14 de set de 2015

Resenha: Guardas! Guardas! - Terry Pratchett

Título: Guardas! Guardas!
Original: Guards! Guards!
Série: Discworld #8; Patrulha #1
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 339
Editora: Conrad (2005)

Sinopse: Há muito tempo dado como extinto, um magnífico e perigoso exemplar de draco nobilis (dragão nobre) apareceu na cidade de Ankh-Morpork. O visitante indesejado tem o hábito desagradável de carbonizar tudo o que aparece no seu caminho. E, pior, é coroado rei (afinal, ele não é nobre?). Enquanto isso, na estrada e restrita Universidade Invisível, um livro antigo e muito esquecido - A Evolução de Dragões - desaparece das prateleiras da Biblioteca. Desconfiados de uma conspiração político-piromaníaca, alguns bravos cidadãos (ok, nem tão bravos assim) se organizam e arriscam tudo o que possuem para destronar o monarca voador e restaurar a ordem no local. Certamente, este será o golpe de estado mais insano de que você já ouviu falar.

Depois de ter lido Pequenos Deuses, senti que precisava saber um pouquinho mais sobre Discworld, o famoso universo criado pelo já falecido autor Terry Pratchett e sucesso de vendas mundo afora.

Aqui somos apresentados à cidade de Ankh-Morpork, onde a Patrulha/Guarda Municipal atua e agora recebe o reforço do "anão" de quase 2 metros Cenoura Ironfoundersson, que acreditava estar ingressando num dos órgãos mais respeitados de todo o Disco. Ah, mas que bela e doce ilusão...

Afinal, que tipo de organização liderada por um bebum poderia dar certo? Capitão Vimes passa menos tempo sóbrio do que deveria. O Sargento Colon, num primeiro momento, parece ser o menos problemático dos guardas, mas rende boas discussões durante a leitura. Já o cabo Nobby Nobbs não tem solução, mais fuma do que respira e tem um jeitinho bem peculiar de ver o mundo à sua volta, além de precisar andar sempre com um certificado do Patrício dizendo que ele é de fato humano.

A velha Patrulha, por katzille
(Cabo Nobby Nobbs, Sargento Colon, Policial-lanceiro Cenoura e Capitão Samuel Vimes)

A trama começa a tomar forma quando os membros da sociedade secreta dos Irmãos Iluminados  e Antigos de Ee roubam um livro de dentro da Universidade Invisível, que tem um bibliotecário orangotango (!) como administrador, e agora estão tentando convocar um dragão, para que assim um herói das lendas apareça e o mate, tornando-se então o novo rei. Um rei que possa ser manipulado e faça as vontades da sociedade secreta, é claro. Só que os problemas apenas começam a aparecer quando o próprio dragão quer ser o próximo rei e soberano legítimo de Ankh-Morpork.


"Os dragões nobres não têm amigos. O mais próximo que conseguem chegar da ideia é um inimigo que ainda está vivo."

– Se todos nós dissermos que não toleramos isso, o que o dragão poderá fazer? Nobby abriu a boca. Colon tapou-a com a mão e ergueu um punho triunfante.
– É exatamente o que eu sempre disse. O povo, unido, jamais será comido!

Badernas, incêndios e confusões começam a se proliferar quando o bichano inicia seu caminho de destruição até o trono. Para dar um fim à essa ameaça, a Patrulha precisaria pensar numa solução.

Ankh-Morpork, por jameli

Importante ressaltar a importância de alguns personagens na obra, como é o caso da Lady Sybil Ramkin, que possui um criadouro de pequeninos dragões do pântano e é uma das acusadas pela destruição recente que o novo dragão está causando. Seu relacionamento estreito com um dos membros parece estar tomando forma, e um dos seus bichinhos tem um papel bem relevante ao longo das 300 e poucas páginas da obra, quando nada parecia dar certo e tudo estava perdido.

Em um lugar onde os próprios ladrões se organizam para conter os roubos (já que a Guarda Municipal não é capaz de fazer isso), fica difícil ter fé na humanidade. Pratchett brinca bem com isso, traçando vários paralelos entra uma cidade mal administrada da vida real e Ankh-Morpork, conseguindo nos inserir em um local onde a esperança parece vir a jato em cima de uma tartaruga.

– Tinha um sujeito que nós vimos fazer um roubo uma noite – disse Colon, sentindo-se infeliz. – Bem na nossa frente! E o capitão Vimes, ele disse: “Vamos”, e nós corremos, só que a questão é que não se deve correr rápido demais, sabe. Ou você pode apanhá-los. Gera vários tipos de problemas, apanhar as pessoas...

Essa obra serve praticamente como uma homenagem a todas as pessoas, assim como  o novato Cenoura, que tentam fazer o certo em um ambiente onde todo tipo de solução acaba encontrando um obstáculo, algo extremamente parecido com o sistema público brasileiro atual, por exemplo. Pessoas que não deveriam estar no cargo e não tem a mínima qualificação para isso são encontradas aos montes em Ankh-Morpork, desde alguns integrantes da Patrulha até os habitantes do Palácio, onde o Patrício tomava conta até a chegada do dragão virar tudo do avesso na cidade.

Guardas! Guardas! 2.0, por SharksDen

Guardas! Guardas! não tem o mesmo humor irreverente de Pequenos Deuses, por exemplo, mas é uma leitura obrigatória para se entender mais sobre como as coisas funcionam em Ankh-Morpork e dar umas boas risadas enquanto os vários personagens da Patrulha tentam resolver os problemas.

"Sabe, a única coisa que as pessoas boas fazem bem é combater as pessoas más. E você é bom nisso, sou obrigado a admitir. Mas o problema é que isso é a única coisa que você faz bem. Um dia tocam-se os sinos e derruba-se um tirano cruel, e no dia seguinte todos estão reclamando porque, desde que o tirano foi derrubado, ninguém mais recolhe o lixo. Porque as pessoas más sabem planejar. Faz parte da definição, pode-se dizer. Todo tirano do mal possui um plano para dominar o mundo. As pessoas boas parecem não levar jeito."

Não espere nada de surpreendente em Guardas! Guardas!, mas tenha certeza que você irá se divertir bastante e irá querer saber mais sobre o que acontece com os membros da Patrulha. No futuro também quero ler as obras iniciais de Discworld, como A Cor da Magia e A Luz Fantástica

Avaliação final:

Discworld:

1º livro - A Cor da Magia
2º livro - A Luz Fantástica
3º livro - Direitos Iguais, Rituais Iguais
4º livro - O Aprendiz de Morte
5º livro - O Oitavo Mago
6º livro - Estranhas Irmãs
7º livro - Pirâmides
8º livro - Guardas! Guardas!
9º livro - Fausto Eric
10º livro - A Magia de Holy Wood
11º livro - O Senhor da Foice
12º livro - Quando as Bruxas Viajam
13º livro - Pequenos Deuses
14º livro - Lords and Ladies
14.5º livro - Theatre of Cruelty
15º livro - Men at Arms
...

6 comentários:

  1. Os livro do Terry Pratchett parecem ser bem divertidos! São dificílimos de encontrar para venda!!
    Quero ler todos os volumes da série e conhecer todo o Discworld!

    Belíssima resenha!
    Abraço!

    www.bravuraliterariablog.blogspot.com.br

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    1. Sim, são muito engraçados, e ruins de encontrar também, já que a editora original aqui no Brasil não publica mais as suas obras (ou fechou, não lembro exatamente). Torcer agora pra Bertrand publicar vários!

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  2. Leio muita coisa sobre o Terry, de que vários escritores se influenciaram com a sua escrita e já pretendia ler os livros dele há algum tempo. Fiquei com vontade de ler "Guardas! Guardas!" e acho que vou gostar e dar bastante risadas. Mas tem algum problema em começar lendo ele sem ler o primeiro e os livros seguintes?

    Abraços!

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    1. Leia mesmo, Allenylson, a chance de você gostar é bem grande! Pode começar por esse mesmo, Discworld é uma série com "um monte de séries" dentro dele, e "Guardas! Guardas" é o início das aventuras dos membros da Patrulha. Pode ir sem medo!

      Abraço.

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  3. Olá Vagner,
    Ótima resenha, parabéns!

    Já li alguns livros do discworld, e o Guardas! guardas! é muito especial para mim, pois foi o primeiro.

    Depois não consegui mais parar!

    Abraço!

    radiosintoniacult.blogspot.com.br
    baudoarquimago.blogspot.com

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    1. Valeu, Wagner, obrigado por ter passado aqui no blog! Eu pretendo ler mais de Discworld em breve, principalmente os dois primeiros, que são curtinhos e parecem apresentar muitos detalhes do mundo todo.

      Abração!

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