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8 de mai. de 2016

Resenha: O Teatro da Ira - Diego Guerra

Título: O Teatro da Ira
Original: O Teatro da Ira
Série: Chamas do Império #1
Autor: Diego Guerra
Páginas: 360
Editora: Draco (janeiro de 2016)

Sinopse: Basta uma faca para começar uma guerra. Jhomm Krulgar é um ninguém. Um rato de estrada. Um cachorro vadio. Um mastim demoníaco. Sua espada está a venda para qualquer um com moedas no bolso e objetivos escusos. Quando uma garota surge prometendo a riqueza de um rei e a realização dos seus desejos de vingança, ele nem imagina que está prestes a se envolver em um dos mais perigosos jogos políticos de sua era. Agora, ele e Khirk, seu companheiro silencioso, membro de uma antiga raça escrava, partem para o Sul, onde tentarão impedir os rebeldes separatistas de tomar a coroa da maior cidade do Império de Karis. Encontrarão em seu caminho um Magistrado em missão de paz e um mago ilusionista prestes a realizar o maior espetáculo da sua vida. O Teatro da Ira, primeiro romance da série Chamas do Império, de Diego Guerra, é uma viagem fantástica onde criaturas místicas e soldados comuns lutam lado a lado nas paredes de escudo, implorando pela própria vida e alimentando as fogueiras da morte para fazer valer as vontades de reis e nobres. Enquanto Krulgar busca cegamente a sua vingança, não faz ideia de que se tornou apenas mais um dos personagens sombrios deste Teatro da Ira.

Apostando novamente em um livro de fantasia nacional, dei de cara com essa capa fodona de O Teatro da Ira nas minhas pesquisas por aí e decidi ler o quanto antes. Dez dias depois, cá estou eu fazendo mais uma resenha, escolhendo as melhores palavras para recomendar o livro aos leitores.

A história concentra-se em Karis, onde o seu atual imperador Arteen II tenta conter a ameaça dos homens do norte. Ao mesmo tempo, no sul, mais precisamente na região de Illioth, rumores de uma rebelião começam a se espalhar, acirrando os ânimos e antecipando tempos de guerra.

Logo no primeiro capítulo somos apresentados a Jhomm Krulgar, um dos protagonistas da série. Perseguido por monges após um assassinato e acompanhado por alguns cães, Krulgar é gravamente ferido e, antes que seja morto, salvo por um estranho com tatuagem negra sobre o olho direito, que depois descobrimos ser Khirk, um dhäen, membro de uma antiga raça escrava que foi libertada pelo Império 20 anos atrás, mas que ainda sofre abusos em diversas regiões de Karis. Sua libertação não foi bem aceita em todos os lugares do continente, principalmente no Sul, ao redor de Illioth.

Um fato interessante a respeito dos dhäeni é a sua estreita relação com a música, onde todos dizem ser parte da "Grande Canção", uma força que rege o mundo para que suas vontades sejam realizadas. Esse tipo de magia pode ser usado para cura, crescimento e fortalecimento das pessoas, além de trazer tranquilidade e outras coisas, ajudando naqueles momentos de maior necessidade.


Krulgar levará sua vida destinado a ter vingança pelo que fizeram com a sua amiga Liliah, cujos detalhes macabros vamos descobrindo aos poucos. No seu caminho encontrará Thalla, filha de um importante mercador envolvido em todos os tipos de negócios. Ela tem a habilidade de entrar nos sonhos das outras pessoas, o que acaba fazendo com bastante frequência enquanto procura uma maneira de impedir a iminente rebelião sulista. É uma personagem para se ficar de olho.

Grahan, um magistrado em (aparente) missão de paz, e Ethron, um coen (mago ilusionista), também darão as caras no decorrer dos capítulos, mostrando aos leitores diferentes pontos de vistas sobre o que acontece em Karis. Diversos tipos de criaturas também são mencionados ao longo da narrativa, como ladrões de vidas, trolls, entre tantos outros. Se eles aparecerão? Leia e descubra! :)

O autor também teve o cuidado de criar uma nomenclatura própria para títulos de senhores, raças existentes e nações presentes na história, o que acaba deixando o leitor meio confuso nas primeiras páginas, mas vamos nos acostumando facilmente aos nomes conforme as páginas vão sendo viradas.


O Teatro da Ira é narrado em 3ª pessoa, pelo ponto de vista de vários personagens diferentes, o que deixa tudo ainda mais interessante, já que todos pensam e agem de maneira totalmente diferente.

O desfecho deixará o leitor ansiando por mais e mais, querendo saber o destino de alguns protagonistas e as consequências dos acontecimentos mirabolantes dos últimos capítulos. Certamente lerei os outros livros do autor e demais contos que aparecerem pelo caminho!

Com uma escrita bem direta, sem enrolação, misturando momentos de ação pura e ferrenhas intrigas políticas, deixo a indicação desse livro para todos aqueles leitores que são fãs d'As Crônicas de Gelo e Fogo e da trilogia A Primeira Lei. Vocês encontrarão muitos elementos em comum enquanto desbravarem O Teatro da Ira, melhorando ainda mais a sua experiência de leitura. ;)

Avaliação:

Chamas do Império:

Livro 1 - O Teatro da Ira
...

10 de fev. de 2015

Resenha: Império de Diamante - J. M. Beraldo


Título: Império de Diamante
Original: Império de Diamante
Série: Reinos Eternos #1
Autor: J. M. Beraldo
Páginas: 328
Editora: Draco (janeiro de 2015)

Sinopse: Um Imperador reina absoluto há séculos, mas toda dinastia chega ao seu fim. Conheça o Império de Diamante: um reino eterno que conquistou e suprimiu várias culturas de Myambe, o continente original da Humanidade. Protegido por um exército com poderes incríveis, o Imperador governa com sabedoria e há quem diga que possa conceder talentos sobrenaturais a quem desejar. Mas agora sua decadência parece inevitável. Vinte anos após a última conquista, ninguém sabe do Imperador. O governo lentamente abandona as províncias mais distantes à mercê de uma seca avassaladora. O povo implora por socorro, mas não há ajuda. Em meio à crise, quatro indivíduos com objetivos diferentes acabam envolvidos na trama que pode revelar os segredos deste homem tão poderoso. Neste mundo fantástico baseado nas culturas africanas, o autor J. M. Beraldo explora a construção da História e da crença religiosa através da trajetória desse quarteto. Forçados a depender uns dos outros para alcançar seus propósitos, qual será o papel desse inusitado grupo na história do Império de Diamante?

Um reino em decadência. Um Imperador que simplesmente desaparece após ser mortalmente ferido em uma batalha. Junte isso tudo a um povo passando fome e pronto: temos uma nação prestes a explodir em uma guerra civil. O diferencial da obra de J. M. Beraldo? Não estamos mais na Idade Média, desbravador, estamos em um continente árido, pobre e cheio de peculiaridades. Alguma semelhança com a África? Não é por acaso, já que o autor inspirou-se em culturas africanas para criar Reinos Eternos, uma série que eu certamente acompanharei do começo ao fim!


A narrativa de Império de Diamante passa-se em Myambe, um continente praticamente todo dominado pelo Imperador, que passou séculos conquistando cada região possível e agora vê Myambe passar por uma seca nunca antes vista. Como antecipado na sinopse, tudo começou a pior com a decadência do Império, logo após o soberano ser atingido durante um combate com guerreiros do Vale, última região anexada pelo Império de Diamante, fato que ocorreu 20 anos atrás.

Inicialmente somos apresentados a Rais Kasim, um mercenário nascido no Vale que esteve naquela batalha, a que mudou tudo, mas acabou sendo obrigado a fugir para outros continentes e ficar longe das garras do Imperador. Acompanhado por outros três companheiros, só agora volta para o seu continente de origem. Com que intuito? Leia e descubra!

Como já é de praxe, sempre é bom termos pontos de vistas diferentes em uma obra, e é nessa hora que entra Adisa, um sacerdote de 15 anos com um dom extremamente diferenciado: consegue entender qualquer língua escrita e falada sem nem ao menos tê-la estudada anteriormente. E é com esse dom especial que ele irá procurar bobagens/heresias escritas a respeito do Imperador ao longo da História e alterá-las de um jeito que agrade ao clero imperial.

Mukhtar Marid, Adisa, Rais Kasim e Zaim Adoud

Outro que merece destaque é Zaim Adoud, governante de uma província bem mais afastada da capital do Império e que está sendo totalmente negligenciada pelos que estão no poder. Uma situação que o deixa em uma posição delicada, já que precisa lidar com os seus subordinados passando dificuldades e ainda por cima precisa dar satisfações ao Império.

E, por fim, temos Mukhtar Marid, um dos guerreiros sagrados do Vale, seguidor da Estrela da Manhã e consequentemente inimigo do Império. Mukhtar lidera um bando de rebeldes em ataques contra os que estão no poder e pretende livrar o Vale do seu domínio, fazendo de tudo para que isso realmente aconteça, mesmo que as consequências sejam duras.

"Se eram covardes o suficiente para renegar sua religião e povo, não mereciam viver."

Bem, passadas essas apresentações iniciais básicas, vamos ao que realmente interessa: Império de Diamante é um baita livro, meio curto, confesso, mas intenso como poucos! Eu queria ler sempre mais! Desbravar algo diferente às vezes faz muito bem, e com certeza você sentirá isso enquanto viaja por toda Myambe junto aos quatro personagens principais.


Confesso que toda vez que leio algo baseado na África o meu espírito aventureiro vai lá no meu cérebro e diz: "Hey, Indiana Jones, que tal desbravar pirâmides e palácios, falar com os espíritos e mergulhar em uma baita aventura?" Sim, foi exatamente assim que eu me senti enquanto desbravava Império de Diamante e queria descobrir mais sobre os segredos que o autor trazia, as locações que tanto habitam o meu imaginário e os seres sobrenaturais que só caminham à noite.

O mistério sobre o que está acontecendo com o Imperador é pulsante, viciante, sempre presente. Você sentirá isso em cada capítulo que lê, com cada ponto de vista diferente, coletando informações aqui e ali e tentando descobrir o que realmente se passa. Tentar descobri-lo e acertar é recompensador, já digo de passagem.

 

Mas e a religião, onde entra? Primeiramente saiba que é ela quem molda a história de Myambe e seus habitantes. Quando o Imperador começou a anexar territórios, a maioria dos refugiados passou a viajar para continentes distantes, criando assim uma mistura étnica monstruosa, sem precedentes, onde cada um tem suas crenças e farão de tudo para que ela seja a predominante.

Mesmo assim, o que move Myambe é a crença no deus-vivo, o homem que os levou até onde estão. Qualquer opinião contrária é considerada heresia e deve ser combatida e aniquilada, principalmente se o Imperador resolver usar os seus primogênitos, guerreiros dotados de habilidades especiais e uma das suas principais armas para realizar a sua vontade.

"Os escritos ensinavam que um primogênito era muito mais que um homem; era uma entidade nascida no próprio corpo do Imperador, capaz de montar o corpo de um escolhido perfeito."

Em Império de Diamante você também conhecerá outras pessoas dotadas de habilidades especiais além de Adisa, o sacerdote-tradutor, e os primogênitos do Imperador, além dele próprio. Temos oráculos, homens e mulheres que falam com espíritos e pessoas que conseguem mexer com as leis da natureza. Sem contar os animais!! Estamos tão acostumados a ver cavalos por aí que quando li zebras cheguei até a desconfiar. ashusahuhasuhas. Ter elefantes de guerra e chitas em meio à narrativa também transforma o fato em um diferencial para a série e eu espero que os bichanos sejam cada vez mais utilizados, assim com o(s) tipo(s) de magia existente(s).



Acho que era isso por enquanto. Leia e tire suas próprias conclusões. Império de Diamante provou ser um ótimo livro de fantasia NACIONAL e sai um pouco da tão utilizada Idade Média para explorar mundos diferentes, baseados em culturas locais e que se cruzam a todo instante. Fica a minha recomendação de leitura, espero que curtam e passem aqui depois para dizer o que acharam!!

A versão física do livro deve sair ainda no 1º semestre de 2015. Por sinal, a capa é SENSACIONAL, encaixou perfeitamente com a ideia do livro e foi ela que me fez desbravar Império de Diamante. Caso queira saber mais sobre a obra e o autor, você pode dar uma olhada na fanpage da série, no site do autor e também nas redes sociais Goodreads e Skoob.

Ah, mais uma coisa: jamais duvide de Rais Kasim, o melhor personagem desse livro!


Avaliação final:

Reinos Eternos:

1º livro - Império de Diamante
2º livro - Último Refúgio (previsão de lançamento para 2016)
3º livro - Sem nome
Mais podem estar a caminho...
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