23 de mai de 2015

Resenha: República de Ladrões - Scott Lynch


Título: República de Ladrões
Original: The Republic of Thieves
Série: Nobres Vigaristas/Gentleman Bastard #3
Autor: Scott Lynch
Páginas: 544
Editora: Arqueiro (maio de 2015)

Siqnopse: Envenenado e à beira da morte, Locke Lamora segue para o norte com seu parceiro, Jean Tannen, em busca de refúgio e de um alquimista para curá-lo. Porém, a verdade é que ninguém pode salvá-lo. Com a sorte, o dinheiro e a esperança esgotados, os Nobres Vigaristas recebem uma oferta de seus arquirrivais, os Magos-Servidores. As eleições do conselho dos magos se aproximam e as facções precisam de alguém para fazer o trabalho sujo, manipulando votos. Se Locke aceitar, o veneno será purgado de seu corpo com o uso de magia – mas o processo será tão excruciante que ele vai desejar morrer. Locke acaba cedendo ao saber que o partido da oposição contará com uma mulher do seu passado: Sabeta Belacoros, a única pessoa capaz de se igualar a ele nas habilidades criminosas e mandar em seu coração. Novamente em uma disputa para ver quem é o mais inteligente, Locke precisa se decidir entre enfrentar Sabeta ou cortejá-la, e a vida dos dois pode depender dessa decisão. República de ladrões leva o leitor ao início da vida de Locke enquanto flerta com o seu fim, revelando todos os matizes de Sabeta e de seu relacionamento com o líder dos Nobres Vigaristas. Misturando momentos tensos e cômicos do passado e do presente, esta obra é, até agora, a melhor de Scott Lynch.

Contém alguns spoilers dos livros anteriores.

A narrativa desse 3º livro da série Nobre Vigaristas começa logo após os acontecimentos do volume anterior (Mares de Sangue), quando Locke Lamora e Jean Tannen estão fugindo da cidade de Tal Verrar. Quando chegam a Lashane, Locke começa a sentir fortemente os efeitos do veneno injetado em seu corpo, ao contrário de Jean, que acabou tomando o antídoto todo, como foi visto no último capítulo de Mares de Sangue. E está sentindo tão fortemente esses efeitos que a morte parece certa a cada minuto que se passa. É nessa hora que entram os Magos-Servidores.

Próximos da próxima eleição que elegerá o Konseil, que é composto por dezenove representantes da cidade de Kartane, a Arquidama Paciência resolve pedir a Locke Lamora e Jean Tannen uma ajudinha para que o seu partido, o Raízes Profundas, finalmente vença o oponente Íris Negra depois de dois anos. A contra-partida? Tirar o veneno do corpo de Locke e consequentemente salvá-lo. Seria essa uma troca justa e simples ou a Maga-Servidora tem algum outro plano em mente?


Falando em Magos-Servidores, gostaria até de fazer um adendo aqui: eles são um dos pouquíssimos elementos fantásticos que podemos ver nessa série, e nem por isso ela se torna pior ou melhor que as outras. Eu consideraria Nobres Vigaristas como uma série de aventura de ladrões com uma pitada leve de fantasia e não o contrário, como muita gente fala por aí. Aléms dos Magos, temos sempre um papo aqui e um papo ali sobre os Ancestres, mas esses ainda continuam sendo um mistério impenetrável até o momento. Espero descobrir mais nos próximos livros!

Mas a grande parte desse livro foca em algo que os leitores estavam procurando saber há muito tempo: o relacionamento entre Locke e Sabeta. O autor Scott Lynch havia dado poucas pistas sobre a garota dos sonhos de Locke nos dois livros anteriores, apenas reforçava que ele não conseguia parar de pensar nela um minuto sequer e que a relação entre ambos sempre foi um pouco... conturbada. Ainda mais quando se descobre que ela era/é uma das poucas pessoas no mundo capaz de passar a perna no Nobre Vigarista e criar armadilhas tão criativas quanto Locke.

E é aproveitando-se disso que os Magos-Servidores do partido da Íris Negra, concorrente do Raízes Profundas, contratam Sabeta para ajudá-los na eleição! Vocês podem imaginar o que vem por aí...

Em meio a trocas de farpas e tentativas (ou não) de uns amassos aqui e ali, os dois entram em uma briga ferrenha para saber quem dará ao partido contratante o sabor da vitória. Tudo enquanto os queridos Magos-Servidores estão à espreita por toda Kartane, acompanhando os seus movimentos.


Como de praxe, os interlúdios do livro se passam na infância de Locke e, consequentemente, no começo da gangue. Aqui não é diferente, apenas que o foco dessa vez é em como Sabeta entrou para os Nobres Vigaristas e como os outros se comportavam tendo uma guria entre eles. Uma guria que era mais inteligente que os demais. Uma guria que era capaz de deixar Locke Lamora para trás desde o tempo em que viviam no Morro das Sombras, sob ordens do Aliciador. Foi lá que Locke encontrou Sabeta pela primeira vez e aquela atração toda pela ruiva começou.

Esses interlúdios, por sinal, para mim foram a melhor parte da obra até a metade da leitura, quando os Vigaristas precisam realizar uma missão em outro lugar e o ritmo cai levemente. Mesmo assim, as informações contidas neles são essenciais para se entender o motivo de Sabeta ter deixado os Nobres Vigaristas logo após a morte do Correntes e estar sumida por uns bons anos.

Uma das mudanças desse 3º livro para os demais é que, entre os capítulos "normais" e os interlúdios, temos a presença de interseções, mini-capítulos contados a partir de um ponto de vista muito peculiar, um personagem bem conhecido dos Vigaristas e que promete aparecer mais uma vez...

Aliás, só para constatar que, em matéria de humor e sarcasmo, os campeões disparados desse quesito em República de Ladrões foram Calo e Galdo Sanza. Os irmãos gêmeos deram um show à parte em toda a obra. Sugiro que vocês leiam o trecho a seguir como se estivessem cantando:

Calo mordeu o interior da bochecha, afinou de novo a harpa e recomeçou:

“Disse o patrão à donzela nova na herdade:
Deixe-me mostrar os animais da propriedade!
Aqui está a vaca que dá leite e o porco no chiqueiro
Aqui está o cachorro, uma cabra e um cordeiro;
Aqui está um cavalo orgulhoso e um falcão treinado e valente,
Mas o que você deve ver mesmo é este pinto excelente!”

- Onde você aprendeu isso?! – gritou Correntes.
Calo explodiu num ataque de riso, mas Galdo continuou a canção com uma expressão impassível:

“Alguns pintos acordam cedo e alguns crescem bastante,
Mas o pinto em questão trabalha mais que o restante!
Trabalhar é uma virtude, eu concordo e não minto.
E então, queridinha, venha segurar o meu...”

Explicando um pouco o porquê do nome do livro, além do seu significado óbvio para quem já lê a série, República de Ladrões refere-se à uma peça de teatro que os Nobres Vigaristas devem apresentar juntamente com outros membros de uma companhia fadada ao fracasso. Essa parte me rendeu algumas boas risadas e leves momentos de tensão.

República de Ladrões consegue manter um bom nível, mas acaba não sendo melhor que os dois livros anteriores. A fórmula usada por Scott Lynch nos seus livros continua boa e os mesmos devem (!) obrigatoriamente ser desbravados por todo aquele que é fã dessa série. Recomendo!

Ah, só mais uma coisinha, pra deixar todos vocês com aquele leve gostinho de quero mais: 

"- Vou lhe dar uma pequena profecia, Locke Lamora, do melhor modo que eu a vi. Três coisas você deve tomar e três coisas você deve perder antes de morrer: uma chave, uma coroa e uma criança. - Paciência puxou o capuz para cima da cabeça. - Você vai morrer quando cair uma chuva de prata."

Fui, tchau!

Avaliação final:

Nobres Vigaristas:

2º livro - Mares de Sangue
3º livro - República de Ladrões
4º livro - The Thorn of Emberlain (ainda não foi lançado)
5º livro - The Ministry of Necessity (ainda não foi lançado)
6º livro - The Mage and the Master Spy (ainda não foi lançado)
7º livro - Inherit the Night (ainda não foi lançado)
Livro extra com dois contos - The Bastards and the Knives (ainda não foi lançado)

8 de mai de 2015

Resenha: Pequenos Deuses - Terry Pratchett


Título: Pequenos Deuses
Original: Small Gods
Série: Discworld #13
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 308
Editora: Bertrand (março de 2015)

Sinopse: Religião é um assunto controverso em Discworld. Todo mundo tem sua própria opinião e até seus próprios deuses, que podem ser de todas as formas e tamanhos. Nesse ambiente tão competitivo, as divindades precisam marcar presença. E a melhor maneira de fazer isso certamente não é assumindo a forma de uma tartaruga. Nessas situações, você precisa, e rápido, de um assistente. De preferência alguém que não faça muitas perguntas...

Sempre ouvia as pessoas falando muito bem da série Discworld, do renomado autor Terry Pratchett, e graças à editora Bertrand finalmente tive a chance de desbravar um livro dessa série (obrigado por cederem um exemplar de Pequenos Deuses). Como vocês devem ter visto por aí, Terry Pratchett faleceu recentemente, mais precisamente no dia 12 de março de 2015, o que foi um baque para todos os fãs de fantasia que admiravam o autor. Como forma de homenageá-lo e divulgar o trabalho da sua vida, trago para vocês a resenha de Pequenos Deuses, 13º livro de Discworld.

Já imaginaram que, de alguma maneira, pode existir uma maneira de seu Deus (ou deuses) se manifestar no lugar em que você vive? E se ele, pensando em descer do seu lugar sagrado na imponente forma de um touro, resolve aparecer e descobre que na verdade é uma mera tartaruga caolha? Como fazer com que todos os seus seguidores acreditem em você?

É com esse estilo ricamente engraçado e irreverente que Terry Pratchett parece ter conquistado a grande maioria dos seus leitores. Devo dizer que sou um desses novos leitores agora.

Somos apresentados a Brutha, um noviço da igreja omniana, cuja entidade superior é o Grande Deus Om, a tartaruga mencionada anteriormente. Munido de imensa ingenuidade e uma capacidade incrível de memória, Brutha simplesmente cuida de uma horta e certo dia avista uma tartaruga por lá. Uma tartaruga que fala com o noviço. Um deus na forma de uma tartaruga.

Considere agora a tartaruga e a águia.

A tartaruga é uma criatura que vive no solo. É impossível viver mais perto do solo sem estar debaixo dele. Seu horizonte fica a meros centímetros de distância. Ela atinge toda a velocidade necessária para caçar uma alface. Para sobreviver, enquanto o restante da evolução a ultrapassava, bastou não representar ameaça a ninguém e dar muito trabalho para ser comida.

Eu dou risada quando penso nisso, é tudo simplesmente muito engraçado! ahuahuhauhua

A partir daí vemos a dupla entrando em uma enrascada das grandes. Brutha não acredita que o seu deus seja aquela tartaruga e Om não entende por que o noviço pensa assim. Afinal, o Grande Deus Om possui milhares de seguidores em toda Discworld. Ou seria Brutha o único deles?

O problema em ser um deus é que não se tem ninguém para quem orar. - Om

Não bastasse essa desconfiança inicial entre os dois, Brutha acaba envolvido em uma conspiração que pode e certamente resultará em uma tremenda guerra santa, ainda mais quando a frase "A Tartaruga se Move" começa a ser espalhada por aí. Muitos afirmam que o mundo não é uma esfera, mas sim uma tartaruga nadando pelo universo com quatro elefantes apoiados no seu casco, sendo que esses sustentam toda Discworld em uma forma plana, como se fosse um disco. Uma calúnia? Talvez, se não fosse pelo fato disso simplesmente ser real.

Pensem bem na genialidade do autor ao criar um mundo dessa maneira. Nunca vi algo assim antes!


Em determinado momento somos apresentados a Vorbis, o exquisidor da Quisição (sim, é assim mesmo que se escreve no livro), um homem capaz de mudar a mente de qualquer pessoa para pior. Sua capacidade de persuasão é imensa, sendo que todos temem esse homem quando passam perto dele. É o cara a ser temido! Um homem com a mente corrompida, que não acredita na Tartaruga que se Move e fará de tudo para eliminar qualquer um que pense em proferir tal blasfêmia.

Além disso, o cara é tão desprovido de emoções que é simplesmente capaz de virar uma tartaruga de cabeça para baixo e deixá-la sozinha no local, agonizando e implorando por ajuda. Que tipo de ser humano faria isso com o pobre animal, ainda mais ele sendo um deus?


Gostei bastante desse livro. Não está no meu TOP TOP de leituras, mas a narrativa é tão fluida e dinâmica que fica difícil largá-lo. A todo momento vemos piadas e referências a situações cotidianas da nossa vida, sempre colocadas de um modo que se encaixa na trama. O ponto principal pareceu ser a tentativa de uma pessoa/deus em se firmar numa posição ou local que lhe convenha, como é o caso de Om na busca por respostas, principalmente em como virou uma tartaruga e ficou assim por mais de três anos.

Qualquer deus poderia começar pequeno. Qualquer deus poderia crescer em estatura quando seus fieís aumentassem. E decrescer à medida que diminuíssem. Era como um grande jogo de escadas e serpentes. 
Deuses gostavam de jogos, desde que estivessem ganhando.

Os acontecimentos finais da obra são bem interessantes e alguns até meio imprevisíveis, principalmente a relação entre Vorbis e Brutha. Duas mentes diferentes podem caminhar para o mesmo destino às vezes, e aqui isso (talvez) irá acontecer.

Trabalhando bastante com referências a filósofos e religiões diversas, Pratchett mistura muito humor e ironia nesse livro, fazendo com que o leitor fique frequentemente se perdendo se as coisas em que acredita são reais mesmo ou apenas uma mera forma de enganar os outros.
O medo é uma terra estranha. Nele, a obediência cresce como milho, em fileiras que facilitam a colheita. Mas, às vezes, nele crescem as batatas do desafio, que florescem no subsolo.

Repleto de diálogos extremamente bem-humorados e personagens muito cativantes, Pequenos Deuses é leitura obrigatória para quem quer dar muitas risadas e pensar nas coisas de uma maneira alternativa. Recomendadíssimo para todos os amantes da fantasia!

Avaliação final:

Discworld:

1º livro - A Cor da Magia
2º livro - A Luz Fantástica
3º livro - Direitos Iguais, Rituais Iguais
4º livro - O Aprendiz de Morte
5º livro - O Oitavo Mago
6º livro - Estranhas Irmãs
7º livro - Pirâmides
8º livro - Guardas! Guardas!
9º livro - Fausto Eric
10º livro - A Magia de Holy Wood
11º livro - O Senhor da Foice
12º livro - Quando as Bruxas Viajam
13º livro - Pequenos Deuses
14º livro - Lords and Ladies
15º livro - Men at Arms
...

22 de abr de 2015

Resenha: The Great Bazaar and Other Stories - Peter V. Brett


Título: The Great Bazaar and Other Stories
Original: The Great Bazaar and Other Stories
Série: Ciclo das Trevas/Demon Cycle #1.6
Autor: Peter V. Brett
Páginas: 104
Editora: Subterranean Press (2010)

Sinopse: Humanity has been brought to the brink of extinction. Each night, the world is overrun by demons—bloodthirsty creatures of nightmare that have been hunting and killing humanity for over 300 years. A scant few hamlets and half-starved city-states are all that remain of a once proud civilization, and it is only by hiding behind wards, ancient symbols with the power to repel the demons, that they survive. A handful of Messengers brave the night to keep the lines of communication open between the increasingly isolated populace. But there was a time when the demons were not so bold. A time when wards did more than hold the demons at bay. They allowed man to fight back, and to win. Messenger Arlen Bales will search anywhere, dare anything, to return this magic to the world. Abban, a merchant in the Great Bazaar of Krasia, purports to sell everything a man’s heart could desire, including, perhaps, the key to Arlen’s quest. In addition to the title novelette, The Great Bazaar and Other Stories contains a number of scenes not included in The Painted Man (published in the US as The Warded Man) as well as a glossary and a grimoire, making it an essential guide to one of the most exciting epic fantasy series currently being published.

Contém spoilers leves de O Protegido.

E aqui estou eu novamente para contar a minha opinião sobre The Great Bazaar and Other Stories, outro livro do Peter V. Brett que se passa no mesmo universo da série principal.

Situado entre os capítulos 16 e 17 de O Protegido, The Great Bazaar já nos introduz a Arlen como mensageiro e atualmente em Krasia, a Lança do Deserto. Sempre quis saber mais sobre o local, e esse conto sanou um pouco a minha curiosidade a respeito dos krasianos e como eles se comportam.

Em busca de riquezas, Arlen vaga pelo deserto atrás de Baha kad'Everam, um vilarejo krasiano conhecido pelos seus artesãos e as peças de cerâmica que produziam, cujo valor é inigualável. Há mais de 20 anos não há notícias do que acontece no local, que jaz abandonado e sem a presença de humanos, como constatado após uma expedição realizada por krasianos há muito tempo.

Todo mundo sabe que pra trabalhar com cerâmica tem que ter barro e argila, e como isso existe em excesso no local também dá pra imaginar que existe o que mais? Isso mesmo, demônios do barro/da argila!! E nada melhor que um ambiente propício como esse para se camuflarem e realizarem emboscadas contra os viajantes mais desavisados, como é o caso do nosso Arlen...


Voltando um pouco a Krasia, temos um capítulo com o ponto de vista de Abban, o khaffit que Arlen negocia suas mercadorias e o recebe sempre com um humor diferenciado e lábia inigualável.

Nessa parte fica mais evidente o modo que as pessoas em Krasia são tratadas, sendo que os guerreiros possuem um lugar destinado ao Céu e quem não tem capacidade de segurar uma lança e lutar é desprezado imensamente, mesmo que alguns desses "párias" virem bons mercadores no futuro. E as mulheres, então, são praticamente tratadas como ninguém. Algo como acontece atualmente nos países muçulmanos, diga-se de passagem. Isso é assunto polêmico para outra hora.

Krasia é uma cidade com hábitos e costumes totalmente diferentes de todo o resto da Thesa, seja pelo modo como tratam os seus habitantes e reverenciam os seus sacerdotes, seja pelo modo como combatem os terraítas à noite em seus labirintos feitos especialmente para isso.

E a bebida que Abban apresenta a Arlen? O tal couzi é uma "mistura de canela com grão fermentado destilado", muito forte e com um gosto horrível nos primeiros goles. Muitos guerreiros a bebem antes das batalhas, buscando a coragem que possa lhes faltar. Será que Arlen gostou?


Mas o momento mais importante do livro não é esse. Quando Arlen e Abban estão discutindo sobre suas mercadorias, o guri do Riacho de Tibbet pede algo que poucos têm acesso: um mapa das ruínas do Sol de Anoch, a cidade perdida onde o Salvador teria dado seus primeiros passos e comandado toda a humanidade contra os terraítas. Um local que não é encontrado há séculos e pode esconder relíquias de valor inestimável, assim como proteções que ninguém mais se recorda.

PULO RÁPIDO PARA O CAPÍTULO 17 DO LIVRO 1: todos sabem que essas ruínas dão uma mexida total na vida de Arlen, e gostei muito de saber como Arlen consegue o mapa de sua localização.

The Great Bazaar and Other Stories também traz trechos cortados de O Protegido por pedido do responsável pela edição ou por vontade do próprio Peter V. Brett mesmo. Um desses trechos é o que Peter desejava que fosse o prólogo da obra principal, mas o editor pediu para cortar por ter uma narrativa diferente do restante da obra. O outro é um capítulo com Leesha indo ajudar uma ex-amiga a recuperar-se de ferimentos, o qual mostra como ela cresceu mentalmente e parece estar preparada para o que o destino lhe reserva.

Temos também acesso a um dicionário krasiano de termos e a um grimório de proteções ao final, sendo que esse possui imagens de proteções ainda não vistas no 1º livro e que podem ser melhor compreendidas por quem já tiver lido os volumes restantes. Muitos me recomendaram ler esse livro curto só depois do livro 3, mas acho que consegui aproveitá-lo de uma maneira satisfatória.

Resumindo, The Great Bazaar and Other Stories é uma leitura interessantíssima e deve ser desbravada por todos os fãs da série e quem mais desejar. Recomendo!

Avaliação final:

Ciclo das Trevas:

1º livro - O Protegido
2º livro - The Desert Spear
3º livro - The Daylight War
4º livro - Skull Throne
5º livro - The Core
Extras - Brayan's Gold, The Great Bazaar and Other Stories e Messenger's Legacy

20 de abr de 2015

Resenha: Brayan's Gold - Peter V. Brett


Título: Brayan's Gold
Original: Brayan's Gold
Série: Ciclo das Trevas/Demon Cycle #1.5
Autor: Peter V. Brett
Páginas: 94
Editora: Subterranean Press (2011)

Sinopse: Arlen Bales 17, apprentice Messenger in brand new armor, is ready for the first time beside a trained Messenger on a simple overnight trip. Instead Arlen finds himself alone on a frozen mountainside, carrying a dangerous cargo to Count Brayan’s gold mine, one of the furthest points in the duchy. And One Arm, giant rock demon, hunts him still.

Contém alguns spoilers leves de O Protegido.

Aproveitando que tinha acabado de ler O Protegido, escrito pelo Peter V. Brett, resolvi encarar esse conto e desbravar um pouquinho mais desse universo que eu gostei muito de conhecer.

A narrativa de Brayan's Gold se passa mais ou menos na metade do livro principal, quando Arlen está em Miln trabalhando com Cob e levando adiante o seu sonho de ser um mensageiro.

Em um de seus primeiros trabalhos como aprendiz de mensageiro, Arlen é encarregado de levar uma carga extremamente importante de thundersticks (foguetes?) para Brayan's Gold, uma das minas do Conde Brayan, localizada em uma montanha bem afastada ao noroeste de Miln. Além disso, já que sua carga é perigosa e qualquer movimento brusco pode explodir tudo e também causar uma avalanche, todo cuidado é necessário, sem contar o fato de que ladrões costumam espreitar as altas estradas e interceptar os carregamentos que chegam às minas.

Nem preciso dizer que já sentia saudades de ler sobre o Arlen, né? Acredito que esse conto do Brett, cujas páginas tiveram que ser tiradas do livro principal e colocadas aqui, traz mais algumas perspectivas para os leitores e também reforça as características e motivações de Arlen. Sua aversão ao medo que as pessoas têm pelos terraítas é evidente e aqui ela se intensifica ainda mais.

I will respect the corelings, Arlen thought, but I will never stop fighting them.

Um velho amigo do passado também aparece para acompanhar Arlen enquanto ele sobe as montanhas: o Maneta. Esse mesmo. O demônio que teve metade do braço amputado pelas proteções de Arlen ainda o persegue e está sempre por perto, só esperando a noite e o momento em que nosso protagonista estará descuidado, tendo assim a chance de se vingar.
Conhecemos também algumas proteções novas utilizadas por aqueles que se aventuram nas montanhas geladas do Norte. Munido de tinta e do seu caderno repleto de proteções, Arlen sempre procura descobrir mais sobre os segredos dos terraítas e o que pode matá-los.

Ficaram também algumas questões que eu notei e parecem ser bem importantes/intrigantes para entendermos mais da obra: proteções feitas com sangue são mais eficazes do que aquelas feitas com tinta? Em determinado momento, Arlen faz uma proteção com sangue e o seu efeito é muito bom, então isso é algo que eu pretendo prestar mais atenção quando continuar a série.

E os demônios do gelo, será que caminham pelas montanhas repletas de neves? As histórias contadas nas tavernas dizem que sim, mas parece não existir ninguém que os tenha visto pessoalmente, o que deixa em dúvida a sua existência. É o mesmo caso do Protegido, digamos assim. Cito também (e novamente) os aspectos políticos e as relações dos nobres entre si, que parecem estar vindo à tona quanto mais eu avanço nas obras de Peter V. Brett.


Leitura obrigatória para os fãs da série, não deixem de conferir Brayan's Gold e os outros livros extras que se passam no mesmo mundo. A escrita de Peter continua envolvente como sempre.

Em breve pretendo ler The Great Bazaar and Other Stories, outro livro que se passa em Thesa, e também quero continuar a série e ler The Desert Spear/A Lança do Deserto. Fiquem de olho!

Avaliação final:

Ciclo das Trevas:

1º livro - O Protegido
2º livro - The Desert Spear
3º livro - The Daylight War
4º livro - Skull Throne
5º livro - The Core
Extras - Brayan's Gold, The Great Bazaar and Other Stories e Messenger's Legacy

19 de abr de 2015

1º Teaser de The Last Kingdom

Boa tarde, desbravadores!!

Eu não posso deixar de comunicar a minha alegria ao ver o primeiro teaser do seriado The Last Kingdom, produzido pela BBC e baseado na obra Crônicas Saxônicas do autor Bernard Cornwell.



Situada no ano de 872, a série apresenta as invasões vikings em território hoje conhecido como Inglaterra. Wessex, sob o comando do Rei Alfred, o Grande, é o único reino que resiste aos ataques. A história tem como protagonista o jovem Uhtred, um garoto nobre que perde o pai em um dos ataques vikings. Levado e criado por eles, Uhtred cresce e se torna um guerreiro. Mais tarde, ele parte com a missão de conquistar as terras onde nasceu. Enquanto isso, o Rei Alfred enfrenta problemas políticos e religiosos para unificar os reinos e transformá-lo no que hoje é a Inglaterra.

Até já fiz uma resenha do 1º livro da série aqui no blog e vocês podem conferir aqui. Outra resenha muito boa é a feita pelo blog Drunkwookie: http://www.drunkwookie.com.br/cronicas-saxonicas/.


Apenas leiam e assistam ao seriado quando ele sair, já que a previsão é final de 2015!

Curtam também as páginas The Last Kingdom BR e Crônicas Saxônicas Brasil lá no Facebook.

Wyrd Bið Ful Aræd
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