16 de fev de 2013

Resenha: O Rei do Inverno - Bernard Cornwell


Título: O Rei do Inverno
Original: The Winter King
Série: As Crônicas de Artur/The Arthur Books #1
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 546
Editora: Record (2008)

Sinopse: O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. "O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa," explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Corwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.

Depois de tanto tempo, finalmente consegui começar a ler As Crônicas de Artur e descobrir se os livros são realmente bons como as pessoas falam por aí. O Rei do Inverno é o primeiro livro da trilogia de Bernard Cornwell e nos coloca na pele de Derfel Cadarn, filho de uma escrava saxã e atualmente aos cuidados do druida Merlin. Derfel (pronuncia-se Dervel) é introduzido em um cenário de guerra e várias disputadas pelo poder dentro da própria Grã-Bretanha e passará por diversas provações ao longo do seu caminho.

Eu me agachei, e todo o terror cresceu de novo dentro de mim. Minhas mãos estavam suando, a perna esquerda estava coçando, a garganta estava seca, eu queria vomitar, e minhas entranhas estavam líquidas. Hywel tinha me ensinado bem, mas eu nunca havia enfrentado um homem que quisesse me matar. Podia ouvir os homens que se aproximavam, mas não podia vê-los, e meu instinto mais forte era virar as costas e correr atrás das mulheres. Mas fiquei. Não tinha escolha. Desde a infância vinha ouvindo histórias de guerreiros e fora ensinado repetidamente que um homem nunca dava as costas e fugia. Um homem lutava por seu senhor, enfrentava o inimigo e nunca fugia.

Em meio às dificuldades impostas pelo destino, nosso protagonista encontra vários guerreiros que serão seus leais companheiros ao longo da sua jornada, assim como traidores da pior espécie possível e diversas mulheres que fazem o seu coração bater mais forte. Essas partes de romance são bem distribuídas ao longo de todo o livro e aparecem nos momentos certos, pois as batalhas são o ponto forte dos livros do Bernard Cornwell e nada deve deixá-las em segundo plano.

Há outra coisa que eu devo ressaltar antes de finalizar essa resenha: a descrição das paredes de escudos é simplesmente espetacular. O autor domina essa arte como ninguém e faz de tudo para inserir o próprio leitor em meio às lanças e escudos dos desbravadores no campo de batalha.

Para mim, desesperado por ganhar um anel de guerreiro feito de ferro saxão, parecia loucura não atacarmos, mas eu ainda não havia experimentado a carnificina de duas paredes de escudos entrelaçadas, nem tinha aprendido como é difícil persuadir homens a oferecer seus corpos para esse trabalho macabro.

O livro acaba prendendo a atenção do leitor durante toda a narrativa e tem um final de tirar o fôlego. Vale a pena apostar em Bernard Cornwell e conhecer melhor a história de Artur, Lancelot, Guinevere, Owain, Merlin e muitos outros.

Pontos fortes: as descrições das paredes de escudos!
Pontos fracos: faltou dar um desenvolvimento melhor a alguns personagens da trama.

Avaliação final:

As Crônicas de Artur:

1º livro - O Rei do Inverno
2º livro - O Inimigo de Deus
3º livro - Excalibur

14 comentários:

  1. Apesar de adorar essa coisa do medieval, é raro eu conseguir ler um livro da época e gostar. Por isso nunca li esse, e sei que muita gente fala bem mesmo dele.
    Você me deixou tristinha porque nunca dei uma chance a essa série. hauhauha

    Vou ler! Colocarei na minha lista de futuras leituras.

    bjus
    terradecarol.blogspot.com

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    1. Está na hora de dar uma chance para Bernard Cornwell, Carol. Tu não vai se arrepender nem um pouquinho!

      Beijos.

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  2. Oi Vagner!
    Não leio muitos livros de época, mas adoro o período medieval.
    Sua resenha ficou ótima e me deixou com vontade de ler esse livro. Essa é a primeira resenha que leio dele.

    BjO
    http://the-sook.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Amanda!
      Tu tem que começar a ler esses livros de época, são muito bons e bem realistas. Obrigado mais uma vez por comentar e que bom que gostou da resenha!

      Beijos.

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  3. Olá!

    Eu gosto de livros em que a narrativa se passa em períodos históricos. Não sei se leria esse, mas tenho certeza da qualidade da história graças aos seus comentários... parece muito interessante e aos meus olhos é bem instigante, também. Bem, quem sabe no momento certo eu não procure pela leitura?

    Adorei a postagem.

    Um abraço!
    http://universoliterario.blogspot.com/

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    1. Olá, Fran! Eu te aconselho a ler esse livro, pois a história de Artur sempre foi muito intrigante e o autor sabe muito bem como contá-la.

      Obrigado pelos elogios e boa semana!

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  4. Sem dúvidas, leituras como este têm um Q especial. Por serem de outra época, misturam um pouco de história com a fantasia, aventura e outros temperos interessantes...

    Vou buscar me informar mais sobre este tipo de literatura.

    Abração!
    antonioandersonpsi.blogspot.com

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    1. Muito bem dito, Antonio. É muito interessante (e importante) nos informarmos cada vez mais a respeito das épocas antigas da História, e nada melhor do que um romance histórico para fazer isso.

      Abraços e obrigado por comentar!

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  5. Estou lendo o segundo livro, Inimigo de Deus. O rei inverno é doce de se ler, cada linha é uma janela transdimensional que te leva a lutar ao lador de Derfel Cadarn, com os guerreiros de Art. Está entre meus favoritos e virará tatuagem. Parabéns pelo blog.
    "Os bardos cantam o amor, celebram chacinas, exaltam reis, lisonjeiam rainhas, mas se eu fosse poeta escreveria elogiando a amizade."

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    Respostas
    1. Você transmitiu todo o meu sentimento em poucas palavras, Danilo! É inegável que as aventuras de Derfel Cadarn nos trazem uma excelente lembrança dos tempos de Artur. Caso faça a tatuagem, passe aqui para postá-la!

      Abraços.

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  6. Já me perguntei se o Cornwell não é um velhinho milenar que na verdade participou de todas essas batalhas. Hahaha

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    1. A grande teoria da conspiração existente atualmente, só saberemos quando ele morrer, o que espero que não seja tão cedo. auhuahahau

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  7. Terminei de ler hoje hahaha. Agora entendi o porquê de tantas pessoas gostarem do Derfel =)

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