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28 de ago. de 2015

Resenha: O Herói das Eras - Brandon Sanderson

Título: O Herói das Eras
Original: The Hero of Ages
Série: Mistborn #3
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 772
Editora: LeYa (novembro de 2016)

Sinopse: Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre. O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?

Essa resenha contém vários spoilers dos livros anteriores.

Um ano se passou desde o final de O Poço da Ascensão, quando Vin renegou o poder contido no Poço, liberando assim algo devastador, chamado Ruína. Uma força que pretende destruir o mundo e acabar de vez com a humanidade. Outro detalhe do desfecho do 2º livro: Elend vira um Mistborn!!

Muitos leitores, ao terminarem a leitura de O Império Final, volume inicial da trilogia, acharam que o Senhor Soberano era o principal inimigo a ser derrotado. Engano total, como é mostrado nesse livro. Todas as ações e motivações daquele "vilão" são finalmente explicadas e destrinchadas aqui, deixando o leitor/fã com aquela sensação latente de "Como é que eu não percebi isso antes?".

Mistborn, por Marc Simonetti.

Saindo levemente do foco político e também amoroso do livro anterior, esse aqui foca mais na luta das pessoas pela sobrevivência em um mundo prestes a ruir, que dependia muito dos recursos naturais (água, plantações, etc.) para ter uma vida normal e agora os vê se tornando escassos, à medida que os metais continuam ali, mas não tem a mesma importância quando o assunto é simplesmente ficar vivo. As disputas por território continuam ali, é claro, já que são parte da trama e servem como pano de fundo para alguns conflitos empolgantes. Repleto de revelações sobre as ligas alomânticas, os leitores podem esperar grandes surpresas desse livro, desde alguns segredos sobre o tal atium e algo a mais sobre os metais já existentes. Tá difícil não dar spoiler... haha

Além da alomancia e da feruquemia, existe ainda uma terceira arte, conhecida como hemalurgia, que permite aos seus usuários transmitir o poder alomântico de um ser para outro. Não me aterei a mais detalhes, já que a chance de estragar a surpresa para alguns leitores é extremamente grande!

Preciso escrever sobre dois personagens que têm um destaque maior em The Hero of Ages: Fantasma (Spook) e Sazed. O primeiro, membro da gangue de Kelsier e sobrinho do agora falecido Trevo, morto no cerco de Luthadel, sempre teve um papel pequeno nas artimanhas do Sobrevivente, mas agora parece ter saído da toca e entendido que realmente pode fazer algo mais. Já o segundo, Guardador de Terris, está em conflito com suas crenças durante toda a narrativa. Consciente de que todas as religiões não fazem sentido, Sazed já aceita o destino que o mundo terá e parece ter desistido de ajudar, ainda mais quando passa a não usar mais as suas mentes de cobre. Uma coisa que posso adiantar é que essa dúvida dele irá refletir diretamente no desfecho da série.

Temas como essa incerteza de Sazed quanto à sua fé são recorrentes no livro, além dos conflitos pessoais vividos pelos outros personagens, como Elend e Vin, que agora estão casados e desenvolvem-se em conjunto, tanto suas habilidades alomânticas como as de um relacionamento.

E TenSoon, o kandra que espionava Vin, também rende vários bons momentos e algumas surpresas.


Mistborn, por axt 234
"Ter fé significa que, não importa o que aconteça, você pode confiar que alguém está olhando por você. Confiar que alguém irá fazer tudo dar certo no final."

Prestem MUITA atenção nas várias palavras soltas durante a leitura, pois elas dão algumas pistas sobre o/a Herói/Heroína das Eras e um bom palpite já pode ser dado antes mesmo da revelação.

A primeira parte do livro é mais cadenciada, com as peças sendo posicionadas em seus devidos lugares e menos ação acontecendo, fato que talvez estranhe os apaixonados por cenas mais "rápidas". Nada que atrapalhe o resultado final, diga-se de passagem, já que o estilo narrativo do Brandon é bem simples e direto, sem as firulas desnecessárias vistas em obras de outros autores.

Aliás, muitas coisas importantes para entendermos melhor a Cosmere nos são apresentadas nesse livro. Para quem não sabe, a Cosmere é um universo criado pelo autor Brandon Sanderson e que abrange vários locais, entre eles Scadrial e Roshar, continentes das séries Mistborn e The Stormlight Archive, respectivamente, além de várias outras obras. Como eu já li dois livros da outra série antes de The Hero of Ages, alguns detalhes não passaram desapercebidos para mim, fazendo com que eu entendesse bem melhor algumas consequências dos momentos finais da trilogia Mistborn.

São detalhes que o leitor pegará com o tempo, conforme for lendo os títulos do autor. Recomendo!

O Império Final, por ekr1703

Enfim, tudo o que me resta dizer é que ler todos os livros de Mistborn com certeza vale a pena. As respostas para os mistérios da trama estão ali, no 3º livro, só esperando pelo leitor para serem desbravadas. O desfecho da série certamente agradará à grande maioria dos fãs do autor.

A trilogia Mistborn é uma das grandes referências da fantasia na atualidade e merece ser desbravada por todos os fãs desse gênero. Com um worldbuilding excelente e um clímax digno de uma trilogia 5 estrelas, o autor Brandon Sanderson entrega ao leitor uma obra-prima de qualidade.

Avaliação final:

Mistborn:

1º livro - O Império Final
3º livro - O Herói das Eras

Existe também outra quadrilogia, cujo primeiro volume é intitulado The Alloy of Law, que se passa 300 anos após essa trilogia. Pretendo desbravar no futuro.

12 de jan. de 2015

Resenha: Words of Radiance - Brandon Sanderson


Título: Words of Radiance
Original: Words of Radiance
Série: The Stormlight Archive #02
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 1080
Editora: Tor Books (janeiro de 2014)

Sinopse: In the first volume, we were introduced to the remarkable world of Roshar, a world both alien and magical, where gigantic hurricane-like storms scour the surface every few days and life has adapted accordingly. Roshar is shared by humans and the enigmatic, humanoid Parshendi, with whom they are at war. Among those caught up in the conflict are Highprince Dalinar Kholin, who leads the human armies; his neice Jasnah, a renowned scholar; her student Shallan, a brilliant but troubled young woman; and Kaladin, a military slave who, by the book’s end, was beginning to become the first magically endowed Knight Radiant in centuries. In Words of Radiance their intertwined stories will continue and, as Sanderson fans have come to expect, develop in unexpected, wonderfully surprising directions. The war with the Parshendi will move into a new, dangerous phase, as Dalinar leads the human armies deep into the heart of the Shattered Plains in a bold attempt to finally end it. Shallan will come along, hoping to find the legendary, perhaps mythical, city of Urithuru, which Jasnah believes holds a secret vital to mankind’s survival on Roshar. The Parshendi take a dangerous step to strengthen themselves for the human challenge, risking the return of the fearsome Voidbringers of old. To deal with it all, Kaladin must learn how to fulfill his new role, while mastering the powers of a Windrunner.

Contém alguns spoilers do livro anterior!

O que dizer da sequência de The Way of Kings? Se o livro anterior já tinha me deixado extremamente satisfeito, esse aqui elevou o patamar da série às alturas, me deixou bufando em stormlight, literalmente. Achei que seria muito difícil o Brandon manter o excelente nível do livro anterior, mas o cara simplesmente fez melhor e escreveu uma sequência arrebatadora, cheia de novas teorias e com alguns combates singulares muito interessantes.


Repassando os últimos acontecimentos do 1º volume, agora Kaladin e seus companheiros de Bridge Four são os responsáveis pela guarda pessoal de Dalinar Kholin e sua família, um "prêmio" recebido por terem salvo o general durante a batalha na Torre após uma traição mais que fdp de Sadeas, um cara que merece morrer da pior forma possível. Que Stormfather me conceda esse desejo!!

Que mudança de vida, hein? De carregador de pontes enfrentando a morte todas as vezes que se aventurava nas Shattered Plains a capitão da guarda pessoal do homem que praticamente comanda Roshar, tendo que evitar a morte dos outros a qualquer custo, já que o rei Elhokar não é nem uma sombra se comparado ao falecido pai Gavilar Kholin.

Kaladin definitivamente é o melhor personagem da série e um dos que mais gostei até hoje em todos os livros de fantasia que consegui desbravar. Seus fantasmas do passado o impedem muitas vezes de seguir adiante e tornar-se um homem mais poderoso em Roshar, mas isso é facilmente entendido devido a todos os seus problemas do passado. Em Words of Radiance, vemos o lanceiro em uma posição que o incomoda, já que está muito próximo das intrigas da corte e sua intenção sempre foi e sempre será estar lutando nas Shattered Plains. Ao mesmo tempo que cumpre essa função, Kaladin precisa lidar com seus novos poderes e aprende que ser um bom Surgebinder não é assim tão fácil, ainda que a spren Syl está ali para ajudá-lo a entender como funciona a stormlight.


Mesmo que Kaladin seja o grande protagonista da série, Words of Radiance foi feito para Shallan, a aprendiz de Jasnah Kholin e que agora continua o trabalho da mesma, indo em direção às Shattered Plains para descobrir se Urithiru, a cidade que centralizava as dez ordens dos Knights Radiant, está escondida lá no meio. Isso sem contar que as teorias envolvem os Parshendi e seus "primos" parshmen são ainda mais tenebrosas, capazes de destruir a humanidade se tudo for confirmado.

"A woman's strength should not be in her role, whatever she chooses to be, but in the power to choose that role."

É incrível acompanhar a evolução de Shallan do livro anterior para esse. Daquela garotinha tímida para uma mulher, praticamente, capaz de tudo para descobrir os segredos que tanto perturbam os estudiosos e para infiltrando-se no meio de organizações perigosas, a um passo da morte. Isso sem contar que todos os flashbacks de WoR são com Shallan como personagem principal, e neles descobrimos como foi que seu pai e sua mãe morreram, como seus irmãos foram criados e também todo o tratamento que Shallan recebeu para hoje ter a personalidade que tem.


Mais uma coisa: Shallan definitivamente sai da caverna nesse livro. Algumas revelações sobre ela são incríveis e fazem com que seus povs sejam bem melhores em WoR do que em TWoK.

Outros que ganharam mais destaque nessa sequência são os homens da família Kholin. Renarin agora é um shardbearer e precisa aprender a lutar, ainda que seus "problemas de saúde" o atrapalhem bastante. Para superar isso, nada melhor que se juntar à Bridge Four, correto? Adolin tem uma participação bem maior nesse livro, deixando-nos a par de sua grande habilidade, principalmente em duelos contra outros shardbeares a fim de conseguir mais shardplates e shardblades para a família e assim enfraquecer os inimigos políticos dos Kholin, visto que eles podem e querem atrapalhar o plano de seu pai: reunificar todos os highprinces e finalmente derrotar os Parshendi. Mas quem manda mesmo na parada é Dalinar Kholin, the Blackthorn, agora um homem preocupado, mesmo que obrigatoriamente, com a política e as intrigas que cercam o reino. Sua relação extramamente conturbada com Sadeas ganha outro nível em Words of Radiance, ainda mais que agora temos alguns povs daquele traidor no livro e também entendemos/odiamos as motivações dele em querer que Dalinar saia da posição em que está e seja morto a qualquer hora.

E, para finalizar a lista dos personagens que mais apareceram em Words of Radiance, temos Eshonai e Szeth. A primeira, uma guerreira Parshendi, tem alguns pontos de vista narrados durante o livro e esses capítulos são MUITO interessantes. Conhecemos mais sobre os inimigos do reino, suas diversas formas e sua forma de pensar e, principalmente, lutar e conversar, além de acompanharmos a evolução dos Parshendi e suas última tentativa de sobrevivência. Já Szeth, sempre contratado para matar quem quer que seus mestres desejam, agora tem uma missão maior e precisará tirar do caminho vários highprinces de Roshar, além de encontrar finalmente um adversário ao seu alcance durante a narrativa. As partes de luta de Szeth eram sempre as melhores em The Way of Kings, e aqui não é diferente. Prepare-se para muitos momentos de tensão quando ele aparece, é sempre certeza de adrenalina e muita stormlight sendo utilizada!

 

Comparado ao livro anterior, The Way of Kings, WoR tem menos batalhas mas muito mais intrigas, a escala do mundo cresce consideravelmente e somos apresentados cada vez mais a novos lugares de Roshar e suas particularidades. Eu, particularmente, gostei muito de ambos os livros, mas esse aqui expande a série para outro nível e torna tudo muito melhor. Os segredos de todo (o) mundo crescem ao mesmo tempo que alguns são revelados, alguns personagens descobrem ser capazes de fazer coisas que ninguém imaginava.

“You sent him to the sky to die, assassin," Kaladin said, Stormlight puffing from his lips, "but the sky and the winds are mine. I claim them, as I now claim your life.”

O que mais me intrigou e me satisfez nesse livro foi descobrir algumas coisas por trás das dez ordens dos Knights Radiant e sobre a origem das sharplates/shardblades, além de nos ser explicada muita coisa a respeito dos espíritos da terra de Roshar, os/as sprens, como é o caso de Syl com Kaladin e de Pattern com Shallan. Ambos desenvolvem-se enquanto seguem os personagens principais e aumentam o seu conhecimento sobre o mundo e as coisas ao seu redor. Sem contar que ter capítulos que se passam entre os Parshendi foi excepcional, a cultura deles é totalmente diferente do que se vê por aí e o modo como se relacionam é bem singular, sendo que todas as suas classes tem uma devida importância entre o povo e assim todos se ajudam mutuamente.

Quem ainda não partiu para desbravar The Stormlight Archive não sabe o que está perdendo!!! É uma leitura agradável, mesmo que os livros tenham mais de 1.000 páginas, as coisas começam a se encaixar de um jeito intrigante, os personagens são bem construídos e fica até fácil identificar-se com vários deles (eu gosto demais do Kaladin, mas eu praticamente me vejo sendo Dalinar, o Blackthorn. Todas as atitudes que ele toma são exatamente as mesmas que eu faria, parece até que o Brandon está escrevendo a minha história quando for mais velho, haha). Uma saga épica que promete ser uma das melhores de todos os tempos, mesmo que só 2 dos 10 livros prometidos tenham sido lançados até o momento. Eu estou tendo a oportunidade de acompanhá-la desde o início e tenho certeza que não me arrependerei quando tudo terminar.

Fica novamente a recomendação dessa série de fantasia épica. Brandon Sanderson escreve sem muitas enrolações e está presenteando os seus leitores com excelentes personagens e um mundo incrivelmente único. Que venha o terceiro (Skybreaker) em 2016!

Avaliação final:


The Stormlight Archive:

1º livro - The Way of Kings
2º livro - Words of Radiance
3º livro - Skybreaker (previsão de lançamento para 2016)
4º livro - Sem nome
5º livro - Sem nome
6º livro - Sem nome
7º livro - Sem nome
8º livro - Sem nome
9º livro - Sem nome
10º livro - Sem nome

25 de nov. de 2014

Resenha: The Way of Kings - Brandon Sanderson


Título: The Way of Kings
Original: The Way of Kings
Série: The Stormlight Archive #01
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 1007
Editora: Tor Books

Sinopse: Roshar is a world of stone and storms. Uncanny tempests of incredible power sweep across the rocky terrain so frequently that they have shaped ecology and civilization alike. Animals hide in shells, trees pull in branches, and grass retracts into the soiless ground. Cities are built only where the topography offers shelter. It has been centuries since the fall of the ten consecrated orders known as the Knights Radiant, but their Shardblades and Shardplate remain: mystical swords and suits of armor that transform ordinary men into near-invincible warriors. Men trade kingdoms for Shardblades. Wars were fought for them, and won by them. One such war rages on a ruined landscape called the Shattered Plains. There, Kaladin, who traded his medical apprenticeship for a spear to protect his little brother, has been reduced to slavery. In a war that makes no sense, where ten armies fight separately against a single foe, he struggles to save his men and to fathom the leaders who consider them expendable. Brightlord Dalinar Kholin commands one of those other armies. Like his brother, the late king, he is fascinated by an ancient text called The Way of Kings. Troubled by over-powering visions of ancient times and the Knights Radiant, he has begun to doubt his own sanity. Across the ocean, an untried young woman named Shallan seeks to train under an eminent scholar and notorious heretic, Dalinar’s niece, Jasnah. Though she genuinely loves learning, Shallan’s motives are less than pure. As she plans a daring theft, her research for Jasnah hints at secrets of the Knights Radiant and the true cause of the war. The result of over ten years of planning, writing, and world-building, The Way of Kings is but the opening movement of the Stormlight Archive, a bold masterpiece in the making.

Brandon Sanderson está, de fato, entrando na lista dos meus autores favoritos. Cada livro dele é praticamente uma obra-prima e com The Way of Kings não foi nada diferente, muito pelo contrário, é a confirmação de que o autor está sempre melhorando! Primeiro livro da série The Stormlight Archive, a qual promete ter DEZ livros, essa obra foi feita para aquele leitor que adora batalhas, personagens bem desenvolvidos, momentos vibrantes e todo aquele clima épico que envolve um mundo gigante (Roshar) e que está em guerra.

O livro começa com um prelúdio cerca de 4.500 anos antes da história atual, quando dois Heralds conversam após uma batalha contra os temidos Voidbringers, seres que expalhavam destruição por onde passavam, e decidem partir, deixando suas armas e a humanidade para trás. Vale ressaltar que existem 10 ordens de Radiants e que cada uma dela segue um dos dez Heralds. Quando eles decidiram deixar os humanos, um deles ficou para trás e nunca foi encontrado, além de os Radiants terem se voltado contra a própria humanidade e tentá-lo dizimá-los. Ficou um pouco confusa essa parte, né? Leia e certamente tudo fará sentido!

Após essa explicação inicial, somos transportados no tempo para 4.500 anos depois, quando acompanhamos um banquete de comemoração à união de dois povos: Alethkar e os Parshendi. O ponto de vista fica com Szeth, um Truthless, obrigado a cumprir ordens e jamais desobedecê-las, mesmo que contrariando a si mesmo e desejando não ter sido treinando para matar. Sua missão é muito simples: ser visto matando o rei Gavilar Kholin, governante de Alethkar. Nessa parte nos são apresentadas uma shardplate e uma shardblade, cujos donos se tornam praticamente um exército inteiro, visto que elas têm habilidades especiais e são decisivas no campo de batalha. Enfim, ao final do capítulo, Szeth consegue fazer o seu serviço e é aí que a treta começa.

Antes de avançar, preciso falar sobre Roshar. O mundo criado por Brandon Sanderson é incrível e extremamente diferente dos vistos hoje em dia. Devido às highstorms, tempestades violentas que devastam todo lugar por onde passam e acontecem seguidamente, a população precisou se adaptar a isso e agora vive em formações rochosas que os protegem (um pouco) dessas tempestades, pois não há escolha: ninguém que tenha enfrentado uma highstorm de frente jamais sobreviveu. Como a geografia dos locais virou predominantemente rochosa, as plantas e animais que vivem sobre elas são bem peculiares e adaptados a esse tipo de ambiente.

Mais cinco anos se passam após Szeth ter realizado sua missão e finalmente (!) chegamos à narrativa principal, ambientada principalmente nas Shattered Plains, planícies devastadas e muito peculiares, com abismos gigantes entre si (ver imagem ao lado) e que obrigam os exércitos a utilizarem pontes para atravessá-las devido à sua distância (ver imagem abaixo). Lá, 10 exércitos diferentes do lado de Alethkar lutam contra os Parshendi para vingar a morte de Gavilar, agora comandados por Elhokar, herdeiro do antigo rei. Cada um dos povos vive em um lado oposto das Shattered Plains, os Alethkar a oeste e os Parshendi a leste, e para se enfrentarem precisam atravessar essas formações e tentar escolher o melhor lugar para uma batalha, além de sempre perseguir os chamsfiends (imagem aqui), monstros que possuem gemstones dentro de si, as quais são extremamente cobiçadas.

Shattered Plains
Vale ressaltar também que, em Alethkar, as pessoas que estão no poder possuem olhos claros, enquanto as que têm olhos escuros fazem parte da camada mais baixa da população, principalmente escravos. E é aí que entra um dos nossos personagens principais: Kaladin. Obrigado a abandonar seu treinamento de cirurgião e ir para a guerrar com seu irmão, Kaladin acaba se tornando escravo no exército do Highprince Sadeas e trabalha como bridgeman, responsável por levar as pontes de abismo a abismo para que os exércitos possam cruzar. Um dos personagens mais ferrados e destroçados por dentro de toda a literatura, é o que posso antecipar sobre Kaladin. Antes de virar escravo, Kaladin era um mestre com sua lança e protegia as fronteiras de Alethkar, mas após tantas perdas sucessivas das pessoas que ama e dos seus companheiros é impossível manter-se o mesmo. Após determinando momento Kaladin passa a ser acompanhado por Syl, uma spren, tipo de espírito que estabelece uma ligação com alguém e passa a seguí-lo. No início ela possui uma personalidade extremamente limitada, mas com o tempo começa a adquirir um senso crítico e também desenvolve os seus pensamentos para um nível superior.

Kaladin, ao ver que seus companheiros bridgemen também encontram-se em situações não muito boas, acaba tentando tomar as rédeas da situação e procura sempre uma maneira de fazê-los não morrer na batalha seguinte, pois um bridgeman serve de isca para os Parshendi, já que eles sempre chegam antes ao campo de batalha e precisam largar as pontes para os exércitos lutarem. Muitas provações aguardam por Kaladin, já que ele parece ter sido feito para isso: sobreviver enquanto todos ao seu redor partem.


Outro personagem importante é Dalinar Kholin, shardbearer completo e irmão do antigo rei, comandante de um dos exércitos de Alethkar e agora intrigado com um livro chamado The Way of Kings, que contém pensamentos dos antigos Radiants e seus ideais. Atormentado pelas highstorms, Dalinar sempre tem visões quando elas chegam, mas ninguém sabe ao certo se elas são reais ou apenas frutos de sua imaginação. Preparem-se para as melhores batalhas do livro com Dalinar e seu filho Adolin, dois shardbeares que conseguem suportar ataques de centenas de Parshendi e com isso estão sempre na linha de frente quando uma guerra acontece. Esse cara ainda será muito importante no decorrer da série, ainda mais por nutrir uma antipatia por Sadeas, comandante de outro dos exércitos de Alethkar.
Shardbearers, guerreiros que possuem shardplate e/ou shardblade

Acharam que não ia ter personagem feminina nesse livro? Pois se enganaram! Shallan Davar está aí para provar que nem só de homens fortes e guerreiros se faz uma boa fantasia épica. Com a intenção de virar aprendiz de Jasnah Kholin, filha do antigo rei, Shallan viaja e também tem outros planos em mente, muito menos íntegros. Atormentada pela morte recente do pai, ela deixa sua casa e seus irmãos para trás e aposta todas as suas fichas nisso, mal sabendo que irá se inserir em uma trama muito mais complexa. Shallan foi a personagem que menos simpatizei, mas ela certamente será importante para o desenvolver da história pois acaba nos apresentando diferentes aspectos de Roshar e seus estudos sobre seres do passado provavelmente mudarão o rumo de todos os personagens em algum momento.


O sistema de magias é bem complexo, composto por surgebinding e voidbinding, cada um deles dividido em dez tipos diferentes (imagem abaixo). Não nos são apresentados muitos detalhes sobre isso nesse primeiro volume, então vou deixar essa explicação para outro momento, quando souber melhor como explicá-lo para você, leitor. Só fique sabendo que esse sistema é muito interessante e nem todos os personagens podem utilizar esses diferentes tipos de magia.

Arte interna do livro com anotações de algum leitor

Você, que está lendo essa resenha nesse exato momento e costuma ler em inglês, parta logo para The Stormlight Archive e admire-se com um livro excelente, protagonizado por personagens muito bem construídos e um worldbuilding gigantesco, capaz de deixar qualquer leitor perdido em meio a tantos lugares e suas peculiaridades. Não preocupe-se com o tamanho do menino, 1.007 páginas, algumas delas podem até não fazer sentido em algum momento e parecem apenas enrolação de linguiça, continue, seja insistente, e NÃO TENHA PRESSA EM TERMINÁ-LO. O final te deixará todo tonto e ávido por mais. Eu avisei, podem me cobrar depois...

Por fim, digo para vocês que a edição da Tor Books é simplesmente magnífica. Com capa dura e cheia de imagens incríveis e coloridas ainda por cima, essa edição de The Way of Kings é leitura obrigatória para os fãs de fantasia épica e que ainda por cima não dispensam um livro bonito e gigante, digno de ser folhado. Que venha o próximo, um monstro colossal de quase 1.100 páginas!

Avaliação final:

The Stormlight Archive:

1º livro - The Way of Kings
2º livro - Words of Radiance
3º livro - Oathbringer (previsão de lançamento para 2016)

4º livro - Sem nome
5º livro - Sem nome
6º livro - Sem nome
7º livro - Sem nome
8º livro - Sem nome
9º livro - Sem nome
10º livro - Sem nome
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