27 de ago de 2017

Desbravando e a magia de seguir em frente

Vamos nos despedir?

Isso já aconteceu uma vez, em dezembro de 2015, logo antes do meu intercâmbio para a Irlanda, quando achei que nunca mais iria postar no blog e abandoná-lo de vez. Acontece que, naquela hora, parecia até que era sério, mas depois de alguns meses eu acabei voltando a ativar o blog.

Só que as coisas acabaram não evoluindo tanto para o Desbravando Livros desde então. As postagens ficaram escassas, o tempo diminuiu, os comentários foram ladeira abaixo, a interação não era mais a mesma, enfim, vários fatores que me fizeram chegar à decisão que tomo agora.


A era do "Desbravando Livros" chega ao seu final, um período de aproximadamente 5 anos (desde maio de 2012), com 109 resenhas postadas com muita dedicação e aquela vontade imensa de compartilhar vários mundos com os leitores.

Não posso deixar de agradecer os mais de 438.000 (!) acessos ao blog, acreditem, para mim isso significa muito mesmo. Houve um tempo em que eu só lia e passava adiante para o próximo livro, e agora sei que milhares de pessoas se preocupavam com a minha opinião e aguardavam pelo que eu escreveria. Já pensaram em como isso é LEGAL PRA CARAMBA?!?

A literatura fantástica une pessoas do mundo todo, fiz amigos incríveis nesse período, relações que pretendo manter firmes para sempre, pois os lançamentos não irão parar, assim como nossas noites sem sono depois de ter aquela ressaca literária braba.

E isso é o mais importante: as pessoas que conhecemos, os personagens que amamos/odiamos, os mundos que desbravamos e as histórias que contamos.

Hoje me sinto orgulhoso por ter compartilhado isso tudo com vocês.

O meu mais sincero OBRIGADO a todos vocês que fizeram parte dessa jornada!

Grande abraço do desbravador Vagner Stefanello.

19 de ago de 2017

Resenha: A Rainha do Fogo - Anthony Ryan

Título: A Rainha do Fogo
Original: Queen of Fire
Série: A Sombra do Corvo/Raven's Shadow #3
Autor: Anthony Ryan
Tradutor: Gabriel Oliva Brum
Páginas: 752
Editora: LeYa (abril de 2017)

Sinopse: Depois de escapar da morte por um fio, a Rainha Lyrna está determinada a expulsar os invasores volarianos e retomar o controle do Reino Unificado. Mas, para isso, ela precisará fazer mais do que reunir seguidores leais: deverá se juntar às forças que, no passado, achou repugnantes – pessoas com os estranhos e variados dons das Trevas – e levar a guerra para o território inimigo. A vitória está nas mãos de Vaelin Al Sorna, agora nomeado Senhor da Batalha. Seu caminho, no entanto, não será nada fácil, pois o Império Volariano possui uma nova arma: o misterioso Aliado, capaz de estender a vida de seus servos. Como Vaelin poderá matar o que não pode ser morto, agora que sua canção do sangue, o poder que o tornou um feroz guerreiro, ficou subitamente emudecida? Na emocionante conclusão da saga best-seller do The New York Times “A Sombra do Corvo”, Vaelin Al Sorna precisa ajudar a Rainha a retomar o Reino Unificado e defendê-la de uma nova ameaça, algo com poderes tão sombrios quanto os piores pesadelos do herói.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Em tempos em que dezenas de lançamentos de novas séries chegam ao Brasil, terminar qualquer uma que seja já é um fato a ser comemorado. A gente quer ler TUDO, mas ao mesmo tempo não consegue ler NADA. Felizmente, tinha como meta finalizar trilogia A Sombra do Corvo e consegui cumpri-la ainda no 1º semestre de 2017. Portanto, sem mais delongas, vamos à parte que interessa.

A Rainha do Fogo começa logo após os acontecimentos de O Senhor da Torre, quando os habitantes do Reino Unificado conseguem derrotar as forças invasores do Império Volariano em Alltor. No entanto, ainda restam forças leais a eles dentro do próprio Reino, traidores de sua nação dispostos a enriquecer e receber o dom da imortalidade se cumprirem os desejos dos servos do misterioso Aliado. É justamente essa a próxima tarefa da Rainha Lyrna para que o seu reinado seja duradouro e próspero: arrancar as maçãs podres do seu pomar, e para isso terá que se dirigir até Varinshold.

"O Aliado está lá, mas sempre como uma sombra, uma catástrofe inexplicada ou um assassinato cometido por ordem de um espírito sombrio e vingativo. Separar verdade de mito costuma ser uma tarefa infrutífera."

O começo desse livro trata muito daquele típico cenário "pós-guerra", com bastante politicagem rolando, reconstrução do que é necessário, estabelecimento de novos acordos e alianças, etc.

Enquanto essa parte se desenrola, acompanhamos Frentis após a queima impiedosa da Floresta Martishe, um ato cruel por parte dos invasores. Agora aliado do Reino, o Escudo lidera tropas meldeneanas numa perseguição aos volarianos, mostrando que pode ser útil à Lyrna, buscando algumas vantagens para si, é claro. Já Verniers, o cronista dessa história que acompanhamos, é enviado ao Império Alpirano para uma missão diplomática. E quanto a Vaelin, nosso protagonista?


Bem, Vaelin Al Sorna parece ter perdido o seu dom da canção. Após se esforçar ao limite no combate em Alttor, Vaelin desmaia e, ao despertar, percebe que a canção não está mais presente. O que será dele sem o instinto que lhe guiou por muitos anos de sua vida? Bora ler para descobrir.

Decidida a retaliar o Império Volariano pelos danos causados, Lyrna decide que é hora de atacá-los, antes que se reagrupem e marchem para o Reino Unificado novamente. E é a partir desse momento que parece que a escrita do Anthony Ryan começa a enfraquecer. Alguns capítulos não avançam tanto, mesmo que sejam necessários para o estabelecimento do "pós-cerco em Alltor" e "preparação para mais guerras", mas a decisão que ele tomou para o rumo do Vaelin, para mim, não foi a mais adequada. Os melhores capítulos de toda a série eram quase sempre dele, principalmente no 1º livro, mas vários do 2º também. Aqui ele meio que se afasta da proposta inicial desse personagem e sacrifica aquela beleza e epicidade que era a sua narrativa de guerreiro.

"Vaelin podia ver, através da neblina matutina, os piquetes se movendo num passo descontraído e sem nenhum sinal de alarme. Ele aguardou à medida que o sol esquentava sua nuca e sua sombra estendia-se no solo adiante, uma longa seta escura apontada para o exército volariano."

Importante ressaltar nessa resenha algumas mudanças de atitudes dos personagens, mostrando uma evolução no seu pensamento. Lyrna, agora como comandante de uma nação, perdoa seu próprios erros do passado e passa a ver os dotados como as pessoas que realmente são, e não como aberrações. Frentis precisa lidar com as consequências por ter assassinado o antigo rei Malcius.


Alornis, irmã de Vaelin, é uma que merece atenção. Não sei se para o bem ou para o mal. De mera aprendiz de pintura/escultura, vira uma "artista de guerra", elaborando planos e armas poderosas. Ficou um pouco forçado, mas enfim, deu para relevar um pouco. Reva evoluiu consideravelmente como guerreira, tendo também que confrontar seus pesadelos do passado ao longo das páginas.

No entanto, relacionando mais à história em si, para mim o Anthony Ryan tentou crescer/desenvolver TANTO o seu mundo, a magia, a quantidade de personagens, etc., que algo não saiu perfeito. A intenção foi excelente, mas não brilhantemente executada. Aprendemos mais sobre a canção e os outros poderes, conhecemos lugares novos, etc., mas nem tudo se encaixou.

O avanço do Reino para o combate final contra o Império Volariano toma boa parte do livro, talvez pudesse ter durado um pouco menos, "transferindo" algumas páginas para as partes finais. Poderia ter dado uma cadência maior à leitura. No entanto, vários momentos épicos são reservados, com revelações impactantes ao leitor. Muitos embates recheados de reviravoltas para ambos os lados!

"Se vamos dividir o poder, sou forçada a concluir que você precisa de uma lição sobre o preço dele. Poder jamais foi conquistado sem sangue, ambições jamais foram realizadas sem sacrifícios."

As explicações por trás do Aliado (quem ele é/era, quais suas motivações, como chegou até a posição atual, etc.) foram respondidas e achei satisfatórias, devem agradar à maioria dos leitores.

Alguns detalhes dos livros anteriores são necessários para entender o que acontece, então sugiro fazer uma leitura por cima do que se passou e preparar-se para adivinhar o que A Sombra do Corvo revela. O livro termina com poucas pontas soltas, mas que podem servir de gancho para uma continuação, caso ela venha a existir. Eu não reclamaria, pois a ambientação da série me cativou.

Além disso, o autor conseguiu balancear de uma maneira positiva os pontos de vista de personagens femininos e masculinos, dando o destaque necessário para ambos durante o andamento da série.

Mesmo com os vários defeitos do volume final, eu recomendo bastante a trilogia do Anthony Ryan. O saldo foi bem positivo e às vezes me pego pensando nos acontecimentos, lembrando dos personagens e dos bons momentos que passei ao ler A Sombra do Corvo. Espero que vocês gostem!

Avaliação final:


A Sombra do Corvo:

Livro 1 - A Canção do Sangue
Livro 3 - A Rainha do Fogo

23 de mai de 2017

Resenha: O Portador do Fogo - Bernard Cornwell

Título: O Portador do Fogo
Original: The Flame Bearer
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #10
Autor: Bernard Cornwell
Tradutor: Alves Calado
Páginas: 322
Editora: Record (maio de 2017)

Sinopse: Uhtred é o senhor de Bebbanburg e nada nem ninguém ficará no seu caminho para reconquistá-la nesse décimo volume da série Crônicas Saxônicas A Britânia enfim encontra um momento de paz. Sigtryggr, senhor da Nortúmbria, e a rainha Æthelflaed, senhora da Mércia, chegaram a um acordo e decretaram uma trégua, com o apoio do maior guerreiro da época, Uhtred de Bebbanburg. Uhtred vê então a chance de recuperar suas terras, tomadas por seu tio tantos anos — e agora mantidas por seu ardiloso primo. Mas os inimigos que Uhtred fez depois de tantos anos em guerra e os juramentos que prestou, além de uma rede de intrigas, o desviam temporariamente do sonho de recuperar Bebbanburg. E isso abre espaço para o surgimento de um novo inimigo, o temível Constantin da Escócia, que aproveita o clima de incertezas para comandar seu exército para o sul e conquistar terras da Nortúmbria. Porém, Uhtred está determinado, e nada, nem novos nem antigos inimigos, será capaz de mantê-lo afastado de seu direito de nascimento.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Enfim chega ao Brasil o DÉCIMO livro das Crônicas Saxônicas. Parece até que foi ontem (2012) que comecei a série acompanhando a vida de um pirralho e literalmente devorando os livros seguintes.

Após os acontecimentos do 9º volume, quando Uhtred, Finan e seus guerreiros derrotam o exército do irmão de Sigtryggr, Ragnall, além das mortes de Brida e Haesten, agora as atenções do nosso protagonista voltam-se totalmente ao norte, em direção à Bebbanburg, sua fortaleza de direito.

Ajudado pelo fato do seu genro Sigtryggr, casado com Stiorra, ser o comandante atual da Nortúmbria, Uhtred sabe que não terá que se preocupar com inimigos às suas costas quando avançar para o norte, focando-se somente no que interessa. Para manter a paz, um acordo foi feito com Æthelflaed, onde Sigtryggr abriu mão de várias terras e de vários burhs que havia conquistado.

Mas nem tudo são flores, é claro. Ao aproximar-se de Bebbanburg, Uhtred descobre que seu primo está sendo abastecido com comida e contratando guerreiros a partir do norueguês Einar, o Branco, já temendo um ataque de Uhtred à fortaleza inexpugnável. As coisas ainda pioram quando um exército escocês aparece, liderado pelo chefe de guerra Constantin, reivindicando todas as terras acima da Muralha de Adriano. Para eles, essa parte do território é escocesa, e isso inclui as terras em volta de Bebbanburg. Com uma quantidade de guerreiros bem menor e sem querer se arriscar, Uhtred é obrigado a recuar, indignado com as artimanhas aprontadas pelas fiandeiras do destino.

"Eu digo aos meus netos que a confiança vence batalhas. Não desejo que eles lutem, preferiria tornar o mundo de Jeremias uma realidade e viver em harmonia, mas sempre há algum homem, e geralmente é um homem, que olha com inveja para os nossos campos, que quer a nossa casa, que acha que seu deus rançoso é melhor que o nosso, que virá com fogo, espada e aço tomar o que construímos e torná-lo seu. E, se não estivermos prontos para lutar, se não tivermos passado aquelas horas tediosas aprendendo a usar espada, escudo, lança e seax, esse homem vencerá e nós morreremos. Nossos filhos serão escravos, nossas mulheres serão prostitutas e nosso gado será morto. Por isso precisamos lutar, e um homem que luta confiante vence."

Um oponente do passado aparece para atrapalhar ainda mais a sua vida: o poderoso ealdorman Æthelhelm, sogro de Eduardo e atualmente o homem mais poderoso do reino de Wessex. Determinado a confirmar seu neto como sucessor do atual rei, ele deseja uma invasão o quanto antes da Nortúmbria, o que vai de encontro à vontade de Uhtred. Æthelhelm teria que passar por cima de Sigtryggr e Stiorra, mas como foi visto no 9º livro, não se mexe com a família dos outros.

Os primeiros capítulos desse 10º livro são cheios de intrigas políticas e incertezas quanto ao futuro da Inglaterra. Ao acompanharmos os pensamentos de Uhtred, percebemos que a união dos quatro reinos ainda está bem longe de acontecer, apesar do domínio territorial saxão indicar o contrário. E isso é algo que com certeza será MUITO explorado também nos próximos volumes da série, quando os próprios saxões entrarão em conflito entre si para decidir quem seguirá o sonho de Alfredo.

Com um ritmo menos empolgante que o antecessor, O Portador do Fogo sofre um pouquinho com a parte política na primeira metade, quando o leitor é constantemente deslocado para um lado e para outro, tentando entender o que está acontecendo e quais serão as consequências.

No entanto, quando chegamos na parte onde se cumpre o prometido na sinopse, a coisa pega fogo.

Nesse livro acontece algo que praticamente todos os fãs da série estavam esperando. Não escreverei aqui exatamente o que é para não dar spoilers aos desavidos, mas quem acompanha a história do Uhtred desde pequeno não tem como errar. É pra glorificar de pé, irmãos! Chegou o grande dia!

Eu tinha desamarrado as placas faciais do elmo, deixado que eles vissem o sangue no meu rosto, que vissem o sangue na minha cota de malha, nas minhas mãos. Eu era um homem de ouro e sangue. Era um senhor da guerra e estava tomado pela fúria da batalha. O inimigo estava a dez passos de distância e eu caminhei cinco desses dez, ficando sozinho diante deles. — Esta é a minha rocha! — vociferei para eles.

E que narrações sensacionais! Nos capítulos finais passa um filme na nossa cabeça, do Uhtred levando uma pancada do Ragnar velho para depois ser recebido pelo Ragnar filho, da batalha com Ubba à beira do mar, dele derrubando Svein do Cavalo Branco, de acompanhar a morte de Kjartan pelas mãos de Ragnar, da briga por Lundene, dos momentos íntimos com Gisela e seus herdeiros, da morte do rei que ele amava e odiava ao mesmo tempo, entre tantas outras coisas que fazem das Crônicas Saxônicas um conjunto de narrativas épicas de brilhar os olhos. Wyrd bið ful aræd

Impossível não se emocionar por um momento que esperávamos por tanto tempo.

Com um (baita) peso a menos nas costas, a série poderá avançar bastante, até momentos tensos na história da formação da Inglaterra, como a disputa pela sucessão do trono quando Eduardo, o filho do falecido Alfredo, morrer. Muitas tretas para os leitores nas sequências das Crônicas Saxônicas.

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
10º livro - O Portador do Fogo
11º livro - ?
...

26 de abr de 2017

Resenha: Jardins da Lua - Steven Erikson

Título: Jardins da Lua
Original: Gardens of the Moon
Série: O Livro Malazano dos Caídos/The Malazan Book of the Fallen #1
Autor: Steven Erikson
Páginas: 608
Editora: Arqueiro (março de 2017)

Sinopse: Desde pequeno, Ganoes Paran decidiu trocar os privilégios da nobreza malazana por uma vida a serviço do exército imperial. O que o jovem capitão não sabia, porém, era que seu destino acabaria entrelaçado aos desígnios dos deuses, e que ele seria praticamente arremessado ao centro de um dos maiores conflitos que o Império Malazano já tinha visto. Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite. O local ainda resiste à ocupação malazana e é a joia cobiçada pela imperatriz Laseen, que não está disposta a estancar o derramamento de sangue enquanto não conquistá-lo. Porém, em pouco tempo fica claro que essa não será uma campanha militar comum: na Cidade do Fogo Azul não está em jogo apenas o futuro do Império Malazano, mas estão envolvidos também deuses ancestrais, criaturas das sombras e uma magia de poder inimaginável. Em Jardins da lua, Steven Erikson nos apresenta um universo complexo de cenários estonteantes e ações vertiginosas que mostram por que esta é uma das maiores sagas épicas.

Jardins da Lua, do autor Steven Erikson, era um dos lançamentos de fantasia mais aguardados no Brasil para esse ano de 2017. E isso que a finada Saída de Emergência havia adquirido os seus direitos um bom tempo atrás, mas acabou não lançando e faliu antes disso, então a obra caiu no colo da editora Arqueiro, que parece ser a mais indicada para tocar a série até o seu final, já que o Steven Erikson escreveu míseros 10 volumes para O Livro Malazano dos Caídos. O histórico da Arqueiro em não abandonar séries é muito bom, então vejo Malazan sendo finalizada em um período de 5 anos, até 2021, aproximadamente, com 1 livro sendo lançado a cada semestre.

Dois anos atrás, eu bem que tentei ler Gardens of The Moon (vulgo Jardins da Lua) em inglês mesmo, mas estava sem foco para ler fantasia na época e acabei largando depois de umas 200 páginas. Não tinha gostado muito, estava bem perdido na leitura, mas na 2ª vez foi mais tranquilo.

O estilo do autor é diferente dos que eu estava mais acostumado a ler, o que acaba tornando a experiência inicial com a série meio... estranha. Ele vai jogando personagens novos na nossa frente a cada 5-10 páginas, muitos vezes sem mencionar exatamente quem eles são, fazendo a ida ao Glossário uma busca constante pela luz no fim do túnel. Que porra é essa que tá acontecendo aqui? Não faço a mínima ideia, jureg. A sensação de "tô bem perdido" é comum nos primeiros capítulos.

O Massacre de Itko Kan (Conselheira Lorn e Ganoes Paran), por Luktarig

Acompanhamos o avanço do Império Malazano no continente de Genabackis, onde boa parte dele já foi conquistada pelos invasores, mas duas das Cidades Livres ainda resistem, Pale e Darujhistan. Essa "ânsia" por conquistar vem da política de guerra da nova imperatriz, Laseen, que assassinou o antigo imperador Kellanved e seu principal conselheiro, Dançarino. Esse golpe é mencionado algumas vezes no livro, mas quero mais detalhes em breve. Pelo que soube, o livro A Noite das Facas, lançamento da editora Cavaleiro Negro, trata bastante dessas mudanças em Malaz.

Logo nas primeiras partes já podemos ter uma noção de como a feitiçaria será tratada na série. Ela está ali, E MUITO PRESENTE, diga-se de passagem. Em meio aos massacres da primeira parte do livro, somos apresentados a personagens que nos acompanharão por muitas páginas de Jardins da Lua, como a conselheira Lorn, braço direito da imperatriz, e Ganoes Paran, atualmente tenente do Império Malazano e enviado a Genabackis para comandar o cerco a Darujhistan, joia do continente.

"Histórias não fazem ninguém sangrar. Histórias não deixam ninguém com fome nem machucam os pés. Quando se é jovem, cheirando a merda de porco, e se está convencido de que não há uma arma em toda a porcaria do mundo que seja capaz de matá-lo, tudo o que as histórias conseguem é fazer você querer se tornar parte delas."

À frente do esquadrão dos Queimadores de Pontes, que Paran assumirá, está o capitão Whiskeyjack. Antes uma unidade de elite do imperador Kellanved, agora os Queimadores foram relegados a tarefas ordinárias e frequentemente suicidas, uma mera amostra do desprezo que Laseen tem por eles. Quem pensa diferente disso é o Alto Punho Dujek Umbraço, o que pode/deve gerar conflitos.

Voltando a falar um pouco da magia em si, o sistema aqui é bem confuso, mas interessante ao mesmo tempo. Os tais Labirintos são legítimos quebra-cabeças para entendê-los, e creio que nesse 1º volume mal vimos do que eles são capaz. Segundo o próprio livro: "Os Labirintos habitavam o além. Encontre o portal e abra uma fenda. O que vazar é seu para modelar. Com essas palavras, uma jovem iniciou o caminho para a feitiçaria. Abra-se para o Labirinto que vem até você – que encontra você. Absorva seu poder, mas lembre-se: quando seu corpo fracassa, o portal se fecha". Espero ter mais para falar nas próximas resenhas, por enquanto vou ficar só nas especulações.

Focando mais em Darujhistan, percebemos claramente que MUITA coisa está em jogo no momento que o Império Malazano bate às suas portas. E é aí que a "escala" de Malazan começa a crescer. Depois de nos acostumarmos com as dezenas de personagens, o negócio começa a fluir de verdade.

Darujhistan, por guat

Para não sucumbir aos ataques, as forças defensoras d'A Cidade do Fogo Azul, como é mais conhecida Darujhistan, por causa da sua iluminação à base de gás, forjam alianças com forças misteriosas. Uma delas é Anomander Rake, tiste andii,o Senhor da Cria da Lua, poderosa fortaleza voadora (WTF?!? hahaha). Com uma espada como Dragnipur nas costas, capaz de enviar as almas de deuses e mortais para serem aprisionadas em uma carroça monstruosa com correntes gigantescas, a balança da guerra pode mudar a qualquer momento. Pode depender de quem tiver mais sorte.


Darujhistan também é palco de diálogos interessantes, principalmente quando o personagem Kruppe estiver presente. Fiquem de olho nele e seus amigos. Envolvidos em uma conspiração junto à Sociedade dos Assassinos, assim como as manobras dos magos locais, os acontecimentos do grupo "principal" nessa parte do livro fazem a leitura fluir num ritmo bem melhor do que no começo.

"Por toda a nossa vida nós lutamos por controle, por um meio de moldar o mundo à nossa volta, uma caçada eterna e inútil pelo privilégio de sermos capazes de prever a forma de nossas vidas."

Quando alguns segredos do passado começam a ser desvendados e fatos milenares tendem a ser desenterrados, percebemos o quanto o worldbuilding (a famosa construção do mundo) faz o seu papel nessa série. Acho que é talvez o grande motivo por eu querer muito ler as sequências e descobrir o que vai acontecer e o que aconteceu. Saber mais sobre as Raças Fundadoras, sobre as guerras que antecederam o reinado de Laseen, entre tantas outras coisas que são pinceladas aqui.

Eu confesso até que não curto tanto essa parada de ter TANTA magia assim envolvida em uma obra de fantasia, onde ela parece não ter tantas limitações num primeiro momento, mas às vezes é bom sair da zona de conforto "espada + escudo" que leio sempre e partir para coisas diferentes. Investir junto com a Arqueiro n'O Livro Malazano dos Caídos é uma de minhas metas para os próximos anos.

Enfim, Jardins da Lua tem praticamente tudo que um leitor de fantasia épica pode desejar: worldbuilding massa, sistema de magia meio louco, mas que te deixa curioso, guerras para todo lado, várias raças, e mais, como as manobras dos deuses entre os mortais. Um mundo que não faz diferenciação entre homens e mulheres, divindades e discípulos. Todos têm um papel a cumprir.

Com tradução de Carol Chiovatto, a série deve ter sua continuidade no 2º semestre de 2017, com o lançamento de Deadhouse Gates, talvez "Portões da Casa Morta". É praticamente unanimidade entre os fãs da série que esse é o livro que arrebata todos os leitores para o mundo malazano. Veremos!

Avaliação final:

O Livro Malazano dos Caídos:

Livro 1 - Jardins da Lua
Livro 2 - Deadhouse Gates
Livro 3 - Memories of Ice
Livro 4 - House of Chains
Livro 5 - Midnight Tides
Livro 6 - The Bonehunters
Livro 7 - Reaper's Gale
Livro 8 - Toll the Hounds
Livro 9 - Dust of Dreams
Livro 10 - The Crippled God

12 de abr de 2017

Desbravando Livros pela LeYa na CCXP Tour 2017

Esse ano de 2017 tá com tudo! 

Para os seguidores do Desbravando Livros, já havia anunciado algumas semanas atrás que iria participar da CCXP Tour em Recife, nesse mês de abril. E não é que o grande dia está chegando?


Fui convidado pela Excelentíssima editora LeYa, juntamente com outros blogueiros brasileiros (Anderson Tiago, do parceiro Intocados; Artur e Diego, do Acervo do Leitor) para fazer a cobertura do evento e das atividades da editora durante a Comic Con. Resumindo: postaremos nas redes sociais tudo sobre a CCXP, para que o leitor em casa fique informando do que acontece e das novidades da editora LeYa para esse evento. Novidades essas que não são poucas!

Vou mostrar para vocês o lançamento do tão aguardado box da 1ª trilogia de Mistborn (resenha aqui), do autor Brandon Sanderson. A editora deu acesso exclusivo a algumas pessoas para visualizar o box e ele ficou INCRÍVEL! É sério, vocês não vão mais ter desculpas para não comprar essa série.


O esperado desfecho da trilogia A Sombra do Corvo (resenha aqui), de Anthony Ryan, com o livro A Rainha do Fogo. Mal posso esperar para conferir esse, para mim é um dos lançamentos mais aguardados do 1º semestre de 2017. Além desses, Caçador em Fuga é uma das apostas da editora, obra de ficção científica com nomes como George R.R. Martin, Gardner Dozois e Daniel Abraham.


Além de conferir esses e vários outros lançamentos, os visitantes que passarem no estande da LeYa terão a chance única de sentar no Trono de Ferro! Certo que vou tirar aquela foto básica por lá.

Uma grande novidade deste ano será o uso da tecnologia do chroma key, permitindo que o visitante seja transportado para chance de os visitantes tirarem uma foto em seu mundo fantástico favorito, entre eles a a nave Nostromo, de Alien, e Luthadel, a capital do mundo épico de Mistborn.

Algumas atividades também prometem agitar o público: na sexta-feira (14), podcast ao vivo do time Matando Robôs Gigantes, participando Affonso Solano (que também fará sessão de autógrafos do seu livro, "O Espadachim de Carvão", no sábado), Didi Braga e Beto Estrada. No domingo (16), discussão sobre as regras de magia com Affonso Solano e Anderson Tiago, além do Porradaria Geek!

O Desbravando Livros estará presenta na feira em 3 dias, de sexta-feira a domingo, então recomendo a vocês que me sigam nas redes sociais onde estarei postando material da CCXP Tour.


Facebook - Desbravando Livros: https://www.facebook.com/DesbravandoLivros/.

Instagram - @vagner.stefanello: https://www.instagram.com/vagner.stefanello/.

Não dá pra esquecer das redes sociais da editora LeYa, né?

Facebook - https://www.facebook.com/leyabrasil/.
Instagram - https://www.instagram.com/editoraleya/.

Queria agradecer a todos aqueles que permitiram a minha participação nesse evento. À editora LeYa, principalmente, pelo convite e por acreditar no meu trabalho, ao pessoal do grupo Livros de Fantasia e Aventura, que sempre me deu muito apoio, além de todos os leitores que acessam diariamente o Desbravando Livros e curtem o que escrevo. 

Então bora desbravar a CCXP!
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