3 de abr. de 2017

Resenha: O Senhor da Torre - Anthony Ryan

Título: O Senhor da Torre
Original: Tower Lord
Série: A Sombra do Corvo/Raven's Shadow #2
Autor: Anthony Ryan
Páginas: 704
Editora: LeYa (2016)
Compre na Amazon

Sinopse: O Senhor da Torre é o segundo livro da série “A Sombra do Corvo”, uma fantasia épica que explora episódios de conflito, lealdade e fé. Vaelin Al Sorna, agora guerreiro da Sexta Ordem, é o maior guerreiro de sua época. Desiludido com seu Rei e pelo sangue de guerreiros derramado por causa de uma mentira, ele volta para casa, se isolando de tudo, e jura nunca mais matar. Porém, o Reino, que já está dividido entre os que apoiam o Rei Janus e os que preferem sua irmã como líder, será atacado por forças poderosas, e Vaelin, o Lâmina Negra, deverá lutar novamente.

Ainda não consigo me perdoar por ter esperado tanto para ler a continuação de A Canção do Sangue, obra de fantasia do autor Anthony Ryan, lançada inicialmente aqui no Brasil lá em 2014. O Senhor da Torre está quase no mesmo nível do seu antecessor, e agora vamos descobrir o porquê.

Ao contrário do 1º livro da série, esse aqui não tem apenas o Vaelin Al Sorna como protagonista. Contamos com outros três pontos de vista durante a leitura, e creio eu que esse seja um dos motivos para vários leitores acabarem não gostando tanto de O Senhor da Torre. Eles queriam mais de Vaelin e sua canção do sangue. Compreendo perfeitamente, mas preferi enxergar o outro lado da moeda e ver que existe uma vantagem MUITO boa em se ter vários personagens principais.

Muitas mentiras são ditas com gentileza, e muitas verdades são ditas com crueldade.

Uma delas, por exemplo, é conhecer o Império Volariano e ter uma ideia do seu plano de dominação total. Uma das maneiras de acompanharmos essa investida deles é pelo ponto de vista de Frentis, o antigo ladrãozinho de rua que virou um Irmão da Sexta Ordem e que agora é escravo em terras distantes, comandado magicamente por uma mulher misteriosa e sujeito aos seus desejos, que irão levá-lo a cometer uma série de assassinatos, tudo parte duma conspiração maior.

A Sexta Ordem, por MartinGillArt

Conspiração essa que, imagino, deverá ser o ponto central da trama no 3º e último livro da trilogia, A Rainha do Fogo. Mal posso esperar para ler e descobrir os poderes e as motivações por trás do "Aliado", essa entidade que é mencionada desde o começo da série e que pouco sabemos até agora.

Vaelin, o Lâmina Negra, volta para o Reino Unificado após ser julgado por seus "crimes" em terras estrangeiras. Com uma mentalidade totalmente diferente dos seus anos passados, e também muito mais maduro, o guerreiro pretende fugir da sua vida ligada à espada. Só que ele não contava com os planos de Malcius, herdeiro do falecido rei Janus. Enviado para os Confins do Norte, precisará lidar com a desconfiança do povo da região nortenha quanto a ele e ainda por cima descobrir que não é o único que possui um dom especial. Dons esses que sempre acabam cobrando os seus preços.

Quem rouba a cena nessa obra são as mulheres. Em um primeiro momento, Reva Mustor, a herdeira do Lâmina Fiel, Hentes Mustor, parece estar numa missão de vingança e simplesmente esquece de perceber o que está acontecendo ao seu redor e as possibilidades que lhe aparecem. Obstinada com o seu pensamento vingativo dirigido a Vaelin e também a seu antigo tutor, aos poucos ela começa a entender como funciona o jogo político das quatro regiões do Reino Unificado e, a partir desse momento, a vida da personagem sofre uma guinada bem interessante. Vocês irão gostar.

"Você oferece mais do que lutar. Você oferece esperança de que esse feudo sobreviverá àquilo que está vindo para destruí-lo. E essa esperança não pode morrer. Eu já presenciei batalhas. A guerra não escolhe favoritos. Ela ceifa a vida dos fortes e dos fracos, dos habilidosos e dos desajeitados. Dos velhos e dos jovens."

Para mim, a princesa Lyrna é o grande destaque de O Senhor da Torre. Ainda mais quando nos são revelados os planos do seu falecido pai, o rei Janus, e o que Lyrna decidiu fazer a partir do momento de sua morte. Servindo inicialmente como embaixadora de seu irmão (o rei atual) em terras nortenhas, ela dá de cara com pessoas de dons especiais, obtendo uma nova visão sobre alguns povos que até então poucas pessoas do Reino haviam tido a oportunidade de se relacionar.

Quando obrigada a fugir para sobreviver, Lyrna descobrirá um ambiente totalmente diferente daquele ao qual era acostumada, onde ninguém é confiável e alianças improváveis serão forjadas. Os capítulos com os seus pontos de vista, para mim, são os mais interessantes de acompanharmos.

"Se as estrelas no céu não são constantes, nada é. Nada é eterno. Tudo é temporário e está em constante mudança. Nada é constante, meu senhor. Nenhum curso é tão determinado que não possa ser mudado."

E já que estamos tratando de coisa boa, precisamos falar sobre o cerco. Eu não vou estragar a surpresa de vocês dizendo em qual cidade ele acontece, mas posso adiantar que é uma parte FODA PRA CARALHO! Muitíssimo bem narrada, chegava a me dar uma angústia pra saber logo o que iria acontecer, quem iria morrer, se os habitantes iriam superar a investidade do inimigo, entre outras coisas. Fazia tempo que eu não ficava tão vidrado numa leitura como nas partes finais desse livro.


Acho que, numa comparação, O Senhor da Torre ficou levemente abaixo de A Canção do Sangue. Talvez por toda a história de Vaelin ser inédita para a gente, talvez por só termos ele como protagonista do 1º livro. Eu gostei bastante dessa mudança na narrativa, inserindo novos pontos de vista. Isso deu a oportunidade para o autor de tratar de vários outros aspectos do Reino Unificado, como as disputas políticas/econômicos entre os quatro feudos, além de explorar bem mais o mundo onde a obra se situa. São detalhes que acrescentam, e muito, à experiência do leitor com a série!

O grande trunfo desse livro foi ter percebido uma grande evolução nos personagens principais. Todos eles são testados ao seus limites, reagindo de maneiras diferentes, o que faz cada capítulo ter a sua singularidade. Em nenhum momento fiquei pensando "Bah, quero outro capítulo com o Vaelin, chega desses outros", e sim pensei "Opa, ponto de vista da Reva, essa parte deve ser massa".

Muitas questões acabaram ficando em aberto para a continuação, então pretendo comentar mais sobre elas na próxima resenha. Se tudo der certo, ainda em 2017. \o/

E que venha então A Rainha do Fogo e as respostas que queremos nesse universo criado pelo autor!

Avaliação final:

A Sombra do Corvo:

Livro 2 - O Senhor da Torre
Livro 3 - A Rainha do Fogo

11 de mar. de 2017

Resenha: A Passagem - Justin Cronin

Título: A Passagem
Original: The Passage
Série: A Passagem/The Passage #1
Autor: Justin Cronin
Páginas: 816
Editora: Arqueiro (março de 2013)

Sinopse: Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos traços de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue. Depois, o inimaginável: o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite, a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior. Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao apocalipse. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado. A passagem é um suspense implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que recende a morte.

Quando Brad Wolgast e seu companheiro de FBI Phil Doyle são contratados para fazer parte do misterioso Projeto Noé, eles não imaginavam que teriam de correr à procura de uma garotinha de 6 anos para que fosse usada como cobaia de um experimento científico. Só de saber disso o leitor já pode ir imaginando do que a humanidade é/seria capaz de fazer em busca da sua imortalidade.

Um detalhe: JAMAIS LEIAM AS ORELHAS DO LIVRO! Elas entregam mais de 550 páginas dessa obra.

O Projeto Noé consiste em usar criminosos (12 até o momento) condenados à morte para que sejam usados em testes de uma pesquisa que busca aumentar a expectativa de vida humana. Leia-se "virar imortal". Já que eles não teriam mais motivos importante para viver e estão na beira do corredor da morte, todas suas informações são apagadas e eles passam a ser meras cobaias do experimento.

São nos capítulos iniciais de A Passagem que começamos a perceber o cuidado do autor em tentar embasar a sua obra de fantasia em fatos que realmente pareçam ser verdadeiros, trazendo explicações sobre como funcionam algumas partes do corpo humano, como a glândula timo, um dos pilares do nosso sistema imunológico e parte-chave do Projeto Noé, como vocês descobrirão ao ler.

A is for Amy, por Becky Munich

Quanto à garotinha, seu nome é Amy Harper Bellafonte, que no futuro será chamada de A Garota de Lugar Nenhum, Aquela que Surgiu, A Primeira, Última e Única, a que viveu mil anos. Tudo isso descobrimos logo no primeiro parágrafo da obra, antes que me xinguem por causa de spoilers.

As primeiras 200 páginas tem um ritmo mais tranquilo, contando uma boa parte da infância de Amy até o momento em que seu caminho se cruza com o dos agentes do FBI. E é então que a verdadeira treta começa, que o anunciado na sinopse se mostra ao leitor. A partir daí, meus amigos, fica impossível parar de ler. Os testes com as cobaias do Projeto Noé saem totalmente do controle e as cobaias fogem do complexo, iniciando a carnificina que começa a devastar o território americano e, talvez, não sabemos ainda, o mundo. Agora eles têm sede de sangue e não gostam da luz. Seriam Vampiros? Muito mais que isso, e é óbvio que eu não entregarei nada de bandeja a vocês.

"É fácil ter coragem quando a alternativa é a morte. Difícil é ter esperança."

Com a população sendo dizimada e o vírus se espalhando rapidamente, transformando os humanos em "virais", o mundo começa a mudar e se tornar mais perigoso. A história então avança longos 92 anos no tempo, quando a população já foi reduzida drasticamente e existe uma estimativa de mais de 40 milhões de virais à solta, espalhados pelo continente. Eles sempre andam em múltiplos de 3 (3, 6, 9, 15 e assim por diante), não sabemos por quê, atacando à noite ou em lugares escuros.

Somos apresentados à Primeira Colônia, onde um grupo de sobreviventes conseguiu se estabelecer em uma base, levantando muros, colocando grades e botando geradores de energia para funcionar. Energia essa que não dura para sempre, por sinal. Não pretendo falar dos personagens um por um logo nessa resenha, então só queria dar destaque para alguns, como Peter, Sara, Alicia, Titia e Michael. Esses sobreviventes conseguiram criar uma sociedade com regras e funções para todos os habitantes, mantendo uma disciplina constante para que conseguissem manter os virais longe.

Babcock, uma das cobaias do Projeto Noé, por turbosuo

A Passagem é uma história de como a ambição humana pode se transformar em tragédia, de como pessoas comuns, aliadas a poderes sobrenaturais de uma garota estranha, são capazes de enfrentar desafios para descobrir o que aconteceu no passado distante e assim tentar criar um futuro melhor.

"Uma parte do que somos continua vivendo enquanto alguém se lembra de nós."

Gostei bastante da forma como o Justin Cronin escreve, ele tem aquele jeito peculiar de contar histórias dando sutis detalhes aqui e ali que nos prendem demais à narrativa. O livro é gigante, tem umas 800 páginas, mas passou voando, tamanha a vontade que eu tinha de descobrir o que iria acontecer com os personagens principais. Principalmente Amy, o grande mistério dessa série. Ainda há muito a ser revelado sobre ela e sobre as cobaias + virais nas continuações da trilogia.

Uma história realmente intrigante, de como o mundo foi destruído em questão de horas para que fossem destacados aqueles que querem sobreviver a qualquer custo daqueles que não tem mais uma razão para estar ali. Vale a pena investir nessa série, recomendo muito a leitura de A Passagem!

Avaliação final:

A Passagem:

1º livro - A Passagem
2º livro - Os Doze
3º livro - A Cidade dos Espelhos

19 de fev. de 2017

Resenha: O Poderoso Chefão - Mario Puzo

Título: O Poderoso Chefão
Original: The Godfather
Autor: Mario Puzo
Páginas: 518
Editora: Record (2013)

Sinopse: O submundo da Máfia e o talento literário de Mario Puzo ganharam notoriedade com a publicação de O Poderoso Chefão. O carisma de Don Vito Corleone encanta na mais perfeita reconstituição da vida e dos negócios das famílias mafiosas de Nova York. Apesar de implacável, Don Vito é, essencialmente, um homem justo. Padrinho benevolente, nada recusa aos seus afilhados: conselho, dinheiro, vingança e até mesmo a morte de alguém. Em troca, o poderoso chefão pede apenas o respeito e a amizade de seus protegidos. Mas ninguém pode vencer as trapaças da idade. Quando seus inimigos atacarem juntos e tudo que a família Corleone significa estiver por um fio, o velho Corleone terá de escolher, entre seus filhos,um sucessor à altura. Um mundo de intrigas e decisões cruéis habilmente construído por Mario Puzo.

Finalmente tive a chance de ler a aclamada obra do autor Mario Puzo. E nunca me arrependerei.

Logo no primeiro capítulo somos apresentados ao homem que dá vida ao título do livro. Don Vito Corleone é O Padrinho, o negociador, o estrategista, a mente por trás da vinda da família Corleone à América depois de complicações na Sicília, uma ilha italiana dominada pela Máfia na primeira metade do século XX. Durante o casamento de sua filha Connie, percebemos de cara a influência que o Don tem no meio da sociedade. Ele não cobra nada quando seus "afilhados" vêm em busca de favores, apenas pede a sua amizade e que estejam à sua disposição quando precisar. Uma oferta irrecusável, uma lição que todos os leitores irão aprender, invariavelmente, durante a narrativa.

"O próprio Don Corleone não estava zangado. Aprendera havia muito tempo que a sociedade impõe afrontas que devem ser suportadas, confortadas pelo conhecimento de que neste mundo chega o momento em que o mais humilde dos homens, se conservar os olhos abertos, pode vingar-se do mais poderoso."

Quando os inimigos da família Corleone decidem tomar uma atitude drástica, o futuro do império do Don fica ameaçado. Será que algum dos seus filhos será capaz de assumir o seu lugar quando for necessário? Os três herdeiros Sonny, Freddie e Michael têm personalidades completamente distintas e que lhes favorecem em algumas situações, ao mesmo tempo em que podem ser fatais em outras.

Os ensinamentos de Don Vito Corleone estão presentes em todos os momentos, e esse é um cara que merece o respeito que tem, conquistado com trabalho duro e muita inteligência na hora de fechar negócios e proteger a sua família. Aliás, pensando no lado familiar, eu como descendente de italianos por parte de pai e mãe, fica impossível não gostar desse mito. Que homem, meus amigos!


Os pontos de vista apresentados na história são bem variados, com personagens de características próprias e vidas que acabam conectadas à do Padrinho, fazendo com que todos os capítulos sejam interessantes e tenham algo a mais para acrescentar. Nada está ali apenas por um mero acaso.

Anos após o lançamento de The Godfather e da sua obra ser bem recebida pela crítica, o autor Mario Puzo foi acusado de ser um membro da Máfia, tamanha a veracidade das informações contidas no seu livro. O retrato de como viviam as famílias da máfia italiana em Nova York foi tão bem feita que as pessoas começaram a desconfiar de um possível envolvimento do autor com os mafiosos. De um modo ou de outro, esse foi considerado um "prêmio" pela qualidade de sua escrita.

"Vários rapazes começavam trilhando uma trajetória para chegar ao seu verdadeiro destino. O tempo e a sorte geralmente os punham no caminho certo."

Aliás, o retrato da época é bem feito, com temas como racismo, abusos com a mulher e a pressão da sociedade em pauta da primeira à última página, além do preconceito dos mafiosos com alguns tipos de funções, como os advogados e os policiais, que só estariam ali para atrapalhar a sua vida.

O trabalho de pesquisa de Puzo foi fundamental para que a obra se perpetuasse até os dias de hoje.

Mesmo tendo sido lançado em 1969, não considerei a narrativa em 3ª pessoa de O Poderoso Chefão lenta em momento algum, muito ao contrário, parece até que Mario Puzo é aquele avô nosso que junta todos os netos para contar uma história de sua infância e das aventuras que teve o prazer de vivenciar. Tudo que um bom livro precisa está ali, só aguardando pelos olhos aguçados de um leitor.

Agora posso dizer, sem sombra de dúvidas, que esse livro entrou para a minha seleta lista de favoritos da vida inteira. A construção de Don Vito Corleone, sua trajetória da infância até o auge, a forma como ela é narrada, simplesmente incrível, digna de nota máxima nas minhas avaliações!

Eu lhe farei uma oferta que ele não poderá recusar.

Pensando um pouco sobre a tradução literal do título, de The Godfather para O Padrinho, acredito que a escolha brasileira de colocar O Poderoso Chefão foi acertada. A não ser que a qualidade da obra fosse intensamente divulgada, dificilmente eu, por exemplo, compraria um livro com um título simples como "O Padrinho". Não seria algo que me chamasse atenção nas livrarias. O escolhido pela editora Record ficou de acordo com a obra e correspondeu às expectativas, eu diria.

Já em relação à versão digital que eu li pelo Kindle, não tenho praticamente nada a reclamar, talvez um errinho mínimo aqui e ali que passou pela revisão, mas o resto está impecável.

Definitivamente um clássico 5 estrelas, recomendo demais MESMO, larguem tudo o que vocês estão fazendo/lendo no momento e partam para a leitura de O Poderoso Chefão! Qualidade garantida.

Avaliação final:

4 de fev. de 2017

Resenha: A Ascensão da Sombra - Robert Jordan

Título: A Ascensão da Sombra
Original: The Shadow Rising
Série: A Roda do Tempo/The Wheel of Time #4
Autor: Robert Jordan
Páginas: 992
Editora: Intrínseca (agosto de 2015)

Sinopse: Os lacres de Shayol Ghul enfraquecem, e o Tenebroso avança. A sombra se ergue para encobrir definitivamente a humanidade. Em Tar Valon, Min tem visões de um destino terrível. Será o fim da Torre Branca? Em Dois Rios, os Mantos-brancos caçam o homem de olhos dourados e o Dragão Renascido. Em Cantorin, junto ao povo do mar, A Grã-lady Suroth vislumbra o retorno dos exércitos Seanchan ao continente. Enquanto na Pedra de Tear, o Lorde Dragão planeja seu próximo passo e ninguém será capaz de prevê-lo. Nem a Ajah Negra, os nobres tairenos ou as Aes Sedai, nem mesmo Egwene, Elayne e Nynaeve. Declarado o escolhido da antiga profecia, Rand al'Thor, o Dragão Renascido, precisa seguir em frente e cumprir seu destino: proteger o mundo do retorno do Tenebroso. Em A Ascensão da Sombra, Jordan imprime ainda mais suspense à série trazendo uma ameaça até então desconhecida à cidade de Tar Valon, lar das poderosas Aes Sedai. Mergulhados no perigo constante representado pelos Mantos-brancos, os Amigos das Trevas e os Trollocs, entre outros inimigos mortais, ninguém está seguro de qual rumo seguir. Movimentos profundos e inesperados que fazem de A Roda do Tempo uma das mais extraordinárias séries já escritas.

Essa resenha contém alguns spoilers dos livros anteriores.

Continuando com a minha relação de amor e ódio com A Roda do Tempo, resolvi desbravar A Ascensão da Sombra logo no começo de 2017, assim me liberando da minha "meta" de ler um livro da série por ano. Isso levará 14 anos, é claro, mas parece ser o melhor jeito de EU aproveitar o que ela tem a oferecer. A escrita do Robert Jordan é BEM enrolona em vários momentos, então eu normalmente revezo um livro dele com algum de outra série para balancear melhor as narrativas.

Focando no que interessa, nesse volume somos apresentados à Ajah Negra, um ramo das Aes Sedai que foi corrompido pela Sombra e deseja capturar o Dragão Renascido Rand al'Thor, que agora possui Callandor. Após a queda de Tear, Rand começa a assumir (finalmente) o papel que lhe pertence: ser a pessoa que salvará ou destruirá o mundo. Fiquei feliz em ver que o Rand parou de choramingar e resolveu tomar as rédeas da coisa. Os capítulos dele são os que mais gosto de ler.

— Ele só está tentando encontrar o próprio caminho. Homem nenhum gosta de correr às cegas sabendo que há um penhasco em algum ponto à frente.

Quando praticamente todos os protagonistas são obrigados a se separar, percebemos o nível da ameaça que assola o mundo. Forças das Sombras começam a atacar de todos os lados, seja em Dois Rios, seja lá no Deserto Aiel, seja lá na planície Taraboniana. A treta é muito real, meus amigos.

Army of the Shadows, by Gorgaidon

Ao que me pareceu, alguma conspiração Seanchan está a caminho. Ficarei de olho nas sequências.

Um dos ta'veren com mais destaque nesse livro é com certeza Perrin Aybara, agora chamado de "Olhos-Dourados" e alvo da perseguição dos Mantos-brancos. Ao saber que Trollocs e Desvanecidos estão perto de Dois Rios e ameaçando a sua família e as de seus amigos, ele decide sair um pouco de perto de Rand e procurar seu próprio destino. Numa jornada de auto-conhecimento e testando os seus limites, Perrin precisa assumir o posto de líder que lhe pertence e lidar com as consequências.

Já Rand começa a perceber as jogadas políticas que envolvem a sua caminhada. Ao contrário do anonimato da sua vida como pastor, agora ele atrai olhares por todos os lugares que passa, e nem todos são amistosos. Para seguir as profecias, precisa tornar-se Aquele Que Vem Com A Aurora e liderar o perigoso povo Aiel contra o Tenebroso. Será que todos os lutadores do Deserto o seguirão?

— Uma coisa é saber que a profecia um dia será cumprida — respondeu o chefe de clã, medindo as palavras — outra é ver isso acontecendo bem diante dos próprios olhos.
He Who Comes With The Dawn, by Webcomicfan

Mat também o acompanha nessa jornada e recebe um "presente" durante a visita deles à Rhuidean.

Egwene al'Vere, instruída por Sábias Aiel, começa outro treinamento, agora para se tornar uma Sonhadora, a primeira desde algumas centenas de anos. Suas jornadas pelo mundo dos sonhos a deixarão em contato com Nynaeve e Elayne, suas amigas, que junto de Thom Merrilim e Juilin Saidar, vão para Tanchico desvendar os planos das mulheres da Ajah Negra e tentar impedi-las.

A primeira metade do livro é bem "lenta", mas importante para entendermos o que acontece nos capítulos seguintes. Segredos do passado Aiel são revelados e não muito bem aceitos, assim como as teias tramadas pelos Abandonados começam a aparecer. Sua influência na sociedade aumenta, mesmo que imperceptível às vezes, e o resultado disso provavelmente veremos nos próximos 10 livros da série. Os momentos em que eles aparecem costumam ser os mais tensos da narrativa.

Em A Ascensão da Sombra conhecemos várias localidades que não haviam sido mostradas nos livros anteriores, e o "novo" é sempre intrigante. Que segredos e armadilhas cada lugar nos reserva?

As últimas 100-150 páginas do livro são bem frenéticas, e foram elas que me fizeram dar uma nota alta para essa obra. A história criada por Robert Jordan realmente começa a tomar proporções bem maiores a partir daqui, e eu certamente seguirei o Povo do Dragão para descobrir o que acontecerá.

Avaliação final:

A Roda do Tempo:

1º livro - O Olho do Mundo
2º livro - A Grande Caçada
3º livro - O Dragão Renascido
4º livro - A Ascensão da Sombra
5º livro - As Chamas do Paraíso
6º livro - Lord of Chaos
7º livro - A Crown of Swords
8º livro - The Path of Daggers
9º livro - Winter's Heart
10º livro - Crossroads of Twilight
11º livro - Knife of Dreams
12º livro - The Gathering Storm
13º livro - Towers of Midnight
14º livro - A Memory of Light
Livro extra - New Spring

31 de dez. de 2016

Resenha: Esquadrão Rogue - Michael A. Stackpole

Título: Esquadrão Rogue
Original: Rogue Squadron
Série: X-Wing #1
Autor: Michael A. Stackpole
Páginas: 352
Editora: Aleph (novembro de 2016)

Sinopse: Dois anos e meio depois dos acontecimentos de O Retorno de Jedi, resquícios das forças imperiais, isoladas mas ainda poderosas, se espalham pela galáxia. Esses postos avançados ameaçam a paz ao tentar derrubar a Nova República e restabelecer uma tirania violenta e opressora do lado sombrio. Para combatê-los, surge uma nova geração de pilotos de X-wing. Seguindo os passos da equipe que destruiu a Estrela da Morte, os novos pilotos encaram um desafio ainda mais perigoso e desafiador que o de seus predecessores. Mas seu líder, o lendário piloto Wedge Antilles, sabe a dura verdade: mesmo sendo o melhor esquadrão da galáxia, as missões que os Rogues enfrentarão são praticamente suicidas. Em uma das melhores aventuras de STAR WARS, que inspirou games e quadrinhos estrelados pelo esquadrão, Michael A. Stackpole presenteia o leitor com conflitos pessoais, tramas políticas e batalhas espaciais impressionantes.

Star Wars é algo bem recente para mim, tanto é que fui COMEÇAR a assistir aos filmes nesse ano de 2016, e só a partir daí é que me atualizei com o episódio VII e Rogue One na semana passada.

Como não poderia ser diferente, viciei. E a vontade de ler algo do universo expandido aumentou, portanto decidi começar a ler Esquadrão Rogue, lançamento mais recente da editora Aleph.

Quase 3 anos após a destruição da segunda Estrela da Morte e das mortes de Darth Vader e do Imperador Palpatine, o enfraquecimento do Império é perceptível. Ao mesmo tempo, forças imperiais ainda existem e planejam mais contra-ataques para tirar a Nova República do poder.

"Inevitáveis como os impostos e lentos como a burocracia, eles vieram."

E é nessa hora que uma nova geração de pilotos de X-wing começa a ser treinada por nada mais nada menos que Wedge Antilles, sobrevivente das duas corridas contra as temidas Estrelas da Morte.

Biggs, Luke, Wedge e Wes

Acompanharemos principalmente a vida do tenente corelliano Corran Horn, que acaba se mostrando um excelente piloto, mas sem conseguir deixar para trás o seu passado meio obscuro. A princípio sua relação com os demais pilotos não é das melhores, mas os laços irão se estreitar um pouco ao longo das 352 páginas de Esquadrão Rogue, que passam voando, já adianto aos leitores.

Alguns dos capítulos do livro são dedicados à missões de treinamento, onde todos precisam aprender (na marra) o que significa fazer parte do esquadrão e qual o seu lugar dentro dele. Sacrificar-se para que o companheiro sobreviva é uma atitude nobre, mas o comandante Antilles não quer que nenhum piloto tenha o mesmo destino dos seus amigos durante as batalhas anteriores.

Para aqueles que acreditavam que somente os melhores pilotos podiam ingressar no Esquadrão, ledo engano. A politicagem também vai rolar solta quando membros de diversos planetas são indicados em troca de favores. O Esquadrão Rogue deixou de ser apenas mais uma unidade no meio de tantas outras e agora é um símbolo poderoso e implacável da luta dos rebeldes contra o Império.

 
"Wedge, você é o melhor que nós temos. Isso pode não impressionar você, mas tem um monte de pilotos do Império lá fora que perdem parte do sono à noite porque têm pesadelos com você na cola deles."

Além de seguirmos os pontos de vista dos pilotos Wedge Antilles e Corran Horn, também temos a visão do outro lado. Kirtan Loor, agente da inteligência imperial, é o encarregado pela agora diretora imperial Ysanne Isard de dar cabo do Esquadrão Rogue e acabar com essa ameaça, deixando assim o caminho livre para o Império reconquistar a galáxia. Foi esclarecedor ter esse outro ponto de vista, ainda mais que Kirtan não é um personagem detestável e tem suas qualidades.

Aos leitores preocupados com uma possível linguagem técnica durante as missões e treinamentos, podem ficar tranquilos: o vocabulário usado por Stackpole é simples e fácil de se pegar após alguns capítulos, sem contar que a tradução de Alex Mandarino ficou muito boa. A leitura flui tão suavemente que, quando percebi, já estava terminando essa obra ímpar e empolgante.

As lutas entre os X-wings e os TIE Fighters são de arrepiar, adrenalina pura!

Fica aí a recomendação desse baita livro, tenho certeza que os fãs de Star Wars irão curtir muito! Se você quiser se sentir um Luke Skywalker da vida destruindo a Estrela da Morte, é tiro certeiro.

Avaliação final:

X-Wing:

Livro 1 - Esquadrão Rogue
Livro 2 - Wedge's Gamble
Livro 3 - The Krytos Trap
Livro 4 - The Bacta War
...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...