10 de fev de 2015

Resenha: Império de Diamante - J. M. Beraldo


Título: Império de Diamante
Original: Império de Diamante
Série: Reinos Eternos #1
Autor: J. M. Beraldo
Páginas: 328
Editora: Draco (janeiro de 2015)

Sinopse: Um Imperador reina absoluto há séculos, mas toda dinastia chega ao seu fim. Conheça o Império de Diamante: um reino eterno que conquistou e suprimiu várias culturas de Myambe, o continente original da Humanidade. Protegido por um exército com poderes incríveis, o Imperador governa com sabedoria e há quem diga que possa conceder talentos sobrenaturais a quem desejar. Mas agora sua decadência parece inevitável. Vinte anos após a última conquista, ninguém sabe do Imperador. O governo lentamente abandona as províncias mais distantes à mercê de uma seca avassaladora. O povo implora por socorro, mas não há ajuda. Em meio à crise, quatro indivíduos com objetivos diferentes acabam envolvidos na trama que pode revelar os segredos deste homem tão poderoso. Neste mundo fantástico baseado nas culturas africanas, o autor J. M. Beraldo explora a construção da História e da crença religiosa através da trajetória desse quarteto. Forçados a depender uns dos outros para alcançar seus propósitos, qual será o papel desse inusitado grupo na história do Império de Diamante?

Um reino em decadência. Um Imperador que simplesmente desaparece após ser mortalmente ferido em uma batalha. Junte isso tudo a um povo passando fome e pronto: temos uma nação prestes a explodir em uma guerra civil. O diferencial da obra de J. M. Beraldo? Não estamos mais na Idade Média, desbravador, estamos em um continente árido, pobre e cheio de peculiaridades. Alguma semelhança com a África? Não é por acaso, já que o autor inspirou-se em culturas africanas para criar Reinos Eternos, uma série que eu certamente acompanharei do começo ao fim!


A narrativa de Império de Diamante passa-se em Myambe, um continente praticamente todo dominado pelo Imperador, que passou séculos conquistando cada região possível e agora vê Myambe passar por uma seca nunca antes vista. Como antecipado na sinopse, tudo começou a pior com a decadência do Império, logo após o soberano ser atingido durante um combate com guerreiros do Vale, última região anexada pelo Império de Diamante, fato que ocorreu 20 anos atrás.

Inicialmente somos apresentados a Rais Kasim, um mercenário nascido no Vale que esteve naquela batalha, a que mudou tudo, mas acabou sendo obrigado a fugir para outros continentes e ficar longe das garras do Imperador. Acompanhado por outros três companheiros, só agora volta para o seu continente de origem. Com que intuito? Leia e descubra!

Como já é de praxe, sempre é bom termos pontos de vistas diferentes em uma obra, e é nessa hora que entra Adisa, um sacerdote de 15 anos com um dom extremamente diferenciado: consegue entender qualquer língua escrita e falada sem nem ao menos tê-la estudada anteriormente. E é com esse dom especial que ele irá procurar bobagens/heresias escritas a respeito do Imperador ao longo da História e alterá-las de um jeito que agrade ao clero imperial.

Mukhtar Marid, Adisa, Rais Kasim e Zaim Adoud

Outro que merece destaque é Zaim Adoud, governante de uma província bem mais afastada da capital do Império e que está sendo totalmente negligenciada pelos que estão no poder. Uma situação que o deixa em uma posição delicada, já que precisa lidar com os seus subordinados passando dificuldades e ainda por cima precisa dar satisfações ao Império.

E, por fim, temos Mukhtar Marid, um dos guerreiros sagrados do Vale, seguidor da Estrela da Manhã e consequentemente inimigo do Império. Mukhtar lidera um bando de rebeldes em ataques contra os que estão no poder e pretende livrar o Vale do seu domínio, fazendo de tudo para que isso realmente aconteça, mesmo que as consequências sejam duras.

"Se eram covardes o suficiente para renegar sua religião e povo, não mereciam viver."

Bem, passadas essas apresentações iniciais básicas, vamos ao que realmente interessa: Império de Diamante é um baita livro, meio curto, confesso, mas intenso como poucos! Eu queria ler sempre mais! Desbravar algo diferente às vezes faz muito bem, e com certeza você sentirá isso enquanto viaja por toda Myambe junto aos quatro personagens principais.


Confesso que toda vez que leio algo baseado na África o meu espírito aventureiro vai lá no meu cérebro e diz: "Hey, Indiana Jones, que tal desbravar pirâmides e palácios, falar com os espíritos e mergulhar em uma baita aventura?" Sim, foi exatamente assim que eu me senti enquanto desbravava Império de Diamante e queria descobrir mais sobre os segredos que o autor trazia, as locações que tanto habitam o meu imaginário e os seres sobrenaturais que só caminham à noite.

O mistério sobre o que está acontecendo com o Imperador é pulsante, viciante, sempre presente. Você sentirá isso em cada capítulo que lê, com cada ponto de vista diferente, coletando informações aqui e ali e tentando descobrir o que realmente se passa. Tentar descobri-lo e acertar é recompensador, já digo de passagem.

 

Mas e a religião, onde entra? Primeiramente saiba que é ela quem molda a história de Myambe e seus habitantes. Quando o Imperador começou a anexar territórios, a maioria dos refugiados passou a viajar para continentes distantes, criando assim uma mistura étnica monstruosa, sem precedentes, onde cada um tem suas crenças e farão de tudo para que ela seja a predominante.

Mesmo assim, o que move Myambe é a crença no deus-vivo, o homem que os levou até onde estão. Qualquer opinião contrária é considerada heresia e deve ser combatida e aniquilada, principalmente se o Imperador resolver usar os seus primogênitos, guerreiros dotados de habilidades especiais e uma das suas principais armas para realizar a sua vontade.

"Os escritos ensinavam que um primogênito era muito mais que um homem; era uma entidade nascida no próprio corpo do Imperador, capaz de montar o corpo de um escolhido perfeito."

Em Império de Diamante você também conhecerá outras pessoas dotadas de habilidades especiais além de Adisa, o sacerdote-tradutor, e os primogênitos do Imperador, além dele próprio. Temos oráculos, homens e mulheres que falam com espíritos e pessoas que conseguem mexer com as leis da natureza. Sem contar os animais!! Estamos tão acostumados a ver cavalos por aí que quando li zebras cheguei até a desconfiar. ashusahuhasuhas. Ter elefantes de guerra e chitas em meio à narrativa também transforma o fato em um diferencial para a série e eu espero que os bichanos sejam cada vez mais utilizados, assim com o(s) tipo(s) de magia existente(s).



Acho que era isso por enquanto. Leia e tire suas próprias conclusões. Império de Diamante provou ser um ótimo livro de fantasia NACIONAL e sai um pouco da tão utilizada Idade Média para explorar mundos diferentes, baseados em culturas locais e que se cruzam a todo instante. Fica a minha recomendação de leitura, espero que curtam e passem aqui depois para dizer o que acharam!!

A versão física do livro deve sair ainda no 1º semestre de 2015. Por sinal, a capa é SENSACIONAL, encaixou perfeitamente com a ideia do livro e foi ela que me fez desbravar Império de Diamante. Caso queira saber mais sobre a obra e o autor, você pode dar uma olhada na fanpage da série, no site do autor e também nas redes sociais Goodreads e Skoob.

Ah, mais uma coisa: jamais duvide de Rais Kasim, o melhor personagem desse livro!


Avaliação final:

Reinos Eternos:

1º livro - Império de Diamante
2º livro - Último Refúgio (previsão de lançamento para 2016)
3º livro - Sem nome
Mais podem estar a caminho...

7 de fev de 2015

Resenha: A Música do Silêncio - Patrick Rothfuss


Título: A Música do Silêncio
Original: The Slow Regard of Silent Things
Série: A Crônica do Matador do Rei/The Kingkiller Chronicle #2.5
Autor: Patrick Rothfuss
Páginas: 144
Editora: Arqueiro (janeiro de 2015)

Sinopse: Debaixo da Universidade, bem lá no fundo, há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem de sua existência, uma rede descontínua de antigas passagens e cômodos abandonados. Ali, bem no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem. Seu nome é Auri, e ela é cheia de mistérios. A música do silêncio é um recorte breve e agridoce de sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história nos oferece a oportunidade de enxergar o mundo pelos olhos de Auri. E nos dá a chance de conhecer algumas coisas que só ela sabe... Neste livro, Patrick Rothfuss nos leva ao mundo de uma das personagens mais enigmáticas da série A Crônica do Matador do Rei. Repleto de segredos e mistérios, A Música do Silêncio é uma narrativa sobre uma jovem ferida em um mundo devastado.

Mundialmente conhecido pelos livros O Nome do Vento e O Temor do Sábio, Patrick Rothfuss pensou um pouco diferente dessa vez e criou um livro pequeno (144 páginas) para falar mais sobre uma de suas personagens: Auri. Em A Música do Silêncio, acompanhamos Auri durante sete dias de sua vida estranha nos Subterrâneos enquanto ela aguarda a visita de alguém muito querido, que provavelmente é Kvothe, protagonista d'A Crônica do Matador do Rei.

Com uma narrativa monótona e totalmente diferente do comum (sim, é isso mesmo que você leu), Patrick Rothfuss nos traz algumas informações relevantes para entendermos melhor a personagem e o mundo: [ALGUNS SPOILERS MODERADOS A PARTIR DAQUI] Auri estudou muito a Alquimia enquanto estava nas aulas da Universidade, tanto é que deve ter sido uma das melhores alunas nesse quesito. Auri não é seu verdadeiro nome, como muitos já sabiam. O mundo em que se passam as aventuras chama-se Temerant, essa sim uma informação bem nova e interessante.
Pelo que vi nas resenhas mundo afora, muitos odiaram e muitos amaram o livro, esses últimos comentando sempre sobre a escrita poética e sobre como cada detalhe mínusculo faz diferença na vida da Auri. Mas gente, desculpa, isso não é para mim. Um livro sem diálogo, sem interação, sem um mísero conflito, com somente um personagem passeando por aí com uma engrenagem e gastando mais de 10 páginas com alguém fazendo sabonete? Não, não é para mim! Felizmente pode ser para você, então não leve minha opinião como se fosse a única que você vai ler.

Ainda bem que o próprio Patrick sabia que esse livro contando alguns dias da vida da Auri não iria agradar tanta gente assim enquanto estava escrevendo-o e deixou esse recado sincero no final:

"Então. Se você leu este livro e não gostou, me desculpe. A culpa é minha. Esta é uma história estranha. Talvez você a aprecie melhor numa segunda leitura. (Quase todos os meus livros são melhores da segunda vez.) Mas também pode ser que não. Se você é uma das pessoas que acharam esta história desconcertante, tediosa ou confusa, peço desculpas. A verdade é que provavelmente ela não era para você."
E não era mesmo, pelo menos para mim. Arrisque-se por conta própria e tire suas próprias conclusões, enquanto isso eu pensarei sempre na frágil/pequena Auri pelo ponto de vista do Kvothe.

Avaliação final:

A Crônica do Matador do Rei:

1º livro - O Nome do Vento
2º livro - O Temor do Sábio

3º livro - The Doors of Stone (sem previsão)
Livro da Auri - A Música do Silêncio

3 de fev de 2015

Resenha: O Lobo das Planícies - Conn Iggulden


Título: O Lobo das Planícies
Original: Wolf of the Plains ou Genghis: Birth of an Empire
Série: O Conquistador/Conqueror
Autor: Conn Iggulden
Páginas: 420
Editora: Record (2008)

Sinopse: Temujin, segundo filho do chefe dos lobos, tinha apenas onze anos quando seu pai morreu numa emboscada. A família foi expulsa da tribo e deixada sozinha, sem comida nem abrigo, para morrer de fome nas duras planícies da Mongólia. Foi uma dura introdução a um súbito mundo adulto, mas Temujin sobreviveu, aprendendo a combater ameaças naturais e humanas. Em pouco tempo, um pequeno exército de desgarrados se une a Temujin, marcando o início de uma nova identidade tribal. Enfrentando todos os perigos, o jovem líder chega à conclusão que mudaria toda a História: o maior inimigo era a divisão causada por séculos de guerra entre as tribos. Para unir seu povo, em breve Temujin iria se tornar o Gêngis Khan. O lobo das planícies traz vívidas descrições de lutas e estratégias de guerra, misturadas com cenas da vida comum à época. Mesclando ficção e acurada pesquisa histórica, Iggulden consegue criar uma trama repleta de reviravoltas e coberta de emoção. 

Esse livro estava há anos na minha cabeça e sempre tive vontade de desbravá-lo, mas infelizmente o tempo ia passando e a hora dele nunca chegava, até que comecei a assistir ao seriado Marco Polo e finalmente me veio a inspiração para ler a tão recomendada obra de Conn Iggulden. Só me restou pegar o e-book original e começar a desbravar. O Lobo das Planícies é o primeiro livro da série O Conquistador, composta por 4 outros, e nos apresenta o início da vida de Temujin, filho do chefe da tribo dos Lobos, vivendo em terras mongóis.

Tudo começa a dar errado quando o pai de Temujin morre após ser atacado por alguns Tártaros, o que desencadeia uma série de tragédias na vida dele. O novo khan dos Lobos abandona a família de Temujin no meio de um inverno rigoroso e sem comida, deixando-os lá para morrer. Vale destacar aqui a fibra moral e a força de vontade da mãe do protagonista, pois eu não imagino a dificuldade de se criar CINCO filhos em um local praticamente sem comida e com a ameaça de ser morto por qualquer grupo de guerreiros que aparecesse.

“There was no justice in the world, but he had known that ever since the death of his father. The spirits took no part in the lives of men once they had been born. A man either endured what the world sent his way, or was crushed.”

A escrita do autor é simples e direta, sem muitos rodeios e, mesmo que os primeiros 57% do livro são dedicados a Temujin dos 11 aos 14 anos, isso não tornou-se monótono em momento algum, tanto é que eu sempre terminava um capítulo e ansiava por mais, queria descobrir o que acontecia com a família do protagonista e o que eles fizeram para sobreviver, as provações que tiveram que passar para aguentar um ambiente tão hostil e perigoso.

O tempo passa e eles sobrevivem, sempre com a ameaça de aparecer algum Tártaro pelo caminho ou a tribo dos Lobos voltar para ver se o inverno fez o serviço completo. O ódio de Temujin e seus irmãos pelo atual khan dos Lobos é tão, mas tão intenso, que a vida deles resume-se a vingança, pela alma de seu pai, pela chance de poderem viver novamente.

Lembro também da parte inicial do livro, quando Temujin e seus irmãos saem na busca por um filhote de águia no topo de uma montanha para dar de presente ao pai e acabam encontrando dois deles, como se isso fosse uma vontade dos deuses. Nessa parte já podemos perceber a forte relação que os irmãos terão ao longo da história, seja para o bem ou para o mal, como o leitor acabará descobrindo alguns capítulos depois.


Esse livro é só o começo da história de uma nação, de um homem que manteve os fantasmas do seu passado bem vivos na sua cabeça para que ele se tornasse um líder cruel e sem medo de expandir os seus territórios, matando qualquer um que aparecesse no seu caminho e tentasse atrapalhar o seu sonho: juntar todas as tribos mongóis em uma só, torná-los somente um povo.

“You will revenge my father's death and we will be one tribe across the face of the plains, one people. As it should always have been. LET THE TARTARS FEAR US THEN! LET THE CHIN FEAR US!”

Conn Iggulden focou intensamente na parte psicológica do personagem principal e seus familiares nesse livro, trazendo à tona todas as adversidades passadas por Temujin na sua infância e como isso realmente moldou o seu caráter para que ele se tornasse como é conhecido hoje: o maior conquistador da História, o implacável e impiedoso Genghis Khan, reverenciado até hoje como um dos maiores estrategistas que o mundo teve a honra de conhecer.

“We are the silver people, the Mongols. When they ask, tell them there are no tribes. Tell them I am khan of the sea of grass, and they will know me by that name, as Genghis. Yes, tell them that. Tell them that I am Genghis and I WILL RIDE.”

Tchê, eu preciso mesmo dizer que eu gostei demais desse livro? A história de Temujin é LINDA, se é que existe uma palavra melhor para descrevê-la, e só desbravando-a será possível entender como viveu Genghis Khan e sua família. São vários momentos de tensão durante a narrativa que fica difícil não torcer por Temujin e vibrar quando os seus golpes encontram o coração do inimigo, quando ele sofre por estar quase morrendo, quando ele está na linha de frente em uma batalha, quando ele está só respirando, enfim! haha

Leitura recomendadíssima, principalmente para quem gosta de livros no estilo de Bernard Cornwell. As batalhas são bem descritas, os conflitos do personagem com as pessoas próximas são bem intensos e vocês irão se surpreender com a qualidade da escrita de Iggulden, juntando uma narrativa simples com fatos históricos (alguns foram mudados, já que essa é uma obra de ficção). Pretendo ler o segundo ainda em 2015, Temujin certamente merece mais atenção!

Avaliação final:

O Conquistador:

1º livro - O Lobo das Planícies
2º livro - Os Senhores do Arco
3º livro - Os Ossos das Colinas
4º livro - Império da Prata
5º livro - Conquistador

23 de jan de 2015

9º livro das Crônicas Saxônicas ficará pronto em 2015

Procurando por notícias a respeito da série, resolvi fazer uma busca no site do próprio Bernard Cornwell para ver se achava alguma novidade a respeito de Uhtred. E não é que eu encontrei? O 9º livro da série, ainda sem nome, está sendo escrito pelo autor e ficará pronto em 2015!

"Ainda não sei quantos livros serão, mas no momento eu estou trabalhando no próximo!"

"Um livro em 2015 - Uhtred."

"Eu comecei a escrever o nono livro das aventuras de Uhtred; tenho esperanças de que ele estará pronto para publicação no mais tardar este ano!

Felizes com a notícia? Eu sou fã demais dessa série e fico cada vez mais ansioso sabendo que uma hora ela chegará ao seu final, mesmo que a gente ainda não saiba quantos livros serão. Lembrando também que um seriado baseado nos livros está sendo produzido e deverá vir ao ar no final de 2015/início de 2016. Fiquem atentos a qualquer novidade e, até lá, aproveitem para ler as resenhas que fiz dos livros já lançados, começando por O Último Reino.

Um grande abraço e bom final de semana!

22 de jan de 2015

Resenha: A Canção do Sangue - Anthony Ryan


Título: A Canção do Sangue
Original: Blood Song
Série: A Sombra do Corvo/Raven's Shadow #01
Autor: Anthony Ryan
Páginas: 656
Editora: LeYa (outubro de 2014)

Sinopse: Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus Irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem - o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora com uma aventura repleta de ação.

A história de uma lenda. Estas seriam as cinco palavras necessárias se alguém me pedisse para resumir brevemente toda a vida de Vaelin Al Sorna, Beral Shak Ur, Eruhin Makhtar, o Matador do Esperança, filho do ex-Senhor da Batalha do Rei, abandonado pelo próprio pai em frente à casa da Sexta Ordem logo após a sua mãe ter falecido. Treinado para ser um guerreiro em nome da Fé e proteger o Reino, Vaelin é um personagem que acabou entrando definitivamente, a partir de agora, para a minha lista de favoritos.

A Canção do Sangue começa quando Vaelin está sendo levado a um julgamento por combate para que possa responder aos seus "crimes" e ter o destino que muitos desejam: a morte. Acompanhado pelo escriba imperial Verniers, nosso protagonista resolve enfim contar a sua história para ele, trazendo à tona praticamente todos os segredos e mentiras que envolvem a lenda do Matador do Esperança. Alguma semelhança com os livros do Patrick Rothfuss? Diferentemente d'A Crônica do Matador do Rei, onde Kvothe é o ponto de vista e conta sua história, aqui acompanhamos os pensamentos do escriba em primeira pessoa e é Vaelin quem conta a sua história para ele.

O livro é dividido em cinco partes, sendo que em todas elas o primeiro capítulo é do ponto de vista de Verniers, apresentando seus relatos na história presente, e logo após partimos para os capítulos em que Vaelin é o ponto de vista, mudando a narrativa para a 3ª pessoa e viajando ao passado.

"Diziam que aqueles olhos podiam desnudar a alma de um homem, que nenhum segredo permanecia oculto sob seu olhar."

Eu gostei MUITO dessa parte inicial do treinamento de Vaelin Al Sorna. Eu estava até meio receoso que ela fosse ser meio monótona e cheia de enrolações, mas o Anthony Ryan fez uma narrativa tão simples, tão direta, que parecia que eu estava vendo um filho sendo treinado para matar. Ainda posso destacar que Vaelin nunca está sozinho e seus irmãos (de Fé) também são desenvolvidos da uma maneira satisfatória, com seus passados sendo explorados (ou não) e todos tendo que superar as dificuldades dos testes impostos pela Ordem. Muitos acabam sucumbindo às adversidades dos mais variados testes da Ordem, uns sendo mandados embora e outros sendo mandados à cova.

"Eram fortes. Eram matadores. Eram o que a Ordem os tornara. Este é o fim de algo, percebeu. Vivendo ou morrendo, é aqui que as coisas vão mudar, para sempre."

Conforme o tempo vai passando, Vaelin e seus irmãos vão crescendo e também se aperfeiçoando nas suas habilidades (Vaelin na espada, Dentos no arco, Barkus no combate desarmado, Nortah com o cavalo e Caenis na natureza) e consequentemente estreitam seus laços, passando a receber missões cada vez mais perigosas e também arrumando algumas confusões básicas por aí.


O livro toma outro rumo quando Vaelin sofre uma tentativa de assassinato, é agraciado (ou não) com a visão de um lobo e a partir daí começa a sentir a canção do sangue dentro de si, um dom que mais parece um instinto, como se alguém estivesse tentando lhe dizendo o que fazer e o alertasse sobre os perigos que ele está para enfrentar. Quando algo está errado ou Vaelin precisa de alguma indicação do que fazer, ele sempre recorre à canção, aprendendo como controlá-la e, com isso, acaba  também conhecendo outras pessoas que têm esse dom. Quem tentou matá-lo? Por que Vaelin foi enviado à Sexta Ordem? Essas são apenas algumas das várias perguntas que nosso protagonista se fará enquanto tenta sobreviver.

"- A canção não pode ser ensinada, irmão, e não vem de lugar algum. É simplesmente o que você é. Sua canção não é um outro ser que vive dentro de você. Ela é você."

Destaco também a importância que o autor transmitiu às religiões no livro e como elas foram realmente necessárias para que a obra atingisse um nível de excelência, com suas tramas cada vez mais obscuras e também nos trazendo relatos de uma proibida/esquecida Sétima Ordem, conhecida antigamente pelo seu controle das Trevas e por membros que sempre almejavam o poder.

Outro que aparece vez ou outra no livro e tem sua relevância é o Rei Janus. Em um livro desse estilo, tramas políticas não poderiam faltar, né? Ainda mais se algumas mulheres inteligentes forem inseridas no meio e acabarem sendo importantes até mesmo para o amadurecimento da personalidade de Vaelin. Mostrando que não está ali apenas para sentar num trono, Janus entende que Vaelin não pode será apenas um membro da Sexta Ordem e que faz somente o que eles desejam, lembrando que o seu pai era o antigo Senhor da Batalha e os esforços do seu filho poderiam muito bem ser usados para novas tarefas. Tarefas essas que envolvem batalhas, é claro.

Batalhas essas que são muito bem escritas, por sinal, lembrando-me rapidamente as carnificinas dos livros do autor Bernard Cornwell, cujo desbravador aqui é fã! O autor não perdeu muito tempo com descrições exageradas e que pudessem tornar o momento monótono, e essa escrita "lisa" fez com que as batalhas fossem partes extremamente dinâmicas no seu decorrer, sempre mostrando que as habilidades do Senhor da Batalha continuam no sangue de seu filho Vaelin.

Preciso ainda fazer uma leve reclamação à editora LeYa: revisem melhor os seus livros!! Achei várias palavras escritas erroneamente e também fora do lugar, pontuação faltando/sobrando. Um cuidado um pouquinho maior seria legal. Imagino que isso será corrigido na sequência...


A história de um garoto que se transformou em uma lenda, um homem a ser respeitado, um guerreiro a ser temido. Quem diria que o livro inicial do autor Anthony Ryan poderia fazer tanto sucesso? Depois de ser publicado de forma independente, A Canção do Sangue chamou a atenção da editora Penguin Books e a partir daí a quantidade de leitores só aumentou. Nem preciso dizer que, agora que chegou ao Brasil, a série A Sombra do Corvo ganhou mais um ávido leitor, né?

Posso dizer que gostei de tudo nesse livro: o treinamento dos irmãos, a Fé e seus seguidores, o modo de avaliar as Trevas e as pessoas que as dominam, as batalhas e as intrigas políticas no meio de tudo isso. Sobrou até espaço para um leve romance aí no meio, sem contar que a lealdade de Vaelin Al Sorna para com seus irmãos é algo digno de se gravar.

"- A lealdade é nossa força."

Uma mistura no mínimo intrigante: o modo de contar histórias visto em A Crônica do Matador do Rei, o treinamento para se tornar especialista em determinado aspecto sendo bem desenvolvido como na série Nobres Vigaristas (os dois extremamente distintos, só para relembrar) e as descrições de batalhas parecidas com as dos livros de Bernard Cornwell. Está esperando o quê para largar a sua leitura atual e dar uma chance a esse livro? Fica a recomendação então. Nota máxima!

Avaliação final:

A Sombra do Corvo:

1º livro - A Canção do Sangue
2º livro - O Senhor da Torre
3º livro - A Rainha do Fogo
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...