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5 de jun. de 2016

Resenha: A Cor da Magia - Terry Pratchett

Título: A Cor da Magia
Original: The Colour of Magic
Série: Discworld #1
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 231
Editora: Conrad (2001)

Sinopse: A Cor da Magia é o 1º livro da cultuada série Discworld. A história relata as aventuras do mago Rincewind e do estranho turista Duasflor, tudo com muito bom humor. Nessa aventura, os personagens praticamente fazem um tour pelo disco, o que os leva a encontrar um grande herói, um terrível demônio e dragões, além de se aproximarem perigosamente da borda do mundo.

Depois de ter lido Guardas! Guardas! e Pequenos Deuses no ano passado, livros #8 e #13 de Discworld, finalmente resolvi ler A Cor da Magia, o famoso livro #1 da série. Pra quem ainda não sabe, Discworld é uma saga com mais de 40 livros, sendo que eles são divididos entre vários "ciclos" diferentes, portanto a ordem de leitura é totalmente misturada, dando ao leitor a opção de escolher o núcleo que mais o agrada e começar por ali a sua interminável aventura pelo Disco.

Tudo está normal na cidade de Ankh-Morpork até a chegada de um estranho turista do Império. É a partir desse momento que todos os fatos começam a se desenrolar e temos uma quantidade infinita de coisas acontecendo ao mesmo tempo. Pessoas querendo se aproveitar do estrangeiro, teorias conspiratórias tomando forma e assassinos sendo contratados. E nesse baile todo nos deparamos com a figura do mago (?) Rincewind, que fora expulso da Universidade Invisível sem nunca ter conseguido realizar um mísero feitiço, mas que ainda assim teve um deles "aprisionado" na sua mente após tentar roubar um livro sagrado. Que feitiço seria esse? Ninguém tem a menor ideia.


Acompanhado da destemida Bagagem, uma mala com vida própria, o turista DuasFlor parece ser um personagem bem ingênuo, como todo viajante de 1ª vez também parece, mas aos poucos vamos percebendo que ele não é tão bobo assim e acaba se tornando uma grata surpresa nesse livro inicial de Discworld, livrando-se de confusões, vendo o mundo como uma grande aventura e trazendo discussões bem pertinentes a respeito das relações entre povos e culturas bem diferentes.

O trio formado pelo "guia" Rincewind, DuasFlor e a Bagagem (sim, ela é definitivamente uma grande personagem dessa história) é o dono das atenções nesse primeiro volume. Fique de olho neles enquanto viajam pela cidade de Ankh-Morpork, por Wyrmberg e pelo perigoso Reino do Krull.

"— NÃO VAI DOER — garantiu Morte. Se palavras tivessem peso, uma única frase de Morte seria capaz de ancorar um navio."

Morte é um personagem à parte e falarei mais sobre Ele numa resenha futura do 4º livro da série.

Também percebemos que os deuses têm um papel importante em Discworld, fazendo um jogo de marionetes com os personagens que acompanhamos e muitas vezes brincando com o Destino (duplo sentido pra quem já leu) ao mexerem as peças do tabuleiro conforme as suas vontades.

Narrado em 3ª pessoa, A Cor da Magia é a obra de Disworld que mais nos insere no mundo em si, trazendo detalhes valiosos no que se refere ao worldbuilding, principalmente se comparar a Pequenos Deuses e Guardas! Guardas!, que são bem focados em regiões específicas do Disco. Confesso até que em algumas horas eu me sentia rapidamente perdido com tanta informação "nova" sendo jogada, mas a escrita leve do Terry Pratchett logo resolve tudo e é hora de seguir o baile.

"Era muito bom sair falando em coerência, na harmonia dos números e na lógica que governava o universo, mas a questão pura e simples era que o Discworld atravessava o espaço na casca de uma tartaruga gigante e que os deuses tinham o hábito de aparecer na casa dos ateus quebrando as janelas."

Se você está à procura de um livro com worldbuilding muito bem estruturado, brigas de taverna, cidades sendo incendiadas, criaturas extremamente poderosas e que habitam covis sombrios, dragões em seu habitat natural (e fora dele também), além de uma viagem até a famosa Borda do Mundo, onde é possível ter vislumbres da Grande A'Tuin, a tartaruga que move o Disco pelo espaço enquanto carrega quatro elefantes gigantes no seu caso, então A Cor da Magia é um bom começo.

Discworld é muito mais que diversão garantida, é uma mistura de tudo que a fantasia tem a oferecer e tudo que a zuera pode alcançar. Terry Pratchett era mestre demais em fazer isso! haha

Avaliação:

Discworld:

Livro 1 - A Cor da Magia
Livro 2 - A Luz Fantástica
Livro 3 - Direitos Iguais, Rituais Iguais
Livro 4 - O Aprendiz de Morte
Livro 5 - O Oitavo Mago
Livro 6 - Estranhas Irmãs
Livro 7 - Pirâmides
Livro 9 - Fausto Eric
Livro 10 - A Magia de Holy Wood
Livro 11 - O Senhor da Foice
Livro 12 - Quando as Bruxas Viajam
Livro 13 - Pequenos Deuses
Livro 14 - Lords and Ladies
Livro 15 - Men at Arms
...

14 de set. de 2015

Resenha: Guardas! Guardas! - Terry Pratchett

Título: Guardas! Guardas!
Original: Guards! Guards!
Série: Discworld #8; Patrulha #1
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 339
Editora: Conrad (2005)

Sinopse: Há muito tempo dado como extinto, um magnífico e perigoso exemplar de draco nobilis (dragão nobre) apareceu na cidade de Ankh-Morpork. O visitante indesejado tem o hábito desagradável de carbonizar tudo o que aparece no seu caminho. E, pior, é coroado rei (afinal, ele não é nobre?). Enquanto isso, na estrada e restrita Universidade Invisível, um livro antigo e muito esquecido - A Evolução de Dragões - desaparece das prateleiras da Biblioteca. Desconfiados de uma conspiração político-piromaníaca, alguns bravos cidadãos (ok, nem tão bravos assim) se organizam e arriscam tudo o que possuem para destronar o monarca voador e restaurar a ordem no local. Certamente, este será o golpe de estado mais insano de que você já ouviu falar.

Depois de ter lido Pequenos Deuses, senti que precisava saber um pouquinho mais sobre Discworld, o famoso universo criado pelo já falecido autor Terry Pratchett e sucesso de vendas mundo afora.

Aqui somos apresentados à cidade de Ankh-Morpork, onde a Patrulha/Guarda Municipal atua e agora recebe o reforço do "anão" de quase 2 metros Cenoura Ironfoundersson, que acreditava estar ingressando num dos órgãos mais respeitados de todo o Disco. Ah, mas que bela e doce ilusão...

Afinal, que tipo de organização liderada por um bebum poderia dar certo? Capitão Vimes passa menos tempo sóbrio do que deveria. O Sargento Colon, num primeiro momento, parece ser o menos problemático dos guardas, mas rende boas discussões durante a leitura. Já o cabo Nobby Nobbs não tem solução, mais fuma do que respira e tem um jeitinho bem peculiar de ver o mundo à sua volta, além de precisar andar sempre com um certificado do Patrício dizendo que ele é de fato humano.

A velha Patrulha, por katzille
(Cabo Nobby Nobbs, Sargento Colon, Policial-lanceiro Cenoura e Capitão Samuel Vimes)

A trama começa a tomar forma quando os membros da sociedade secreta dos Irmãos Iluminados  e Antigos de Ee roubam um livro de dentro da Universidade Invisível, que tem um bibliotecário orangotango (!) como administrador, e agora estão tentando convocar um dragão, para que assim um herói das lendas apareça e o mate, tornando-se então o novo rei. Um rei que possa ser manipulado e faça as vontades da sociedade secreta, é claro. Só que os problemas apenas começam a aparecer quando o próprio dragão quer ser o próximo rei e soberano legítimo de Ankh-Morpork.


"Os dragões nobres não têm amigos. O mais próximo que conseguem chegar da ideia é um inimigo que ainda está vivo."

– Se todos nós dissermos que não toleramos isso, o que o dragão poderá fazer? Nobby abriu a boca. Colon tapou-a com a mão e ergueu um punho triunfante.
– É exatamente o que eu sempre disse. O povo, unido, jamais será comido!

Badernas, incêndios e confusões começam a se proliferar quando o bichano inicia seu caminho de destruição até o trono. Para dar um fim à essa ameaça, a Patrulha precisaria pensar numa solução.

Ankh-Morpork, por jameli

Importante ressaltar a importância de alguns personagens na obra, como é o caso da Lady Sybil Ramkin, que possui um criadouro de pequeninos dragões do pântano e é uma das acusadas pela destruição recente que o novo dragão está causando. Seu relacionamento estreito com um dos membros parece estar tomando forma, e um dos seus bichinhos tem um papel bem relevante ao longo das 300 e poucas páginas da obra, quando nada parecia dar certo e tudo estava perdido.

Em um lugar onde os próprios ladrões se organizam para conter os roubos (já que a Guarda Municipal não é capaz de fazer isso), fica difícil ter fé na humanidade. Pratchett brinca bem com isso, traçando vários paralelos entra uma cidade mal administrada da vida real e Ankh-Morpork, conseguindo nos inserir em um local onde a esperança parece vir a jato em cima de uma tartaruga.

– Tinha um sujeito que nós vimos fazer um roubo uma noite – disse Colon, sentindo-se infeliz. – Bem na nossa frente! E o capitão Vimes, ele disse: “Vamos”, e nós corremos, só que a questão é que não se deve correr rápido demais, sabe. Ou você pode apanhá-los. Gera vários tipos de problemas, apanhar as pessoas...

Essa obra serve praticamente como uma homenagem a todas as pessoas, assim como  o novato Cenoura, que tentam fazer o certo em um ambiente onde todo tipo de solução acaba encontrando um obstáculo, algo extremamente parecido com o sistema público brasileiro atual, por exemplo. Pessoas que não deveriam estar no cargo e não tem a mínima qualificação para isso são encontradas aos montes em Ankh-Morpork, desde alguns integrantes da Patrulha até os habitantes do Palácio, onde o Patrício tomava conta até a chegada do dragão virar tudo do avesso na cidade.

Guardas! Guardas! 2.0, por SharksDen

Guardas! Guardas! não tem o mesmo humor irreverente de Pequenos Deuses, por exemplo, mas é uma leitura obrigatória para se entender mais sobre como as coisas funcionam em Ankh-Morpork e dar umas boas risadas enquanto os vários personagens da Patrulha tentam resolver os problemas.

"Sabe, a única coisa que as pessoas boas fazem bem é combater as pessoas más. E você é bom nisso, sou obrigado a admitir. Mas o problema é que isso é a única coisa que você faz bem. Um dia tocam-se os sinos e derruba-se um tirano cruel, e no dia seguinte todos estão reclamando porque, desde que o tirano foi derrubado, ninguém mais recolhe o lixo. Porque as pessoas más sabem planejar. Faz parte da definição, pode-se dizer. Todo tirano do mal possui um plano para dominar o mundo. As pessoas boas parecem não levar jeito."

Não espere nada de surpreendente em Guardas! Guardas!, mas tenha certeza que você irá se divertir bastante e irá querer saber mais sobre o que acontece com os membros da Patrulha. No futuro também quero ler as obras iniciais de Discworld, como A Cor da Magia e A Luz Fantástica

Avaliação final:

Discworld:

1º livro - A Cor da Magia
2º livro - A Luz Fantástica
3º livro - Direitos Iguais, Rituais Iguais
4º livro - O Aprendiz de Morte
5º livro - O Oitavo Mago
6º livro - Estranhas Irmãs
7º livro - Pirâmides
8º livro - Guardas! Guardas!
9º livro - Fausto Eric
10º livro - A Magia de Holy Wood
11º livro - O Senhor da Foice
12º livro - Quando as Bruxas Viajam
13º livro - Pequenos Deuses
14º livro - Lords and Ladies
14.5º livro - Theatre of Cruelty
15º livro - Men at Arms
...

8 de mai. de 2015

Resenha: Pequenos Deuses - Terry Pratchett


Título: Pequenos Deuses
Original: Small Gods
Série: Discworld #13
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 308
Editora: Bertrand (março de 2015)

Sinopse: Religião é um assunto controverso em Discworld. Todo mundo tem sua própria opinião e até seus próprios deuses, que podem ser de todas as formas e tamanhos. Nesse ambiente tão competitivo, as divindades precisam marcar presença. E a melhor maneira de fazer isso certamente não é assumindo a forma de uma tartaruga. Nessas situações, você precisa, e rápido, de um assistente. De preferência alguém que não faça muitas perguntas...

Sempre ouvia as pessoas falando muito bem da série Discworld, do renomado autor Terry Pratchett, e graças à editora Bertrand finalmente tive a chance de desbravar um livro dessa série (obrigado por cederem um exemplar de Pequenos Deuses). Como vocês devem ter visto por aí, Terry Pratchett faleceu recentemente, mais precisamente no dia 12 de março de 2015, o que foi um baque para todos os fãs de fantasia que admiravam o autor. Como forma de homenageá-lo e divulgar o trabalho da sua vida, trago para vocês a resenha de Pequenos Deuses, 13º livro de Discworld.

Já imaginaram que, de alguma maneira, pode existir uma maneira de seu Deus (ou deuses) se manifestar no lugar em que você vive? E se ele, pensando em descer do seu lugar sagrado na imponente forma de um touro, resolve aparecer e descobre que na verdade é uma mera tartaruga caolha? Como fazer com que todos os seus seguidores acreditem em você?

É com esse estilo ricamente engraçado e irreverente que Terry Pratchett parece ter conquistado a grande maioria dos seus leitores. Devo dizer que sou um desses novos leitores agora.

Somos apresentados a Brutha, um noviço da igreja omniana, cuja entidade superior é o Grande Deus Om, a tartaruga mencionada anteriormente. Munido de imensa ingenuidade e uma capacidade incrível de memória, Brutha simplesmente cuida de uma horta e certo dia avista uma tartaruga por lá. Uma tartaruga que fala com o noviço. Um deus na forma de uma tartaruga.

Considere agora a tartaruga e a águia.

A tartaruga é uma criatura que vive no solo. É impossível viver mais perto do solo sem estar debaixo dele. Seu horizonte fica a meros centímetros de distância. Ela atinge toda a velocidade necessária para caçar uma alface. Para sobreviver, enquanto o restante da evolução a ultrapassava, bastou não representar ameaça a ninguém e dar muito trabalho para ser comida.

Eu dou risada quando penso nisso, é tudo simplesmente muito engraçado! ahuahuhauhua

A partir daí vemos a dupla entrando em uma enrascada das grandes. Brutha não acredita que o seu deus seja aquela tartaruga e Om não entende por que o noviço pensa assim. Afinal, o Grande Deus Om possui milhares de seguidores em toda Discworld. Ou seria Brutha o único deles?

O problema em ser um deus é que não se tem ninguém para quem orar. - Om

Não bastasse essa desconfiança inicial entre os dois, Brutha acaba envolvido em uma conspiração que pode e certamente resultará em uma tremenda guerra santa, ainda mais quando a frase "A Tartaruga se Move" começa a ser espalhada por aí. Muitos afirmam que o mundo não é uma esfera, mas sim uma tartaruga nadando pelo universo com quatro elefantes apoiados no seu casco, sendo que esses sustentam toda Discworld em uma forma plana, como se fosse um disco. Uma calúnia? Talvez, se não fosse pelo fato disso simplesmente ser real.

Pensem bem na genialidade do autor ao criar um mundo dessa maneira. Nunca vi algo assim antes!


Em determinado momento somos apresentados a Vorbis, o exquisidor da Quisição (sim, é assim mesmo que se escreve no livro), um homem capaz de mudar a mente de qualquer pessoa para pior. Sua capacidade de persuasão é imensa, sendo que todos temem esse homem quando passam perto dele. É o cara a ser temido! Um homem com a mente corrompida, que não acredita na Tartaruga que se Move e fará de tudo para eliminar qualquer um que pense em proferir tal blasfêmia.

Além disso, o cara é tão desprovido de emoções que é simplesmente capaz de virar uma tartaruga de cabeça para baixo e deixá-la sozinha no local, agonizando e implorando por ajuda. Que tipo de ser humano faria isso com o pobre animal, ainda mais ele sendo um deus?


Gostei bastante desse livro. Não está no meu TOP TOP de leituras, mas a narrativa é tão fluida e dinâmica que fica difícil largá-lo. A todo momento vemos piadas e referências a situações cotidianas da nossa vida, sempre colocadas de um modo que se encaixa na trama. O ponto principal pareceu ser a tentativa de uma pessoa/deus em se firmar numa posição ou local que lhe convenha, como é o caso de Om na busca por respostas, principalmente em como virou uma tartaruga e ficou assim por mais de três anos.

Qualquer deus poderia começar pequeno. Qualquer deus poderia crescer em estatura quando seus fieís aumentassem. E decrescer à medida que diminuíssem. Era como um grande jogo de escadas e serpentes. 
Deuses gostavam de jogos, desde que estivessem ganhando.

Os acontecimentos finais da obra são bem interessantes e alguns até meio imprevisíveis, principalmente a relação entre Vorbis e Brutha. Duas mentes diferentes podem caminhar para o mesmo destino às vezes, e aqui isso (talvez) irá acontecer.

Trabalhando bastante com referências a filósofos e religiões diversas, Pratchett mistura muito humor e ironia nesse livro, fazendo com que o leitor fique frequentemente se perdendo se as coisas em que acredita são reais mesmo ou apenas uma mera forma de enganar os outros.
O medo é uma terra estranha. Nele, a obediência cresce como milho, em fileiras que facilitam a colheita. Mas, às vezes, nele crescem as batatas do desafio, que florescem no subsolo.

Repleto de diálogos extremamente bem-humorados e personagens muito cativantes, Pequenos Deuses é leitura obrigatória para quem quer dar muitas risadas e pensar nas coisas de uma maneira alternativa. Recomendadíssimo para todos os amantes da fantasia!

Avaliação final:

Discworld:

1º livro - A Cor da Magia
2º livro - A Luz Fantástica
3º livro - Direitos Iguais, Rituais Iguais
4º livro - O Aprendiz de Morte
5º livro - O Oitavo Mago
6º livro - Estranhas Irmãs
7º livro - Pirâmides
8º livro - Guardas! Guardas!
9º livro - Fausto Eric
10º livro - A Magia de Holy Wood
11º livro - O Senhor da Foice
12º livro - Quando as Bruxas Viajam
13º livro - Pequenos Deuses
14º livro - Lords and Ladies
15º livro - Men at Arms
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