27 de out de 2014

Resenha: O Trono Vazio - Bernard Cornwell


Título: O Trono Vazio
Original: The Empty Throne
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #08
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 302
Editora: Record (agosto de 2015)


Sinopse: As forças de Wessex e da Mércia se juntaram para combater os dinamarqueses, mas a instabilidade da união e a ameaça dos ataques dos reinos pagãos vizinhos são um perigo para a Britânia, pois Æthelred, o senhor da Mércia, está à beira da morte e não tem herdeiros, o que abre caminho para disputas pelo trono. Uhtred de Bebbanburg, o maior guerreiro da Mércia, sempre apoiou a senhora Æthelflaed para que se tornasse a sucessora do trono, mas será que a nobreza aceitará uma mulher como líder? Mesmo ela sendo a viúva de Æthelred e irmã do rei de Wessex? Enquanto os mércios travam brigas internas e os saxões ocidentais tentam anexar o reino aliado, novos inimigos surgem na fronteira norte. Os saxões precisam desesperadamente de uma liderança forte, mas, em vez disso, lutam por um trono vazio, ameaçando arruinar todos os esforços para unir e fortalecer seu reino.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Essa resenha foi feita a partir da versão britânica, intitulada The Empty Throne, em outubro de 2014, data de lançamento do e-book estrangeiro. Depois, foi atualizada com imagens e nomes em português em 12/06/2015, quando foram anunciadas a capa e a sinopse da nossa edição brasileira.

Com a morte de Æthelred pedindo para chegar após ser ferido gravemente na batalha final do último livro, muitas artimanhas se desenrolam para definir quem será o próximo comandante da Mércia. Todo mundo sabe que um trono vazio é sinal de guerras se aproximando, e aqui não é diferente, ainda mais se tratando de um trono tão importante e primordial para que um dia os reinos se unam e formem a tão sonhada Inglaterra almejada por Alfredo, o Grande. Quem deve tomar o seu lugar? Qual pessoa tem mais direito a herdar o trono? Será que uma mulher dará conta do recado? São questões que permeiam todo o livro e trazem alguns debates muito interessantes.

Uhtred ainda está muito (!) machucado depois de ter matado Cnut e quase ter morrido na luta, precisando ficar de repouso sempre que possível e mal conseguindo cavalgar. Um dos objetivos desse 8º livro é fazer Uhtred recuperar-se dos ferimentos e voltar às batalhas, mas o desenrolar eu vou deixar pra vocês descobrirem, não quero estragar a alegria do leitor contando tudo tão cedo.


O livro começa diferente dos demais, com o prólogo sendo narrado pelo filho de Uhtred, provando que é realmente filho de um guerreiro e mostrando um pouco dos seus pensamentos e do seu medo em relação a Æthelflæd, esposa de Æthelred. Aliás, esse livro parece ter sido feito para ela. Æthelflæd torna-se aqui uma das grandes protagonistas para a formação da Inglaterra, num tempo onde mulher nenhuma conseguia se diferenciar e participar tão ativamente das batalhas. E é por ser assim que ela consegue o apoio dos seus subordinados, tornando-se esperança para muitos deles.

Essa obra também foca um pouco em Æthelstan, filho do rei Eduardo e neto de Alfredo, designado a um dia ser rei. Quem acaba tomando conta do garoto é nosso grande protagonista Uhtred, que o ensina a tomar decisões bem difíceis para um garoto de apenas 14 anos e comuns para o futuro rei.

“He needed to know it, see it, smell it, and survive it. I was training the boy not just to be a warrior, but to be a king.” 
“He’s a boy who must learn to be a warrior and a king,’ I said, ‘and death is his destiny. He must learn to give it.’ I patted Æthelstan’s shoulder. ‘Make it quick, boy,’ I told him. ‘He deserves a slow death, but this is your first killing. Make it easy for yourself.” 

Como vocês puderam perceber até agora com essa resenha, Uhtred acaba ficando em segundo plano em praticamente toda a narrativa, mesmo que a história seja narrada sob o seu ponto de vista. Isso acabou tirando um pouco a graça do livro, pois tudo que Uhtred faz é visando outra pessoa, outro ideal, e pouco é desenvolvido a partir das reais necessidades dele. Ah, aqueles juramentos feitos...

Enfim, somos também apresentados a vários novos inimigos nesse oitavo livro da série, alguns deles dinamarqueses, galeses e, a novidade da vez, irlandeses, todos sedentos por mais terras e sempre querendo aumentar os seus domínios. Uhtred e seus aliados acabam tendo que enfrentar alguns e até, digamos assim, torna-se "parente" de um deles. Leia e descubra por conta própria, earsling!!!


O Trono Vazio não mantém de perto o mesmo ritmo de O Guerreiro Pagão, livro anterior da série, pecando em apenas alguns detalhes. Faltaram batalhas mais épicas, mais reviravoltas, mais SANGUE!! Intrigas são vistas ao monte nesse livro, mas elas tomam grande parte do livro (mais de 60%) e tornam a leitura um pouquinho arrastada, não aproveitando o melhor que Cornwell nos dá, que são suas descrições de paredes de escudos e embates singulares. Mesmo assim é uma leitura obrigatória para os fãs da saga e deixa muitas arestas soltas para o futuro, além de explorar outros personagens, sendo esses os únicos motivos para eu não dar uma nota mais baixa para esse 8º livro.

Wyrd biõ ful ãræd: o destino é inexorável.

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
...

22 comentários:

  1. Ois Vagner,

    legal seu blog, tou seguindo ;)

    Desta saga apenas li até ao 4 livro e depois deixei de ler, é a par da crónicas os Senhores da Guerra o que mais gosto deste escritor, mas modo geral os seus livros tem muita qualidade, bons momentos de descrição de combates, personagens marcantes e rigor histórico.

    Já agora tenho que te agradecer, pois devo poder continuar a ler os livros desta saga, em formato digital e isso graças a ti :)

    Abraço e boas leituras

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    1. Que bom que está seguindo, Fiacha!! E continue lendo a série, o quarto livro é muito bom e depois disso lá adiante o 7 é melhor ainda. Vale a pena investir, só te digo isso!

      Grande abraço e até mais.

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  2. Gostei da resenha, mesmo sabendo desses por menores diferenciados, quero ler esse sim. No momento ainda estou no Terra em Chamas, curtindo a leitura da saga e até lá já terei lido o Guerreiro Pagão.

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    1. Leia sim, leorj76, ainda mais se você está gostando da série. O Terra em Chamas é legalzinho, mas pra mim o melhor de todos disparado ainda é O Guerreiro Pagão. Boa leitura e passe sempre por aqui!

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    2. Entrando aqui nessa página, nem tinha visto a resposta. Atualmente estou justo nesse Guerreiro Pagão e ansioso pela série. O apelo histórico me conquistou demais, virei fã dessa saga. :)

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    3. É impossível não virar fã dessa série, leorj76, cada livro tem uma surpresa nova e mais paredes de escudos!

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  3. po companheiro uma pena me desanimo de verdade.
    acabei de ler o lorde pagão e ja achei ele meio arrastado coisa de mais e luta de menos hahahhaha , na verdade fiquei com tanta saudade das lutas que comecei a ler a serie inteira novamente hehehe.
    bons livros espero pra ver o oitavo quando chegar por estes lados hhehe

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    1. Pô, eu achei O Guerreiro Pagão foda demais!! AHUHAUHAUHUA
      Verdade que eles não tem a mesma ação lá dos primeiros, mas continuam bons mesmo assim. Continue lendo, não irá se arrepender.

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  4. Parabens pela resenha Vagner, to ansioso pra ler the empty throne.
    Vc sabe quando vai se lancado no brasil ou aonde tem pra baixa?

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    1. E leia o quanto antes, Fernando!!

      A previsão de lançamento para o Brasil é agosto de 2015. Me passa o seu e-mail que eu lhe envio um link para baixar o livro.

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    2. Meu e-mail e boeingfernando@gmail.com
      Tem alguns livros do Bernard cornwell que vc poderia fazer uma resenha:
      1356(continuacao de A Busca do Graal)
      E As Aventuras de Sharpe.

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    3. Acabei de enviar para lá, Fernando.

      Eu tenho o 1356 e o 1º de Sharpe aqui na estante, mas não pretendo ler tão cedo. Quando eu o fizer, certamente farei uma resenha. Abraço!

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    4. Li todos do Cornwell lançados no Brasil, todos valem a pena! Cada um com suas peculiaridades, mas ótimos! Os livros de Sharpe, são fenomenais!

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    5. Difícil parar de ler as obras dele mesmo, para mim faltam todas de Sharpe e mais uma ou outra que está sendo lançada agora. Um dia termino tudo!

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  5. Rapaz...
    Não li ainda o 8º livro, estou esperando chegar. Mas devo dizer, que por mais que eu goste das batalhas, Uhtred está velho. Os livros tem a grande tendência de diminuir o ritmo nas batalhas, visto que ele não pode mais participar (motivo pelo qual eu acredito que eventualmente Uhtred irá virar um Ravn e Uhtredson irá virar o protagonista da história.), no 7º livro já notamos o medo do personagem em morrer, coisa que ele não tinha antes, agora ele tá sempre repetindo o medo que existe nele. Com certeza os livros vão se tornar mais "mornos" (eu não acho isso ruim, sempre gostei de ver a evolução dos personagens e acredito que Cornwell faz isso com grande habilidade), voltando a ter uma batalha épica novamente apenas quando chegar a Batalha de Brunanburh.

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    1. Bem pontuado, Tyraell, nosso protagonista está envelhecendo e já não pode mais ficar na frente de batalha, na primeira fila da parede de escudos. É apenas uma mudança de ritmo a partir de agora, creio eu, já que o filho dele parece estar tomando mais destaque, mas eu não acredito que o Cornwell fará o Uhtred filho virar o personagem final no futuro. Acho que ele termina a história com o nosso Uhtred mesmo, bem na Batalha de Brunanburh, que o Cornwell já confirmou que irá narrar nas Crônicas Saxônicas. Enfim, é esperar para ver, mas tenho certeza que acompanharei tudo até o final. Abraço e obrigado por comentar aqui no blog!

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    2. Acho que se o autor decidir respeitar as crônicas saxônicas, fatalmente assistiremos uma substituição do protagonista pelo seu filho, uma vez que Uhtred não é Matuzalém para viver trocentos anos, e os anais dos reis da Inglaterra referem-se à séculos de histórias. Ainda não tive a oportunidade de ler o 8º livro, encomendei hoje, e deve chegar em poucos dias. Mas estou ansioso para saber como as coisas vão se desdobrar.

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    3. Talvez isso aconteça esporadicamente, mas eu lembro de ter visto o Cornwell comentando que o Uhtred vai ser o personagem principal até o fim, e ele não continuará narrando a história depois disso pelo ponto de visto do filho dele. Veremos o que o futuro nos reserva!

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  6. Acabei de ler o livro, sinceramente, apesar das opiniões contrárias, gostei muito. Como Uhtred não está no melhor de sua forma para lutar, está na sua melhor forma para elaborar as suas já conhecidas e engraçadas artimanhas, me assegurou assim boas risadas. Gostei e recomento a leitura.

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    1. É um bom livro, só acho que a partir de agora ele participará cada vez menos na linha de frente das paredes de escudos, mas vai continuar o grande estrategista que sempre foi. E o Witan nesse 8º livro foi épico! huahuahua

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  7. Ancho que é a melhor série é a melhor historia, os livros muito boms. Ninguém pode negar definitivamente o sucesso do HBO Game of Thrones, estou surpreso toda a produção por trás da série. No começo eu não estava convencido de que ela, mas como a história progrediu, eu realmente se tornou um fã. E é fechar a temporada seguinte e não pode esperar. Sucesso está assegurado. Eu amo o elenco.

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    1. Com certeza, Crônicas Saxônicas é uma série excelente, não canso de acompanhar! O seriado The Last Kingdom evoluiu bastante, tomara que renovem em breve para uma 3ª temporada.

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