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20 de mai. de 2016

Resenha: Questions for a Soldier - John Scalzi


Título: Questions for a Soldier
Original: Questions for a Soldier
Série: Guerra do Velho/Old Man's War #1.5
Autor: John Scalzi
Páginas: 28
Editora: Subterranean Press (setembro de 2011)

Sinopse: Captain John Perry, in Old Man's War, did a goodwill tour of the colonies after the Battle of Coral. This is the Q&A session from one of those stops, on the colony world of New Goa. There's no story here, really; just the back-and-forth between a combat veteran and some of the civilians the Colonial Defense Forces are defending—who have a variety of views of the CDF, the fact that it's composed entirely of old folks from Earth (colonists cannot enlist), and the perpetual state of war between humans and most other intelligent species they're in contact with.

Essa resenha contém spoilers de Guerra do Velho.

Questions for a Soldier é um livrinho curtinho (menos de 30 páginas) que se passa alguns meses após os acontecimentos de Guerra do Velho. John Perry mostrou ser um excelente combatente e subiu rapidamente nas fileiras do exército das Forças Coloniais de Defesa. Agora uma de suas missões é fazer tours por alguns dos planetas já colonizados e explicar o papel da União Colonial nisso tudo.

A leitura é bem rapidinha, com John Perry sendo apresentado por um entrevistador e algumas das pessoas na plateia fazendo perguntas a ele sobre assuntos dos mais variados interesses, como o que é ser um soldado das FCD, o que foi feito com seu corpo para ele voltar a ser jovem novamente, o que John Perry pensa a respeito das guerras contras as raças alienígenas, entre outras coisas.

Nosso protagonista também conta a respeito de alguns perrengues que passou durante uma de suas missões, quando foi atacado por vermes gigantes (que me lembraram muito do cenário de Duna, série do autor Frank Herbert) capazes de alterar facilmente todo o equilíbrio de um ecossistema.


Importante perceber que alguns colonistas não estão exatamente felizes com o modo de vida nos seus novos planetas. Como já mencionado em Guerra do Velho, os habitantes são provenientes dos países considerados de terceiro mundo lá na Terra, principalmente das regiões do Oriente Médio e África, enquanto os combatentes das FCD são predominantemente americanos, o que acaba gerando certo desconforto em alguns momentos. Nada que a língua afiada e o bom humor do nosso John Perry não resolvam ao responder as perguntas feitas pelo público presente, mesmo ao ser confrontado com acusações de que a estrutura das FCD é extremamente racista e totalitarista.

Questions for a Soldier é aquele tipo de livro que todo leitor que deseja saber ainda mais sobre uma série que gosta deveria ler, pois contém informações úteis e que complementam as já apresentadas no livro #1 da saga, Guerra do Velho. Fã que é fã nunca está satisfeito e sempre quer mais. ;)

Avaliação:

Guerra do Velho:

Livro 1 - Guerra do Velho
Livro 1.5 - Questions for a Soldier
Livro 2 - The Ghost Brigades
Livro 2.5 - The Sagan Diary
Livro 3 - The Last Colony
Livro 4 - Zoe's Tale
Livro 4.5 - After the Coup
Livro 5 - The Human Division
Livro 6 - The End of All Things

19 de mai. de 2016

Resenha: Guerra do Velho - John Scalzi


Título: Guerra do Velho
Original: Old Man's War
Série: Guerra do Velho/Old Man's War #1
Autor: John Scalzi
Páginas: 368
Editora: Aleph (abril de 2016)

Sinopse: A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das FCD - Forças Coloniais de Defesa. Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75 anos. John Perry vai aceitar esse desafio, e ele tem apenas uma vaga ideia do que pode esperar.

O que você faria se tivesse a opção de se alistar no exército aos 75 anos e voltar a ser jovem de novo? É uma ideia no mínimo tentadora, correto? E foi pensando nisso que o protagonista de Guerra do Velho, John Perry, decide se juntar às Forças Coloniais de Defesa (FCD) ao chegar nessa idade.

Uma decisão que a princípio parece fácil, já que você terá um corpo novinho em folha, habilidades aprimoradas, entre tantas outras vantagens, mas tudo isso tem um preço: você será considerado morto na Terra, renegando todos os seus bens e heranças, além de assinar um contrato de (pelo menos) 2 anos com as FCD, que pode ser ampliado para 10 míseros aninhos em caso de guerra com outras raças no espaço. O que não é difícil de acontecer, como podemos notar em poucos capítulos.

Old Man's War, por Donato Giancola

Outra questão muito importante que ronda essa escolha de se juntar ao exército são as próprias Forças Coloniais de Defesa. Ninguém sabe absolutamente NADA sobre elas, o que exatamente fazem, como são tão evoluídas tecnologicamente, enfim, um segredo atrás de outro. Somente estando lá dentro para obter as respostas. Isso se você não for morto por algum alien antes disso.

John Perry perdeu sua esposa há alguns anos e não hesitou em alistar-se, tornando-se assim o protagonista dessa história. As primeiras semanas a bordo de uma nave espacial são bem variadas, começando com a descoberta de como é possível ser jovem novamente e as inúmeras vantagens por trás disso, passando por novas amizades com os Velharias (como eles próprios quiseram se chamar), até o início dos (árduos) treinamentos para ser um verdadeiro soldado das FCD. Tudo isso regado a muito humor em praticamente todas as páginas, o que faz a leitura fluir mais que naturalmente.

“Damn real live people, getting in the way of peaceful ideals.”

Os personagens secundários são parte importante da trama, apesar de ter achado que alguns deles tiveram seus destinos selados de uma maneira muito rápida. Nada que atrapalhe, no entanto.

Quando é chegada a hora de realmente descobrir como é ser um combatente em outros planetas, questões como honra, respeito, e até a dúvida sobre ainda ser humano ou não vêm à tona, evidenciando um cuidado do autor em abordar esses temas da maneira mais realista possível. São pequenas coisas como essa que me atraem para uma obra, e Guerra do Velho está cheio disso!

Engineered human versus a Consu, por Shawn Witt

Os momentos de ação, sempre frenéticos e tensos, combinados com as importantes e intrigantes informações sobre as raças alienígenas presentes no universo, dão uma dinâmica excelente à obra. Algumas dessas raças são extremamente inteligentes, a ponto de desenvolver sistemas de rastreamento inéditos, enquanto outras parecem estar envolvidas em uma espécie de cruzada religiosa sem precedentes enquanto realizam seus ataques às colônias humanas da União Colonial.

Outras realizam rituais meio macabros antes de iniciar as batalhas. Coisa de bicho doido, só pode.

Ao sermos apresentados à personagem Jane Sagan (gravem esse nome), já é possível termos uma amostra do que as Brigadas Fantasma (Ghost Brigades) são capazes de fazer durante uma batalha. O título do 2º livro é justamente esse, então já estou bem ansioso para botar as mãos nele e desbravar ainda mais dessa série. John Scalzi é de fato um daqueles caras que escrevem muito bem.

“I'm going to go pee. If the universe is bigger and stranger than I can imagine, it's best to meet it with an empty bladder.”

Li a versão em inglês desse livro, mas pelo que vi em outras resenhas por aí, a tradução da obra, feita pelo Petê Rissatti, ficou muito boa. Sem contar que essa capa da Aleph é muito bonita!

Guerra do Velho é a melhor leitura de 2016 até aqui. Nem precisava dizer muito mais que isso pra recomendar o livro a vocês, mas para aqueles que estão procurando um protagonista show de bola, guerras espaciais e bons momentos de ação, esse lançamento da Aleph é o que mais promete.

Avaliação:


Guerra do Velho:

Livro 1 - Guerra do Velho
Livro 1.5 - Questions for a Soldier
Livro 2 - The Ghost Brigades
Livro 2.5 - The Sagan Diary
Livro 3 - The Last Colony
Livro 4 - Zoe's Tale
Livro 4.5 - After the Coup
Livro 5 - The Human Division
Livro 6 - The End of All Things

22 de abr. de 2015

Resenha: The Great Bazaar and Other Stories - Peter V. Brett


Título: The Great Bazaar and Other Stories
Original: The Great Bazaar and Other Stories
Série: Ciclo das Trevas/Demon Cycle #1.6
Autor: Peter V. Brett
Páginas: 104
Editora: Subterranean Press (2010)

Sinopse: Humanity has been brought to the brink of extinction. Each night, the world is overrun by demons—bloodthirsty creatures of nightmare that have been hunting and killing humanity for over 300 years. A scant few hamlets and half-starved city-states are all that remain of a once proud civilization, and it is only by hiding behind wards, ancient symbols with the power to repel the demons, that they survive. A handful of Messengers brave the night to keep the lines of communication open between the increasingly isolated populace. But there was a time when the demons were not so bold. A time when wards did more than hold the demons at bay. They allowed man to fight back, and to win. Messenger Arlen Bales will search anywhere, dare anything, to return this magic to the world. Abban, a merchant in the Great Bazaar of Krasia, purports to sell everything a man’s heart could desire, including, perhaps, the key to Arlen’s quest. In addition to the title novelette, The Great Bazaar and Other Stories contains a number of scenes not included in The Painted Man (published in the US as The Warded Man) as well as a glossary and a grimoire, making it an essential guide to one of the most exciting epic fantasy series currently being published.

Contém spoilers leves de O Protegido.

E aqui estou eu novamente para contar a minha opinião sobre The Great Bazaar and Other Stories, outro livro do Peter V. Brett que se passa no mesmo universo da série principal.

Situado entre os capítulos 16 e 17 de O Protegido, The Great Bazaar já nos introduz a Arlen como mensageiro e atualmente em Krasia, a Lança do Deserto. Sempre quis saber mais sobre o local, e esse conto sanou um pouco a minha curiosidade a respeito dos krasianos e como eles se comportam.

Em busca de riquezas, Arlen vaga pelo deserto atrás de Baha kad'Everam, um vilarejo krasiano conhecido pelos seus artesãos e as peças de cerâmica que produziam, cujo valor é inigualável. Há mais de 20 anos não há notícias do que acontece no local, que jaz abandonado e sem a presença de humanos, como constatado após uma expedição realizada por krasianos há muito tempo.

Todo mundo sabe que pra trabalhar com cerâmica tem que ter barro e argila, e como isso existe em excesso no local também dá pra imaginar que existe o que mais? Isso mesmo, demônios do barro/da argila!! E nada melhor que um ambiente propício como esse para se camuflarem e realizarem emboscadas contra os viajantes mais desavisados, como é o caso do nosso Arlen...


Voltando um pouco a Krasia, temos um capítulo com o ponto de vista de Abban, o khaffit que Arlen negocia suas mercadorias e o recebe sempre com um humor diferenciado e lábia inigualável.

Nessa parte fica mais evidente o modo que as pessoas em Krasia são tratadas, sendo que os guerreiros possuem um lugar destinado ao Céu e quem não tem capacidade de segurar uma lança e lutar é desprezado imensamente, mesmo que alguns desses "párias" virem bons mercadores no futuro. E as mulheres, então, são praticamente tratadas como ninguém. Algo como acontece atualmente nos países muçulmanos, diga-se de passagem. Isso é assunto polêmico para outra hora.

Krasia é uma cidade com hábitos e costumes totalmente diferentes de todo o resto da Thesa, seja pelo modo como tratam os seus habitantes e reverenciam os seus sacerdotes, seja pelo modo como combatem os terraítas à noite em seus labirintos feitos especialmente para isso.

E a bebida que Abban apresenta a Arlen? O tal couzi é uma "mistura de canela com grão fermentado destilado", muito forte e com um gosto horrível nos primeiros goles. Muitos guerreiros a bebem antes das batalhas, buscando a coragem que possa lhes faltar. Será que Arlen gostou?


Mas o momento mais importante do livro não é esse. Quando Arlen e Abban estão discutindo sobre suas mercadorias, o guri do Riacho de Tibbet pede algo que poucos têm acesso: um mapa das ruínas do Sol de Anoch, a cidade perdida onde o Salvador teria dado seus primeiros passos e comandado toda a humanidade contra os terraítas. Um local que não é encontrado há séculos e pode esconder relíquias de valor inestimável, assim como proteções que ninguém mais se recorda.

PULO RÁPIDO PARA O CAPÍTULO 17 DO LIVRO 1: todos sabem que essas ruínas dão uma mexida total na vida de Arlen, e gostei muito de saber como Arlen consegue o mapa de sua localização.

The Great Bazaar and Other Stories também traz trechos cortados de O Protegido por pedido do responsável pela edição ou por vontade do próprio Peter V. Brett mesmo. Um desses trechos é o que Peter desejava que fosse o prólogo da obra principal, mas o editor pediu para cortar por ter uma narrativa diferente do restante da obra. O outro é um capítulo com Leesha indo ajudar uma ex-amiga a recuperar-se de ferimentos, o qual mostra como ela cresceu mentalmente e parece estar preparada para o que o destino lhe reserva.

Temos também acesso a um dicionário krasiano de termos e a um grimório de proteções ao final, sendo que esse possui imagens de proteções ainda não vistas no 1º livro e que podem ser melhor compreendidas por quem já tiver lido os volumes restantes. Muitos me recomendaram ler esse livro curto só depois do livro 3, mas acho que consegui aproveitá-lo de uma maneira satisfatória.

Resumindo, The Great Bazaar and Other Stories é uma leitura interessantíssima e deve ser desbravada por todos os fãs da série e quem mais desejar. Recomendo!

Avaliação final:

Ciclo das Trevas:

1º livro - O Protegido
2º livro - The Desert Spear
3º livro - The Daylight War
4º livro - Skull Throne
5º livro - The Core
Extras - Brayan's Gold, The Great Bazaar and Other Stories e Messenger's Legacy

20 de abr. de 2015

Resenha: Brayan's Gold - Peter V. Brett


Título: Brayan's Gold
Original: Brayan's Gold
Série: Ciclo das Trevas/Demon Cycle #1.5
Autor: Peter V. Brett
Páginas: 94
Editora: Subterranean Press (2011)

Sinopse: Arlen Bales 17, apprentice Messenger in brand new armor, is ready for the first time beside a trained Messenger on a simple overnight trip. Instead Arlen finds himself alone on a frozen mountainside, carrying a dangerous cargo to Count Brayan’s gold mine, one of the furthest points in the duchy. And One Arm, giant rock demon, hunts him still.

Contém alguns spoilers leves de O Protegido.

Aproveitando que tinha acabado de ler O Protegido, escrito pelo Peter V. Brett, resolvi encarar esse conto e desbravar um pouquinho mais desse universo que eu gostei muito de conhecer.

A narrativa de Brayan's Gold se passa mais ou menos na metade do livro principal, quando Arlen está em Miln trabalhando com Cob e levando adiante o seu sonho de ser um mensageiro.

Em um de seus primeiros trabalhos como aprendiz de mensageiro, Arlen é encarregado de levar uma carga extremamente importante de thundersticks (foguetes?) para Brayan's Gold, uma das minas do Conde Brayan, localizada em uma montanha bem afastada ao noroeste de Miln. Além disso, já que sua carga é perigosa e qualquer movimento brusco pode explodir tudo e também causar uma avalanche, todo cuidado é necessário, sem contar o fato de que ladrões costumam espreitar as altas estradas e interceptar os carregamentos que chegam às minas.

Nem preciso dizer que já sentia saudades de ler sobre o Arlen, né? Acredito que esse conto do Brett, cujas páginas tiveram que ser tiradas do livro principal e colocadas aqui, traz mais algumas perspectivas para os leitores e também reforça as características e motivações de Arlen. Sua aversão ao medo que as pessoas têm pelos terraítas é evidente e aqui ela se intensifica ainda mais.

I will respect the corelings, Arlen thought, but I will never stop fighting them.

Um velho amigo do passado também aparece para acompanhar Arlen enquanto ele sobe as montanhas: o Maneta. Esse mesmo. O demônio que teve metade do braço amputado pelas proteções de Arlen ainda o persegue e está sempre por perto, só esperando a noite e o momento em que nosso protagonista estará descuidado, tendo assim a chance de se vingar.
Conhecemos também algumas proteções novas utilizadas por aqueles que se aventuram nas montanhas geladas do Norte. Munido de tinta e do seu caderno repleto de proteções, Arlen sempre procura descobrir mais sobre os segredos dos terraítas e o que pode matá-los.

Ficaram também algumas questões que eu notei e parecem ser bem importantes/intrigantes para entendermos mais da obra: proteções feitas com sangue são mais eficazes do que aquelas feitas com tinta? Em determinado momento, Arlen faz uma proteção com sangue e o seu efeito é muito bom, então isso é algo que eu pretendo prestar mais atenção quando continuar a série.

E os demônios do gelo, será que caminham pelas montanhas repletas de neves? As histórias contadas nas tavernas dizem que sim, mas parece não existir ninguém que os tenha visto pessoalmente, o que deixa em dúvida a sua existência. É o mesmo caso do Protegido, digamos assim. Cito também (e novamente) os aspectos políticos e as relações dos nobres entre si, que parecem estar vindo à tona quanto mais eu avanço nas obras de Peter V. Brett.


Leitura obrigatória para os fãs da série, não deixem de conferir Brayan's Gold e os outros livros extras que se passam no mesmo mundo. A escrita de Peter continua envolvente como sempre.

Em breve pretendo ler The Great Bazaar and Other Stories, outro livro que se passa em Thesa, e também quero continuar a série e ler The Desert Spear/A Lança do Deserto. Fiquem de olho!

Avaliação final:

Ciclo das Trevas:

1º livro - O Protegido
2º livro - The Desert Spear
3º livro - The Daylight War
4º livro - Skull Throne
5º livro - The Core
Extras - Brayan's Gold, The Great Bazaar and Other Stories e Messenger's Legacy
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