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11 de mar. de 2017

Resenha: A Passagem - Justin Cronin

Título: A Passagem
Original: The Passage
Série: A Passagem/The Passage #1
Autor: Justin Cronin
Páginas: 816
Editora: Arqueiro (março de 2013)

Sinopse: Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos traços de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue. Depois, o inimaginável: o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite, a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior. Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao apocalipse. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado. A passagem é um suspense implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que recende a morte.

Quando Brad Wolgast e seu companheiro de FBI Phil Doyle são contratados para fazer parte do misterioso Projeto Noé, eles não imaginavam que teriam de correr à procura de uma garotinha de 6 anos para que fosse usada como cobaia de um experimento científico. Só de saber disso o leitor já pode ir imaginando do que a humanidade é/seria capaz de fazer em busca da sua imortalidade.

Um detalhe: JAMAIS LEIAM AS ORELHAS DO LIVRO! Elas entregam mais de 550 páginas dessa obra.

O Projeto Noé consiste em usar criminosos (12 até o momento) condenados à morte para que sejam usados em testes de uma pesquisa que busca aumentar a expectativa de vida humana. Leia-se "virar imortal". Já que eles não teriam mais motivos importante para viver e estão na beira do corredor da morte, todas suas informações são apagadas e eles passam a ser meras cobaias do experimento.

São nos capítulos iniciais de A Passagem que começamos a perceber o cuidado do autor em tentar embasar a sua obra de fantasia em fatos que realmente pareçam ser verdadeiros, trazendo explicações sobre como funcionam algumas partes do corpo humano, como a glândula timo, um dos pilares do nosso sistema imunológico e parte-chave do Projeto Noé, como vocês descobrirão ao ler.

A is for Amy, por Becky Munich

Quanto à garotinha, seu nome é Amy Harper Bellafonte, que no futuro será chamada de A Garota de Lugar Nenhum, Aquela que Surgiu, A Primeira, Última e Única, a que viveu mil anos. Tudo isso descobrimos logo no primeiro parágrafo da obra, antes que me xinguem por causa de spoilers.

As primeiras 200 páginas tem um ritmo mais tranquilo, contando uma boa parte da infância de Amy até o momento em que seu caminho se cruza com o dos agentes do FBI. E é então que a verdadeira treta começa, que o anunciado na sinopse se mostra ao leitor. A partir daí, meus amigos, fica impossível parar de ler. Os testes com as cobaias do Projeto Noé saem totalmente do controle e as cobaias fogem do complexo, iniciando a carnificina que começa a devastar o território americano e, talvez, não sabemos ainda, o mundo. Agora eles têm sede de sangue e não gostam da luz. Seriam Vampiros? Muito mais que isso, e é óbvio que eu não entregarei nada de bandeja a vocês.

"É fácil ter coragem quando a alternativa é a morte. Difícil é ter esperança."

Com a população sendo dizimada e o vírus se espalhando rapidamente, transformando os humanos em "virais", o mundo começa a mudar e se tornar mais perigoso. A história então avança longos 92 anos no tempo, quando a população já foi reduzida drasticamente e existe uma estimativa de mais de 40 milhões de virais à solta, espalhados pelo continente. Eles sempre andam em múltiplos de 3 (3, 6, 9, 15 e assim por diante), não sabemos por quê, atacando à noite ou em lugares escuros.

Somos apresentados à Primeira Colônia, onde um grupo de sobreviventes conseguiu se estabelecer em uma base, levantando muros, colocando grades e botando geradores de energia para funcionar. Energia essa que não dura para sempre, por sinal. Não pretendo falar dos personagens um por um logo nessa resenha, então só queria dar destaque para alguns, como Peter, Sara, Alicia, Titia e Michael. Esses sobreviventes conseguiram criar uma sociedade com regras e funções para todos os habitantes, mantendo uma disciplina constante para que conseguissem manter os virais longe.

Babcock, uma das cobaias do Projeto Noé, por turbosuo

A Passagem é uma história de como a ambição humana pode se transformar em tragédia, de como pessoas comuns, aliadas a poderes sobrenaturais de uma garota estranha, são capazes de enfrentar desafios para descobrir o que aconteceu no passado distante e assim tentar criar um futuro melhor.

"Uma parte do que somos continua vivendo enquanto alguém se lembra de nós."

Gostei bastante da forma como o Justin Cronin escreve, ele tem aquele jeito peculiar de contar histórias dando sutis detalhes aqui e ali que nos prendem demais à narrativa. O livro é gigante, tem umas 800 páginas, mas passou voando, tamanha a vontade que eu tinha de descobrir o que iria acontecer com os personagens principais. Principalmente Amy, o grande mistério dessa série. Ainda há muito a ser revelado sobre ela e sobre as cobaias + virais nas continuações da trilogia.

Uma história realmente intrigante, de como o mundo foi destruído em questão de horas para que fossem destacados aqueles que querem sobreviver a qualquer custo daqueles que não tem mais uma razão para estar ali. Vale a pena investir nessa série, recomendo muito a leitura de A Passagem!

Avaliação final:

A Passagem:

1º livro - A Passagem
2º livro - Os Doze
3º livro - A Cidade dos Espelhos

31 de dez. de 2016

Resenha: Esquadrão Rogue - Michael A. Stackpole

Título: Esquadrão Rogue
Original: Rogue Squadron
Série: X-Wing #1
Autor: Michael A. Stackpole
Páginas: 352
Editora: Aleph (novembro de 2016)

Sinopse: Dois anos e meio depois dos acontecimentos de O Retorno de Jedi, resquícios das forças imperiais, isoladas mas ainda poderosas, se espalham pela galáxia. Esses postos avançados ameaçam a paz ao tentar derrubar a Nova República e restabelecer uma tirania violenta e opressora do lado sombrio. Para combatê-los, surge uma nova geração de pilotos de X-wing. Seguindo os passos da equipe que destruiu a Estrela da Morte, os novos pilotos encaram um desafio ainda mais perigoso e desafiador que o de seus predecessores. Mas seu líder, o lendário piloto Wedge Antilles, sabe a dura verdade: mesmo sendo o melhor esquadrão da galáxia, as missões que os Rogues enfrentarão são praticamente suicidas. Em uma das melhores aventuras de STAR WARS, que inspirou games e quadrinhos estrelados pelo esquadrão, Michael A. Stackpole presenteia o leitor com conflitos pessoais, tramas políticas e batalhas espaciais impressionantes.

Star Wars é algo bem recente para mim, tanto é que fui COMEÇAR a assistir aos filmes nesse ano de 2016, e só a partir daí é que me atualizei com o episódio VII e Rogue One na semana passada.

Como não poderia ser diferente, viciei. E a vontade de ler algo do universo expandido aumentou, portanto decidi começar a ler Esquadrão Rogue, lançamento mais recente da editora Aleph.

Quase 3 anos após a destruição da segunda Estrela da Morte e das mortes de Darth Vader e do Imperador Palpatine, o enfraquecimento do Império é perceptível. Ao mesmo tempo, forças imperiais ainda existem e planejam mais contra-ataques para tirar a Nova República do poder.

"Inevitáveis como os impostos e lentos como a burocracia, eles vieram."

E é nessa hora que uma nova geração de pilotos de X-wing começa a ser treinada por nada mais nada menos que Wedge Antilles, sobrevivente das duas corridas contra as temidas Estrelas da Morte.

Biggs, Luke, Wedge e Wes

Acompanharemos principalmente a vida do tenente corelliano Corran Horn, que acaba se mostrando um excelente piloto, mas sem conseguir deixar para trás o seu passado meio obscuro. A princípio sua relação com os demais pilotos não é das melhores, mas os laços irão se estreitar um pouco ao longo das 352 páginas de Esquadrão Rogue, que passam voando, já adianto aos leitores.

Alguns dos capítulos do livro são dedicados à missões de treinamento, onde todos precisam aprender (na marra) o que significa fazer parte do esquadrão e qual o seu lugar dentro dele. Sacrificar-se para que o companheiro sobreviva é uma atitude nobre, mas o comandante Antilles não quer que nenhum piloto tenha o mesmo destino dos seus amigos durante as batalhas anteriores.

Para aqueles que acreditavam que somente os melhores pilotos podiam ingressar no Esquadrão, ledo engano. A politicagem também vai rolar solta quando membros de diversos planetas são indicados em troca de favores. O Esquadrão Rogue deixou de ser apenas mais uma unidade no meio de tantas outras e agora é um símbolo poderoso e implacável da luta dos rebeldes contra o Império.

 
"Wedge, você é o melhor que nós temos. Isso pode não impressionar você, mas tem um monte de pilotos do Império lá fora que perdem parte do sono à noite porque têm pesadelos com você na cola deles."

Além de seguirmos os pontos de vista dos pilotos Wedge Antilles e Corran Horn, também temos a visão do outro lado. Kirtan Loor, agente da inteligência imperial, é o encarregado pela agora diretora imperial Ysanne Isard de dar cabo do Esquadrão Rogue e acabar com essa ameaça, deixando assim o caminho livre para o Império reconquistar a galáxia. Foi esclarecedor ter esse outro ponto de vista, ainda mais que Kirtan não é um personagem detestável e tem suas qualidades.

Aos leitores preocupados com uma possível linguagem técnica durante as missões e treinamentos, podem ficar tranquilos: o vocabulário usado por Stackpole é simples e fácil de se pegar após alguns capítulos, sem contar que a tradução de Alex Mandarino ficou muito boa. A leitura flui tão suavemente que, quando percebi, já estava terminando essa obra ímpar e empolgante.

As lutas entre os X-wings e os TIE Fighters são de arrepiar, adrenalina pura!

Fica aí a recomendação desse baita livro, tenho certeza que os fãs de Star Wars irão curtir muito! Se você quiser se sentir um Luke Skywalker da vida destruindo a Estrela da Morte, é tiro certeiro.

Avaliação final:

X-Wing:

Livro 1 - Esquadrão Rogue
Livro 2 - Wedge's Gamble
Livro 3 - The Krytos Trap
Livro 4 - The Bacta War
...

26 de dez. de 2016

Resenha: Duna - Frank Herbert

Título: Duna
Original: Dune
Série: Crônicas de Duna/Dune #1
Autor: Frank Herbert
Páginas: 680
Editora: Aleph (abril de 2017, relançamento)
Compre na Amazon

Sinopse: A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos? 

Nada como voltar à vida de blogueiro depois de 8 meses de intercâmbio na Irlanda como estudante e 2 meses mochilando pela Europa toda. Foi sensacional, um sonho realizado junto da minha namorada, e agora estou de volta para alegrar a vida dos leitores fanáticos do Desbravando Livros!

Para fechar o ano com chave de ouro, escolhi fazer uma resenha de Duna, clássico de ficção científica/fantasia do Frank Herbert. Tenho certeza que vocês ficarão com muita vontade de ler!

Quando uma teia de conspirações atinge a família Atreides, todos ao redor são afetados. Após mudarem-se para Arrakis, o planeta-deserto, por decisão imperial, os Atreides sofrem um poderoso golpe e são obrigados a fugir para salvar suas vidas, sem antes sofrer pela morte de um dos seus. É nessa hora que Paul Atreides, o protagonista dessa história, descobre que faz parte de um plano milenar organizado pelas Bene Gesserit, uma antiga irmandade da qual sua mãe Jessica faz parte.

Sinal de verme, por LukeOram

Ao acompanharmos o destino de Paul, o planeta Arrakis e sua paisagem árida começam a tomar forma diante dos nossos olhos. Ao mesmo tempo em que sofre de escassez de recursos naturais, o Planeta Deserto é o único fornecedor de mélange, a especiaria mais desejada do universo.

Prepare-se também para dar de cara com os temidos vermes-de-areia, criaturas gigantescas que fazem parte de Duna e serão importantes no decorrer da trama. Fique de olhos bem abertos.

Além de focar bastante na forma de utilização e aproveitamento dos recursos naturais, durante a leitura nos damos conta de que a religião é um fator imprescindível para o avanço da trama.

E quando religião e política se encontram, é treta na certa. Dá para perceber logo de cara lendo-se as epígrafes de cada capítulo, onde acontecimentos futuros são apresentados e já vamos tendo uma breve noção de onde a obra vai parar. Eu confesso que até tinha achado isso bem estranho no começo, mas o autor parece que vai levando o leitor de ponto a ponto na narrativa de uma maneira tão perfeita e concisa que a gente nem se incomoda muito com esses "spoilers" repentinos. 

 

A narrativa é muito boa, bem cadenciada, com momentos onde temos visões do futuro que está por vir e mesmo assim queremos saber exatamente como as coisas se desenrolam para chegarmos naquele ponto. É como se o autor chegasse pra ti e dissesse: “Olha só, isso aqui vai acontecer em breve, bem desse jeito, mas espera só um pouquinho, senta ali no sofá que eu vou te contar a história por trás de tudo isso, você vai gostar”. É algo bem dinâmico e que eu curti bastante.

Em Arrakis também vive o povo fremen, do qual que eu pretendo falar mais nas resenhas seguintes. Só saibam que eles acolham Paul e criam uma relação estreita com a família Atreides. Passando um pouco para o lado rival dos Atreides, temos os Harkonnen. Preparem-se para uma boa dose de raiva e "tramas por trás de tramas" no meio dos conflitos entre eles.

Duna é, sem sombra de dúvidas, um livro que parece manter-se firme ao longo dos tempos. No decorrer das suas quase 600 páginas, pareceu-me que o livro não havia sido escrito no século passado, e sim alguns anos atrás, até mesmo hoje, tal é a maneira com que são abordados alguns dos assuntos atuais e de problemática mundial (escassez de recursos naturas, religião e política).

Bene Gesserit e Guilda Espacial em reunião, por Ville Ericsson

Toda a cultura do povo fremen, o incrível e perigoso planeta de Arrakis, as intrigas políticas de cada capítulo, tudo foi muito bem desenvolvido e deixa o leitor com vontade de saber o que acontecerá nas páginas seguintes. Com certeza lerei os próximos livros da série Duna!

Avaliação final:

Duna:

Livro 1 - Duna
Livro 2 - O Messias de Duna
Livro 3 - Os Filhos de Duna
Livro 4 - O Imperador-Deus de Duna
Livro 5 - Os Hereges de Duna
Livro 6 - As Herdeiras de Duna
...

2 de jul. de 2016

Resenha: Firefight - Brandon Sanderson

Título: Firefight
Original: Firefight
Série: The Reckoners #2
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 432
Editora: Delacorte Press (2015)

Sinopse: They told David it was impossible—that even the Reckoners had never killed a High Epic. Yet, Steelheart—invincible, immortal, unconquerable—is dead. And he died by David’s hand. Eliminating Steelheart was supposed to make life more simple. Instead, it only made David realize he has questions. Big ones. And there’s no one in Newcago who can give him the answers he needs. Babylon Restored, the old borough of Manhattan, has possibilities, though. Ruled by the mysterious High Epic, Regalia, David is sure Babylon Restored will lead him to what he needs to find. And while entering another city oppressed by a High Epic despot is a gamble, David’s willing to risk it. Because killing Steelheart left a hole in David’s heart. A hole where his thirst for vengeance once lived. Somehow, he filled that hole with another Epic—Firefight. And he’s willing to go on a quest darker, and more dangerous even, than the fight against Steelheart to find her, and to get his answers.

Essa resenha contém spoilers do livro anterior.

Quando li Steelheart, lá em 2014, lembro que havia gostado muito da história e do ritmo da narrativa que o Sanderson havia utilizado, com muita ação e capítulos curtos, tornando a leitura muito agradável, ainda mais para quem estava apenas começando a ler em outra língua, no meu caso, em inglês. Acabei enrolando a leitura de Firefight por anos, mas dessa vez não consegui escapar, as recomendações dos amigos pesaram (leia a resenha de Firefight no INtocados) e eu precisava urgentemente tirar o meu atraso com essa trilogia. Portanto, sem folga, mãos à obra!

Steelheart finalmente está morto. A mente tirana que comandava Newcago não era invencível, como David Charleston provou, e agora a cidade está livre do seu domínio. Mas nem tudo é um mar de rosas para o nosso protagonista, que viu, de uma hora para outra, sua sede por vingança acabar e lhe tirar um dos propósitos de viver. O que fazer agora que o assassino de seu pai está morto? Para onde seguir? Esses são alguns dos questionamentos que podemos perceber nesse segundo livro.

 

As respostas para as perguntas de David parece estar longe de Newcago, e essa é uma boa desculpa para conhecermos Babylon (antiga New York), uma cidade controlada pela High Epic Regalia, que inundou toda a região com seus poderes e deixou a cidade embaixo d'água, tudo para melhor aproveitar os seus poderes aquáticos e estabelecer o seu domínio sem ser realmente ameaçada.

E é lá que David procurará Megan Tarash, ou melhor falando, Firefight, em busca de respostas.

"We want what we can’t have, even when we have no right to demand it."

Aliás, as conversas entre os dois são um dos pontos fortes desse livro. Sempre munidas de uma alta carga emocional, conseguimos ter uma noção do porquê de Megan ter se infiltrado nos Reckoners a mando de Steelheart, além do que ela andou fazendo em Babylon após a morte de Steelheart.

Por sinal, a cidade de Babylon e seus habitantes podem ser considerados um personagem à parte por si só. Toda iluminada por grafites que brilham à noite e frutas exóticas que a princípio parecem não ser nada de mais, mas têm um papel importante na trama. Sem contar que ali alguns Epics misturam-se tranquilamente à multidão, até mesmo participando de festas e eventos locais.

Também somos apresentados a outro time dos Reckoners, esse atuante somente em Babylon e com membros de características bem peculiares, que vamos conhecendo aos poucos, à medida que David vai interagindo com cada um deles e se familiarizando com o novo ambiente de trabalho.


Firefight foca BASTANTE na relação entre os Epics e suas aparentes fraquezas, os motivos por trás disso e como o passado dos vilões afeta o presente. Percebe-se um cuidado do Sanderson em tentar manter os mistérios pelo maior tempo possível e só revelá-los em momentos-chave da narrativa.

Ah, as metáforas de David continuam aparecendo com frequência e rendendo algumas boas risadas.

I needed to say something. Something romantic! Something to sweep her off her feet. "You're like a potato!" I shouted after her. "In a minefield.”

E quanto a Jonathan Phaedrus, o famoso Prof, líder dos Reckoners? Preparem-se para ver muito dele nesse livro, ainda mais agora que sabemos que ele é um Epic e terá que lidar com o crescente uso dos seus poderes e as prováveis implicações por trás disso. Poderia um Epic usar seus poderes e continuar sendo bom? E de onde vem a fonte desses poderes? O que raios é aquele ponto vermelho no céu que todos chamam de Calamity, o fenômeno que iniciou toda essa era de super-vilões?

O que me aguarda em Calamity, 3º livro da série? Só o tempo dirá, mal posso esperar pra descobrir!

Avaliação final:

The Reckoners:

Livro 1 - Steelheart
Livro 1.5 - Mitosis
Livro 2 - Firefight
Livro 3 - Calamity

20 de mai. de 2016

Resenha: Questions for a Soldier - John Scalzi


Título: Questions for a Soldier
Original: Questions for a Soldier
Série: Guerra do Velho/Old Man's War #1.5
Autor: John Scalzi
Páginas: 28
Editora: Subterranean Press (setembro de 2011)

Sinopse: Captain John Perry, in Old Man's War, did a goodwill tour of the colonies after the Battle of Coral. This is the Q&A session from one of those stops, on the colony world of New Goa. There's no story here, really; just the back-and-forth between a combat veteran and some of the civilians the Colonial Defense Forces are defending—who have a variety of views of the CDF, the fact that it's composed entirely of old folks from Earth (colonists cannot enlist), and the perpetual state of war between humans and most other intelligent species they're in contact with.

Essa resenha contém spoilers de Guerra do Velho.

Questions for a Soldier é um livrinho curtinho (menos de 30 páginas) que se passa alguns meses após os acontecimentos de Guerra do Velho. John Perry mostrou ser um excelente combatente e subiu rapidamente nas fileiras do exército das Forças Coloniais de Defesa. Agora uma de suas missões é fazer tours por alguns dos planetas já colonizados e explicar o papel da União Colonial nisso tudo.

A leitura é bem rapidinha, com John Perry sendo apresentado por um entrevistador e algumas das pessoas na plateia fazendo perguntas a ele sobre assuntos dos mais variados interesses, como o que é ser um soldado das FCD, o que foi feito com seu corpo para ele voltar a ser jovem novamente, o que John Perry pensa a respeito das guerras contras as raças alienígenas, entre outras coisas.

Nosso protagonista também conta a respeito de alguns perrengues que passou durante uma de suas missões, quando foi atacado por vermes gigantes (que me lembraram muito do cenário de Duna, série do autor Frank Herbert) capazes de alterar facilmente todo o equilíbrio de um ecossistema.


Importante perceber que alguns colonistas não estão exatamente felizes com o modo de vida nos seus novos planetas. Como já mencionado em Guerra do Velho, os habitantes são provenientes dos países considerados de terceiro mundo lá na Terra, principalmente das regiões do Oriente Médio e África, enquanto os combatentes das FCD são predominantemente americanos, o que acaba gerando certo desconforto em alguns momentos. Nada que a língua afiada e o bom humor do nosso John Perry não resolvam ao responder as perguntas feitas pelo público presente, mesmo ao ser confrontado com acusações de que a estrutura das FCD é extremamente racista e totalitarista.

Questions for a Soldier é aquele tipo de livro que todo leitor que deseja saber ainda mais sobre uma série que gosta deveria ler, pois contém informações úteis e que complementam as já apresentadas no livro #1 da saga, Guerra do Velho. Fã que é fã nunca está satisfeito e sempre quer mais. ;)

Avaliação:

Guerra do Velho:

Livro 1 - Guerra do Velho
Livro 1.5 - Questions for a Soldier
Livro 2 - The Ghost Brigades
Livro 2.5 - The Sagan Diary
Livro 3 - The Last Colony
Livro 4 - Zoe's Tale
Livro 4.5 - After the Coup
Livro 5 - The Human Division
Livro 6 - The End of All Things

19 de mai. de 2016

Resenha: Guerra do Velho - John Scalzi


Título: Guerra do Velho
Original: Old Man's War
Série: Guerra do Velho/Old Man's War #1
Autor: John Scalzi
Páginas: 368
Editora: Aleph (abril de 2016)

Sinopse: A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das FCD - Forças Coloniais de Defesa. Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75 anos. John Perry vai aceitar esse desafio, e ele tem apenas uma vaga ideia do que pode esperar.

O que você faria se tivesse a opção de se alistar no exército aos 75 anos e voltar a ser jovem de novo? É uma ideia no mínimo tentadora, correto? E foi pensando nisso que o protagonista de Guerra do Velho, John Perry, decide se juntar às Forças Coloniais de Defesa (FCD) ao chegar nessa idade.

Uma decisão que a princípio parece fácil, já que você terá um corpo novinho em folha, habilidades aprimoradas, entre tantas outras vantagens, mas tudo isso tem um preço: você será considerado morto na Terra, renegando todos os seus bens e heranças, além de assinar um contrato de (pelo menos) 2 anos com as FCD, que pode ser ampliado para 10 míseros aninhos em caso de guerra com outras raças no espaço. O que não é difícil de acontecer, como podemos notar em poucos capítulos.

Old Man's War, por Donato Giancola

Outra questão muito importante que ronda essa escolha de se juntar ao exército são as próprias Forças Coloniais de Defesa. Ninguém sabe absolutamente NADA sobre elas, o que exatamente fazem, como são tão evoluídas tecnologicamente, enfim, um segredo atrás de outro. Somente estando lá dentro para obter as respostas. Isso se você não for morto por algum alien antes disso.

John Perry perdeu sua esposa há alguns anos e não hesitou em alistar-se, tornando-se assim o protagonista dessa história. As primeiras semanas a bordo de uma nave espacial são bem variadas, começando com a descoberta de como é possível ser jovem novamente e as inúmeras vantagens por trás disso, passando por novas amizades com os Velharias (como eles próprios quiseram se chamar), até o início dos (árduos) treinamentos para ser um verdadeiro soldado das FCD. Tudo isso regado a muito humor em praticamente todas as páginas, o que faz a leitura fluir mais que naturalmente.

“Damn real live people, getting in the way of peaceful ideals.”

Os personagens secundários são parte importante da trama, apesar de ter achado que alguns deles tiveram seus destinos selados de uma maneira muito rápida. Nada que atrapalhe, no entanto.

Quando é chegada a hora de realmente descobrir como é ser um combatente em outros planetas, questões como honra, respeito, e até a dúvida sobre ainda ser humano ou não vêm à tona, evidenciando um cuidado do autor em abordar esses temas da maneira mais realista possível. São pequenas coisas como essa que me atraem para uma obra, e Guerra do Velho está cheio disso!

Engineered human versus a Consu, por Shawn Witt

Os momentos de ação, sempre frenéticos e tensos, combinados com as importantes e intrigantes informações sobre as raças alienígenas presentes no universo, dão uma dinâmica excelente à obra. Algumas dessas raças são extremamente inteligentes, a ponto de desenvolver sistemas de rastreamento inéditos, enquanto outras parecem estar envolvidas em uma espécie de cruzada religiosa sem precedentes enquanto realizam seus ataques às colônias humanas da União Colonial.

Outras realizam rituais meio macabros antes de iniciar as batalhas. Coisa de bicho doido, só pode.

Ao sermos apresentados à personagem Jane Sagan (gravem esse nome), já é possível termos uma amostra do que as Brigadas Fantasma (Ghost Brigades) são capazes de fazer durante uma batalha. O título do 2º livro é justamente esse, então já estou bem ansioso para botar as mãos nele e desbravar ainda mais dessa série. John Scalzi é de fato um daqueles caras que escrevem muito bem.

“I'm going to go pee. If the universe is bigger and stranger than I can imagine, it's best to meet it with an empty bladder.”

Li a versão em inglês desse livro, mas pelo que vi em outras resenhas por aí, a tradução da obra, feita pelo Petê Rissatti, ficou muito boa. Sem contar que essa capa da Aleph é muito bonita!

Guerra do Velho é a melhor leitura de 2016 até aqui. Nem precisava dizer muito mais que isso pra recomendar o livro a vocês, mas para aqueles que estão procurando um protagonista show de bola, guerras espaciais e bons momentos de ação, esse lançamento da Aleph é o que mais promete.

Avaliação:


Guerra do Velho:

Livro 1 - Guerra do Velho
Livro 1.5 - Questions for a Soldier
Livro 2 - The Ghost Brigades
Livro 2.5 - The Sagan Diary
Livro 3 - The Last Colony
Livro 4 - Zoe's Tale
Livro 4.5 - After the Coup
Livro 5 - The Human Division
Livro 6 - The End of All Things

3 de out. de 2015

Resenha: Perdido em Marte - Andy Weir

Titulo: Perdido em Marte
Original: The Martian
Autor: Andy Weir
Páginas: 336
Editora: Arqueiro (Outubro de 2014) 

Sinopse: Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico e um senso de humor inabalável, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá. Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, alavancado por uma trama que não para de surpreender o leitor. 

Essa resenha foi feita pelo colaborador Kaue Souza.

Pela sinopse de Perdido em Marte, a ideia que se cria é a de que o livro se desenvolve em cima do "como acontece", e não o mais habitual "o que acontece". Ao fim, tudo se desenrola de uma forma lenta, a ponto de não fazer diferença, sendo essa uma das grandes falhas na construção  da obra.

A maior parte do livro é narrada em primeira pessoa pelo diário de bordo de Watney. Por lá, acompanhamos sua rotina em Marte, onde ele descreve detalhadamente como sobrevive, improvisa alimentos, máquinas e desenvolve planos para se  manter vivo em  Marte. Devido à ideia inicial dada pela sinopse, o final não parece distante, mas apenas um mistério. A dúvida de como o livro irá acabar - já que todas as 336 páginas de  Perdido em Marte parecem desnecessárias para a proposta da obra - a cada capítulo fica  mais óbvia. As mesmas paginas poderiam ter trechos cortados e reduzidos, pois ocupam boa parte só para desenvolver cálculos e teses feitos pelo Mark. A Nasa mesmo se mostrou um mistério - ocupou um espaço tão grande com tantas informações que ao final era só algo a mais e não a protagonista tão esperada no clímax final.

O Mark como personagem não consegue convencer o leitor de seus medos, problemas e dilemas em que se envolve, tudo é fácil, e a proximidade da morte não modifica isso. O humor criado pelo autor acaba funcionando como alívio cômico nas cenas de tensão, e rir da falta de sorte do personagem é inusitado. Em alguns momentos, a impressão é de que tudo foi incluído como forma de diminuir o cansaço causado por tanta informação que o autor inseriu para torná-lo mais real.


Andy é um autor inteligente e escreve de uma forma que manipula os sentimentos e a expectativa do leitor. Na obra toda é possível perceber ideias já usadas no cinema que da a impressão que o livro todo foi escrito como um pré-roteiro para ser adaptado. O desfecho pode até empolgar, mas não sai da obviedade. E a sensação, após o fim de todas as 336 páginas, é saber que, caso leia-se novamente, o impacto não será o mesmo e não ficaram pontas soltas pro futuro.
 

Avaliação final:
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