toda a narrativa, mesmo que a história seja narrada sob o seu ponto de vista. Isso acabou tirando um pouco a graça do livro, pois tudo que Uhtred faz é visando outra pessoa, outro ideal, e pouco é desenvolvido a partir das reais necessidades dele. Ah, aqueles juramentos feitos...

Enfim, somos também apresentados a vários novos inimigos nesse oitavo livro da série, alguns deles dinamarqueses, galeses e, a novidade da vez, irlandeses, todos sedentos por mais terras e sempre querendo aumentar os seus domínios. Uhtred e seus aliados acabam tendo que enfrentar alguns e até, digamos assim, torna-se "parente" de um deles. Leia e descubra por conta própria, earsling!!!


O Trono Vazio não mantém de perto o mesmo ritmo de O Guerreiro Pagão, livro anterior da série, pecando em apenas alguns detalhes. Faltaram batalhas mais épicas, mais reviravoltas, mais SANGUE!! Intrigas são vistas ao monte nesse livro, mas elas tomam grande parte do livro (mais de 60%) e tornam a leitura um pouquinho arrastada, não aproveitando o melhor que Cornwell nos dá, que são suas descrições de paredes de escudos e embates singulares. Mesmo assim é uma leitura obrigatória para os fãs da saga e deixa muitas arestas soltas para o futuro, além de explorar outros personagens, sendo esses os únicos motivos para eu não dar uma nota mais baixa para esse 8º livro.

Wyrd biõ ful ãræd: o destino é inexorável.

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
...

20 de out de 2014

Resenha: A Queda de Sieghard - L.P. Faustini & R.M. Pavani


Título: A Queda de Sieghard
Original: A Queda de Sieghard
Série: Maretenebrae #1
Autores: L.P. Faustini & R.M. Pavani
Páginas: 352
Editora: Página 42 (2013)

Sinopse: Província de Bogdana, Sieghard, ano 476 após unificação Uma desconhecida força invasora irrompe pelo Grande Mar e ataca a costa protegida pelos soldados da Ordem utilizando-se de navios nunca antes vistos. Imensos. Terríveis. Destruidores. Ao mesmo tempo, uma estranha peste se espalha pelas comarcas do reino, cegando e invalidando sua população. Nobres e plebeus se nivelam padecendo do mesmo e misterioso mal. Em uma iniciativa desesperada, Sir Nikoláos de Askalor, o oficial responsável por defender a Ordem, abdica de todos os planos e estratagemas para investir de uma só vez contra os inimigos, sem saber que assim cairia na armadilha preparada por eles. Com suas fileiras dizimadas, o exército da Ordem recua e toma a direção do Domo do Rei para defender seu soberano, Marcus II, O Ousado, cuja vida representa a perpetuação dos valores ordeiros. Para um pequeno grupo, porém, composto por Roderick, Petrus, Chikara, Heimerich, Braun, Formiga e Victor Didacus - cada qual personificando um dos sete pecados capitais -, as sucessivas derrotas do reino são apenas o início da maior de todas as suas aventuras e desventuras. Diante deles, e de suas incontáveis diferenças, assombra-se um grande plano arquitetado por Destino. Serão eles capazes de enfrentá-Lo?

Quando invasores chegam a Sieghard cruzando o Grande Mar, tudo leva a crer que chegou o fim do mundo, ainda mais quando o exército local não consegue contê-los e sofre grandes perdas. Porém, um grupo muito peculiar, formado por sete pessoas totalmente diferentes entre si, parece estar destinado a grandes aventuras antes de tudo ruir. Essa é a premissa básica de Maretenebrae, livro de fantasia nacional escrito pelos autores L.P. Faustini e R.M. Pavani que eu finalmente tive a chance de desbravar e venho aqui contar para vocês como foi a minha experiência.

Sieghard é um continente tipicamente medieval, cheio de colinas e planícies arrastando-se pelo território e várias florestas e lugares desconhecidos pedindo para ser explorados, como é o caso das Terras de Além-Escarpas, um dos mistérios do livro. Todo local tem sua particularidade e importância na história e alguns deles são visitados durante A Queda de Sieghard, mostrando um pouco dos habitantes locais e suas particularidades, como vocês podem apreciar no mapa a seguir:


A leitura vai fluindo tranquilamente conforme o tempo passa, melhorando muito (!) a partir da metade do livro, quanto as dificuldades dos nossos protagonistas aumentam consideravelmente e eles se envolvem em grandes aventuras. O começo é típico de livros aclamados desse gênero, com descrições dos personagens aparecendo a todo instante e fatos passados sendo relembrados, tudo para que o leitor possa se situar e entender um pouco melhor a história.

Quanto aos personagens, temos uma gama infinita de opções: Roderick é um arqueiro muito habilidoso, Victor Didacus é um homem muito misterioso e que possui um dom incomum, Sir Heimerich é um guerreiro e cavaleiro da Ordem, responsável por proteger Sieghard, Chikara é uma maga da cidade de Keishu e pode usar o ambiente à sua volta para modificá-lo, Petrus é um simples pastor de ovelhas e que parece não ter habilidade nenhuma que possa ajudar o grupo, Formiga é um ferreiro da cidade de Alódia e grande apreciador de todo tipo de comida e por fim temos Braun, guerreiro selvagem de Kemen e nada simpático. Cada personagem representa um dos sete pecados capitais (Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba), mas deixarei a cargo do leitor identificá-los, já antecipando que os seus pensamentos e atitudes indicam facilmente a qual pecado cada um dos protagonistas "pertence".


Gostei bastante de Braun e Petrus, dois personagens totalmente opostos e com características muito peculiares. Braun tem tanta raiva do mundo e das pessoas ao seu redor que chega a ser engraçado ler os seus diálogos sempre cheios de xingamentos, ofensas e nem um pouco de educação. Já Petrus é o típico ser humano inocente que foi simplesmente jogado no meio de uma guerra e nem sabe por que está ali e o que pode fazer para sair dessa situação, mas aos poucos vai percebendo que não está ali por acaso e pode ser útil em determinados momentos.

Se você está com um pé atrás em ler Maretenebrae e pensa que aqui não encontrará seres fantásticos e grandes obstáculos aos protagonistas, saiba que está muito enganado. Temos trolls monstruosos, lagartos alados, gigantes e, principalmente, os Thurayyas, seres mágicos com poderes avassaladores e que são dificilmente derrotados, fazendo com que os invasores de Sieghard sempre tenham essa vantagem em batalhas.


A intenção dos autores é fazer de Maretenebrae uma série com quatro livros e o segundo já está sendo escrito e deve ser lançado em breve, com nome ainda a ser definido. Caso vocês queiram ter uma oportunidade de discutir mais sobre o livro, o grupo Livros de Fantasia e Aventura estará fazendo uma leitura conjunta do mesmo no Facebook a partir de 07/11 e você está convidado.

Para finalizar, o que tenho a dizer é que Maretenebrae tem tudo que uma fantasia épica e medieval precisa: um mundo onde o fim está (ou não) muito próximo, personagens que possam salvá-lo, animais fantásticos e um pano histórico por trás disso. Tudo isso misturado e somado aos segredos ainda não revelados até o momento nos brindam com um ótimo livro de fantasia nacional, digno de ser desbravado. Que venha o segundo livro!

Avaliação final:

Maretenebrae

1º livro - A Queda de Sieghard
2º livro - O Flagelo de Dernessus (2º semestre de 2015)
3º livro - Ainda sem nome e data de lançamento
4º livro - Ainda sem nome e data de lançamento
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