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23 de mai. de 2017

Resenha: O Portador do Fogo - Bernard Cornwell

Título: O Portador do Fogo
Original: The Flame Bearer
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #10
Autor: Bernard Cornwell
Tradutor: Alves Calado
Páginas: 322
Editora: Record (maio de 2017)

Sinopse: Uhtred é o senhor de Bebbanburg e nada nem ninguém ficará no seu caminho para reconquistá-la nesse décimo volume da série Crônicas Saxônicas A Britânia enfim encontra um momento de paz. Sigtryggr, senhor da Nortúmbria, e a rainha Æthelflaed, senhora da Mércia, chegaram a um acordo e decretaram uma trégua, com o apoio do maior guerreiro da época, Uhtred de Bebbanburg. Uhtred vê então a chance de recuperar suas terras, tomadas por seu tio tantos anos — e agora mantidas por seu ardiloso primo. Mas os inimigos que Uhtred fez depois de tantos anos em guerra e os juramentos que prestou, além de uma rede de intrigas, o desviam temporariamente do sonho de recuperar Bebbanburg. E isso abre espaço para o surgimento de um novo inimigo, o temível Constantin da Escócia, que aproveita o clima de incertezas para comandar seu exército para o sul e conquistar terras da Nortúmbria. Porém, Uhtred está determinado, e nada, nem novos nem antigos inimigos, será capaz de mantê-lo afastado de seu direito de nascimento.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Enfim chega ao Brasil o DÉCIMO livro das Crônicas Saxônicas. Parece até que foi ontem (2012) que comecei a série acompanhando a vida de um pirralho e literalmente devorando os livros seguintes.

Após os acontecimentos do 9º volume, quando Uhtred, Finan e seus guerreiros derrotam o exército do irmão de Sigtryggr, Ragnall, além das mortes de Brida e Haesten, agora as atenções do nosso protagonista voltam-se totalmente ao norte, em direção à Bebbanburg, sua fortaleza de direito.

Ajudado pelo fato do seu genro Sigtryggr, casado com Stiorra, ser o comandante atual da Nortúmbria, Uhtred sabe que não terá que se preocupar com inimigos às suas costas quando avançar para o norte, focando-se somente no que interessa. Para manter a paz, um acordo foi feito com Æthelflaed, onde Sigtryggr abriu mão de várias terras e de vários burhs que havia conquistado.

Mas nem tudo são flores, é claro. Ao aproximar-se de Bebbanburg, Uhtred descobre que seu primo está sendo abastecido com comida e contratando guerreiros a partir do norueguês Einar, o Branco, já temendo um ataque de Uhtred à fortaleza inexpugnável. As coisas ainda pioram quando um exército escocês aparece, liderado pelo chefe de guerra Constantin, reivindicando todas as terras acima da Muralha de Adriano. Para eles, essa parte do território é escocesa, e isso inclui as terras em volta de Bebbanburg. Com uma quantidade de guerreiros bem menor e sem querer se arriscar, Uhtred é obrigado a recuar, indignado com as artimanhas aprontadas pelas fiandeiras do destino.

"Eu digo aos meus netos que a confiança vence batalhas. Não desejo que eles lutem, preferiria tornar o mundo de Jeremias uma realidade e viver em harmonia, mas sempre há algum homem, e geralmente é um homem, que olha com inveja para os nossos campos, que quer a nossa casa, que acha que seu deus rançoso é melhor que o nosso, que virá com fogo, espada e aço tomar o que construímos e torná-lo seu. E, se não estivermos prontos para lutar, se não tivermos passado aquelas horas tediosas aprendendo a usar espada, escudo, lança e seax, esse homem vencerá e nós morreremos. Nossos filhos serão escravos, nossas mulheres serão prostitutas e nosso gado será morto. Por isso precisamos lutar, e um homem que luta confiante vence."

Um oponente do passado aparece para atrapalhar ainda mais a sua vida: o poderoso ealdorman Æthelhelm, sogro de Eduardo e atualmente o homem mais poderoso do reino de Wessex. Determinado a confirmar seu neto como sucessor do atual rei, ele deseja uma invasão o quanto antes da Nortúmbria, o que vai de encontro à vontade de Uhtred. Æthelhelm teria que passar por cima de Sigtryggr e Stiorra, mas como foi visto no 9º livro, não se mexe com a família dos outros.

Os primeiros capítulos desse 10º livro são cheios de intrigas políticas e incertezas quanto ao futuro da Inglaterra. Ao acompanharmos os pensamentos de Uhtred, percebemos que a união dos quatro reinos ainda está bem longe de acontecer, apesar do domínio territorial saxão indicar o contrário. E isso é algo que com certeza será MUITO explorado também nos próximos volumes da série, quando os próprios saxões entrarão em conflito entre si para decidir quem seguirá o sonho de Alfredo.

Com um ritmo menos empolgante que o antecessor, O Portador do Fogo sofre um pouquinho com a parte política na primeira metade, quando o leitor é constantemente deslocado para um lado e para outro, tentando entender o que está acontecendo e quais serão as consequências.

No entanto, quando chegamos na parte onde se cumpre o prometido na sinopse, a coisa pega fogo.

Nesse livro acontece algo que praticamente todos os fãs da série estavam esperando. Não escreverei aqui exatamente o que é para não dar spoilers aos desavidos, mas quem acompanha a história do Uhtred desde pequeno não tem como errar. É pra glorificar de pé, irmãos! Chegou o grande dia!

Eu tinha desamarrado as placas faciais do elmo, deixado que eles vissem o sangue no meu rosto, que vissem o sangue na minha cota de malha, nas minhas mãos. Eu era um homem de ouro e sangue. Era um senhor da guerra e estava tomado pela fúria da batalha. O inimigo estava a dez passos de distância e eu caminhei cinco desses dez, ficando sozinho diante deles. — Esta é a minha rocha! — vociferei para eles.

E que narrações sensacionais! Nos capítulos finais passa um filme na nossa cabeça, do Uhtred levando uma pancada do Ragnar velho para depois ser recebido pelo Ragnar filho, da batalha com Ubba à beira do mar, dele derrubando Svein do Cavalo Branco, de acompanhar a morte de Kjartan pelas mãos de Ragnar, da briga por Lundene, dos momentos íntimos com Gisela e seus herdeiros, da morte do rei que ele amava e odiava ao mesmo tempo, entre tantas outras coisas que fazem das Crônicas Saxônicas um conjunto de narrativas épicas de brilhar os olhos. Wyrd bið ful aræd

Impossível não se emocionar por um momento que esperávamos por tanto tempo.

Com um (baita) peso a menos nas costas, a série poderá avançar bastante, até momentos tensos na história da formação da Inglaterra, como a disputa pela sucessão do trono quando Eduardo, o filho do falecido Alfredo, morrer. Muitas tretas para os leitores nas sequências das Crônicas Saxônicas.

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
10º livro - O Portador do Fogo
11º livro - ?
...

27 de out. de 2014

Resenha: O Trono Vazio - Bernard Cornwell


Título: O Trono Vazio
Original: The Empty Throne
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #08
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 302
Editora: Record (agosto de 2015)


Sinopse: As forças de Wessex e da Mércia se juntaram para combater os dinamarqueses, mas a instabilidade da união e a ameaça dos ataques dos reinos pagãos vizinhos são um perigo para a Britânia, pois Æthelred, o senhor da Mércia, está à beira da morte e não tem herdeiros, o que abre caminho para disputas pelo trono. Uhtred de Bebbanburg, o maior guerreiro da Mércia, sempre apoiou a senhora Æthelflaed para que se tornasse a sucessora do trono, mas será que a nobreza aceitará uma mulher como líder? Mesmo ela sendo a viúva de Æthelred e irmã do rei de Wessex? Enquanto os mércios travam brigas internas e os saxões ocidentais tentam anexar o reino aliado, novos inimigos surgem na fronteira norte. Os saxões precisam desesperadamente de uma liderança forte, mas, em vez disso, lutam por um trono vazio, ameaçando arruinar todos os esforços para unir e fortalecer seu reino.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Essa resenha foi feita a partir da versão britânica, intitulada The Empty Throne, em outubro de 2014, data de lançamento do e-book estrangeiro. Depois, foi atualizada com imagens e nomes em português em 12/06/2015, quando foram anunciadas a capa e a sinopse da nossa edição brasileira.

Com a morte de Æthelred pedindo para chegar após ser ferido gravemente na batalha final do último livro, muitas artimanhas se desenrolam para definir quem será o próximo comandante da Mércia. Todo mundo sabe que um trono vazio é sinal de guerras se aproximando, e aqui não é diferente, ainda mais se tratando de um trono tão importante e primordial para que um dia os reinos se unam e formem a tão sonhada Inglaterra almejada por Alfredo, o Grande. Quem deve tomar o seu lugar? Qual pessoa tem mais direito a herdar o trono? Será que uma mulher dará conta do recado? São questões que permeiam todo o livro e trazem alguns debates muito interessantes.

Uhtred ainda está muito (!) machucado depois de ter matado Cnut e quase ter morrido na luta, precisando ficar de repouso sempre que possível e mal conseguindo cavalgar. Um dos objetivos desse 8º livro é fazer Uhtred recuperar-se dos ferimentos e voltar às batalhas, mas o desenrolar eu vou deixar pra vocês descobrirem, não quero estragar a alegria do leitor contando tudo tão cedo.


O livro começa diferente dos demais, com o prólogo sendo narrado pelo filho de Uhtred, provando que é realmente filho de um guerreiro e mostrando um pouco dos seus pensamentos e do seu medo em relação a Æthelflæd, esposa de Æthelred. Aliás, esse livro parece ter sido feito para ela. Æthelflæd torna-se aqui uma das grandes protagonistas para a formação da Inglaterra, num tempo onde mulher nenhuma conseguia se diferenciar e participar tão ativamente das batalhas. E é por ser assim que ela consegue o apoio dos seus subordinados, tornando-se esperança para muitos deles.

Essa obra também foca um pouco em Æthelstan, filho do rei Eduardo e neto de Alfredo, designado a um dia ser rei. Quem acaba tomando conta do garoto é nosso grande protagonista Uhtred, que o ensina a tomar decisões bem difíceis para um garoto de apenas 14 anos e comuns para o futuro rei.

“He needed to know it, see it, smell it, and survive it. I was training the boy not just to be a warrior, but to be a king.” 
“He’s a boy who must learn to be a warrior and a king,’ I said, ‘and death is his destiny. He must learn to give it.’ I patted Æthelstan’s shoulder. ‘Make it quick, boy,’ I told him. ‘He deserves a slow death, but this is your first killing. Make it easy for yourself.” 

Como vocês puderam perceber até agora com essa resenha, Uhtred acaba ficando em segundo plano em praticamente toda a narrativa, mesmo que a história seja narrada sob o seu ponto de vista. Isso acabou tirando um pouco a graça do livro, pois tudo que Uhtred faz é visando outra pessoa, outro ideal, e pouco é desenvolvido a partir das reais necessidades dele. Ah, aqueles juramentos feitos...

Enfim, somos também apresentados a vários novos inimigos nesse oitavo livro da série, alguns deles dinamarqueses, galeses e, a novidade da vez, irlandeses, todos sedentos por mais terras e sempre querendo aumentar os seus domínios. Uhtred e seus aliados acabam tendo que enfrentar alguns e até, digamos assim, torna-se "parente" de um deles. Leia e descubra por conta própria, earsling!!!


O Trono Vazio não mantém de perto o mesmo ritmo de O Guerreiro Pagão, livro anterior da série, pecando em apenas alguns detalhes. Faltaram batalhas mais épicas, mais reviravoltas, mais SANGUE!! Intrigas são vistas ao monte nesse livro, mas elas tomam grande parte do livro (mais de 60%) e tornam a leitura um pouquinho arrastada, não aproveitando o melhor que Cornwell nos dá, que são suas descrições de paredes de escudos e embates singulares. Mesmo assim é uma leitura obrigatória para os fãs da saga e deixa muitas arestas soltas para o futuro, além de explorar outros personagens, sendo esses os únicos motivos para eu não dar uma nota mais baixa para esse 8º livro.

Wyrd biõ ful ãræd: o destino é inexorável.

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
...

16 de mai. de 2014

Resenha: O Guerreiro Pagão - Bernard Cornwell


Título: O Guerreiro Pagão
Original: The Pagan Lord
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #07
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 336
Editora: Record

Sinopse: Após um incidente envolvendo um abade, Uhtred, um dos últimos senhores pagãos entre os saxões, se vê atacado pela Igreja e por seus seguidores. Sem suas terras e com poucos homens, tudo que lhe resta é colocar um ousado plano em prática: recuperar Bebbanburg, a fortaleza onde cresceu e que foi tomada por seu tio. Porém, o que Uhtred não sabe é que sua missão pessoal vai colocá-lo num ardil capaz de reacender o confronto entre saxões e dinamarqueses, que pode selar de uma vez por toda o destino da Britânia e de sua rivalidade com Cnut.

Trago para você, desbravador, em primeiríssima mão, a resenha de um livro que ainda nem foi lançado aqui no Brasil. Mas como isso, Vagner? É muito simples! Acabei conseguindo a versão digital em inglês do livro The Pagan Lord (tradução original do exemplar dessa resenha), não me aguentei e tive que ler mais para saber o que acontecia com Uhtred, o guerreiro mais famoso e temido de toda a Britânia.

11 de ago. de 2012

Resenha: O Último Reino - Bernard Cornwell


Título: O Último Reino
Original: The Last Kingdom
Autor: Bernard Cornwell
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #1
Páginas: 362
Editora: Record (2012)


Sinopse: O Último Reino é o primeiro romance de uma série que contará a história de Alfredo, o Grande, e seus descendentes. Aqui, Cornwell reconstrói a saga do monarca que livrou o território britânico da fúria dos vikings. Pelos olhos do órfão Uthred, que aos 9 anos se tornou escravo dos guerreiros no norte, surge uma história de lealdades divididas, amor relutante e heroísmo desesperado. Nascido na aristocracia da Nortúmbria no século IX, Uthred é capturado e adotado por um dinamarquês. Nas gélidas planícies do norte, ele aprende o modo de vida viking. No entanto, seu destino está indissoluvelmente ligado a Alfred, rei de Wessex, e às lutas entre ingleses e dinamarqueses e entre cristãos e pagãos.

Essa resenha foi revista e atualizada em julho de 2015.

Algumas palavras para definir esse livro? Vingança, traição, paredes de escudos. É isso o que você encontrará na narrativa e, tenho certeza, fará você se apaixonar por essa série. Comprei a coleção das Crônicas Saxônicas só de ler a sinopse e olhar para as capas, que são extremamente bonitas e possuem um cenário de guerra "sedutor". Deixando as enrolações de lado, mãos à obra.

Uhtred é um garoto saxão nascido na Nortúmbria, ao norte da Inglaterra como conhecemos hoje, e aos 10 anos acaba ficando órfão devido a um ataque dos dinamarqueses à região perto de sua terra natal, Bebbanburg. O que muda totalmente o destino de Uhtred é o fato dele ser capturado nesse ataque e começar a ser criado como um próprio dinamarquês pelo earl Ragnar, um chefe muito carismático e também excelente guerreiro, que desde pequeno lhe ensina a arte da batalha.


O livro,na sua maior parte, nos mostra a história do ponto de vista de Uhtred em meio aos invasores dinamarqueses, pois é com eles que Uhtred cresce e percebe a sua veneração pela guerra desde o momento em que põem os pés no mundo. Mesmo gostando do modo de vida dinamarquês e da sua cultura, Uhtred jamais esquece de Bebbanburg, pois é para lá que seu coração aponta, é lá que está a fortaleza da sua família e que pertence a ele agora, apesar de estar fora de alcance.

Tinha aprendido a esconder minha alma, ou talvez estivesse confuso. Nortumbriano ou dinamarquês? O que eu era? O que queria ser?

A partir de então a narrativa, sempre em primeira pessoa, por sinal, começa a retratar a conquista dos dinamarqueses, que com sua fúria e coragem chegaram ao litoral norte da Inglaterra e a partir dali expandiram o seu domínio pelo território inglês. Mas o que significa "O Último Reino", Vagner? O último reino refere-se a Wessex, única província inglesa que não foi conquistada pelos invasores, mesmo após Nortúmbria, Mércia e Ânglia Oriental caírem e ficarem sob domínio dos dinamarqueses. Uhtred aprende a lutar ao lado de Ragnar e seus guerreiros, que o consideram um aliado importante e o protegem de todos os perigos que podem atrapalhar a sua caminhada.

- Um líder lidera – disse Ragnar – e não se pode pedir que os homens arrisquem a vida se não estivermos dispostos a arriscá-la também.

O grande destaque dessa série não poderia ser outro: paredes de escudos. É incrível a quantidade de detalhes que o autor coloca em meio às cenas de guerra que você vai acabar a leitura simplesmente achando que já sabe matar todo mundo e está pronto para uma batalha de verdade.

Bernard Cornwell é um dos poucos autores que consegue transformar uma briga de rua em uma batalha épica entre dois exércitos. Você se sentirá lá no meio, baixando o escudo para não receber um golpe nos tornozelos enquanto levanta aquela espada para enfiá-la nas tripas do seu oponente.

Uhtred por Henrique Xavier
O júbilo! O júbilo da espada. Eu estava dançando de júbilo, a alegria fervilhando dentro de mim, o júbilo da batalha do qual Ragnar falava com tanta freqüência, o júbilo do guerreiro. Se um homem não o conheceu não é homem. Aquela não era uma batalha, não era uma carnificina propriamente dita, apenas uma matança de ladrões, mas foi minha primeira luta e os deuses tinham se movido dentro de mim, tinham dado velocidade ao meu braço e força ao escudo, e quando terminou, e quando dancei no sangue dos mortos, soube que eu era bom. Soube que eu era mais do que bom. Naquele momento poderia ter conquistado o mundo e meu único lamento era porque meu amigo não pôde ver, mas achei que ele poderia estar me olhando do Valhalla. Levantei Bafo de Serpente para as nuvens e gritei o nome dele. Já vi outros jovens saírem da primeira luta com o mesmo júbilo e os enterrei depois da batalha seguinte. Os jovens são idiotas, e eu era jovem. Mas era bom.

Algumas mulheres também entram e saem da vida de Uhtred conforme ele cresce e suas necessidades (fisiológicas) mudam. Sugiro que vocês prestem bastante atenção nessas personagens femininas, pois elas serão imprescindíveis para entendermos o que o futuro reserva para Uhtred.

Ah, não posso esquecer de comentar sobre o destino. Sim, sobre ele mesmo, o rumo que nossa vida irá levar. Sobre as três fiandeiras que regem a vida de Uhtred e insistem em colocá-lo na trama mais profunda possível, fazendo-o passar por muitas dificuldades e sempre se perguntar se está fazendo a coisa certa. Porque o destino, como já dizia Merlin nas Crônicas de Artur, é inexorável.

O destino é tudo. E agora, olhando para trás, vejo o padrão da jornada de minha vida. Começou em Bebbanburg e me levou ao sul, sempre para o sul, até que cheguei ao litoral mais distante da Inglaterra e não podia ir mais longe continuando a ouvir minha língua. Essa foi minha jornada de infância. Como adulto fui para o outro lado, sempre para o norte, levando espada, lança e machado para limpar o caminho de volta até onde comecei. Destino.

Sinceramente, me faltam palavras bonitas e verdadeiras o suficiente para descrever todo o amor que eu sinto por essa série. Apenas leia, e depois passe aqui para dizer se valeu a pena ou não.

Os livros das Crônicas Saxônicas fazem parte de uma história épica e que deve ser lida por todos os amantes de guerra! A caminhada do guerreiro saxão Uhtred o levará a traições e mentiras, ódio e vingança, e você não pode ficar de fora. Não vejo a hora de ler o segundo!

Pontos fortes: ação. Sangue. Guerra. Batalhas e mais batalhas. Paredes de escudos. Narrativa envolvente e um personagem tão foda que não há como não gostar.
Pontos fracos: para mim não é problema, mas acredito que a alta quantidade de personagens e seus herdeiros/antepassados possa confundir alguns leitores iniciantes no gênero.

Avaliação final:

Se eu recomendo? COM CERTEZA!

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
2º livro - O Cavaleiro da Morte
3º livro - Os Senhores do Norte
4º livro - A Canção da Espada
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
9º livro - Guerreiros da Tempestade
10º livro - O Portador do Fogo
11º livro - ...
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