10 de jun de 2015

Resenha: 1356 - Bernard Cornwell


Título: 1356
Original: 1356
Série: A Busca do Graal/Grail Quest #4
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 420
Editora: Record (30 de julho de 2013)

Sinopse: Setembro de 1356. Por toda França, propriedades estão sendo incendiadas e pessoas estão em alerta. O exército inglês — liderado pelo herdeiro do trono, o Príncipe Negro — está pronto para atacar, enquanto franceses e seus aliados escoceses estão prontos para emboscá-los. Mas e se existisse uma arma que pudesse definir o desfecho dessa guerra iminente? Thomas de Hookton, conhecido como o Bastardo, recebe a tarefa de encontrar a desaparecida espada de são Pedro, um artefato que teria poderes místicos para determinar a vitória de quem a possuísse. O problema é que a França também está em busca da arma, e a saga de Thomas será marcada por batalhas e traições, por promessas feitas e juramentos quebrados. Afinal, a caçada pela espada será um redemoinho de violência, disputas e heroísmo.

Por incrível que pareça, 1356 é apenas o primeiro livro do Bernard Cornwell que eu leio nesse ano de 2015, e quem acompanha o Desbravando Livros sabe que eu sou um dos maiores fãs do cara aqui no Brasil, então sempre tento encaixar pelo menos uns dois livros dele na minha meta anual.

1356 se passa dez anos após os acontecimentos da trilogia A Busca do Graal (as resenhas dos três estão no final dessa postagem), apesar de não ser considerado como o 4º livro da série, pois o leitor pode desbravar 1356 sem ter lido a outra trilogia, mas isso é algo que eu não realmente não recomendo, pois os spoilers seriam gigantescos e é muito melhor acompanhar todo o desenvolvimento do personagem principal em A Busca do Graal e compará-lo com os fatos de 1356.

Bom, vamos agora ao que nos interessa: Thomas de Hookton, o arqueiro e personagem principal dos livros, foi nomeado cavaleiro após a dura batalha de Crécy e agora possui suas próprias terras. Seu filho Hugh, de 7 anos, é fruto do relacionamento com Genevieve, a herege que entrou em seu caminho durante a trilogia e foi salva por Thomas um pouco antes de ser mandada para a fogueira. Ambos estão no meio da França, durante as invasões do príncipe Eduardo de Gales ao país, as famosas chevauchéés, ataques destruidores em todo o país feitos para provocar sérios danos econômicos ao inimigo, o que o obrigaria a travar uma batalha para acabar com os invasores ou então a baixa na moral dos seus soldados e a quantidade perdida de recursos seriam irreversíveis.


Thomas agora é conhecido agora como le Bâtard, um nome imponente que espalha medo pelos inimigos franceses, e também comanda os hellequins, como são conhecidos os seus subordinados.

"Os hellequins tinham ficado ricos por causa de duas coisas. A primeira era seu líder, Thomas de Hookton, um bom soldado, excelente pensador e inteligente na batalha, mas havia muitos homens no sul da França capazes de se igualar à esperteza de le Bâtard. O que não podiam era usar a segunda vantagem dos hellequins, o arco de guerra inglês, e era isso que enriquecera Thomas e seus homens."

Ao contrário dos outros livros, nesse aqui várias partes NÃO são narradas do ponto de vista do Thomas, mas sim por outras pessoas envolvidas na trama. Um exemplo disso são as primeiras páginas, quando um frei entra em Carcassonne, que está sendo atacada nesse exato momento, e, a pedido de um homem importante, recupera uma velha espada que está lá, espada essa que as lendas dizem ser La Malice, a espada usada por São Pedro para proteger Jesus e que, por ser uma relíquia da cristandade, dará a vitória na guerra para quem estiver com ela em suas mãos.

E esse é basicamente o enredo de toda a obra: capturar La Malice, uma relíquia sagrada que pode (teoricamente) lhe dar a vitória na guerra. O superior de Thomas,  o conde de Northampton, ao tomar conhecimento dessa relíquia, pede para que o arqueiro a capture e esconda, dando assim um motivo a menos para que os franceses acreditem na vitória sobre os seus inimigos ingleses.

Mesmo sabendo de todo o poderio do arco longo, acabei sentindo falta de um detalhamento maior quando eles estavam sendo usados. Na trilogia principal, dava pra SENTIR que os inimigos estavam praticamente se borrando quando sabiam que iriam enfrentar os temidos arcos de guerra, mas em 1356 eu acabei não tendo toda essa impressão. Talvez por já ter lido demais sobre ele? Quem sabe. Talvez pelos franceses terem aprendido que lutar a pé é mais vantajoso do que lutar a cavalo contra os arqueiros? Quem sabe. Talvez por alguns pontos de vista serem do lado dos franceses? Quem sabe. Fato é que os três volumes de A Busca do Graal são bem melhores do que esse aqui.


Vemos ainda alguns juramentos sendo quebrados, mulheres bonitas aparecendo, até mesmo um cavaleiro virgem (!), que diz ter sido abençoado pela Virgem Maria e sua virgindade lhe traz força para lutar contra os seus oponentes. Enfim, tem de tudo. Padre brigão e indeciso? Tem também!

- Os homens vivem disputando - disse o abade. - Mas as mulheres sempre os tornam piores. Veja Troia! Todos aqueles homens mortos por causa de um rosto bonito! - Ele olhou sério para o jovem monge inglês. - As mulheres trouxeram o pecado para este mundo, irmão, e nunca deixaram de fazer isso. Agradeça por ser monge e ter feito voto de celibato.
- Graças a Deus - disse o irmão Michael, sem muita convicção.

1356 é um bom livro, com muitos dos ingredientes já conhecidos pelos leitores de Bernard Cornwell, mas não é uma obra que ficará entre as suas melhores. As soluções para algumas situações foram muito simples, digamos assim, sem toda aquela tensão que ele nos traz em outras de suas obras, e a única parte realmente boa desse livro é a batalha de Poitiers, no final, quando os franceses e ingleses entram em conflito. E mesmo essa não é uma das mais grandiosas batalhas.

Resumindo um pouco: quem gostou bastante da trilogia principal certamente gostará desse livro, mas não é aquele tipo de obra que eu recomendaria para aqueles que estão iniciando em livros do Bernard Cornwell. Azincourt, por exemplo, que também se passa durante a Guerra dos Cem Anos, é muito superior. Mesmo assim, leitura obrigatória para todos os fãs do mestre em batalhas!

Avaliação:

A Busca do Graal:

1º livro - O Arqueiro
2º livro - O Andarilho
3º livro - O Herege
Extra - 1356

16 comentários:

  1. Valeu pela resenha!

    Ainda não li a trilogia do Graal, o que ainda pretendo fazer esse ano.

    Mas se você achou Azincourt melhor que 1356, provavelmente não lerei 1356, porque não gostei muito de Azincourt.

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    1. Os livros do Cornwell são 8 ou 80, Gustavo, ou você gosta ou odeia. hahaha

      Não gostou de Azincourt? Bah, eu curti bastante, achei o melhor livro "único" dele, mas vai de cada um mesmo. Sugiro que você leia Crônicas Saxônicas também, pra mim é a melhor série dele!

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    2. Vagner, já li os 8 volumes das Saxônicas, estou esperando o 9o para outubro, vou ler em inglês mesmo...

      Também já li As Crônicas de Artur e atualmente estou lendo o 4o volume das Aventuras de Sharpe...

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    3. Bah, é quase mais viciado que eu então! hauahuahuha

      Tô esperando o "Warriors of the Storm" também, em outubro já irei desbravá-lo, não tem como ficar esperando.

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  2. Depois de ler suas resenhas de Cornwell me interessei muito por seus livros e adquiri vários, mas ainda não li nenhum. Como estou com vários livros faz tempo na frente pra ler, vou tentar ler ao menos um este ano.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Já tá na hora de ler um livro dele, Maurilei!!! Sugiro começar por "O Último Reino", é mais fácil você gostar do autor iniciando pelas Crônicas Saxônicas.

      Abraço!

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    2. Ah que coincidência !! Estava pensando em começar por O Último Reino mesmo, e agora que você aconselhou começar por ele, está decidido hehe

      bomlivro1811.blogspot.com.br

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    3. Vai nesse mesmo, leitura garantida, só coisa boa!! ;)

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  3. Eu achei 1356 e livro muito bom, so achei que bernard deveria ter usado um personagem diferente como ele fez em azincourt e que o final de O Herege foi muito melhor do que o final de 1356, mais foi muito bom saber o que aconteceu com o thomas de hookton depois de A Busca do Graal.

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    1. Sim, tem alguns pontos que ele poderia ter melhorado mesmo, mas acho que foi legal ter o Thomas como personagem principal de 1356, deu pra ver como ele evoluiu bastante em relação à trilogia do Graal.

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  4. Fala, Vagner! Cara, esse livro está na minha lista de Ficção Histórica para ler esse ano. Mas pelo o que você escreveu, seria bom ler primeiro a trilogia do graal? Tu sabe, tenho As Crônicas Saxônicas para dar continuidade e mais uma série, que no caso é uma trilogia, só me complicaria hahaha. Como sempre Cornwell sendo Cornwell, mas ele decepciona assim nesse livro? Abraços e chega logo 2017!

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    1. Sim, eu aconselho bastante você a ler a trilogia do Graal antes, vai te dar um background incrível pra poder ler 1356 depois. Esse livro não é um dos melhores dele, talvez pelo protagonista Thomas não ser OOOOO fodão, tipo Uhtred e cia, mas é legal. Eu recomendaria seguir adianta nas Crônicas Saxônicas por enquanto, aí depois, se der um tempinho, leia a trilogia do Graal. ;)

      Até mais!!! o/

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  5. Olá! Já li as Crônicas de Arthur, aguardando ansiosamente pelo 9o livro das Crônicas Saxônicas, e já li os 20 livros das Aventuras de Sharpe (super recomendo). E sabemos que Bernard Cornwell mantém um padrão de narrativa e contexto. A personagem dentro do contexto histórico é sempre um soldado que ascende por ter uma capacidade maior de raciocínio que os outros, sempre há uma ligação estreita com os superiores para que ele esteja na guerra importante, sempre há mais de uma mulher e a primeira é fora do padrão social do convívio do personagem mas que de alguma forma dará informações importantes para o desfecho dos problemas.
    Amo Bernard Cornwell. Ninguém descreve uma batalha como ele.
    Se nesse livro ele começa com uma narrativa diferente, já me interessei mais! Vamos ver como o autor se comporta!
    Ah sugiro a leitura de Conn Iggulden. O ritmo de narrativa de guerra é muito parecido, mas ele resolveu contar do ponto de vista de quem manda. Não de quem (teoricamente) obedece!

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    1. Os de Sharpe ainda preciso ler, só desbravei o 1º até agora e gostei bastante. Cornwell tem essa fórmula manjada que todos nós conhecemos, e eu, pessoalmente, curto demais, se ficar sempre assim, perfeito!

      Conn Iggulden eu já li toda a série O Conquistador, que conta a história dos mongóis, boa demais!! No futuro eu pretendo ler a do Júlio César, talvez ano que vem eu comece.

      Abraços e obrigado por comentar aqui no blog!

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  6. Gosto muito desse autor, já li duas de suas obras "Busca do Graal" e "Crônicas de Artur"... Peguei hoje esse livro, comprei assim que soube que as aventuras de Thomas não tinham terminados em o herege hehehe.

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    1. Sempre bom ter mais de um personagem que a gente gosta, e 1356 apareceu para suprir um pouco essa carência. Recomendo agora que você leia Crônicas Saxônicas, é bom demais!

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