4 de ago de 2015

Resenha: Os Senhores do Arco - Conn Iggulden


Título: Os Senhores do Arco
Original: Lords of the Bow
Série: O Conquistador/Conqueror #2
Autor: Conn Iggulden
Páginas: 420
Editora: Record (2009)

Sinopse: O grande Khan nasceu nas planícies da Ásia Central para unir as tribos mongóis divididas pela guerra. O maior dos guerreiros deseja criar uma nova nação nas planícies e montanhas da Mongólia. E contará com seus irmãos Kachiun e Khasar para conquistar as ricas cidades do império Jin. E seus valentes e disciplinados guerreiros. Para atingir seus objetivos, ele precisa destruir o antigo inimigo, que manteve seu povo dividido, atacar suas fortalezas e cidades muradas e encontrar uma maneira de combatê-lo, enquanto lida com seus generais indomáveis, irmãos ambiciosos e os filhos crescendo.

Alguns meses após ter lido O Lobo das Planícies, primeiro livro dessa série do Conn Iggulden, consegui encaixar Os Senhores do Arco na lista infinita de leitura e afirmo: deveria ter lido antes!

Esse segundo volume começa alguns anos após o anterior, quando Temujin havia acabado de se anunciar como Genghis e começado a juntar as tribos em prol de um objetivo maior. Liderados por Genghis e seus homens de confiança, mais de 70.000 guerreiros mongóis atravessam o árido Deserto de Gobi em direção às terras chinesas, buscando vingança total contra os seus inimigos do passado.

E é nessa hora que a figura de Genghis faz uma tremenda diferença. Historicamente rivais, a maioria das tribos mongóis ainda possuem as suas desavenças, criando alguns conflitos aqui e ali que precisam ser resolvidos com a audácia e implacabilidade do grande khan. Um homem que não tolera traições, que fará de tudo para proteger seu povo e a sua ideia de uma nação mongol unida.

“Behold a people shall come from the north, and a great nation. They shall hold the bow and the lance; they are cruel and will not show mercy; their voice shall roar like the sea, and they shall ride upon horses every one put in array, like a man to the battle.”
“It is done. We are a nation and we will ride. Tonight, let no man think of his tribe and mourn. We are a greater family and all lands are ours to take.”

O discurso de Genghis Khan para os seus comandados no começo do livro é algo digno de se citar, acredito que todo leitor se arrepiará lendo as palavras do conquistador e a confiança que ele tem.

Nessa sequência, finalmente percebemos a importância do arco para as estratégias dos mongóis. Os guerreiros montados a cavalo, que aprendem a ficar firmes na sela e usar o arco mortalmente desde que são crianças, tornam-se uma força brutal nas fileiras do exército de Genghis, estraçalhando os inimigos mais fracos e que ainda não aprenderam a combater a eficácia da cavalaria mongol o suficiente para fazer frente ao avanço de Genghis. Cidade após cidade, os mongóis começam a devastar o território chinês e só param ao avistar Yenking (atual Pequim), uma cidade com muralhas grossas e altíssimas, tornando-se um obstáculo de peso para a nação mongol.

O inverno também está ali para atrapalhar e adiar um pouco o avanço dos mongóis, mas um plano de Genghis pode garantir uma vitória na Boca do Texugo, um desfiladeiro cercado dos dois lados por montanhas altíssimas e incapazes de ser escaladas, segundos os chineses. E é exatamente lá que os dois exércitos travarão uma batalha ferrenha, com algumas consequências para ambos os lados.


Focando um pouquinho mais nos dramas familiares de Genghis, percebemos também o seu escárnio com Jochi, filho mais velho e que parece não ser seu, fruto de um estupro que sua esposa Borte sofreu quando foi capturada pelos tártaros, que acabaram sendo dizimados pela fúria de Genghis.

Também deu pra perceber um leve toque "sobrenatural" nesse segundo volume de O Conquistador, com alguns shamans aparecendo e dando o seu toque de magia negra na trama, conquistando poder em meio à grande tribo e deixando alguns guerreiros apreensivos com o seu súbito crescimento. 

Genghis Khan está se tornando um dos meus personagens preferidos, e eu temo pelo dia que lerei as páginas dos próximos livros e terei que dar adeus a esse visionário. Os traumas de seu passado estão sempre presentes, principalmente o momento em que ele e Kachiun (na vida real foi Khasar) se juntaram para matar Bekter, o irmão mais velho que estava roubando comida da família e deixando-os passar fome. Vocês já pararam para imaginar a força de espírito que alguém precisa ter para fazer isso? Matar o próprio irmão! São atitudes como essa que moldaram a personalidade forte de Genghis e o fizeram ser conhecido até hoje como o maior conquistador de toda a História.


“What is the purpose of life if not to conquer? To steal women and land? I would rather be here and see this than live out my life in peace.”

Uma narrativa que é praticamente impossível não gostar, cheia de momentos tensos e frases impactantes, sem contar que Genghis Khan é um personagem fora de série, temido e impiedoso, mas cruel apenas com seus inimigos. Essa é uma daquelas séries que eu certamente lerei até o fim!

Avaliação final:

O Conquistador:

2º livro - Os Senhores do Arco
4º livro - Império da Prata
5º livro - Conquistador

24 de jul de 2015

Resenha: Roubo de Espadas - Michael J. Sullivan


Título: Roubo de Espadas
Original: Theft of Swords
Série: Revelações de Riyria/Riyria Revelations #1
Autor: Michael J. Sullivan
Páginas: 602
Editora: Record (2013)

Sinopse: Royce Melborn e Hadrian Blackwater, os ladrões mais habilidosos de todos os reinos, construíram sua fama ao realizar façanhas aparentemente impossíveis. Porém, após concordar em roubar uma famosa espada do interior de um castelo, os dois se envolvem numa trama repleta de armadilhas, anões, elfos, conspirações políticas, magia e, sobretudo, perigosas reviravoltas. Para completar a missão com sucesso, Royce e Hadrian precisam ser cuidadosos ao escolher inimigos e aliados, pois não é apenas a vida da dupla que está em jogo,mas o futuro da Igreja, dos reinos e de todo o mundo.

Li Roubo de Espadas no começo de 2014 e (não lembro o porquê) acabei não fazendo resenha do mesmo, então resolvi deixar essa preguiça pra trás e trazer a minha opinião sobre esse bom livro.

"Roubo de Espadas" é dividido em duas partes, que primeiramente foram lançadas como livros únicos e depois algumas editoras começaram a juntá-las, como (felizmente) foi o caso da Record, pois o número de páginas, 602, não é relativamente grande, eliminando a necessidade de ter dois livros com 300 páginas cada. As duas partes chamam-se A conspiração pela coroa e Avempartha.

Os protagonistas? Uma dupla de ladrões em busca de trabalho.

Hadrian Blackwater é aquele típico cara fortão, boa parte, que, apesar de trabalhar com um ladrão, não deixa a honra em segundo plano, lutando pelo que lhe parece certo e seguidor dos códigos de um bom cavaleiro, potencializados com a sua grande habilidade com uma espada. Já Royce Melborn é totalmente o oposto disso, o importante para ele é ter lucro, escolher um trabalho que traga muitos frutos e dar o fora o mais rápido possível, de preferência para outro trabalho que lhe dê ainda mais dinheiro. E os dois juntos funcionam incrivelmente bem, por incrível que pareça. Ambos fazem parte de um grupo chamado Riyria, cujas informações não são muito precisas e devem estar sendo jogadas ao longo da trilogia, mas muitos detalhes do passado da dupla rendem bons momentos, mesmo que eu tenha ficado com aquele gosto de quero mais no final da leitura.


Encarregados de roubar uma espada que se encontra dentro do castelo do rei de Melengar, ambos acabam envolvidos no meio de uma trama política entre os partidos imperialistas, aqueles que desejam reunir a humanidade em torno de um líder e descendente direto do semideus Novron, os nacionalistas, que pretendem escolher um líder pelo povo, e os monarquistas, que desejam a manutenção do poder nas mãos dos seus monarcas, Hadrian e Royce terão que se desdobrar para sair vivos dessa enrascada, que mexe com os ânimos já exaltados de diversas nações de Elan. Esses são alguns dos fatos iniciais relatados na primeira parte desse livro, A conspiração pela coroa.

"Para os nobres, a vida era isto: um grande jogo de xadrez, com cavalos, reis e peões. Não existiam o bem e o mal, nem o certo e o errado. Tudo era questão de política. Um jogo dentro de um jogo, com as suas próprias regras e carente de valores."

Esse mundo, Elan, é o que sobrou de um antigo império extinto há muitos anos, atualmente dominado por religiosos que cultuam o imperador Novron. Algo grande está por vir, posso sentir.


Na segunda parte, Avempartha, Royce e Hadrian aceitam uma missão que consiste em adentrar uma torre e matar um monstro lá existente, ajudando a vila próxima que está sofrendo com os ataques. Alguns personagens aqui reaparecerem, como a princesa Arista, de Melengar, que agora é embaixadora e está atrás do Herdeiro de Novron, procurado pela Igreja e aguardado há tempos.

Mesmo que tenha parecido promissor, não gostei tanto desse livro. As cenas de batalhas não foram muito bem escritas, os personagens secundários deixaram a desejar, tirando 1 ou 2 deles. Se não fosse a dupla principal, acho que nem me importaria com os restantes. Praticamente só Hadrian e Royce funcionaram aqui, então espero ver algo melhor e mais bem explorado nos próximos livros, principalmente no que é relacionado à Arista, a princesa da nação Melengar, um respeitável reino.

Algumas criaturas mágicas, como magos, anões e elfos também estão presentes nessa obra e têm lá as suas características peculiares, mesmo que se pareçam com as das demais obras do gênero.

Apesar de ter achado Roubo de Espadas "um pouco mais do mesmo", essa série tem lá as suas características próprias e alguns aspectos que parecem interessantes, principalmente a questão da religião, o tal herdeiro de Novron que estão à procura e o dinamismo dos dois ladrões. Algum dia pretendo ler as sequências, pois as opiniões que vi por aí me deram um pouquinho de esperança.

Avaliação final:

Revelações de Riyria:

1º livro - Roubo de Espadas
2º livro - Ascensão do Império
3º livro - Heir of Novron

23 de jul de 2015

Resenha: O Princípio do Fim - Manel Loureiro

Título: O Princípio do Fim
Original: The Beginning of the End
Série: Apocalipse Z/Apocalypse Z #1
Autor: Manel Loureiro
Páginas: 365
Editora: Planeta do Brasil (2010)

Sinopse: Em uma pequena cidade espanhola, um jovem advogado leva uma vida tranquila e rotineira. Um dia, porém, começa a ouvir notícias sobre um incidente médico ocorrido em um país remoto do Cáucaso. Apesar de aparentemente corriqueiras, as notícias chamam tanto sua atenção que ele resolve registrar suas impressões em um blog. Aos poucos, o que eram apenas acontecimentos incomuns ocorridos em um país distante começam a se espalhar por toda a Europa. Em menos tempo do que poderia supor, o terror se instala. Ruas, bairros e cidades inteiras são tomados por criaturas com um comportamento assustador. Sem nunca ter visto nada parecido e completamente vidrado pela notícia, ele mal se dá conta de que, enquanto acompanha o desenrolar dos fatos de sua casa, a cidade onde mora também está sendo invadida por aquelas bizarras criaturas. Isolado, apenas com seu gato Lúculo e um vizinho, só lhe resta criar uma estratégia de fuga até conseguir encontrar outros sobreviventes. Entretanto, ao conseguir refúgio, ele logo descobrirá que a guerra está apenas começando.

Aproveitando um pouco essa vibe "apocalipse zumbi" que eu estava passando algum tempo atrás, resolvi ir mais a fundo nisso e ler algo relacionado ao tema. Alguns me diziam para ler as obras inspiradas no seriado The Walking Dead, outros para ler Guerra Mundial Z, mas a série que realmente me chamou a atenção foi Apocalipse Z, do autor e advogado espanhol Manel Loureiro.

Sorte minha que consegui a versão em inglês numa promoção da Amazon. Vamos ao que interessa:

Ao contrário da grande maioria dos livros que desbravei até hoje, O Princípio do Fim é narrado em formato de blog/diário, sempre em primeira pessoa, com o personagem principal, um advogado, contando os acontecimentos que se passaram e trazendo uma perspectiva bem interessante, dinâmica, fácil de se entender e acompanhar e que dá aquela vontade de saber mais.

Somos apresentados inicialmente a um advogado, cujo nome não nos é revelado, que mora na região de Pontevedra junto com o seu gato Lucullus, um dos personagens à parte nesse livro.

Certo dia, notícias estranhas começam a ser transmitidas na televisão: conflitos na região da Rússia devido à uma explosão, algo sobre algum grupo rebelde estar atacando uma base militar russa. Até aí tudo bem, né? E se do nada os vôos para todo o país fossem cancelados? E se alguns relatos de ataques começassem a se espalhar por toda a Rússia e chegassem às fronteiras com outros países?


Algo sobre um surto de determinado tipo de doença estar surgindo também é dito pelos investigadores, tudo como se fosse algo extremamente normal e dentro do cotidiano, ainda mais pela Rússia ser um local conhecido por ter tantos conflitos. A não ser que a lei marcial (utilizada quando uma autoridade militar toma o controle dos assuntos de Estado) entrasse em vigor.

Aí sim a gente sabe que o negócio começa a ficar feio.

E esse é o grande trunfo do livro. TUDO parece extremamente real. Com a narrativa em 1ª pessoa, fica fácil se colocar na pele do personagem e começar a se sentir aflito com essas notícias todas de conflito. A atmosfera de apreensão se espalha pela cabeça do leitor conforme as páginas vão avançando e as coisas começam a ser desvendadas. Aeroportos são fechados, estradas são bloqueadas, toques de recolher começam a valer e o uso de máscaras é considerado obrigatório.


        "Fear travels faster than a dust cloud...and it's already in the wind."


Tudo parece tão distante e surreal no começo, mas à medida que as notícias se aproximam da Espanha, o advogado começa a se preocupar. Comunicados do presidente vão ao ar, "tranquilizando" a população e prometendo que tudo ficará bem. É óbvio que não, cara! Sai dessa cilada, Bino!

Chega o momento que, quando os tais mortos-vivos, que aqui no livro são chamados de não-mortos, finalmente aparecem em Pontevepedra, o choque inicial é grande. Isolado em seu bairro, juntamente com seu bairro e um vizinho com ideias meio malucas, o advogado tranca-se dentro de casa e fica por lá. Como era costume seu antes de tudo eclodir, os "ranchos" nos supermercados e lojas garantem um bom tempo de isolamento com seu gato. Tempo esse que não dura para sempre.



Com vários capítulos curtos e de rápido avanço, percebe-se um bom desenvolvimento dos personagens ao longo da trama. Mesmo aqueles secundários, que só resolvem aparecem após uns bons % do livro, podem ser chamados de principais, pois a sua importância na vida do advogado é vital, seja ela para o bem ou para o mal, como vocês descobrirão muito em breve.

O foco inicial dessa obra é na luta dos (poucos) sobreviventes contra os não-mortos/zumbis, mesmo que certos conflitos humanos também façam parte de alguns capítulos. Imagino que na sequência eles serão mais bem explorados, mas por enquanto gostei do que vi. Um livro simples, sem rodeios, com um tipo de narrativa diferenciado, sem tantos diálogos, mas com bastante tensão envolvida.

"We never surrendered. We always kept in our hearts the most noble, beautiful feeling that sets human beings apart: hope."

E o relacionamento do personagem principal com seu gato então? Algo digno de ser comentado e admirado. Mesmo que o felino pareça ser uma grande distração nessa hora de terror, Lucullus é o último elo do advogado com a vida que tinha anteriormente, é o que o permite não entrar em desespero e surtar com todo o apocalipse ao redor, ainda mais sem receber notícias da sua família. Cito também Pritchenko, um soldado ucraniano que acompanha o advogado durante essa jornada.


Apocalipse Z é uma leitura bem intrigante, cheia de conflitos e que fez com que eu me sentisse em um apocalipse zumbi, o que era a minha intenção inicial ao procurar esse livro. Recomendadíssimo!

Avaliação final:

Apocalipse Z:

1º livro - O Princípio do Fim
2º livro - Os Dias Escuros
3º livro - A Ira dos Justos

21 de jul de 2015

The Last Kingdom em outubro de 2015

Fonte: BBC America

A BBC acabou de soltar a primeira imagem promocional da minissérie The Last Kingdom, inspirada no 1º livro das Crônicas Saxônicas, O Último Reino, que narra a história das invasões vikings à futura Inglaterra pelo ponto de vista de Uhtred, um saxão capturado e criado pelos dinamarqueses.


A data de estreia está marcada para 10 de outubro de 2015 e agora estou procurando informações sobre a transmissão aqui no Brasil. Até lá, que tal dar uma conferida na resenha que eu fiz do livro?


Espero que curtam, recomendo demais essa série para os amantes de guerra!

14 de jul de 2015

Resenha: O Dragão Renascido - Robert Jordan


Título: O Dragão Renascido
Original: The Dragon Reborn
Série: A Roda do Tempo/The Wheel of Time #3
Autor: Robert Jordan
Páginas: 656
Editora: Intrínseca (outubro de 2014)

Sinopse: As profecias do Dragão predizem que a Pedra de Tear, a lendária fortaleza, cairá quando Callandor, A Espada Que Não Pode Ser Tocada, for empunhada pelo Dragão. Será um dos sinais de que ele de fato renasceu e que a Última Batalha se aproxima. Rand alThor, recém-proclamado Dragão Renascido, ainda tem dúvidas sobre seu destino, e decide que é hora de partir sozinho em sua jornada. Enquanto isso, Nynaeve, Egwene e Elayne seguem para Tar Valon, onde Mat precisa ser Curado ou morrerá. Entretanto, com a presença da Ajah Negra na Torre Branca, as jovens logo descobrem que suas próprias vidas correm perigo. Perrin, por sua vez, acompanha Moiraine na busca por Rand. Todos os caminhos parecem levar a Tear, onde o Dragão Renascido enfrentará um desafio que pode pôr tudo a perder.

Essa resenha contém alguns spoilers dos livros anteriores.

E vamos adiante, caro desbravador, dessa vez com a minha resenha/opinião do 3º livro da série A Roda do Tempo, escrito pelo já falecido autor Robert Jordan e reconhecida mundialmente como uma das melhores (e maiores) sagas de fantasia épica de todos os tempos.


Após os acontecimentos em Falme, quando Mat tocou a Trombeta de Valere e os Heróis do passado apareceram para ajudar o pessoal numa das batalhas contra o Tenebroso, as coisas parecem ter ficado um pouco mais... tranquilas, digamos assim, chegando ao ponto de Moiraine já declarar que Rand al'Thor é o Dragão Renascido das profecias. Profecias essas que parecem mencionam Tear, cidade onde está localizada Callandor, a Espada Que Não Pode Ser Tocada, que somente poderá ser empunhada pelo verdadeiro Dragão e mostrará ao mundo que a Última Batalha se aproxima.

E é nessa situação que Rand se encontra, não sabendo ainda se é realmente o Dragão Renascido e se conseguirá aguentar as consequências desse título, sejam elas para o bem ou para o mal, pois a mácula de saidin pode pôr tudo a perder, como já foi visto no passado. Rand, incrivelmente, tem pouquíssimo foco nesse 3º volume, apesar do título se referir claramente a ele, como já pode ser antecipado nos livros anteriores. Tirando um ou outro pedaço dele viajando por aí inserido em poucos capítulos, Rand al'Thor só volta a ser o centro das atenções nas 30 páginas finais.

Já Mat e Perrin, os outros dois ta'veren, têm muito destaque na narrativa de O Dragão Renascido. Principalmente o primeiro, que finalmente parece estar se tocando que a sua participação nos fatos será fundamental, ainda mais depois de ter tocado a Trombeta de Valere e ficar ligado à ela. Sua ida à Tar Valon também nos permite conhecer um pouquinho das suas habilidades com o bastão, até então "escanteadas". Perrin, como nos demais livros, vê a sua relação com os lobos aumentarem, sonhos atormentado-o todas as noites e ainda por cima é "presenteado" por Min com algumas visões de seu futuro, visões essas que são parcialmente confirmadas até o momento.

Enfim, já dá pra perceber perfeitamente que todos os três serão importantes para o girar da Roda.

Eram dados de pontos, e cinco pontinhos solitários o encararam de volta. Os Olhos do Tenebroso, como era chamado em alguns jogos. Nesses, significavam a derrota. Mas em outros, era a vitória. Mas que jogo estou jogando? Ele pegou os dados e rolou-os outra vez. Cinco pontinhos, e novamente os Olhos do Tenebroso o encaravam.

Complementando um pouco a respeito dos três ta'veren, achei que nesse livro eles não funcionaram tão bem, principalmente por estarem separados praticamente o tempo todo. Rand, Perrin e Mat funcionam bem como um time, quando todos estão por perto, e esse relacionamento distante dos caras não me convenceu muito. Espero que no próximo livro a dinâmica deles melhore um pouco.

Passando agora para o lado feminino da trama, Egwene, Nynaeve e Elayne estão a caminho de Tar Valon para continuar o seu treinamento de Aes Sedai. As três, ao longo da narrativa, funcionam bem juntas, mesmo que alguns desentendimentos aqui e ali acontecem, principalmente pelo jeito difícil de Nynaeve de lidar com as coisas e com a crescente personalidade de Egwene, mostrando um pouco do seu potencial. Potencial esse que é um pouco explorado em Tel'aran'rhiod, o Mundo Invisível, mais conhecido como "o Mundo dos Sonhos", onde as tais Sonhadoras podem adentrar e ter outra visão do que está acontecendo. Algo como uma realidade paralela, digamos assim, com o lembrete de que o que se passa em Tel'aran'rhiod pode refletir-se totalmente no mundo real.


Não posso deixar de comentar também sobre os Aiel, povo que vive no Deserto e é conhecido por suas excelentes habilidades de luta, ainda mais quando eles levantam o véu para tapar o rosto, sinal de que estão prontos para a matança. Eles têm uma participação bem interessante nesse livro. Vale ressaltar também que um dos nossos personagens principais parece ser descendente deles...


Enfim, para finalizar, preciso dizer que as minhas relações com A Roda do Tempo estão se estreitando pouco a pouco. Os livros não possuem um ritmo rápido, viciante, passando muitas vezes de cadenciado a lento, prendendo o leitor em diversas situações e pedindo para pular algumas páginas em outras, mas eu creio que a grande parte das informações passadas sejam importantes, portanto é necessário ter atenção. Essa é uma série que eu não irei ler todos os demais em sequência, principalmente pelos motivos citados acima, mas irei acompanhando conforme forem sendo lançados no Brasil, pois o meu vício insaciável por fantasia épica me prende à Roda.

Esse livro não é ruim de modo algum, veja bem, apenas achei-o meio lento, quase parecido com O Olho do Mundo, e com um ritmo muito "quebrado", digamos assim, atrapalhando o andamento da narrativa, que continua sendo em terceira pessoa, por sinal, com vários pontos de vista diferentes. Nada que me faça parar de ler a série, é claro. E que venha o 4º então, A Ascensão da Sombra!

Avaliação final:

A Roda do Tempo:

1º livro - O Olho do Mundo
2º livro - A Grande Caçada
3º livro - O Dragão Renascido
5º livro - As Chamas do Paraíso
6º livro - Lord of Chaos
7º livro - A Crown of Swords
8º livro - The Path of Daggers
9º livro - Winter's Heart
10º livro - Crossroads of Twilight
11º livro - Knife of Dreams
12º livro - The Gathering Storm
13º livro - Towers of Midnight
14º livro - A Memory of Light
Livro extra - New Spring
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