6 de mar de 2013

Resenha: Excalibur - Bernard Cornwell


Título: Excalibur
Original: Excalibur
Série: As Crônicas de Artur/The Arthur Books #3
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 529
Editora: Record (2004)

Sinopse: A saga do maior guerreiro de todos os tempos vista à luz das mais recentes descobertas arqueológicas chega ao seu final neste terceiro volume da trilogia "As Crônicas de Artur". Uma conclusão surpreendente das aventuras de um homem que todos pensavam ter sido Rei, mas que jamais usou uma coroa. É a história de um homem que luta por seus ideais em uma era brutal, prejudicado por suspeitas e magias do passado, rodeado por intrigas, e que depende apenas de sua habilidade na guerra e do talento para a liderança. Um romance empolgante que revela fatos históricos sobre Artur e seu mundo, imortalizado por bardos que há séculos cantam e contam as aventuras do maior herói de todos os tempos.


A saga de Artur está, infelizmente, chegando ao seu final. Excalibur é o último e derradeiro livro da trilogia e finaliza com chave de ouro as aventuras de Derfel ao lado de seu companheiro mais famoso. Com muito mais ação e com reviravoltas incríveis, o autor consegue prender a atenção do leitor do começo ao fim.

E desta vez, ao contrário do livro anterior, quando Artur teve que lidar com o avanço do cristianismo, o mesmo terá que sobreviver à possível volta dos Deuses Antigos e as complicações que isso trará para a sua Britânia amada. Não preciso nem dizer que nosso herói terá mil vezes mais problemas e o dobro de inimigos pela frente.

A riqueza do detalhamento das cenas e dos personagens é algo que me impressiona desde o primeiro livro do Bernard Cornwell que eu li, mas que nesse último volume atinge o seu ápice, como podemos ver e comprovar nos trechos a seguir:

"Cerdic também me conhecia, mas nem as palavras de Lancelot nem o reconhecimento de um inimigo mudaram a expressão impenetrável de seu rosto. Era um rosto de escrivão, barbeado, de queixo fino e com uma testa alta e larga. Seus lábios eram finos, o cabelo ralo era penteado severamente para trás, fazendo um nó na nuca, mas o rosto pouco notável se tornava memorável devido aos olhos. Eram olhos claros, implacáveis, olhos de assassino." 

"... Lembro-me da confusão e do ruído das espadas se chocando contra espadas, do choque de escudos batendo contra escudos. A batalha é uma questão de centímetros, e não de quilômetros. Os centímetros que separam um homem de seu inimigo. Você sente o cheiro de hidromel no hálito dele, ouve a respiração em sua garganta, ouve seus grunhidos, sente-o mudar o peso, sente o cuspe dele em seus olhos, e procura perigo, olha para os olhos do próximo homem que deve matar, encontra uma abertura, ocupa-a, fecha a parede de escudos de novo, dá um passo à frente, sente o impulso dos homens que vêm atrás, meio que tropeça nos corpos dos que matou, recupera-se, empurra, e mais tarde se lembra de pouca coisa, a não ser dos golpes que praticamente o mataram. Você trabalha, empurra, golpeia para fazer uma abertura na parede de escudos, e em seguida rosna, estoca e corta para aumentar a abertura, e só então a loucura toma conta quando o inimigo se rompe e você pode começar a matar como um Deus, porque ele está apavorado e correndo, ou apavorado e imobilizado, e tudo que pode fazer é morrer enquanto você colhe almas."

O momento mais importante do livro (e de toda a trilogia) é a batalha travada no Mynydd Baddon entre os britânicos sobreviventes e os saxões sedentos por terra. Um momento épico da História que foi magistralmente narrado neste livro por Bernard Cornwell e que me fez sentir na pele o que é uma batalha de verdade, com seus momentos de tensão e euforia, de medo e de coragem.

- Então sim, eu tinha de lutar – retruquei. Na verdade havia gostado da luta. Só um idiota deseja a guerra, mas assim que a guerra começa ela não pode ser lutada de meia vontade. Nem pode ser lutada com arrependimento, mas deve ser levada com uma alegria terrível em derrotar o inimigo, e é essa alegria selvagem que inspira nossos bardos a escrever suas maiores canções de amor e de guerra. Nós, guerreiros, nos vestíamos para a batalha como nos enfeitávamos para o amor: fazíamo-nos belos, usávamos nosso ouro, púnhamos cristas nos elmos engastados de prata, andávamos empertigados, cantávamos vantagem, e quando as lâminas assassinas chegavam perto sentíamos como se o sangue dos Deuses corresse em nossas veias. O homem deve amar a paz, mas se não puder lutar de todo o coração não terá paz.

De ponto negativo mesmo, somente posso destacar que nem todos os fatos apresentados nas Crônicas de Artur são reais, como explica o próprio autor ao final de cada livro, pois não há comprovação do que realmente aconteceu com Artur e as suas batalhas. Mas isso pode ser facilmente deixado de lado, pois o autor cria uma atmosfera cativante e nos faz gostar mais de Artur e Derfel a cada capítulo que passa.

Pontos fortes: a batalha em Mynydd Baddon e a riqueza dos detalhes!
Pontos fracos: faltou dar um ponto final (definitivo) para a saga, mas a inexistência de fatos comprovados pela História dificultou nessa parte.

Avaliação final:

As Crônicas de Artur:

1º livro - O Rei do Inverno
2º livro - O Inimigo de Deus
3º livro - Excalibur

10 comentários:

  1. Oi Vagner! Confesso que li apenas os primeiros parágrafos, pois estou com a trilogia para começar a ler, mas retorno por aqui quando chegar ao seu fim. Pude perceber que gostou muito já nas primeiras linhas.

    Abraço

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/2013/03/resenha-jogos-vorazes-de-suzanne-collins.html

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    1. E retorne mesmo, Fran! Quero ver a sua opinião para saber se eu não sou o único fã do Bernard por aqui... HAEUHAEHUEAHUHAE

      Abraços.

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  2. Oie Vagner :)

    Nossa eu quero ler muito essa trilogia desde quando saiu , sem contar que a Tati Feltrin recomenda demais né kkkk , essas capas me matam cara sinceramente , sua resenha ficou ótima e agora tenho certeza de que pelo menos 1 livro da série eu vou ler , abraços !!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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    1. Não só ela como eu também recomendo muito, Gabriel. AHEUHEAHEAUHEA
      E leia logo, pois o livro agrega muito no sentido histórico também.

      Abraços!

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  3. Eu me apaixonei pela capa desse livro. e depois dessa resenha, é certeza que vai para minha listinha ;)
    adorei seu blog, ta lindo... seguindo ja

    beijos
    http://geehzbookshelf.blogspot.com.br

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    1. A capa é realmente muito bonita, Angela, mas não mais do que a capa do primeiro volume da trilogia, O Rei do Inverno. E esse livro já deveria estar na sua listinha há um tempão! HAUEHAEUHAEUHUAEHUAHE

      Obrigado pelos elogios e boa semana!

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  4. Terminei de ler Excalibur ontem, e repassei na mente toda a história dos livros anteriores. Só posso dizer que foi uma mistura de aperto no coração, sorriso no rosto e lágrimas nos olhos. Por causa das aventuras que tive, das pessoas que conheci, amei e odiei. Mas acho que o que machuca mais, é saber que não vou ter nenhuma outra aventura de Derfel e Artur para ler.

    Cornwell ganhou um novo fã. Espero começar a ler esse ano outros livros dele.


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    1. Bah, tive a mesma sensação ao terminar essa trilogia. São tantos sentimentos ao mesmo tempo que fica difícil dizer qual deles prevalece. Sempre ficarei com saudades de Artur e Derfel, um dia espero reler a trilogia.

      Te sugiro partir direto pras Crônicas Saxônicas agora. Boa leitura!!

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  5. Fazem uns dois anos que comprei o primeiro livro, confesso que quando comecei a ler não gostei muito e por isso não dei continuidade. Na semana passada resolvi começar de novo e quando passei pela parte que acho cansativa não parei mais. Sem dúvida é uma trilogia sensacional. já li outros livro sobre o rei artur e este foi o melhor, chega mais tarde da realidade, de algo que pode ter acontecido. Ontem acabei de ler o terceiro e minha vontade foi de chorar. Pois sei que não tem mais, que acabou, e o autor nos deixa querendo ler mais, saber o que aconteceu depois. O final achei inacabado, não gostei muito, ficou a sensação de vazio, e agora? Mas realmente recomendo estes livros para todo mundo.

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    1. As primeiras 200 páginas têm um ritmo bem lento mesmo, até pra situar o leitor na Inglaterra da época, entendar como funcionava e tal, mas depois as coisas só melhoram!

      Acho que o Cornwell resolveu deixar o final daquele jeito porque a própria lenda do Artur é bem incerta, ninguém sabe realmente o que aconteceu, ou se ele viveu mesmo. Por isso o final tão "em aberto".

      Abraços e obrigado por comentar!

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