3 de out de 2015

Resenha: Os Ossos das Colinas - Conn Iggulden

Título: Os Ossos das Colinas
Original: Bones of the Hills
Série: O Conquistador/Conqueror #3
Autor: Conn Iggulden
Páginas: 490
Editora: Record (2010)

Sinopse: Gêngis Khan é o poderoso líder de uma nação fruto da união de diversas tribos e guerreiro vitorioso na longa campanha contra os jin. Agora o inimigo surge do oeste: suas caravanas são expulsas e seus homens, mortos ou mutilados. Assim, Gêngis e seus exércitos, liderados por seus filhos e irmãos e outros generais de confiança, embarcam em uma grande viagem através dos atuais Irã e Iraque e pela costa do Mediterrâneo. Conquistando cidade após cidade, um império após o outro, por meio da guerra, do medo e da persuasão, o poder mongol domina toda a região. O grande cã ergueu um império maior do que qualquer outro já visto. Durante essas campanhas, seus filhos e irmãos disputavam o favoritismo, o direito de liderar o mais bem-sucedido exército e de realizar as maiores conquistas, para ser escolhido como sucessor. Gêngis já provou ser um grande guerreiro. Agora, seu desafio é mostrar-se um governante e líder excepcional para seu povo, alguém que possa coordenar a transição de poder sem sobressaltos. Das terras férteis dos jin até as áridas rochas do Afeganistão, Iggulden tece um épico sobre o conquistador mais enigmático da história, aqueles que o temiam, aqueles que o desafiaram e aqueles cujos ossos deixou para trás. Os Ossos das Colinas é o terceiro volume de O Conquistador, série que reconstrói a saga de Gêngis Khan e de seus descendentes.

Essa resenha contém alguns spoilers do final desse livro e também dos livros anteriores.

Após devastar boa parte do território chinês, Genghis Khan mira suas atenções mais ao sul e ao oeste, onde a maioria dos povos islâmicos/muçulmanos estão. Tudo começou com a morte de patrulheiros enviados por Genghis a terras distantes. Com a sua morte, o líder mongol não pode deixar essa ameaça de lado e precisará reunir todas as forças para marchar contra o novo inimigo.

Importante situar o leitor de que esse 3º volume de O Conquistador se inicia três anos após o 2º, quando Genghis envia seus vários generais a várias direções para que conquistem novos lugares.

Essa situação é perfeita para entendermos um pouquinho mais da mente daquele que é considerado o maior conquistador de toda a História: não é permitido ameaçá-lo e esperar sair impune, como foi visto no 2º livro, quando o imperador chinês quebra um acordo com os mongóis e fogem, deixando a sua fortaleza para trás, só para que Genghis e seus guerreiros a queimassem até o chão.

— Eu vim a estas terras porque, quando um homem me ameaça e eu desvio o olhar, ele tirou algo importante de mim. Se eu lutar e morrer, tudo que ele pode tomar é minha vida. Minha coragem e minha dignidade permanecem. Devo fazer menos pela nação que criei? Devo permitir a meu povo menos honra do que reivindico para mim?

Uma das grandes diferenças dessa obra para as demais é que os filhos do grande khan estão crescendo e começando a assumir funções importantes dentro do exército mongol, como o comando das tumans, formações com 10.000 mongóis. E, com esse crescimento, voltam à tona as brigas por poder. Jochi pode não ser filho de Genghis e sim de um estupro que a sua esposa sofreu na infância, e isso reflete diretamente no modo como Genghis o trata e na relação de Jochi com Chagatai, o filho seguinte do khan. Preparem-se para ler sobre momentos bem intensos envolvendo esses dois.

O choque cultural apresentado em Os Ossos das Colinas também merece ser notado, visto que diversas regiões são invadidas durante o período, como a Rússia, Afeganistão, Irã, etc. E, com isso, novas táticas de batalha também são apresentadas. Ao longo de suas campanhas, Genghis reuniu engenheiros das mais variadas nacionalidades que começaram a construir armas de cerco, já que as planícies frias da terra natal dos mongóis ficaram para trás, dando lugar às altas fortalezas dos novos povos. Achei interessante ter todos esses elementos inseridos na narrativa, já que o próprio Genghis assume em alguns momentos que a importância dessas armas de cerco foi tamanha que ele até aproveitava as semanas e os meses em que estava diante de uma fortaleza, apenas esperando que os seus habitantes se rendessem devido à fome, à sede e doenças que os acometiam lá dentro.

— Quando eu tiver morrido, não quero que os homens digam: "Vejam quanta riqueza a dele, suas cidades, seus palácios e suas roupas finas." — Gêngis fez uma pausa. — Em vez disso, quero que digam: "Certifiquem-se de que ele morreu mesmo. É um velho maligno que conquistou metade do mundo." — Ele deu um risinho, e parte da tensão se esvaiu do grupo. — Não estamos aqui para ganhar riquezas com um arco. O lobo não pensa em coisas finas, só quer que sua matilha esteja forte e que nenhum outro lobo ouse atravessar seu caminho. Isso basta.

Não posso esquecer de mencionar alguns nomes entre as fileiras do grande khan, como Tsubodai e Jebe, homens que foram crescendo aos poucos dentro do contingente mongol e se tornaram os "cães de caça" de Genghis, ao lado também dos seus irmãos Khasar e Kachiun, que mantém uma relação forte desde a infância, quando estiveram perto da morte e até tiveram que matar um dos irmãos para sobreviver, história essa que foi contada no excelente 1º livro da série, O Lobo das Planícies.

Uma das curiosidades introduzidas aqui são os assassinos, uma seita de matadores experientes contratada pelo povo muçulmano para tentar acabar com a ameaça dos mongóis na sua terra.

Narrado em 3ª pessoa, com mudanças constante de pontos de vista, a narrativa flui como os cavalos mongóis em uma planície, agradável de se ler e com elementos do cenário sempre ali presentes.

Enfim, também preciso dizer que esse volume fecha um "ciclo", digamos assim, nos livros da série. O comando precisa ser passado adiante, como sempre aconteceu em todas as nações guerreiras. Eu temia muito (!) pelo momento em que a morte de Genghis Khan chegaria, assim como todos os leitores e fãs dessa série, mesmo que os seus minutos finais estejam cercados de diversas especulações e incertezas, que vão desde a causa da sua morte até quem teria sido o responsável.

— Todos homens morrem — continuou Jelme, ignorando a explosão. — Pode ser esta noite, no ano que vem ou dentro de quarenta anos, quando você estiver desdentado e fraco. Tudo que você pode fazer é escolher como se portar quando ela chegar.

Até os tempos atuais podemos encontrar descendentes de Genghis Khan entre o povo mongol, e uma das nossas maneiras de reverenciá-lo é lendo essa obra fantástica do Conn Iggulden o quanto antes.

Por fim, só me resta recomendar esses livros a todos aqueles que são amantes de ficção histórica!

Avaliação final:

O Conquistador:

2º livro - Os Senhores do Arco
3º livro - Os Ossos das Colinas
4º livro - Império da Prata
5º livro - Conquistador

8 comentários:

  1. Vagner, por enquanto li somente o primeiro volume, que achei espetacular. Tenho que continuar esta série magnífica o quanto antes. Abraços !

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Tem que ler os restantes, Maurilei, o nível se mantém praticamente o mesmo!

      Abraço.

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  2. Depois que eu terminei de assistir Marco Polo me senti obrigado a ler essa série do Conn Iggulden!
    Já comprei o box, agora é só esperar.
    Ah, e a resenha tá excelente, como sempre.

    Abraços, Vagner!
    http://bravuraliterariablog.blogspot.com.br/2015/09/resenha-prince-of-thorns.html

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    1. Tu já deveria ter começado, Phelipe! hauhauhauha

      E tô louco pela 2ª temporada de Marco Polo, mas nem sei quando volta.

      Abraços e passe sempre!

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  3. Respostas
    1. Bah, essa parte foi tensa mesmo, uma das melhores do livro!

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  4. Viva,

    Tenho na ideia de ter algo deste escritor por ler, mas ainda não lhe peguei, tenho mesmo que arranjar maneira de ler muitos destes Romances Históricos que aqui tão bem tens comentado, registado para ler seguramente ;)

    Abraço

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    1. São vários romances históricos só nos esperando, Fiacha, mas o tempo é curto mesmo, não dá pra ler tudo. Recomendo fortemente essa série do Genghis Khan e seus descendentes. Acho que você irá gostar bastante!

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