26 de mai. de 2016

Resenha: Sombras - Jana P. Bianchi

Título: Sombras
Série: A Galeria Creta
Autora: Jana P. Bianchi
Páginas: 50
Editora: Independente (maio de 2016)

Sinopse: Um lobisomem pressente quando vai morrer. Esta é a história de Domenico Trovatelli, o lobisomem mais velho do mundo. Enquanto se prepara para sua última transformação em um convento no interior de Minas Gerais, Nico conta sua história. Uma história de espada e magia, sangue e flores, lealdade e amor.

Quem leu Lobo de Rua, também escrito pela Janayna, certamente ficou com aquela vontade de saber um pouquinho mais sobre o universo que ela criou e o que está por trás da Galeria Creta. Sombras chega em uma boa hora, pronto para saciar (rapidamente) a sede dos leitores brasileiros.

Curtinho, com apenas 50 páginas, o livro nos joga em uma região de Minas Gerais prestes a receber uma reunião de lobisomens. Um deles, Domenico Trovatelli, apenas aguardando a próxima lua cheia para dar adeus aos seus amigos de longa data e encerrar uma vida repleta (!) de histórias.


E que histórias, desbravadores! Você achava que o famoso rei Artur já havia nascido com o dom para liderar? Pois enganou-se totalmente! É sobre ele e seus encontros que Domenico conta enquanto a narrativa avança e nem vejo as páginas passarem. Ao final, queria saber mais e mais, já que lobisomens durante a Idade Média é um tema que me faria ler por muitas horas sem parar.

Entre os membros da reunião, temos a presença do inigualável Tito, um italiano já bem conhecido dos leitores da série e um personagem sempre ímpar quando aparece. Lembro até hoje de uma das atitudes que ele teve que tomar no conto anterior. Leiam o quanto antes e descobrirão.

Acompanhar os momentos finais do lobisomem mais velho do mundo também deixará os leitores com água na boca, já que os relatos das refeições tipicamente mineiras são sublimes. Não leia antes do almoço! Um dia visitarei Minas Gerais, é claro, só para provar a tal de leitoa à pururuca.

Fica aí mais uma recomendação de fantasia nacional para você desbravar. Tá muito bem aprovado!

Avaliação final:

A Galeria Creta:

Livro 0.5 - Lobo de Rua
Livro 1 - A Galeria Creta (2016)
...
Extras - Sombras

20 de mai. de 2016

Resenha: Questions for a Soldier - John Scalzi


Título: Questions for a Soldier
Original: Questions for a Soldier
Série: Guerra do Velho/Old Man's War #1.5
Autor: John Scalzi
Páginas: 28
Editora: Subterranean Press (setembro de 2011)

Sinopse: Captain John Perry, in Old Man's War, did a goodwill tour of the colonies after the Battle of Coral. This is the Q&A session from one of those stops, on the colony world of New Goa. There's no story here, really; just the back-and-forth between a combat veteran and some of the civilians the Colonial Defense Forces are defending—who have a variety of views of the CDF, the fact that it's composed entirely of old folks from Earth (colonists cannot enlist), and the perpetual state of war between humans and most other intelligent species they're in contact with.

Essa resenha contém spoilers de Guerra do Velho.

Questions for a Soldier é um livrinho curtinho (menos de 30 páginas) que se passa alguns meses após os acontecimentos de Guerra do Velho. John Perry mostrou ser um excelente combatente e subiu rapidamente nas fileiras do exército das Forças Coloniais de Defesa. Agora uma de suas missões é fazer tours por alguns dos planetas já colonizados e explicar o papel da União Colonial nisso tudo.

A leitura é bem rapidinha, com John Perry sendo apresentado por um entrevistador e algumas das pessoas na plateia fazendo perguntas a ele sobre assuntos dos mais variados interesses, como o que é ser um soldado das FCD, o que foi feito com seu corpo para ele voltar a ser jovem novamente, o que John Perry pensa a respeito das guerras contras as raças alienígenas, entre outras coisas.

Nosso protagonista também conta a respeito de alguns perrengues que passou durante uma de suas missões, quando foi atacado por vermes gigantes (que me lembraram muito do cenário de Duna, série do autor Frank Herbert) capazes de alterar facilmente todo o equilíbrio de um ecossistema.


Importante perceber que alguns colonistas não estão exatamente felizes com o modo de vida nos seus novos planetas. Como já mencionado em Guerra do Velho, os habitantes são provenientes dos países considerados de terceiro mundo lá na Terra, principalmente das regiões do Oriente Médio e África, enquanto os combatentes das FCD são predominantemente americanos, o que acaba gerando certo desconforto em alguns momentos. Nada que a língua afiada e o bom humor do nosso John Perry não resolvam ao responder as perguntas feitas pelo público presente, mesmo ao ser confrontado com acusações de que a estrutura das FCD é extremamente racista e totalitarista.

Questions for a Soldier é aquele tipo de livro que todo leitor que deseja saber ainda mais sobre uma série que gosta deveria ler, pois contém informações úteis e que complementam as já apresentadas no livro #1 da saga, Guerra do Velho. Fã que é fã nunca está satisfeito e sempre quer mais. ;)

Avaliação:

Guerra do Velho:

Livro 1 - Guerra do Velho
Livro 1.5 - Questions for a Soldier
Livro 2 - The Ghost Brigades
Livro 2.5 - The Sagan Diary
Livro 3 - The Last Colony
Livro 4 - Zoe's Tale
Livro 4.5 - After the Coup
Livro 5 - The Human Division
Livro 6 - The End of All Things

19 de mai. de 2016

Resenha: Guerra do Velho - John Scalzi


Título: Guerra do Velho
Original: Old Man's War
Série: Guerra do Velho/Old Man's War #1
Autor: John Scalzi
Páginas: 368
Editora: Aleph (abril de 2016)

Sinopse: A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das FCD - Forças Coloniais de Defesa. Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75 anos. John Perry vai aceitar esse desafio, e ele tem apenas uma vaga ideia do que pode esperar.

O que você faria se tivesse a opção de se alistar no exército aos 75 anos e voltar a ser jovem de novo? É uma ideia no mínimo tentadora, correto? E foi pensando nisso que o protagonista de Guerra do Velho, John Perry, decide se juntar às Forças Coloniais de Defesa (FCD) ao chegar nessa idade.

Uma decisão que a princípio parece fácil, já que você terá um corpo novinho em folha, habilidades aprimoradas, entre tantas outras vantagens, mas tudo isso tem um preço: você será considerado morto na Terra, renegando todos os seus bens e heranças, além de assinar um contrato de (pelo menos) 2 anos com as FCD, que pode ser ampliado para 10 míseros aninhos em caso de guerra com outras raças no espaço. O que não é difícil de acontecer, como podemos notar em poucos capítulos.

Old Man's War, por Donato Giancola

Outra questão muito importante que ronda essa escolha de se juntar ao exército são as próprias Forças Coloniais de Defesa. Ninguém sabe absolutamente NADA sobre elas, o que exatamente fazem, como são tão evoluídas tecnologicamente, enfim, um segredo atrás de outro. Somente estando lá dentro para obter as respostas. Isso se você não for morto por algum alien antes disso.

John Perry perdeu sua esposa há alguns anos e não hesitou em alistar-se, tornando-se assim o protagonista dessa história. As primeiras semanas a bordo de uma nave espacial são bem variadas, começando com a descoberta de como é possível ser jovem novamente e as inúmeras vantagens por trás disso, passando por novas amizades com os Velharias (como eles próprios quiseram se chamar), até o início dos (árduos) treinamentos para ser um verdadeiro soldado das FCD. Tudo isso regado a muito humor em praticamente todas as páginas, o que faz a leitura fluir mais que naturalmente.

“Damn real live people, getting in the way of peaceful ideals.”

Os personagens secundários são parte importante da trama, apesar de ter achado que alguns deles tiveram seus destinos selados de uma maneira muito rápida. Nada que atrapalhe, no entanto.

Quando é chegada a hora de realmente descobrir como é ser um combatente em outros planetas, questões como honra, respeito, e até a dúvida sobre ainda ser humano ou não vêm à tona, evidenciando um cuidado do autor em abordar esses temas da maneira mais realista possível. São pequenas coisas como essa que me atraem para uma obra, e Guerra do Velho está cheio disso!

Engineered human versus a Consu, por Shawn Witt

Os momentos de ação, sempre frenéticos e tensos, combinados com as importantes e intrigantes informações sobre as raças alienígenas presentes no universo, dão uma dinâmica excelente à obra. Algumas dessas raças são extremamente inteligentes, a ponto de desenvolver sistemas de rastreamento inéditos, enquanto outras parecem estar envolvidas em uma espécie de cruzada religiosa sem precedentes enquanto realizam seus ataques às colônias humanas da União Colonial.

Outras realizam rituais meio macabros antes de iniciar as batalhas. Coisa de bicho doido, só pode.

Ao sermos apresentados à personagem Jane Sagan (gravem esse nome), já é possível termos uma amostra do que as Brigadas Fantasma (Ghost Brigades) são capazes de fazer durante uma batalha. O título do 2º livro é justamente esse, então já estou bem ansioso para botar as mãos nele e desbravar ainda mais dessa série. John Scalzi é de fato um daqueles caras que escrevem muito bem.

“I'm going to go pee. If the universe is bigger and stranger than I can imagine, it's best to meet it with an empty bladder.”

Li a versão em inglês desse livro, mas pelo que vi em outras resenhas por aí, a tradução da obra, feita pelo Petê Rissatti, ficou muito boa. Sem contar que essa capa da Aleph é muito bonita!

Guerra do Velho é a melhor leitura de 2016 até aqui. Nem precisava dizer muito mais que isso pra recomendar o livro a vocês, mas para aqueles que estão procurando um protagonista show de bola, guerras espaciais e bons momentos de ação, esse lançamento da Aleph é o que mais promete.

Avaliação:


Guerra do Velho:

Livro 1 - Guerra do Velho
Livro 1.5 - Questions for a Soldier
Livro 2 - The Ghost Brigades
Livro 2.5 - The Sagan Diary
Livro 3 - The Last Colony
Livro 4 - Zoe's Tale
Livro 4.5 - After the Coup
Livro 5 - The Human Division
Livro 6 - The End of All Things

8 de mai. de 2016

Resenha: O Teatro da Ira - Diego Guerra

Título: O Teatro da Ira
Original: O Teatro da Ira
Série: Chamas do Império #1
Autor: Diego Guerra
Páginas: 360
Editora: Draco (janeiro de 2016)

Sinopse: Basta uma faca para começar uma guerra. Jhomm Krulgar é um ninguém. Um rato de estrada. Um cachorro vadio. Um mastim demoníaco. Sua espada está a venda para qualquer um com moedas no bolso e objetivos escusos. Quando uma garota surge prometendo a riqueza de um rei e a realização dos seus desejos de vingança, ele nem imagina que está prestes a se envolver em um dos mais perigosos jogos políticos de sua era. Agora, ele e Khirk, seu companheiro silencioso, membro de uma antiga raça escrava, partem para o Sul, onde tentarão impedir os rebeldes separatistas de tomar a coroa da maior cidade do Império de Karis. Encontrarão em seu caminho um Magistrado em missão de paz e um mago ilusionista prestes a realizar o maior espetáculo da sua vida. O Teatro da Ira, primeiro romance da série Chamas do Império, de Diego Guerra, é uma viagem fantástica onde criaturas místicas e soldados comuns lutam lado a lado nas paredes de escudo, implorando pela própria vida e alimentando as fogueiras da morte para fazer valer as vontades de reis e nobres. Enquanto Krulgar busca cegamente a sua vingança, não faz ideia de que se tornou apenas mais um dos personagens sombrios deste Teatro da Ira.

Apostando novamente em um livro de fantasia nacional, dei de cara com essa capa fodona de O Teatro da Ira nas minhas pesquisas por aí e decidi ler o quanto antes. Dez dias depois, cá estou eu fazendo mais uma resenha, escolhendo as melhores palavras para recomendar o livro aos leitores.

A história concentra-se em Karis, onde o seu atual imperador Arteen II tenta conter a ameaça dos homens do norte. Ao mesmo tempo, no sul, mais precisamente na região de Illioth, rumores de uma rebelião começam a se espalhar, acirrando os ânimos e antecipando tempos de guerra.

Logo no primeiro capítulo somos apresentados a Jhomm Krulgar, um dos protagonistas da série. Perseguido por monges após um assassinato e acompanhado por alguns cães, Krulgar é gravamente ferido e, antes que seja morto, salvo por um estranho com tatuagem negra sobre o olho direito, que depois descobrimos ser Khirk, um dhäen, membro de uma antiga raça escrava que foi libertada pelo Império 20 anos atrás, mas que ainda sofre abusos em diversas regiões de Karis. Sua libertação não foi bem aceita em todos os lugares do continente, principalmente no Sul, ao redor de Illioth.

Um fato interessante a respeito dos dhäeni é a sua estreita relação com a música, onde todos dizem ser parte da "Grande Canção", uma força que rege o mundo para que suas vontades sejam realizadas. Esse tipo de magia pode ser usado para cura, crescimento e fortalecimento das pessoas, além de trazer tranquilidade e outras coisas, ajudando naqueles momentos de maior necessidade.


Krulgar levará sua vida destinado a ter vingança pelo que fizeram com a sua amiga Liliah, cujos detalhes macabros vamos descobrindo aos poucos. No seu caminho encontrará Thalla, filha de um importante mercador envolvido em todos os tipos de negócios. Ela tem a habilidade de entrar nos sonhos das outras pessoas, o que acaba fazendo com bastante frequência enquanto procura uma maneira de impedir a iminente rebelião sulista. É uma personagem para se ficar de olho.

Grahan, um magistrado em (aparente) missão de paz, e Ethron, um coen (mago ilusionista), também darão as caras no decorrer dos capítulos, mostrando aos leitores diferentes pontos de vistas sobre o que acontece em Karis. Diversos tipos de criaturas também são mencionados ao longo da narrativa, como ladrões de vidas, trolls, entre tantos outros. Se eles aparecerão? Leia e descubra! :)

O autor também teve o cuidado de criar uma nomenclatura própria para títulos de senhores, raças existentes e nações presentes na história, o que acaba deixando o leitor meio confuso nas primeiras páginas, mas vamos nos acostumando facilmente aos nomes conforme as páginas vão sendo viradas.


O Teatro da Ira é narrado em 3ª pessoa, pelo ponto de vista de vários personagens diferentes, o que deixa tudo ainda mais interessante, já que todos pensam e agem de maneira totalmente diferente.

O desfecho deixará o leitor ansiando por mais e mais, querendo saber o destino de alguns protagonistas e as consequências dos acontecimentos mirabolantes dos últimos capítulos. Certamente lerei os outros livros do autor e demais contos que aparecerem pelo caminho!

Com uma escrita bem direta, sem enrolação, misturando momentos de ação pura e ferrenhas intrigas políticas, deixo a indicação desse livro para todos aqueles leitores que são fãs d'As Crônicas de Gelo e Fogo e da trilogia A Primeira Lei. Vocês encontrarão muitos elementos em comum enquanto desbravarem O Teatro da Ira, melhorando ainda mais a sua experiência de leitura. ;)

Avaliação:

Chamas do Império:

Livro 1 - O Teatro da Ira
...

28 de abr. de 2016

Resenha: Os Dias Escuros - Manel Loureiro

Título: Os Dias Escuros
Original: Dark Days
Série: Apocalipse Z/Apocalypse Z #2
Autor: Manel Loureiro
Páginas: 317
Editora: Planeta do Brasil (2011)

Sinopse: Neste segundo livro da série, os sobreviventes do Apocalipse Z conseguem chegar às ilhas Canárias, uma das últimas zonas livres dos não mortos. Mas, o que ali encontram é um estado militar enredado em uma guerra civil, com uma população faminta e quase sem recursos para sobreviver. Em Tenerife, o protagonista e seu amigo Víktor Pritchenko recebem uma missão quase suicida - devem acompanhar uma equipe de soldados até Madri e saquear o hospital La Paz. Esse hospital foi um dos primeiros pontos seguros a ser invadido, mas é lá que estão armazenadas toneladas de medicamentos imprescindíveis para os sobreviventes. Para tanto, vão ter de dizer adeus à segurança da ilha e voltar a um inferno inimaginável - uma cidade pós-apocalíptica, cheia de zumbis agressivos que colocarão à prova seu desejo de lutar pela vida.

Logo após o fim da 6ª temporada do seriado The Walking Dead e seguindo nessa vibe de apocalipse zumbi, resolvi dar sequência à série Apocalipse Z, do autor espanhol Manel Loureiro, que começou com o excelente livro O Princípio do Fim, que foi resenhado aqui no blog um bom tempo atrás.

Depois de sair da sua cidade (Pontevepedra) para escapar dos zumbis que o rodeavam, nosso advogado partiu em busca de refúgio, apenas para descobrir que o resto do mundo estava ainda mais fudido que o lugar de onde saiu. Ao longo do 1º livro, ele encontra um ucraniano baixinho chamado Pritchenko, que acaba virando seu companheiro de escapadas. Ao final, ao refugiarem-se em um hospital abandonado, encontram Irmã Cecília e Lucia, duas sobreviventes do apocalipse zumbi. Não fosse um incêndio que se alastrava pelas redondezas, poderiam até ter ficado por lá, mas o destino quis que a caminhada continuasse: os próximos passos os levariam às Ilhas Canárias.

Ah, o gato Lucullus está sempre por lá, provavelmente o sobrevivente mais forte dessa série. haha

"I don't know if cats understand what their owners say, but they do have a strong survival instinct."

Chegando lá a bordo de um helicóptero, são imediatamente colocados em um período de quarentena dentro de um barco. Não era a recepção que todos esperavam , ainda mais por acharem desde o começo que as Ilhas Canárias seriam um lugar seguro em meio à tanta destruição e morte.

No Where to Run by R-Tan

A história avança aos poucos, já que mais de oito meses se passaram desde que o apocalipse veio à tona, e agora é possível perceber o estado de degradação encontrado nos locais "visitados" pelo advogado e seu grupo. A energia elétrica é escassa, só possível com o uso de geradores, que para funcionar precisam de pessoas especializadas, que provavelmente já estão mortas ou espalhadas por aí. É com esse tipo de cenário devastado que nossos protagonistas se deparam ao longo da narrativa e que fazem a jornada pela sobrevivência ser ainda mais complicada e violenta.

Sendo encarregados de fazer parte de uma missão de busca por mantimentos num hospital da cidade de Madri, capital da Espanha, o advogado e Prit não tem outra opção a não ser aceitar, mesmo que tenham de deixar Lucia e Cecilia para trás. O que certamente parecia uma missão suicida acaba se tornando algo ainda pior, se é que isso era possível. Sobreviver a qualquer custo!

Usando e abusando de capítulos curtos e de uma narrativa leve e dinâmica, sem dar tempo ao leitor para respirar, o autor Manel Loureiro nos brinda com um livro à altura do primeiro, antecipando uma guerra civil que promete consequências assustadoras para o futuro dos personagens principais. 

Apocalypse by SethPDA

Em Os Dias Escuros, percebe-se que a maior ameaça em um apocalipse nunca são aqueles que são transformados em criaturas sedentas por sangue, mas os seres humanos que almejam tomar o poder e destruir todos em seu caminho. Tivemos uma boa dose disso nesse 2º volume, e tenho certeza que A Ira dos Justos abordará ainda mais essa parte, o que acho um ponto extremamente positivo.

"If we were the best hope the human race had for its salvation, things were more fucked up than I’d thought."

Vemos um leve desenvolvimento nas características dos personagens principais, onde as relações se estreitam e um sentimento de companheirismo começa a tomar conta do grupo. Se um for entrar em alguma enrascada, todos estarão juntos, disso estou certo. As descrições dos pontos históricos de Madri também são um ponto a se destacar, já que pretendo visitar essa cidade no futuro e essa sequência só aumentou ainda mais a minha curiosidade. Mal posso esperar por isso. :)

Certamente lerei o 3º livro, já que preciso muito saber o que acontece com nossos protagonistas!

Avaliação final:

Apocalipse Z:

1º livro - O Princípio do Fim
2º livro - Os Dias Escuros
3º livro - A Ira dos Justos

15 de abr. de 2016

Desbravei e Desbravarei

E aí, desbravadores, como vocês estão? Com saudades das resenhas do blog?

Só tô passando aqui pra avisar vocês que o Desbravando Livros voltará em 2017!!! o/

Sim, isso mesmo! Foram tantas mensagens de apoio e elogios ao blog nos últimos meses (desde que o "fechei") que a vontade de voltar a postar nele sempre esteve presente. Mas por que só em 2017?

Porque nesse ano eu e minha namorada estamos fazendo um intercâmbio como estudantes na Irlanda e queremos aproveitar o máximo possível. Segue aí uma fotinho bonita pra comprovar:


Até 2017, irei escrevendo aos poucos algumas das várias resenhas que pretendo postar aqui. Vocês verão muitos autores renomados nelas, como Brandon Sanderson, Conn Iggulden, Frank Herbert, Peter V. Brett, entre muitos outros. Torço muito para que vocês voltem a comentar aqui no blog e me façam um leitor e blogueiro ainda mais feliz a cada nova postagem do Desbravando Livros.

Um grande abraço do desbravador Vagner e excelente 2016 para todos vocês!!

5 de dez. de 2015

A JORNADA DE UM DESBRAVADOR

Para você aí, que está lendo essa postagem nesse exato momento, sinta-se abraçado e agradecido!

É chegada a hora de colocar espada e escudo de lado e partir para outras aventuras. Todo blogueiro teme por esse momento e sabe que um dia ele chegará, e comigo não foi diferente. Já não sinto mais a mesma vontade de postar que eu tinha há alguns meses/anos, e sinto que novos caminhos me esperam.
Foram mais de 95 resenhas e incríveis 234.000 acessos ao blog, 3 anos e meio ao lado do leitor, tentando sempre dar uma opinião sincera e bem-humorada sobre as obras que leio,  passando a sensação exata que eu tive ao virar as páginas do livro.
Desde as primeiras postagens até as últimas que eu fiz, vocês não imaginam a alegria que eu sentia quando recebia um e-mail avisando que havia um comentário novo nas resenhas. Saber que alguém leu o seu texto e tem algo a compartilhar contigo é uma sensação única, e eu agradeço imensamente a todos os 1646 (!!!) comentários até o momento. Respondi a todos com carinho profundo e gratidão eterna!


Vocês poderão me encontrar sempre que quiserem nas redes sociais para leitores Goodreads e Skoob, pois lá eu continuarei atualizando as minhas leituras e fica bem mais fácil de me contatar, além de poder acompanhar o que eu estarei lendo e dividir nossas opiniões. Caso ainda apareçam comentários nas mais de 280 postagens do Desbravando Livros, também responderei, é claro, jamais deixarei os leitores na mão.

Também indico a todos vocês o grupo Livros de Fantasia e Aventura no Facebook, que é conhecido nacionalmente como um dos maiores e melhores grupos para se discutir sobre todos os livros do gênero, além de abordar também ficção histórica, sci-fi, suspense, etc. Recomendo fortemente.

Enfim, acho que era isso. Um abraço a todos os leitores do blog que estiveram comigo nesse tempo e um gigante obrigado por todo apoio que me deram nessa caminhada. Desbravar é preciso!

28 de out. de 2015

Resenha: Os Senhores dos Dinossauros - Victor Milán

Título: Os Senhores dos Dinossauros
Original: The Dinosaur Lords
Série: Os Senhores dos Dinossauros/The Dinosaur Lords #1
Autor: Victor Milán
Páginas: 480
Editora: DarkSide Books (setembro de 2015)

Sinopse: Em “Os Senhores dos Dinossauros”, Victor Milán consegue materializar um sonho que milhares de leitores compartilham secretamente desde a infância: cavalgar os gigantes répteis pré-históricos, como o terrível Tiranossauro Rex. O romance se passa no Império da Nuevaropa, um continente claramente inspirado na Europa do século XIV. Cultura e costumes, religião, conflitos políticos, tecnologia e armamento são compatíveis com o último período da Idade Média. Mas neste mundo, construído pelos Oito Criadores, os dinossauros também fazem parte do arsenal de guerra. Os Senhores dos Dinossauros é o primeiro livro de uma Trilogia desenvolvida por Victor Milán, autor de mais de 100 romances de ficção científica e fantasia. Ele também é um dos fundadores e coescritores do projeto Wild Cards, de Melinda M. Snodgrass e George R. R. Martin. O autor de Guerra dos Tronos, amigo pessoal de Milan, define o que os leitores podem esperar de Os Senhores dos Dinossauros: “É como um encontro de Jurassic Park com Game of Thrones.”

Um dos lançamentos mais aguardados do ano de 2015 no Brasil e mundo afora, Os Senhores dos Dinossauros chegou até nós pelas mãos da editora DarkSide Books no mês de setembro de 2015.

O livro nos apresenta diversos personagens e um prólogo, no mínimo, estranho à primeira vista. Um garoto pastoreia um "rebanho" de dinossauros enquanto um mítico Anjo Cinza aparece e diz para ele esquecer que o viu, apenas "lembre-se quando for convocado a se lembrar". Desmaiando logo em seguida e acordando um pouco depois, o garoto percebe que seu rebanho está disperso e que o tal Anjo sumiu. Será que a visão era real? O que são esses Anjos Cinzas? Ao longo da obra temos algumas pistas, mas gostaria de ter visto mais sobre eles, é o que posso adiantar a vocês.

Logo após, no capítulo 1, a ação realmente começa. Somos jogados em meio à uma batalha entre os Príncipes Rebeldes e os mercenários contratados pelo famoso imperador Felipe Delgao. Imaginamos pela 1ª vez os temidos dinossauros sendo usados como montaria de combate e responsáveis por mudar o destino da batalha, onde nos vemos envolvidos em uma conspiração que parece ter matado um dos maiores senhores de dinossauros que existem, o voyvod Karyl Bogomirskiy, comandante mercenário da Legião do Rio Branco. Também conhecemos Jaume Llobregat, o Conde das Flores, duque Falk von Hornberg e seu tiranossauro rex albino Floco de Neve, e por fim o plebeu Rob Korrigan, que é também um menestrel e um senhor dos dinossauros.

“Guerras começam quando você quer, mas não acabam quando você deseja.”

Confesso que essa ideia de iniciar o livro já dentro de uma batalha parece sempre interessante e corajosa, mas aqui ela ficou meio confusa e só depois de umas 50 páginas deu pra entender o que realmente tinha acontecido e o que estava por vir. Isso acabou deixando o ritmo do livro meio "quebrado", eu não conseguiu me situar tão bem nos fatos e só após vários capítulos a leitura começou a ficar mais agradável/atrativa e o leitor é inserido aos poucos nas tramas da corte.

Jaume é o Capitão General da Ordem dos Companheiros de Nossa Senhora do Espelho, o típico cavaleiro dos sonhos, honesto e honrado, sempre preocupado com os seus subordinados e as pessoas ao seu redor. Algumas cenas de combate em que ele aparece são muito boas, então fique de olho.
Gostei de algumas coisas nesse livro, principalmente as partes em que Karyl e Rob estão juntos, que costumam ser as mais engraçadas, mas não curti tanto as intrigas da corte, com a princesa Melodía, filha do imperador Felipe, sendo a personagem principal na maioria dos capítulos, uma guria viciada em sexo (ela e todas suas amigas, vou te contar...) e que tenta frear um pouco as ações do pai, que parece estar se envolvendo em grandes problemas. Muita coisa acabou ficando em aberto ao término do livro, e eu acho que umas 30-50 páginas a mais teriam ajudado bastante mesmo.

Queria ter visto um pouquinho mais sobre os dinossauros também. Eles acabaram não sendo tão protagonistas como eu pensava, apesar de terem lá os seus momentos de grande importância.

Conforme avançamos na narrativa, já dá pra se ter uma ideia do que vai acontecer no final, o que acaba estragando um pouco a surpresa. Muita treta parece estar a caminho no 2º livro, então talvez eu o leia por que realmente não gosto de deixar uma série pelo caminho, sabendo que ela pode evoluir e melhorar bastante o que não foi tão bom nesse volume inicial.

Escrito em 3ª pessoa, destaco também que a linguagem utilizada pelo autor no livro é bem adulta, com algumas cenas chocantes e de teor mais forte. MUITOS dos personagens têm tendências bissexuais, o que não é tão comum assim de se ver na maioria dos livros desse gênero fantástico.

“O que sempre insisti”, Karyl prosseguiu, “foi em fazer o meu melhor e continuar fazendo até que seja, ao menos, competente. Há muito tempo aprendi que parar conquistarmos qualquer coisa, é preciso começar. Ou passar a eternidade esperando o momento certo. Que nunca chega.”

Um porém: a revisão ficou muito mal feita, com várias palavras erradas saltando aos olhos, e isso aconteceu muitas vezes durante a leitura. A tradução também ficou um pouco estranha, acredito que ler na versão original, em inglês, possa ser a melhor opção para quem se interessar pela obra. A edição em capa dura, ao contrário, ficou extremamente bonita, com várias ilustrações internas. Só senti a falta de um mapa que estava na versão original e a DarkSide acabou não colocando.

Enfim, esse 1º volume da série não me agradou tanto quanto eu gostaria, mas o autor deixou algumas pontas soltas durante a narrativa e eu imagino que elas sejam bem/melhor exploradas no livro seguinte, intitulado The Dinosaur Knights, que deve ser lançado internacionalmente em 2016.

Avaliação final:

Os Senhores dos Dinossauros:

1º livro - Os Senhores dos Dinossauros
2º livro - The Dinosaur Knights (lançamento em 2016)
3º livro - The Dinosaur Princess (título a ser confirmado)

17 de out. de 2015

Resenha: Guerreiros da Tempestade - Bernard Cornwell

Título: Guerreiros da Tempestade
Original: Warriors of the Storm
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #9
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 350
Editora: Record (8 de agosto de 2016)

Sinopse: Filhos do falecido rei Alfredo, Eduardo e Æthelflaed já dominam a maior parte do território saxão. Seus exércitos conquistam e garantem a soberania por onde passam. Mas isso não impede que os incansáveis nórdicos realizem constantes ataques aos seus reinos. Uhtred de Bebbanburg comanda a guarnição do burh de Ceaster, uma poderosa fortaleza no norte da Mércia construída pelos romanos. O poder da senhora Æthelflaed na região se expande, o que atrai olhos cobiçosos. Ragnall, o Cruel, reúne forças irlandesas e nórdicas no maior exército que jamais ameaçou o universo saxão. Com isso, a solução de Æthelflaed é colocar suas forças no interior de Ceaster para resistir aos ataques inimigos. Porém, quem será capaz de manter Uhtred entre as paredes de um burh quando sua filha, casada com Sigtryggr, irmão e inimigo de Ragnall, é colocada em perigo? Na luta entre deveres familiares e lealdade aos seus guerreiros, entre ambições pessoais e compromissos políticos, não há um caminho fácil. Mas um homem com a coragem de um verdadeiro guerreiro é capaz de trilhá-lo. Este homem é Uhtred, e este momento é decisivo para seu destino.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Como já é de praxe, no momento em que o autor Bernard Cornwell lança um livro novo das Crônicas Saxônicas/Saxon Stories eu já vou correndo atrás e tento ler o mais cedo possível, já que essa é minha série favorita e Uhtred de Bebbanburg é o personagem que mais gosto. O único problema depois disso tudo é ter que esperar mais um ano pela sequência, mas faz parte. hahaha

Depois de defender a fortaleza de Ceaster contra os ataques dos noruegueses liderados por Sigtryggr no final do volume anterior (O Trono Vazio), Uhtred e seus guerreiros têm uma nova ameaça à frente: o irmão de Sigtryggr, Ragnall Ivarson, um viking poderoso e que comanda única e simplesmente pelo medo (Kjartan 2), pronto para saquear as terras da Mércia e atrapalhar o sonho do já falecido Alfredo de juntar os reinos existentes e formar a Inglaterra que ele tanto queria.

Drakkar at night, by joaomachay
“Ragnall Ivarson. Eu nunca me encontrei com ele, mas eu o conhecia. Sabia de sua reputação. Nenhum homem navegava melhor um navio, nenhum homem lutava mais ferozmente, nenhum homem causava mais terror. Ele era um selvagem, um pirata, um rei de lugar nenhum.”

Velhos conhecidos aparecem e temos alguns dos seus destinos selados. Pessoas que eu nem lembrava direito onde estavam e o que faziam, mas que entraram no caminho de Uhtred por bem ou por mal e o nosso saxão terá negócios para resolver. Negócios sangrentos, digamos assim.

As descrições das paredes de escudos estão fenomenais, como sempre, e foi exatamente nesse quesito tão importante que o autor apostou para retomar a excelente narrativa do 7º livro, O Guerreiro Pagão. Narrativa essa que acabou se perdendo um pouquinho no seguinte, que acabou não sendo um dos melhores volumes da série. Warriors of the Storm não tem esse problema e os leitores podem ficar tranquilos quanto a isso, já que a carnificina rola solta e desenfreada por aqui.

Schiltrom, por xenos60
“Trinta passos, vinte, e você pode ver os olhos dos homens que tentarão te matar, e ver as pontas das lanças, e o instinto te diz para parar, apertar os escudos. Nós nos contraímos durante a batalha, o medo enterra suas garras em nós, o tempo parece parar, há silêncio mesmo que milhares de homens gritem, e naquele momento, quando o terror ataca o coração como uma besta enjaulada, nós devemos nos jogar para dentro daquele horror. Porque o inimigo sente o mesmo. E você veio matá-lo. Você é o demônio dos seus pesadelos."

Tive algumas sensações nostálgicas durante a leitura, relembrando bastante do Uhtred lá dos 2-3 primeiros livros, que desobedecia todo mundo e fazia o que bem entendia. Dessa vez, novas ordens não são cumpridas e elas acabam trazendo algumas consequências. Tudo pela família, diga-se de passagem. Só que dessa vez Uhtred é um senhor da guerra, experiente, com reputação a mente, com pessoas a seu serviço e que dependem da sua palavra, e qualquer ameaça à sua família, por menor que seja, é considerada um ultraje sem precedentes e não deve jamais ser ignorada.

“Eu o faria gritar e assistiria enquanto sangrava, cortaria sua carne fresca em pedaços antes de me preocupar com Æthelflaed. Isso era pela família. Isso era por vingança.”

Outro que é sempre bom ver por perto é Finan, que Uhtred conheceu há muito tempo no período em que era escravo. O irlandês é um lutador exímio e deixará sua marca em combates singulares.

Um dos pontos importantes a se destacar é a grande evolução de Uhtred ao longo de toda a série. Agora mais velho, com quase 60 anos, ele não tem o mesmo físico de antes e não tem como ser o primeiro cara a pular uma muralha, é mais lento que muitos dos seus adversários, mas compensa os seus defeitos com a sua experiência de anos na primeira linha das paredes de escudos dos saxões.

Uhtred, por Yago Oliveira

Muitos por aí dizem que ele é apenas um personagem com a profundidade de uma poça d’água, mas enganam-se ao não notar que as suas preocupações ao longo dos livros mudam constantemente, além de ter sempre aquela questão de gostar mais dos dinamarqueses do que dos próprios saxões.

As piadinhas com os padres continuam e são sempre hilárias, disso o leitor jamais poderá reclamar.

“Você é cristão?”     “Mas é claro!”     “Você acredita em milagres?” eu perguntei, e ele concordou. “Então é melhor você pegar os seus cinco pães e dois peixes,” continuei, “e rezar para que o seu deus miserável providencie o resto.”

Repleto daquele humor irreverente e das batalhas que tanto amamos ver nos livros de Bernard Cornwell, Warriors of the Storm é leitura obrigatória para todos os fãs das Crônicas Saxônicas e deve ser feita o quanto antes. O destino é inexorável, diriam alguns, e Uhtred parece estar se aproximando cada vez mais de Bebbanburg, a fortaleza na Nortúmbria que é sua por direito.

A edição brasileira do nono livro da série só deve chegar ao Brasil no 2º semestre de 2016, mas até lá temos o seriado baseado na série e que a BBC está produzindo. Intitulado The Last Kingdom, iniciou-se em 10 de outubro. Recomendo fortemente que todos vocês assistam o quanto antes!

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
9º livro - Guerreiros da Tempestade
10º livro - O Portador do Fogo
...

3 de out. de 2015

Resenha: Os Ossos das Colinas - Conn Iggulden

Título: Os Ossos das Colinas
Original: Bones of the Hills
Série: O Conquistador/Conqueror #3
Autor: Conn Iggulden
Páginas: 490
Editora: Record (2010)

Sinopse: Gêngis Khan é o poderoso líder de uma nação fruto da união de diversas tribos e guerreiro vitorioso na longa campanha contra os jin. Agora o inimigo surge do oeste: suas caravanas são expulsas e seus homens, mortos ou mutilados. Assim, Gêngis e seus exércitos, liderados por seus filhos e irmãos e outros generais de confiança, embarcam em uma grande viagem através dos atuais Irã e Iraque e pela costa do Mediterrâneo. Conquistando cidade após cidade, um império após o outro, por meio da guerra, do medo e da persuasão, o poder mongol domina toda a região. O grande cã ergueu um império maior do que qualquer outro já visto. Durante essas campanhas, seus filhos e irmãos disputavam o favoritismo, o direito de liderar o mais bem-sucedido exército e de realizar as maiores conquistas, para ser escolhido como sucessor. Gêngis já provou ser um grande guerreiro. Agora, seu desafio é mostrar-se um governante e líder excepcional para seu povo, alguém que possa coordenar a transição de poder sem sobressaltos. Das terras férteis dos jin até as áridas rochas do Afeganistão, Iggulden tece um épico sobre o conquistador mais enigmático da história, aqueles que o temiam, aqueles que o desafiaram e aqueles cujos ossos deixou para trás. Os Ossos das Colinas é o terceiro volume de O Conquistador, série que reconstrói a saga de Gêngis Khan e de seus descendentes.

Essa resenha contém alguns spoilers do final desse livro e também dos livros anteriores.

Após devastar boa parte do território chinês, Genghis Khan mira suas atenções mais ao sul e ao oeste, onde a maioria dos povos islâmicos/muçulmanos estão. Tudo começou com a morte de patrulheiros enviados por Genghis a terras distantes. Com a sua morte, o líder mongol não pode deixar essa ameaça de lado e precisará reunir todas as forças para marchar contra o novo inimigo.

Importante situar o leitor de que esse 3º volume de O Conquistador se inicia três anos após o 2º, quando Genghis envia seus vários generais a várias direções para que conquistem novos lugares.

Essa situação é perfeita para entendermos um pouquinho mais da mente daquele que é considerado o maior conquistador de toda a História: não é permitido ameaçá-lo e esperar sair impune, como foi visto no 2º livro, quando o imperador chinês quebra um acordo com os mongóis e fogem, deixando a sua fortaleza para trás, só para que Genghis e seus guerreiros a queimassem até o chão.

— Eu vim a estas terras porque, quando um homem me ameaça e eu desvio o olhar, ele tirou algo importante de mim. Se eu lutar e morrer, tudo que ele pode tomar é minha vida. Minha coragem e minha dignidade permanecem. Devo fazer menos pela nação que criei? Devo permitir a meu povo menos honra do que reivindico para mim?

Uma das grandes diferenças dessa obra para as demais é que os filhos do grande khan estão crescendo e começando a assumir funções importantes dentro do exército mongol, como o comando das tumans, formações com 10.000 mongóis. E, com esse crescimento, voltam à tona as brigas por poder. Jochi pode não ser filho de Genghis e sim de um estupro que a sua esposa sofreu na infância, e isso reflete diretamente no modo como Genghis o trata e na relação de Jochi com Chagatai, o filho seguinte do khan. Preparem-se para ler sobre momentos bem intensos envolvendo esses dois.

O choque cultural apresentado em Os Ossos das Colinas também merece ser notado, visto que diversas regiões são invadidas durante o período, como a Rússia, Afeganistão, Irã, etc. E, com isso, novas táticas de batalha também são apresentadas. Ao longo de suas campanhas, Genghis reuniu engenheiros das mais variadas nacionalidades que começaram a construir armas de cerco, já que as planícies frias da terra natal dos mongóis ficaram para trás, dando lugar às altas fortalezas dos novos povos. Achei interessante ter todos esses elementos inseridos na narrativa, já que o próprio Genghis assume em alguns momentos que a importância dessas armas de cerco foi tamanha que ele até aproveitava as semanas e os meses em que estava diante de uma fortaleza, apenas esperando que os seus habitantes se rendessem devido à fome, à sede e doenças que os acometiam lá dentro.

— Quando eu tiver morrido, não quero que os homens digam: "Vejam quanta riqueza a dele, suas cidades, seus palácios e suas roupas finas." — Gêngis fez uma pausa. — Em vez disso, quero que digam: "Certifiquem-se de que ele morreu mesmo. É um velho maligno que conquistou metade do mundo." — Ele deu um risinho, e parte da tensão se esvaiu do grupo. — Não estamos aqui para ganhar riquezas com um arco. O lobo não pensa em coisas finas, só quer que sua matilha esteja forte e que nenhum outro lobo ouse atravessar seu caminho. Isso basta.

Não posso esquecer de mencionar alguns nomes entre as fileiras do grande khan, como Tsubodai e Jebe, homens que foram crescendo aos poucos dentro do contingente mongol e se tornaram os "cães de caça" de Genghis, ao lado também dos seus irmãos Khasar e Kachiun, que mantém uma relação forte desde a infância, quando estiveram perto da morte e até tiveram que matar um dos irmãos para sobreviver, história essa que foi contada no excelente 1º livro da série, O Lobo das Planícies.

Uma das curiosidades introduzidas aqui são os assassinos, uma seita de matadores experientes contratada pelo povo muçulmano para tentar acabar com a ameaça dos mongóis na sua terra.

Narrado em 3ª pessoa, com mudanças constante de pontos de vista, a narrativa flui como os cavalos mongóis em uma planície, agradável de se ler e com elementos do cenário sempre ali presentes.

Enfim, também preciso dizer que esse volume fecha um "ciclo", digamos assim, nos livros da série. O comando precisa ser passado adiante, como sempre aconteceu em todas as nações guerreiras. Eu temia muito (!) pelo momento em que a morte de Genghis Khan chegaria, assim como todos os leitores e fãs dessa série, mesmo que os seus minutos finais estejam cercados de diversas especulações e incertezas, que vão desde a causa da sua morte até quem teria sido o responsável.

— Todos homens morrem — continuou Jelme, ignorando a explosão. — Pode ser esta noite, no ano que vem ou dentro de quarenta anos, quando você estiver desdentado e fraco. Tudo que você pode fazer é escolher como se portar quando ela chegar.

Até os tempos atuais podemos encontrar descendentes de Genghis Khan entre o povo mongol, e uma das nossas maneiras de reverenciá-lo é lendo essa obra fantástica do Conn Iggulden o quanto antes.

Por fim, só me resta recomendar esses livros a todos aqueles que são amantes de ficção histórica!

Avaliação final:

O Conquistador:

2º livro - Os Senhores do Arco
3º livro - Os Ossos das Colinas
4º livro - Império da Prata
5º livro - Conquistador
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