3 de jun de 2015

Resenha: A Liga dos Artesãos - Lauro Kociuba


Título: A Liga dos Artesãos
Original: A Liga dos Artesãos
Série: Alvores #1
Autor: Lauro Kociuba
Páginas: 270
Editora: obra independente (7 de fevereiro de 2015)

Sinopse: Elfos, anões, orcs, trolls, dragões, wargs… E se eles existiram de verdade? E se tudo começou a desaparecer quando a Era dos Homens teve início? E se, ainda hoje, houver remanescentes desses seres entre nós? Alvores é uma história de realidade alternativa, inspirada principalmente em leituras de Neil Gaiman e suas conexões de fantasia e o mundo real, pelo autor. Imagine o nosso mundo atual, mesclando com ficção fantástica, onde existem cidades subterrâneas sob as capitais brasileiras – mais precisamente Curitiba (PR); elfos que vivem ocultos entre os homens; descendentes de raças lutando entre si e criaturas fantásticas surgindo e desaparecendo em meio a pontos turísticos. Todo esse universo é chamado de Alvores, os seres que surgiram na alvorada do mundo. Acompanhe Tales, um filho de encantados, desvendando uma história envolta a uma trama secular: a luta pela sobrevivência de uma raça. Entre batalhas dos descendentes de alvores, a descoberta de existência de uma cidade inteira sob seus pés e a verdade por trás de vários fatos. O leitor irá, junto com o protagonista, conhecer máquinas de guerra incríveis, personagens com habilidades curiosas, tramas e mistérios ocorrendo nas praças, terminais ou mesmo nas ruas onde passamos diariamente. De modo gradativo e embasado, se estreita a fronteira entre a realidade e a fantasia no livro. Veja o mundo com outros olhos!

Mais um livro de fantasia nacional chegou em minhas mãos nesse ano de 2015, e dessa vez por meio do Lauro Kociuba, autor de A Liga dos Artesãos, primeiro volume da série Alvores.

Ambientado em uma Curitiba atual povoada por anões, elfos, orcs, wargs e outras criaturas fantásticas, todas denominadas "alvores", A Liga dos Artesãos é uma obra de fantasia urbana que nos traz Tales, um encantado (meio humano, meio elfo) de 15 anos, como protagonista. Sob os cuidados de Aer'delo, um elfo, Tales aprende História dos Alvores, técnicas práticas de campo e treina arco avançado, tudo para que se torne importante mais adiante, quando a peleia começar.

Até aqui, alguma lembrança de O Senhor dos Anéis veio à sua mente? Não é à toa, pois todo o livro é recheado de referências a obras clássicas e não-clássicas da literatura fantástica mundo afora.

Falando um pouco mais sobre a ambientação, simplesmente não tenho o que reclamar. Me senti como se estivesse de volta ao Paraná, onde morei por 12 meses, láááááá no ano de 2006, e foi muito bem "rever" alguns locais que acabei visitando quando passei por Curitiba. A Catedral Nossa Senhora da Luz, Passeio Público, entre outros, tudo foi muito bem desenvolvido e aproveitando pelo autor, e tenho certeza que os leitores também apreciarão o resultado. Não é toda hora que anões, orcs, elfos e afins invadem uma cidade brasileira perto de você!!! haha


- Sempre tem, isso é um fato. Abra a mente. Estou abrindo as portas de um mundo novo para você, e é bom começar a rever seus conceitos. Suas certezas são questionáveis, o inesperado sempre é certo e a dúvida não é uma opção.

Toda a trama começa a se desenrolar rapidamente quando Tales, encarregado de acompanhar uma transação muito suspeita na Praça do Cavalo envolvendo alguns mestiços (metade humanos, metade orcs), acaba envolvendo-se em uma série de acontecimentos que o levarão a Khur, a cidade subterrânea dos anões que está localizada exatamente abaixo de Curitiba. Lá, acaba descobrindo um pouco sobre como os anões foram parar ali. Conhecemos também alguns personagens que serão importantes no decorrer da narrativa, como o rei Bur-Daem, líder da Liga dos Artesãos, uma sociedade criada para combater o avanço iminente dos mestiços. Também somos apresentados a Bur-Tuir, seu filho, e outros mais de sua espécie, dando destaque para Bro-Thum, um anão batedor e viciadão em motocicletas, e Bro-Khuir, seu irmão guerreiro.

Aliás, os anões foram a espécie mais citada e explorada em A Liga dos Artesãos, onde algumas de suas classes são apresentadas e a sua relação com as invenções de máquinas de guerra a vapor, por exemplo, é explicada. Destaque para os Mecanos, obviamente. Outro tipo de máquina de batalha também é bastante mencionado nesse livro, mas essa eu vou deixar para os leitores descobrirem qual é, deixando avisado que será essencial para entendermos mais sobre o objetivo da obra.


Apesar da leitura leve e fluida, talvez a narrativa falhe um pouco ao trazer muitas vezes o famoso tell, em vez do show, com alguns trechos sendo narrados em itálico e quebrando sutilmente o virar das páginas. Nada que atrapalhe, claro, mas é um ponto a ser melhorado, talvez colocando-se em meio aos diálogos dos personagens, etc. O contraponto disso é que esses trechos com fatos que aconteceram no passado eram muito interessantes e traziam informações bem relevantes para a trama e o entendimento do leitor a respeito dos detalhes do mundo. Destaque para as partes que falam sobre a Grande Guerra, onde os mestiços estavam muito próximos de vencer e acabaram sendo confrontados por uma invenção avassaladora, mudando o rumo de toda a guerra.


Os capítulos são sempre narrados em 3ª pessoa, mas nem todos eles são do ponto de vista do Tales. Alguns focam nos anões, outros nos elfos, e assim por diante, principalmente os interlúdios, que dão um aprofundamento maior a alguns dos personagens secundários da obra.

Atento também para os aspectos bélicos e tecnológicos presentes na narrativa, com as máquinas a vapor lembrando bastante um ambiente steampunk e a preocupação do Lauro em não inserir a tecnologia atual no meio, já que os alvores não são capazes de usá-la devido a um choque de características (magnéticas, talvez), algumas ligadas ao plano etéreo, que explicarei mais sobre em uma próxima resenha, quando tiver maiores informações.

Também acho que, por o livro ter pouquíssimas páginas, apenas 270, algumas cenas foram narradas muito rapidamente e poderiam tranquilamente ter mais parágrafos entre elas, detalhando-se mais os acontecimentos e suas consequências, deixando a obra mais "profunda". Um ponto a melhorar.

Como vocês devem ter visto, a capa já chama bastante atenção. Sem palavras, apenas com um símbolo desenhado no meio, a edição de A Liga dos Artesãos ficou muito bonita, já que está bem recheada de imagens internas e também passou por uma revisão legal, com pouquíssimos erros.

A Liga dos Artesãos é a história da sobrevivência da raça alvores ameaçada pelo avanço dos seus inimigos. Segredos antigos devem ser revelados para que o pior não aconteça, ao mesmo tempo em que as traições podem aparecer de todos os lados. Há muita lenha para queimar nos próximos livros, desde o confronto geral entre orcs x anões x elfos, até o desenvolvimento do próprio Tales. Certamente lerei a sequência. E queremos mais páginas, Lauro, mais páginas!

Sequência essa que se intitulará A Campanha de Sangue. Um baita título, diga-se de passagem.

Avaliação final:

Alvores:

1º livro - A Liga dos Artesãos
2º livro - A Campanha de Sangue (previsão para o 2º semestre de 2015)
...
Extras - Estações de Caça (previsão para o 1º semestre de 2015)

2 comentários:

  1. Também li o livro e tive as mesmas impressões que você sobre os trechos em itálico e a quantidade de páginas; ainda assim, os outros elementos compensaram.
    Abraços!
    Sonhos, Imaginação & Fantasia

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    Respostas
    1. O restante compensou mesmo, Laís, vamos torcer agora pro Lauro melhorar tudo isso na sequência, que vai sair ainda em 2015! \o/

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