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19 de ago. de 2017

Resenha: A Rainha do Fogo - Anthony Ryan

Título: A Rainha do Fogo
Original: Queen of Fire
Série: A Sombra do Corvo/Raven's Shadow #3
Autor: Anthony Ryan
Tradutor: Gabriel Oliva Brum
Páginas: 752
Editora: LeYa (abril de 2017)

Sinopse: Depois de escapar da morte por um fio, a Rainha Lyrna está determinada a expulsar os invasores volarianos e retomar o controle do Reino Unificado. Mas, para isso, ela precisará fazer mais do que reunir seguidores leais: deverá se juntar às forças que, no passado, achou repugnantes – pessoas com os estranhos e variados dons das Trevas – e levar a guerra para o território inimigo. A vitória está nas mãos de Vaelin Al Sorna, agora nomeado Senhor da Batalha. Seu caminho, no entanto, não será nada fácil, pois o Império Volariano possui uma nova arma: o misterioso Aliado, capaz de estender a vida de seus servos. Como Vaelin poderá matar o que não pode ser morto, agora que sua canção do sangue, o poder que o tornou um feroz guerreiro, ficou subitamente emudecida? Na emocionante conclusão da saga best-seller do The New York Times “A Sombra do Corvo”, Vaelin Al Sorna precisa ajudar a Rainha a retomar o Reino Unificado e defendê-la de uma nova ameaça, algo com poderes tão sombrios quanto os piores pesadelos do herói.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Em tempos em que dezenas de lançamentos de novas séries chegam ao Brasil, terminar qualquer uma que seja já é um fato a ser comemorado. A gente quer ler TUDO, mas ao mesmo tempo não consegue ler NADA. Felizmente, tinha como meta finalizar trilogia A Sombra do Corvo e consegui cumpri-la ainda no 1º semestre de 2017. Portanto, sem mais delongas, vamos à parte que interessa.

A Rainha do Fogo começa logo após os acontecimentos de O Senhor da Torre, quando os habitantes do Reino Unificado conseguem derrotar as forças invasores do Império Volariano em Alltor. No entanto, ainda restam forças leais a eles dentro do próprio Reino, traidores de sua nação dispostos a enriquecer e receber o dom da imortalidade se cumprirem os desejos dos servos do misterioso Aliado. É justamente essa a próxima tarefa da Rainha Lyrna para que o seu reinado seja duradouro e próspero: arrancar as maçãs podres do seu pomar, e para isso terá que se dirigir até Varinshold.

"O Aliado está lá, mas sempre como uma sombra, uma catástrofe inexplicada ou um assassinato cometido por ordem de um espírito sombrio e vingativo. Separar verdade de mito costuma ser uma tarefa infrutífera."

O começo desse livro trata muito daquele típico cenário "pós-guerra", com bastante politicagem rolando, reconstrução do que é necessário, estabelecimento de novos acordos e alianças, etc.

Enquanto essa parte se desenrola, acompanhamos Frentis após a queima impiedosa da Floresta Martishe, um ato cruel por parte dos invasores. Agora aliado do Reino, o Escudo lidera tropas meldeneanas numa perseguição aos volarianos, mostrando que pode ser útil à Lyrna, buscando algumas vantagens para si, é claro. Já Verniers, o cronista dessa história que acompanhamos, é enviado ao Império Alpirano para uma missão diplomática. E quanto a Vaelin, nosso protagonista?


Bem, Vaelin Al Sorna parece ter perdido o seu dom da canção. Após se esforçar ao limite no combate em Alttor, Vaelin desmaia e, ao despertar, percebe que a canção não está mais presente. O que será dele sem o instinto que lhe guiou por muitos anos de sua vida? Bora ler para descobrir.

Decidida a retaliar o Império Volariano pelos danos causados, Lyrna decide que é hora de atacá-los, antes que se reagrupem e marchem para o Reino Unificado novamente. E é a partir desse momento que parece que a escrita do Anthony Ryan começa a enfraquecer. Alguns capítulos não avançam tanto, mesmo que sejam necessários para o estabelecimento do "pós-cerco em Alltor" e "preparação para mais guerras", mas a decisão que ele tomou para o rumo do Vaelin, para mim, não foi a mais adequada. Os melhores capítulos de toda a série eram quase sempre dele, principalmente no 1º livro, mas vários do 2º também. Aqui ele meio que se afasta da proposta inicial desse personagem e sacrifica aquela beleza e epicidade que era a sua narrativa de guerreiro.

"Vaelin podia ver, através da neblina matutina, os piquetes se movendo num passo descontraído e sem nenhum sinal de alarme. Ele aguardou à medida que o sol esquentava sua nuca e sua sombra estendia-se no solo adiante, uma longa seta escura apontada para o exército volariano."

Importante ressaltar nessa resenha algumas mudanças de atitudes dos personagens, mostrando uma evolução no seu pensamento. Lyrna, agora como comandante de uma nação, perdoa seu próprios erros do passado e passa a ver os dotados como as pessoas que realmente são, e não como aberrações. Frentis precisa lidar com as consequências por ter assassinado o antigo rei Malcius.


Alornis, irmã de Vaelin, é uma que merece atenção. Não sei se para o bem ou para o mal. De mera aprendiz de pintura/escultura, vira uma "artista de guerra", elaborando planos e armas poderosas. Ficou um pouco forçado, mas enfim, deu para relevar um pouco. Reva evoluiu consideravelmente como guerreira, tendo também que confrontar seus pesadelos do passado ao longo das páginas.

No entanto, relacionando mais à história em si, para mim o Anthony Ryan tentou crescer/desenvolver TANTO o seu mundo, a magia, a quantidade de personagens, etc., que algo não saiu perfeito. A intenção foi excelente, mas não brilhantemente executada. Aprendemos mais sobre a canção e os outros poderes, conhecemos lugares novos, etc., mas nem tudo se encaixou.

O avanço do Reino para o combate final contra o Império Volariano toma boa parte do livro, talvez pudesse ter durado um pouco menos, "transferindo" algumas páginas para as partes finais. Poderia ter dado uma cadência maior à leitura. No entanto, vários momentos épicos são reservados, com revelações impactantes ao leitor. Muitos embates recheados de reviravoltas para ambos os lados!

"Se vamos dividir o poder, sou forçada a concluir que você precisa de uma lição sobre o preço dele. Poder jamais foi conquistado sem sangue, ambições jamais foram realizadas sem sacrifícios."

As explicações por trás do Aliado (quem ele é/era, quais suas motivações, como chegou até a posição atual, etc.) foram respondidas e achei satisfatórias, devem agradar à maioria dos leitores.

Alguns detalhes dos livros anteriores são necessários para entender o que acontece, então sugiro fazer uma leitura por cima do que se passou e preparar-se para adivinhar o que A Sombra do Corvo revela. O livro termina com poucas pontas soltas, mas que podem servir de gancho para uma continuação, caso ela venha a existir. Eu não reclamaria, pois a ambientação da série me cativou.

Além disso, o autor conseguiu balancear de uma maneira positiva os pontos de vista de personagens femininos e masculinos, dando o destaque necessário para ambos durante o andamento da série.

Mesmo com os vários defeitos do volume final, eu recomendo bastante a trilogia do Anthony Ryan. O saldo foi bem positivo e às vezes me pego pensando nos acontecimentos, lembrando dos personagens e dos bons momentos que passei ao ler A Sombra do Corvo. Espero que vocês gostem!

Avaliação final:


A Sombra do Corvo:

Livro 1 - A Canção do Sangue
Livro 3 - A Rainha do Fogo

12 de abr. de 2017

Desbravando Livros pela LeYa na CCXP Tour 2017

Esse ano de 2017 tá com tudo! 

Para os seguidores do Desbravando Livros, já havia anunciado algumas semanas atrás que iria participar da CCXP Tour em Recife, nesse mês de abril. E não é que o grande dia está chegando?


Fui convidado pela Excelentíssima editora LeYa, juntamente com outros blogueiros brasileiros (Anderson Tiago, do parceiro Intocados; Artur e Diego, do Acervo do Leitor) para fazer a cobertura do evento e das atividades da editora durante a Comic Con. Resumindo: postaremos nas redes sociais tudo sobre a CCXP, para que o leitor em casa fique informando do que acontece e das novidades da editora LeYa para esse evento. Novidades essas que não são poucas!

Vou mostrar para vocês o lançamento do tão aguardado box da 1ª trilogia de Mistborn (resenha aqui), do autor Brandon Sanderson. A editora deu acesso exclusivo a algumas pessoas para visualizar o box e ele ficou INCRÍVEL! É sério, vocês não vão mais ter desculpas para não comprar essa série.


O esperado desfecho da trilogia A Sombra do Corvo (resenha aqui), de Anthony Ryan, com o livro A Rainha do Fogo. Mal posso esperar para conferir esse, para mim é um dos lançamentos mais aguardados do 1º semestre de 2017. Além desses, Caçador em Fuga é uma das apostas da editora, obra de ficção científica com nomes como George R.R. Martin, Gardner Dozois e Daniel Abraham.


Além de conferir esses e vários outros lançamentos, os visitantes que passarem no estande da LeYa terão a chance única de sentar no Trono de Ferro! Certo que vou tirar aquela foto básica por lá.

Uma grande novidade deste ano será o uso da tecnologia do chroma key, permitindo que o visitante seja transportado para chance de os visitantes tirarem uma foto em seu mundo fantástico favorito, entre eles a a nave Nostromo, de Alien, e Luthadel, a capital do mundo épico de Mistborn.

Algumas atividades também prometem agitar o público: na sexta-feira (14), podcast ao vivo do time Matando Robôs Gigantes, participando Affonso Solano (que também fará sessão de autógrafos do seu livro, "O Espadachim de Carvão", no sábado), Didi Braga e Beto Estrada. No domingo (16), discussão sobre as regras de magia com Affonso Solano e Anderson Tiago, além do Porradaria Geek!

O Desbravando Livros estará presenta na feira em 3 dias, de sexta-feira a domingo, então recomendo a vocês que me sigam nas redes sociais onde estarei postando material da CCXP Tour.


Facebook - Desbravando Livros: https://www.facebook.com/DesbravandoLivros/.

Instagram - @vagner.stefanello: https://www.instagram.com/vagner.stefanello/.

Não dá pra esquecer das redes sociais da editora LeYa, né?

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Instagram - https://www.instagram.com/editoraleya/.

Queria agradecer a todos aqueles que permitiram a minha participação nesse evento. À editora LeYa, principalmente, pelo convite e por acreditar no meu trabalho, ao pessoal do grupo Livros de Fantasia e Aventura, que sempre me deu muito apoio, além de todos os leitores que acessam diariamente o Desbravando Livros e curtem o que escrevo. 

Então bora desbravar a CCXP!

3 de abr. de 2017

Resenha: O Senhor da Torre - Anthony Ryan

Título: O Senhor da Torre
Original: Tower Lord
Série: A Sombra do Corvo/Raven's Shadow #2
Autor: Anthony Ryan
Páginas: 704
Editora: LeYa (2016)
Compre na Amazon

Sinopse: O Senhor da Torre é o segundo livro da série “A Sombra do Corvo”, uma fantasia épica que explora episódios de conflito, lealdade e fé. Vaelin Al Sorna, agora guerreiro da Sexta Ordem, é o maior guerreiro de sua época. Desiludido com seu Rei e pelo sangue de guerreiros derramado por causa de uma mentira, ele volta para casa, se isolando de tudo, e jura nunca mais matar. Porém, o Reino, que já está dividido entre os que apoiam o Rei Janus e os que preferem sua irmã como líder, será atacado por forças poderosas, e Vaelin, o Lâmina Negra, deverá lutar novamente.

Ainda não consigo me perdoar por ter esperado tanto para ler a continuação de A Canção do Sangue, obra de fantasia do autor Anthony Ryan, lançada inicialmente aqui no Brasil lá em 2014. O Senhor da Torre está quase no mesmo nível do seu antecessor, e agora vamos descobrir o porquê.

Ao contrário do 1º livro da série, esse aqui não tem apenas o Vaelin Al Sorna como protagonista. Contamos com outros três pontos de vista durante a leitura, e creio eu que esse seja um dos motivos para vários leitores acabarem não gostando tanto de O Senhor da Torre. Eles queriam mais de Vaelin e sua canção do sangue. Compreendo perfeitamente, mas preferi enxergar o outro lado da moeda e ver que existe uma vantagem MUITO boa em se ter vários personagens principais.

Muitas mentiras são ditas com gentileza, e muitas verdades são ditas com crueldade.

Uma delas, por exemplo, é conhecer o Império Volariano e ter uma ideia do seu plano de dominação total. Uma das maneiras de acompanharmos essa investida deles é pelo ponto de vista de Frentis, o antigo ladrãozinho de rua que virou um Irmão da Sexta Ordem e que agora é escravo em terras distantes, comandado magicamente por uma mulher misteriosa e sujeito aos seus desejos, que irão levá-lo a cometer uma série de assassinatos, tudo parte duma conspiração maior.

A Sexta Ordem, por MartinGillArt

Conspiração essa que, imagino, deverá ser o ponto central da trama no 3º e último livro da trilogia, A Rainha do Fogo. Mal posso esperar para ler e descobrir os poderes e as motivações por trás do "Aliado", essa entidade que é mencionada desde o começo da série e que pouco sabemos até agora.

Vaelin, o Lâmina Negra, volta para o Reino Unificado após ser julgado por seus "crimes" em terras estrangeiras. Com uma mentalidade totalmente diferente dos seus anos passados, e também muito mais maduro, o guerreiro pretende fugir da sua vida ligada à espada. Só que ele não contava com os planos de Malcius, herdeiro do falecido rei Janus. Enviado para os Confins do Norte, precisará lidar com a desconfiança do povo da região nortenha quanto a ele e ainda por cima descobrir que não é o único que possui um dom especial. Dons esses que sempre acabam cobrando os seus preços.

Quem rouba a cena nessa obra são as mulheres. Em um primeiro momento, Reva Mustor, a herdeira do Lâmina Fiel, Hentes Mustor, parece estar numa missão de vingança e simplesmente esquece de perceber o que está acontecendo ao seu redor e as possibilidades que lhe aparecem. Obstinada com o seu pensamento vingativo dirigido a Vaelin e também a seu antigo tutor, aos poucos ela começa a entender como funciona o jogo político das quatro regiões do Reino Unificado e, a partir desse momento, a vida da personagem sofre uma guinada bem interessante. Vocês irão gostar.

"Você oferece mais do que lutar. Você oferece esperança de que esse feudo sobreviverá àquilo que está vindo para destruí-lo. E essa esperança não pode morrer. Eu já presenciei batalhas. A guerra não escolhe favoritos. Ela ceifa a vida dos fortes e dos fracos, dos habilidosos e dos desajeitados. Dos velhos e dos jovens."

Para mim, a princesa Lyrna é o grande destaque de O Senhor da Torre. Ainda mais quando nos são revelados os planos do seu falecido pai, o rei Janus, e o que Lyrna decidiu fazer a partir do momento de sua morte. Servindo inicialmente como embaixadora de seu irmão (o rei atual) em terras nortenhas, ela dá de cara com pessoas de dons especiais, obtendo uma nova visão sobre alguns povos que até então poucas pessoas do Reino haviam tido a oportunidade de se relacionar.

Quando obrigada a fugir para sobreviver, Lyrna descobrirá um ambiente totalmente diferente daquele ao qual era acostumada, onde ninguém é confiável e alianças improváveis serão forjadas. Os capítulos com os seus pontos de vista, para mim, são os mais interessantes de acompanharmos.

"Se as estrelas no céu não são constantes, nada é. Nada é eterno. Tudo é temporário e está em constante mudança. Nada é constante, meu senhor. Nenhum curso é tão determinado que não possa ser mudado."

E já que estamos tratando de coisa boa, precisamos falar sobre o cerco. Eu não vou estragar a surpresa de vocês dizendo em qual cidade ele acontece, mas posso adiantar que é uma parte FODA PRA CARALHO! Muitíssimo bem narrada, chegava a me dar uma angústia pra saber logo o que iria acontecer, quem iria morrer, se os habitantes iriam superar a investidade do inimigo, entre outras coisas. Fazia tempo que eu não ficava tão vidrado numa leitura como nas partes finais desse livro.


Acho que, numa comparação, O Senhor da Torre ficou levemente abaixo de A Canção do Sangue. Talvez por toda a história de Vaelin ser inédita para a gente, talvez por só termos ele como protagonista do 1º livro. Eu gostei bastante dessa mudança na narrativa, inserindo novos pontos de vista. Isso deu a oportunidade para o autor de tratar de vários outros aspectos do Reino Unificado, como as disputas políticas/econômicos entre os quatro feudos, além de explorar bem mais o mundo onde a obra se situa. São detalhes que acrescentam, e muito, à experiência do leitor com a série!

O grande trunfo desse livro foi ter percebido uma grande evolução nos personagens principais. Todos eles são testados ao seus limites, reagindo de maneiras diferentes, o que faz cada capítulo ter a sua singularidade. Em nenhum momento fiquei pensando "Bah, quero outro capítulo com o Vaelin, chega desses outros", e sim pensei "Opa, ponto de vista da Reva, essa parte deve ser massa".

Muitas questões acabaram ficando em aberto para a continuação, então pretendo comentar mais sobre elas na próxima resenha. Se tudo der certo, ainda em 2017. \o/

E que venha então A Rainha do Fogo e as respostas que queremos nesse universo criado pelo autor!

Avaliação final:

A Sombra do Corvo:

Livro 2 - O Senhor da Torre
Livro 3 - A Rainha do Fogo

28 de ago. de 2015

Resenha: O Herói das Eras - Brandon Sanderson

Título: O Herói das Eras
Original: The Hero of Ages
Série: Mistborn #3
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 772
Editora: LeYa (novembro de 2016)

Sinopse: Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre. O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?

Essa resenha contém vários spoilers dos livros anteriores.

Um ano se passou desde o final de O Poço da Ascensão, quando Vin renegou o poder contido no Poço, liberando assim algo devastador, chamado Ruína. Uma força que pretende destruir o mundo e acabar de vez com a humanidade. Outro detalhe do desfecho do 2º livro: Elend vira um Mistborn!!

Muitos leitores, ao terminarem a leitura de O Império Final, volume inicial da trilogia, acharam que o Senhor Soberano era o principal inimigo a ser derrotado. Engano total, como é mostrado nesse livro. Todas as ações e motivações daquele "vilão" são finalmente explicadas e destrinchadas aqui, deixando o leitor/fã com aquela sensação latente de "Como é que eu não percebi isso antes?".

Mistborn, por Marc Simonetti.

Saindo levemente do foco político e também amoroso do livro anterior, esse aqui foca mais na luta das pessoas pela sobrevivência em um mundo prestes a ruir, que dependia muito dos recursos naturais (água, plantações, etc.) para ter uma vida normal e agora os vê se tornando escassos, à medida que os metais continuam ali, mas não tem a mesma importância quando o assunto é simplesmente ficar vivo. As disputas por território continuam ali, é claro, já que são parte da trama e servem como pano de fundo para alguns conflitos empolgantes. Repleto de revelações sobre as ligas alomânticas, os leitores podem esperar grandes surpresas desse livro, desde alguns segredos sobre o tal atium e algo a mais sobre os metais já existentes. Tá difícil não dar spoiler... haha

Além da alomancia e da feruquemia, existe ainda uma terceira arte, conhecida como hemalurgia, que permite aos seus usuários transmitir o poder alomântico de um ser para outro. Não me aterei a mais detalhes, já que a chance de estragar a surpresa para alguns leitores é extremamente grande!

Preciso escrever sobre dois personagens que têm um destaque maior em The Hero of Ages: Fantasma (Spook) e Sazed. O primeiro, membro da gangue de Kelsier e sobrinho do agora falecido Trevo, morto no cerco de Luthadel, sempre teve um papel pequeno nas artimanhas do Sobrevivente, mas agora parece ter saído da toca e entendido que realmente pode fazer algo mais. Já o segundo, Guardador de Terris, está em conflito com suas crenças durante toda a narrativa. Consciente de que todas as religiões não fazem sentido, Sazed já aceita o destino que o mundo terá e parece ter desistido de ajudar, ainda mais quando passa a não usar mais as suas mentes de cobre. Uma coisa que posso adiantar é que essa dúvida dele irá refletir diretamente no desfecho da série.

Temas como essa incerteza de Sazed quanto à sua fé são recorrentes no livro, além dos conflitos pessoais vividos pelos outros personagens, como Elend e Vin, que agora estão casados e desenvolvem-se em conjunto, tanto suas habilidades alomânticas como as de um relacionamento.

E TenSoon, o kandra que espionava Vin, também rende vários bons momentos e algumas surpresas.


Mistborn, por axt 234
"Ter fé significa que, não importa o que aconteça, você pode confiar que alguém está olhando por você. Confiar que alguém irá fazer tudo dar certo no final."

Prestem MUITA atenção nas várias palavras soltas durante a leitura, pois elas dão algumas pistas sobre o/a Herói/Heroína das Eras e um bom palpite já pode ser dado antes mesmo da revelação.

A primeira parte do livro é mais cadenciada, com as peças sendo posicionadas em seus devidos lugares e menos ação acontecendo, fato que talvez estranhe os apaixonados por cenas mais "rápidas". Nada que atrapalhe o resultado final, diga-se de passagem, já que o estilo narrativo do Brandon é bem simples e direto, sem as firulas desnecessárias vistas em obras de outros autores.

Aliás, muitas coisas importantes para entendermos melhor a Cosmere nos são apresentadas nesse livro. Para quem não sabe, a Cosmere é um universo criado pelo autor Brandon Sanderson e que abrange vários locais, entre eles Scadrial e Roshar, continentes das séries Mistborn e The Stormlight Archive, respectivamente, além de várias outras obras. Como eu já li dois livros da outra série antes de The Hero of Ages, alguns detalhes não passaram desapercebidos para mim, fazendo com que eu entendesse bem melhor algumas consequências dos momentos finais da trilogia Mistborn.

São detalhes que o leitor pegará com o tempo, conforme for lendo os títulos do autor. Recomendo!

O Império Final, por ekr1703

Enfim, tudo o que me resta dizer é que ler todos os livros de Mistborn com certeza vale a pena. As respostas para os mistérios da trama estão ali, no 3º livro, só esperando pelo leitor para serem desbravadas. O desfecho da série certamente agradará à grande maioria dos fãs do autor.

A trilogia Mistborn é uma das grandes referências da fantasia na atualidade e merece ser desbravada por todos os fãs desse gênero. Com um worldbuilding excelente e um clímax digno de uma trilogia 5 estrelas, o autor Brandon Sanderson entrega ao leitor uma obra-prima de qualidade.

Avaliação final:

Mistborn:

1º livro - O Império Final
3º livro - O Herói das Eras

Existe também outra quadrilogia, cujo primeiro volume é intitulado The Alloy of Law, que se passa 300 anos após essa trilogia. Pretendo desbravar no futuro.

30 de mai. de 2015

Resenha: O Poço da Ascensão - Brandon Sanderson


Título: O Poço da Ascensão
Original: The Well of Ascension
Série: Mistborn #2
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 720
Editora: LeYa (abril de 2015)

Sinopse: A queda do Império Final trouxe a esperança. E despertou mistérios assustadores. Numa sucessão de golpes de sorte, Elend Venture subiu ao trono de Luthadel, a principal cidade do Império Final. Nos meses que seguiram a queda do Senhor Soberano e a dissolução de seu governo, o novo rei revolucionou as relações entre os skaa – a classe social mais baixa – e os nobres, atraindo a atenção dos diversos governantes das outras partes do grande império. Dentro das muralhas de Luthadel, o perigo espreita de todos os lados. Assassinos de aluguel alomânticos ameaçam a vida do rei, a desconfiança generalizada faz a população temer pelos rumos da cidade e desejar o retorno do Senhor Soberano, e um inverno inclemente se aproxima. Elend, Vin e o bando de Kelsier tentam manter o controle a todo custo, mas os piores inimigos ainda estão por vir. Fora das muralhas, arma-se um cerco militar gigantesco. À frente dele, Straff Venture, o pai de Elend, um tirano cruel e desesperado pelo poder, busca invadir Luthadel. E ele não está sozinho. Reviravoltas e surpresas marcam este segundo volume da trilogia Mistborn - Nascidos da Bruma. O destino de todo o Império Final está envolto nas brumas, e apenas uma força sobrenatural será capaz de desvendar os mistérios que assolam seus habitantes.

Contém alguns spoilers do livro anterior.

O Poço da Ascensão era um dos livros que eu mais esperava ler em 2015 e cá estou eu, escrevendo essa resenha após terminar de desbravá-lo algumas horas atrás. Enfim, vamos ao que interessa.

Como visto no primeiro livro, O Império Final, a supremacia do Senhor Soberano chegou ao fim, logo após ser morto por Vin, no evento que ficou conhecido posteriormente como O Colapso. Kelsier também se foi em meio à essa luta, mas todos sabem os reais motivos de sua morte e a necessidade dela acontecer para que o povo skaa se rebelasse contra a tirania imposta pelo Império Final.

Quem está no comando agora é Elend Venture, o nobre que não larga a mão dos seus livros e ainda por cima apaixonou-se por Vin. Mas eles descobrirão que, mais difícil do que conquistar uma cidade, é mantê-la depois. Os skaas ainda sentem a falta de Kelsier, o Sobrevivente, e a sua gangue de ladrões também, já que era ele quem comandava todas as ações.

Além disso, tudo pode piorar de uma hora para outra, mesmo que isso pareça impossível.

Caos e instabilidade, a bruma era os dois. Sobre a terra havia um império, dentro daquele império havia uma dúzia de reinos fragmentados, dentro desses reinos ficavam cidades, vilas, vilarejos, fazendas. E, acima de todos eles, dentro deles, ao redor deles, estava a bruma. Era mais constante que o sol, pois não podia ser ocultada pelas nuvens. Era mais poderosa que as tempestades, pois sobrevivia a quaisquer fúrias climáticas. Sempre estava lá. Mutável, mas eterna.

Diversos rumores sobre o comportamento das brumas começam a se espalhar por aí, como os que dizem que elas estão começando a cair durante o dia e atacando pessoas. Forças sobrenaturais parecem estar por trás disso, e resta a Vin e cia. aprender como lidar com as consequências.

Exércitos começam a aparecer ao redor de Luthadel para tentar tomá-la, visto que agora a instabilidade política é grande. Um desses exércitos é comandado por Straff Venture, pai do próprio Elend, que conta com uma carta na manga para conseguir o deseja: um Nascido da Bruma.

Outro dele é comandado por Cett, outro nobre que está querendo ficar com a cidade de Luthadel.

Já o terceiro exército está sob comando de um conhecido de Elend Venture e conta com alguns guerreiros muito singulares: koloss. Criaturas que estavam sob o comando do antigo Senhor Soberano e que possuem diversas formas, desde uma mais simples, parecida com os humanos normais, até uma forma gigantesca, de quase 4 metros de altura, olhos avermelhados, com espadas monstruosas às costas e possuidoras de uma pele azul totalmente esticada a ponto de se romper em várias partes. Quanto maior o koloss, maior o problema enfrentado pelo inimigo. Como alguém consegue controlar um exército desse tipo? Só lendo para descobrir a resposta...


Aliás, teve uma só coisinha que me incomodou (levemente) durante a leitura: o mimimi exagerado da Vin e do Elend em alguns momentos da narrativa. Parecia coisa de adolescente!! Um achava que o outro não o merecia por ser bom demais, o outro achava que precisava de alguém melhor, e assim por diante. Enfim, coisas desse tipo, mas nada a ponto de estragar o andamento das coisas. Acho que o Brandon se utilizou disso mais pra desenvolver o relacionamento de ambos, tornando essas partes um pouco "necessárias" para entendermos melhor o contexto.

Aproveitando o embalo dos "incômodos", faltou a LeYa caprichar um pouquinho mais na revisão. Dezenas de palavras escritas de forma errada, parece até que não tomaram todo o cuidado necessário pra uma obra desse nível. Obra essa que demorou mais de 1 ano pra ser lançada, por sinal. Vamos acelerar isso aí, queremos o 3º livro logo!

Não posso esquecer de comentar também sobre o desenvolvimento do Elend em outro aspecto: a parte política. Agora que é o rei, suas atitudes deverão mudar, não podendo depender só dos livros para fazer o que precisa. Achei essa questão bem aproveitada durante a narrativa, com vários personagens sendo introduzidos e tornando-se importantes para o reinado do nobre Venture.

Outro ponto que ganhou bastante destaque nessa obra é a noção cada vez mais aprofundada que a Vin tem dos seus próprios poderes, que parecem ser ilimitados. De uma simples ladra das ruas até se tornar uma poderosa Nascida da Bruma, Vin cada vez mais aprende que, para uma Mistborn, não existem limites. Ainda mais quando ameaçam os que estão do seu lado.

"- Ele ameaçou tudo que amo - ela sussurrou. - Logo ele saberá que existe algo neste mundo mais mortal que seus assassinos. Algo mais poderoso que seu exército. Algo mais aterrorizante que o próprio Senhor Soberano. E eu estou indo buscá-lo."

Ah, aproveitando a imagem, finalmente descobri o porquê dessas espadinhas gigantescas que eu via toda hora nas fan arts espalhadas por aí. São de dar medo, literalmente! Sem contar o estrago que as coitadinhas podem fazer nas mãos de uma alomântica poderosa como Vin.

Explicando um pouco o título da obra, o tal Poço da Ascensão refere-se a um local que, segundo as lendas, foi onde o Senhor Soberano adquiriu os seus poderes e, ao invés de renunciá-los para o bem da humanidade, resolveu aproveitar-se deles para escravizar todo mundo e assim ficar no poder.

As primeiras partes do livro são um pouco mais lentas, devido às intrigas decorrentes do golpe de estado realizado pela equipe do Kelsier, digamos assim, já as partes finais são mais aceleradas, bem ao estilo do Brandon Sanderson, trazendo o que ele tem de melhor para essa obra.

O Poço da Ascensão é um livro essencialmente político, focado na disputa pelo poder e nas tramas por trás disso. Mesmo que isso torne a leitura um pouquinho mais lenta, me vi voando nas páginas finais, de tanta coisa alucinante acontecendo ao mesmo tempo, tantos segredos sendo revelados e novas perspectivas sendo apresentadas. Leitura obrigatória para os fãs da série, não perca seu tempo, avive logo o seu peltre e vá correndo até a livraria mais próxima da sua casa.

Avaliação final:

Mistborn: 

1º livro - O Império Final
2º livro - O Poço da Ascensão
3º livro - The Hero of Ages (sem previsão de lançamento)

14 de abr. de 2015

O Poço da Ascensão entra em pré-venda

Bom dia, desbravadores.

O segundo livro da série Mistborn, O Poço da Ascensão, acaba de entrar em pré-venda! Caso ainda não tenham lido a resenha do primeiro, O Império Final, confiram aqui. Série escrita pelo autor Brandon Sanderson. Seguem a capa oficial e a sinopse:

Numa sucessão de golpes de sorte, Elend Venture subiu ao trono de Luthadel, a principal cidade do Império Final. Nos meses que seguiram a queda do Senhor Soberano e a dissolução de seu governo, o novo rei revolucionou as relações entre os skaa – a classe social inferior – e os nobres e atraiu a atenção dos diversos governantes das outras partes do grande império. Dentro das muralhas de Luthadel, o perigo espreita de todos os lados. Assassinos de aluguel alomânticos ameaçam a vida do rei, a desconfiança generalizada faz a população temer pelos rumos da cidade e desejar o retorno do Senhor Soberano, e um inverno inclemente se aproxima. Elend, Vin e o bando de Kelsier tentam a todo o custo manter o controle, mas os piores inimigos ainda estão por vir. Fora das muralhas, arma-se um cerco militar gigantesco. À frente dele, Straff Venture, o pai de Elend, um tirano cruel e desesperado pelo poder, busca invadir Luthadel. Mas ele não está sozinho. Reviravoltas e surpresas marcam este segundo volume da trilogia Mistborn. O destino de todo o Império Final está envolto nas brumas, e apenas uma força sobrenatural será capaz de desvendar os mistérios que assolam seus habitantes.

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22 de jan. de 2015

Resenha: A Canção do Sangue - Anthony Ryan


Título: A Canção do Sangue
Original: Blood Song
Série: A Sombra do Corvo/Raven's Shadow #01
Autor: Anthony Ryan
Páginas: 656
Editora: LeYa (outubro de 2014)

Sinopse: Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus Irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem - o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora com uma aventura repleta de ação.

A história de uma lenda. Estas seriam as cinco palavras necessárias se alguém me pedisse para resumir brevemente toda a vida de Vaelin Al Sorna, Beral Shak Ur, Eruhin Makhtar, o Matador do Esperança, filho do ex-Senhor da Batalha do Rei, abandonado pelo próprio pai em frente à casa da Sexta Ordem logo após a sua mãe ter falecido. Treinado para ser um guerreiro em nome da Fé e proteger o Reino, Vaelin é um personagem que acabou entrando definitivamente, a partir de agora, para a minha lista de favoritos.

A Canção do Sangue começa quando Vaelin está sendo levado a um julgamento por combate para que possa responder aos seus "crimes" e ter o destino que muitos desejam: a morte. Acompanhado pelo escriba imperial Verniers, nosso protagonista resolve enfim contar a sua história para ele, trazendo à tona praticamente todos os segredos e mentiras que envolvem a lenda do Matador do Esperança. Alguma semelhança com os livros do Patrick Rothfuss? Diferentemente d'A Crônica do Matador do Rei, onde Kvothe é o ponto de vista e conta sua história, aqui acompanhamos os pensamentos do escriba em primeira pessoa e é Vaelin quem conta a sua história para ele.

O livro é dividido em cinco partes, sendo que em todas elas o primeiro capítulo é do ponto de vista de Verniers, apresentando seus relatos na história presente, e logo após partimos para os capítulos em que Vaelin é o ponto de vista, mudando a narrativa para a 3ª pessoa e viajando ao passado.

"Diziam que aqueles olhos podiam desnudar a alma de um homem, que nenhum segredo permanecia oculto sob seu olhar."

Eu gostei MUITO dessa parte inicial do treinamento de Vaelin Al Sorna. Eu estava até meio receoso que ela fosse ser meio monótona e cheia de enrolações, mas o Anthony Ryan fez uma narrativa tão simples, tão direta, que parecia que eu estava vendo um filho sendo treinado para matar. Ainda posso destacar que Vaelin nunca está sozinho e seus irmãos (de Fé) também são desenvolvidos da uma maneira satisfatória, com seus passados sendo explorados (ou não) e todos tendo que superar as dificuldades dos testes impostos pela Ordem. Muitos acabam sucumbindo às adversidades dos mais variados testes da Ordem, uns sendo mandados embora e outros sendo mandados à cova.

"Eram fortes. Eram matadores. Eram o que a Ordem os tornara. Este é o fim de algo, percebeu. Vivendo ou morrendo, é aqui que as coisas vão mudar, para sempre."

Conforme o tempo vai passando, Vaelin e seus irmãos vão crescendo e também se aperfeiçoando nas suas habilidades (Vaelin na espada, Dentos no arco, Barkus no combate desarmado, Nortah com o cavalo e Caenis na natureza) e consequentemente estreitam seus laços, passando a receber missões cada vez mais perigosas e também arrumando algumas confusões básicas por aí.


O livro toma outro rumo quando Vaelin sofre uma tentativa de assassinato, é agraciado (ou não) com a visão de um lobo e a partir daí começa a sentir a canção do sangue dentro de si, um dom que mais parece um instinto, como se alguém estivesse tentando lhe dizendo o que fazer e o alertasse sobre os perigos que ele está para enfrentar. Quando algo está errado ou Vaelin precisa de alguma indicação do que fazer, ele sempre recorre à canção, aprendendo como controlá-la e, com isso, acaba  também conhecendo outras pessoas que têm esse dom. Quem tentou matá-lo? Por que Vaelin foi enviado à Sexta Ordem? Essas são apenas algumas das várias perguntas que nosso protagonista se fará enquanto tenta sobreviver.

"- A canção não pode ser ensinada, irmão, e não vem de lugar algum. É simplesmente o que você é. Sua canção não é um outro ser que vive dentro de você. Ela é você."

Destaco também a importância que o autor transmitiu às religiões no livro e como elas foram realmente necessárias para que a obra atingisse um nível de excelência, com suas tramas cada vez mais obscuras e também nos trazendo relatos de uma proibida/esquecida Sétima Ordem, conhecida antigamente pelo seu controle das Trevas e por membros que sempre almejavam o poder.

Outro que aparece vez ou outra no livro e tem sua relevância é o Rei Janus. Em um livro desse estilo, tramas políticas não poderiam faltar, né? Ainda mais se algumas mulheres inteligentes forem inseridas no meio e acabarem sendo importantes até mesmo para o amadurecimento da personalidade de Vaelin. Mostrando que não está ali apenas para sentar num trono, Janus entende que Vaelin não pode será apenas um membro da Sexta Ordem e que faz somente o que eles desejam, lembrando que o seu pai era o antigo Senhor da Batalha e os esforços do seu filho poderiam muito bem ser usados para novas tarefas. Tarefas essas que envolvem batalhas, é claro.

Batalhas essas que são muito bem escritas, por sinal, lembrando-me rapidamente as carnificinas dos livros do autor Bernard Cornwell, cujo desbravador aqui é fã! O autor não perdeu muito tempo com descrições exageradas e que pudessem tornar o momento monótono, e essa escrita "lisa" fez com que as batalhas fossem partes extremamente dinâmicas no seu decorrer, sempre mostrando que as habilidades do Senhor da Batalha continuam no sangue de seu filho Vaelin.

Preciso ainda fazer uma leve reclamação à editora LeYa: revisem melhor os seus livros!! Achei várias palavras escritas erroneamente e também fora do lugar, pontuação faltando/sobrando. Um cuidado um pouquinho maior seria legal. Imagino que isso será corrigido na sequência...


A história de um garoto que se transformou em uma lenda, um homem a ser respeitado, um guerreiro a ser temido. Quem diria que o livro inicial do autor Anthony Ryan poderia fazer tanto sucesso? Depois de ser publicado de forma independente, A Canção do Sangue chamou a atenção da editora Penguin Books e a partir daí a quantidade de leitores só aumentou. Nem preciso dizer que, agora que chegou ao Brasil, a série A Sombra do Corvo ganhou mais um ávido leitor, né?

Posso dizer que gostei de tudo nesse livro: o treinamento dos irmãos, a Fé e seus seguidores, o modo de avaliar as Trevas e as pessoas que as dominam, as batalhas e as intrigas políticas no meio de tudo isso. Sobrou até espaço para um leve romance aí no meio, sem contar que a lealdade de Vaelin Al Sorna para com seus irmãos é algo digno de se gravar.

"- A lealdade é nossa força."

Uma mistura no mínimo intrigante: o modo de contar histórias visto em A Crônica do Matador do Rei, o treinamento para se tornar especialista em determinado aspecto sendo bem desenvolvido como na série Nobres Vigaristas (os dois extremamente distintos, só para relembrar) e as descrições de batalhas parecidas com as dos livros de Bernard Cornwell. Está esperando o quê para largar a sua leitura atual e dar uma chance a esse livro? Fica a recomendação então. Nota máxima!

Avaliação final:

A Sombra do Corvo:

1º livro - A Canção do Sangue
2º livro - O Senhor da Torre
3º livro - A Rainha do Fogo
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