12 de jan de 2015

Resenha: Words of Radiance - Brandon Sanderson


Título: Words of Radiance
Original: Words of Radiance
Série: The Stormlight Archive #02
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 1080
Editora: Tor Books (janeiro de 2014)

Sinopse: In the first volume, we were introduced to the remarkable world of Roshar, a world both alien and magical, where gigantic hurricane-like storms scour the surface every few days and life has adapted accordingly. Roshar is shared by humans and the enigmatic, humanoid Parshendi, with whom they are at war. Among those caught up in the conflict are Highprince Dalinar Kholin, who leads the human armies; his neice Jasnah, a renowned scholar; her student Shallan, a brilliant but troubled young woman; and Kaladin, a military slave who, by the book’s end, was beginning to become the first magically endowed Knight Radiant in centuries. In Words of Radiance their intertwined stories will continue and, as Sanderson fans have come to expect, develop in unexpected, wonderfully surprising directions. The war with the Parshendi will move into a new, dangerous phase, as Dalinar leads the human armies deep into the heart of the Shattered Plains in a bold attempt to finally end it. Shallan will come along, hoping to find the legendary, perhaps mythical, city of Urithuru, which Jasnah believes holds a secret vital to mankind’s survival on Roshar. The Parshendi take a dangerous step to strengthen themselves for the human challenge, risking the return of the fearsome Voidbringers of old. To deal with it all, Kaladin must learn how to fulfill his new role, while mastering the powers of a Windrunner.

Contém alguns spoilers do livro anterior!

O que dizer da sequência de The Way of Kings? Se o livro anterior já tinha me deixado extremamente satisfeito, esse aqui elevou o patamar da série às alturas, me deixou bufando em stormlight, literalmente. Achei que seria muito difícil o Brandon manter o excelente nível do livro anterior, mas o cara simplesmente fez melhor e escreveu uma sequência arrebatadora, cheia de novas teorias e com alguns combates singulares muito interessantes.


Repassando os últimos acontecimentos do 1º volume, agora Kaladin e seus companheiros de Bridge Four são os responsáveis pela guarda pessoal de Dalinar Kholin e sua família, um "prêmio" recebido por terem salvo o general durante a batalha na Torre após uma traição mais que fdp de Sadeas, um cara que merece morrer da pior forma possível. Que Stormfather me conceda esse desejo!!

Que mudança de vida, hein? De carregador de pontes enfrentando a morte todas as vezes que se aventurava nas Shattered Plains a capitão da guarda pessoal do homem que praticamente comanda Roshar, tendo que evitar a morte dos outros a qualquer custo, já que o rei Elhokar não é nem uma sombra se comparado ao falecido pai Gavilar Kholin.

Kaladin definitivamente é o melhor personagem da série e um dos que mais gostei até hoje em todos os livros de fantasia que consegui desbravar. Seus fantasmas do passado o impedem muitas vezes de seguir adiante e tornar-se um homem mais poderoso em Roshar, mas isso é facilmente entendido devido a todos os seus problemas do passado. Em Words of Radiance, vemos o lanceiro em uma posição que o incomoda, já que está muito próximo das intrigas da corte e sua intenção sempre foi e sempre será estar lutando nas Shattered Plains. Ao mesmo tempo que cumpre essa função, Kaladin precisa lidar com seus novos poderes e aprende que ser um bom Surgebinder não é assim tão fácil, ainda que a spren Syl está ali para ajudá-lo a entender como funciona a stormlight.


Mesmo que Kaladin seja o grande protagonista da série, Words of Radiance foi feito para Shallan, a aprendiz de Jasnah Kholin e que agora continua o trabalho da mesma, indo em direção às Shattered Plains para descobrir se Urithiru, a cidade que centralizava as dez ordens dos Knights Radiant, está escondida lá no meio. Isso sem contar que as teorias envolvem os Parshendi e seus "primos" parshmen são ainda mais tenebrosas, capazes de destruir a humanidade se tudo for confirmado.

"A woman's strength should not be in her role, whatever she chooses to be, but in the power to choose that role."

É incrível acompanhar a evolução de Shallan do livro anterior para esse. Daquela garotinha tímida para uma mulher, praticamente, capaz de tudo para descobrir os segredos que tanto perturbam os estudiosos e para infiltrando-se no meio de organizações perigosas, a um passo da morte. Isso sem contar que todos os flashbacks de WoR são com Shallan como personagem principal, e neles descobrimos como foi que seu pai e sua mãe morreram, como seus irmãos foram criados e também todo o tratamento que Shallan recebeu para hoje ter a personalidade que tem.


Mais uma coisa: Shallan definitivamente sai da caverna nesse livro. Algumas revelações sobre ela são incríveis e fazem com que seus povs sejam bem melhores em WoR do que em TWoK.

Outros que ganharam mais destaque nessa sequência são os homens da família Kholin. Renarin agora é um shardbearer e precisa aprender a lutar, ainda que seus "problemas de saúde" o atrapalhem bastante. Para superar isso, nada melhor que se juntar à Bridge Four, correto? Adolin tem uma participação bem maior nesse livro, deixando-nos a par de sua grande habilidade, principalmente em duelos contra outros shardbeares a fim de conseguir mais shardplates e shardblades para a família e assim enfraquecer os inimigos políticos dos Kholin, visto que eles podem e querem atrapalhar o plano de seu pai: reunificar todos os highprinces e finalmente derrotar os Parshendi. Mas quem manda mesmo na parada é Dalinar Kholin, the Blackthorn, agora um homem preocupado, mesmo que obrigatoriamente, com a política e as intrigas que cercam o reino. Sua relação extramamente conturbada com Sadeas ganha outro nível em Words of Radiance, ainda mais que agora temos alguns povs daquele traidor no livro e também entendemos/odiamos as motivações dele em querer que Dalinar saia da posição em que está e seja morto a qualquer hora.

E, para finalizar a lista dos personagens que mais apareceram em Words of Radiance, temos Eshonai e Szeth. A primeira, uma guerreira Parshendi, tem alguns pontos de vista narrados durante o livro e esses capítulos são MUITO interessantes. Conhecemos mais sobre os inimigos do reino, suas diversas formas e sua forma de pensar e, principalmente, lutar e conversar, além de acompanharmos a evolução dos Parshendi e suas última tentativa de sobrevivência. Já Szeth, sempre contratado para matar quem quer que seus mestres desejam, agora tem uma missão maior e precisará tirar do caminho vários highprinces de Roshar, além de encontrar finalmente um adversário ao seu alcance durante a narrativa. As partes de luta de Szeth eram sempre as melhores em The Way of Kings, e aqui não é diferente. Prepare-se para muitos momentos de tensão quando ele aparece, é sempre certeza de adrenalina e muita stormlight sendo utilizada!

 

Comparado ao livro anterior, The Way of Kings, WoR tem menos batalhas mas muito mais intrigas, a escala do mundo cresce consideravelmente e somos apresentados cada vez mais a novos lugares de Roshar e suas particularidades. Eu, particularmente, gostei muito de ambos os livros, mas esse aqui expande a série para outro nível e torna tudo muito melhor. Os segredos de todo (o) mundo crescem ao mesmo tempo que alguns são revelados, alguns personagens descobrem ser capazes de fazer coisas que ninguém imaginava.

You sent him to the sky to die, assassin," Kaladin said, Stormlight puffing from his lips, "but the sky and the winds are mine. I claim them, as I now claim your life.

O que mais me intrigou e me satisfez nesse livro foi descobrir algumas coisas por trás das dez ordens dos Knights Radiant e sobre a origem das sharplates/shardblades, além de nos ser explicada muita coisa a respeito dos espíritos da terra de Roshar, os/as sprens, como é o caso de Syl com Kaladin e de Pattern com Shallan. Ambos desenvolvem-se enquanto seguem os personagens principais e aumentam o seu conhecimento sobre o mundo e as coisas ao seu redor. Sem contar que ter capítulos que se passam entre os Parshendi foi excepcional, a cultura deles é totalmente diferente do que se vê por aí e o modo como se relacionam é bem singular, sendo que todas as suas classes tem uma devida importância entre o povo e assim todos se ajudam mutuamente.

Quem ainda não partiu para desbravar The Stormlight Archive não sabe o que está perdendo!!! É uma leitura agradável, mesmo que os livros tenham mais de 1.000 páginas, as coisas começam a se encaixar de um jeito intrigante, os personagens são bem construídos e fica até fácil identificar-se com vários deles (eu gosto demais do Kaladin, mas eu praticamente me vejo sendo Dalinar, o Blackthorn. Todas as atitudes que ele toma são exatamente as mesmas que eu faria, parece até que o Brandon está escrevendo a minha história quando for mais velho, haha). Uma saga épica que promete ser uma das melhores de todos os tempos, mesmo que só 2 dos 10 livros prometidos tenham sido lançados até o momento. Eu estou tendo a oportunidade de acompanhá-la desde o início e tenho certeza que não me arrependerei quando tudo terminar.

Fica novamente a recomendação dessa série de fantasia épica. Brandon Sanderson escreve sem muitas enrolações e está presenteando os seus leitores com excelentes personagens e um mundo incrivelmente único. Que venha o terceiro (Skybreaker) em 2016!

Avaliação final:


The Stormlight Archive:

1º livro - The Way of Kings
2º livro - Words of Radiance
3º livro - Skybreaker (previsão de lançamento para 2016)
4º livro - Sem nome
5º livro - Sem nome
6º livro - Sem nome
7º livro - Sem nome
8º livro - Sem nome
9º livro - Sem nome
10º livro - Sem nome

2 de jan de 2015

Resenha: Mares de Sangue - Scott Lynch


Título: Mares de Sangue
Original: Red Seas Under Red Skies
Série: Nobres Vigaristas/Gentleman Bastard #02
Autor: Scott Lynch
Páginas: 512
Editora: Arqueiro (outubro de 2014)

Sinopse: Após uma batalha brutal no submundo do crime, o golpista Locke Lamora e seu fiel companheiro, Jean Tannen, fogem de sua cidade natal e desembarcam na exótica Tal Verrar para se recuperar das perdas e feridas. Porém, mesmo no extremo ocidental da civilização, não conseguem descansar por muito tempo e logo estão de volta ao que fazem de melhor: roubar dos ricos e embolsar o dinheiro. Desta vez, eles têm como alvo o maior dos prêmios, a Agulha do Pecado, a mais exclusiva casa de jogos do mundo, onde a regra de ouro é punir com a morte qualquer um que tente trapacear. É o tipo de desafio a que Locke não consegue resistir... só que o crime perfeito terá que esperar. Antigos rivais dos Nobres Vigaristas revelam o plano a Stragos, o ambicioso líder militar verrari, que resolve manipulá-los em favor de seus próprios interesses. Em pouco tempo, a dupla se vê envolvida com o mundo da pirataria, um trabalho inusitado para ladrões que mal sabem diferenciar a proa da popa de um navio. Em Mares de sangue, Locke e Jean terão que se mostrar malabaristas de mentiras, enganando todos ao seu redor sem a mínima falha, para que consigam sair vivos. Mas até mesmo isso pode não ser o bastante...

CONTÉM SPOILERS DO LIVRO ANTERIOR!

A sequência de As Mentiras de Locke Lamora dá continuidade às aventuras de Locke e Jean, dois anos após partirem de Camorr sem os seus amigos Pulga, Calo e Galdo, já que eles tiveram um destino bem desagradável (tristeza lembrar disso). Quando parece que eles vão descansar um pouquinho das loucuras que aconteceram em Camorr, Locke e Jean resolvem apostar em um plano ousado: roubar a maior casa de jogos de Tal Verrar, a Agulha do Pecado, nunca antes expugnada. Era óbvio que eles não iriam sentar numa rede e aproveitar a vista, né? Roubar está no sangue dos dois, principalmente no de Locke Lamora!
– A fortuna é uma dama que gosta de ser passada adiante – disse Locke.

Scott Lynch começa a expandir seu mundo e o torna cada vez mais atraente. Tal Verrar é uma beleza por si só, com suas várias ilhas em seu domínio e caminhos por onde um navio possa passar, podemos imaginar claramente como ela é formada enquanto estamos lendo. O worldbuilding de Lynch começa a ficar interessante, sem contar que ele ainda nem chegou a explorar cidades como Talisham e Karthain, por exemplo.

O plano dos dois parece estar dando certo, tudo corre completamente bem até que antigos e agora novos inimigos resolvem aparecer e a dupla se vê envolvida em TRÊS frentes diferentes. Isso mesmo, três! É extremamente engraçado e gratificante ver Locke Lamora e Jean Tannen totalmente perdidos em determinado momento tentando mentir para três lados diferentes e ter que sobreviver no meio de tudo isso, correndo riscos de morte a cada momento.
- Sabe de uma coisa? Eu apostaria que, contando as pessoas que estão nos seguindo e as que estão nos caçando, nós viramos o principal meio de emprego desta cidade. Toda a economia de Tal Verrar está baseada agora em foder com a gente.

Uma coisa diferente nesse segundo livro é que temos mulheres praticamente protagonistas nele, como Zamira Drakasha, a capitã do navio Orquídea Venenosa, e sua tenente Ezri Dalmastro, que acabarão cruzando o caminho de Locke e Jean quando eles menos imaginam. Esperem por uma personagem de caráter forte, capaz de tudo para proteger seus filhos e fazer com que sua tripulação sobreviva. Grandes momentos são vivenciados pela dupla com a capitã e algumas das melhores partes do livro tem o Orquídea Venenosa como palco. Sobrou páginas até para ter um pouco de romance ali no meio! haha

Aliás, em Mares de Sangue temos muito de aventuras navais, como o próprio título já nos antecipa claramente. É interessante ver a nossa dupla preferida tentando desbravar outros tipos de atividades (mesmo que obrigados, haha) e acredito que o autor fez isso de uma maneira bem satisfatória, mas ainda assim prefiro as trapaças dos dois em terra firme, onde eles costumam se sair muito melhor e a, digamos assim, "qualidade" das suas mentiras é insuperável.

Esse segundo volume da série, na minha opinião, não é melhor do que o primeiro, já antecipo isso, mas a diferença é tão sutil que ele merece ser desbravado o quanto antes. Teve um capítulo quase no final que eu dei tanta, mas tanta risada, que achei incrível o jeito que o Scott Lynch fez até o Jean e o Locke serem passados para trás uma vez que fosse na vida. Foi hilário!

Vale lembrar que a linguagem continua a mesma: recheada de palavrões e o sarcasmo rola solto a cada cinco palavras (obrigado, tradutor!!). Eu gostei muito disso, pois há tempos não lia algo desse tipo e é sempre bom variar um pouco, tanto é que esse sarcasmo gera tantas piadas e momentos engraçados que a leitura flui muito mais rapidamente.


Um último ponto importante a ressaltar: a relação entre Locke e Jean é aprofundada bastante nesse livro. Erros e fantasmas do passado são relembrados, opiniões diferentes entram em conflito e os dois precisam conviver com isso. Preparem-se para o último capítulo, pois ele deixa extremamente explícito o que um pensa do outro e como eles irão se relacionar daqui por diante. Jean é bem mais explorado do que no volume anterior, deixando de se tornar aquela mera sombra de Locke e agora tendo uma opinião bem mais firme e uma atitude que o torna extremamente importante para a dupla, custe o que custar.

Fica portanto a minha recomendação, principalmente da série Nobres Vigaristas, que está fazendo um grande sucesso aqui no Brasil. Não sou o único fã brasileiro, podem ter certeza! hauhauahauh. E que venha o terceiro livro, The Republic of Thieves!!

Avaliação final:

Nobres Vigaristas:

1º livro - As Mentiras de Locke Lamora
2º livro - Mares de Sangue
3º livro - República de Ladrões
4º livro - The Thorn of Emberlain (ainda não foi lançado)
5º livro - The Ministry of Necessity (ainda não foi lançado)
6º livro - The Mage and the Master Spy (ainda não foi lançado)
7º livro - Inherit the Night (ainda não foi lançado)
Livro extra com dois contos - The Bastards and the Knives (ainda não foi lançado)

31 de dez de 2014

Os melhores livros de 2014

Final de ano chegando, 2014 se vai e 2015 está logo ali, pedindo para ser desbravado. Como é de praxe, todo blogueiro que se preze e/ou leitor fanático faz aquela listinha básica dos melhores do ano, e comigo não será diferente. Seguem as cinco melhores leituras desse ano que passou:

5º lugar - O Temor do Sábio por Patrick Rothfuss
Uma fantasia diferente das habituais, agora alcançando um novo nível. A sequência de O Nome do Vento traz novas aventuras para Kvothe e mais pontas soltas são deixadas ao final da leitura, deixando todos os fãs ávidos pelo terceiro e último livro, do qual não temos previsão nenhuma de lançamento. Desbrave a resenha.

4º lugar - Steelheart por Brandon Sanderson
Uma das leituras mais agradáveis e divertidas dos últimos tempos. Heróis com poderes são fáceis de encontrar, mas e vilões? Em Steelheart temos vários deles e David encontra um grupo que é especialista em combatê-los. Dinâmico ao extremo, fica a dica para quem quer começar a ler em inglês também. Desbrave a resenha.

3º lugar - As Mentiras de Locke Lamora por Scott Lynch
Recheados de humor negro e com uma linguagem não muito delicada, Locke Lamora e seus companheiros aprenderam a roubar desde cedo e agora só pensam em dar golpes grandes, capazes de abalar uma cidade. Uma das grandes surpresas no Brasil em 2014, As Mentiras de Locke Lamora e seu autor Scott Lynch vão fincando seu espaço na fantasia e a série promete crescer muito. Desbrave a resenha.

2º lugar - The Way of Kings por Brandon Sanderson
Uma das séries mais épicas que pude desbravar até hoje e ainda está apenas no começo!!! The Way of Kings é o primeiro livro de The Stormlight Archive e o autor Brandon Sanderson conseguiu construir o mundo de Roshar de uma maneira extremamente singular e grandiosa, com personagens bem explorados e batalhas sangrentas pelo domínio das Shattered Plains. Desbrave a resenha.

1º lugar - O Guerreiro Pagão por Bernard Cornwell
Uma obra-prima em termos de batalhas. O autor Bernard Cornwell sabe como ninguém descrever o sufoco de uma parede de escudos e combates singulares, e em O Guerreiro Pagão tudo é feito de forma magistral. Temos Bebbanburg, temos Cnut, temos os padres incomodando a vida de Uhtred, enfim, temos tudo que um romance de ficção histórica precisa. Leitura obrigatória! Desbrave a resenha.

Enfim, esses foram os livros que mais gostei de desbravar em 2014. Foram leituras MUITO BOAS e que fizeram 2014 valer a pena, com certeza, ainda mais por ter conhecido tantas séries diferentes e todas com suas características próprias. Deixo como destaque também o livro Mistborn: O Império Final, do autor Brandon Sanderson, O Aprendiz de Assassino, da autora Robin Hobb, e também a trilogia Legend, da autora Marie Lu, que consegui finalizar. Outros livros não me agradaram TANTO assim, como O Olho do Mundo, O Poder da Espada e também Roubo de Espadas, mas mesmo assim pretendo continuar as séries, principalmente A Roda do Tempo por ser tão bem recomendada pela maioria dos leitores.

Era isso, fica aqui portanto o meu Feliz Ano Novo para todos os desbravadores desse mundo e que 2015 seja repleto de ótimos livros! Obrigado por sempre acompanharem o blog nesse período e continuem desbravando, afinal, o mundo é pequeno para tantos leitores.

11 de dez de 2014

Resenha: O Aprendiz de Assassino - Robin Hobb


Título: O Aprendiz de Assassino
Original: Assassin's Apprentice
Série: Saga do Assassino/Farseer Trilogy #01
Autora: Robin Hobb
Páginas: 416
Editora: LeYa (julho de 2013)

Sinopse: Fruto de uma infidelidade, Fitz, filho de Cavalaria, é um bastardo real, desprezado pelo mundo, sem amigos e solitário. O rapaz refugia-se nos estábulos da realeza e apenas sua conexão mágica com os animais – a antiga arte conhecida como Manha – proporciona-lhe um pouco de alegria e companheirismo. Mas a Manha, se usada com frequência, é uma mágica perigosa e mal vista pela nobreza. Então, quando Fitz é finalmente adotado pela casa real, ele deve abrir mão de seus antigos costumes e aprender a viver esta nova vida: artilharia, escrita, bons modos, a magia do Talento… e, secretamente, aprender a matar um homem, já que é treinado para se tornar o assassino real e um dos homens de confiança do Rei Sagaz. Quando salteadores bárbaros começam a atacar os povoados costeiros, Fitz será encarregado da sua primeira missão. Ao mesmo tempo, perceberá que está rodeado de intrigas, segredos, desonra, heroísmo, aventuras e magia. Embora alguns o vejam como uma ameaça ao trono, ele talvez se torne a principal peça para a sobrevivência do próprio reino. Em O Aprendiz de Assassino, primeiro volume da série “Saga do assassino”, Robin Hobb cria uma das histórias mais amadas da literatura de fantasia.

Primeiro livro da trilogia Saga do Assassino, O Aprendiz de Assassino nos apresenta Fitz, filho bastardo do príncipe Cavalaria, atual herdeiro dos Seis Ducados. Nosso protagonista chega em Cidade de Torre do Cervo a pedido da realeza, causando um certo desconforto nos nobres que sempre viam Cavalaria como um homem íntegro e incapaz de possuir um bastardo. Lá, devido à sua condição, é menosprezado pela maioria dos habitantes e precisa aprender a lidar com isso.

Quem o "adota", podemos dizer assim, é o mestre dos estábulos Bronco, e é exatamente lá que Fitz viverá boa parte de sua infância. Aprendendo a cuidar dos cavalos e também afeiçoando-se bastante aos cachorros que existem por lá, Fitz vai estreitando seu laço com os bichinhos e aos poucos percebe que sua relação com eles não é meramente afetiva, há sempre algo mais, algo que explicarei logo adiante, no decorrer dessa resenha.


Ao mesmo tempo que cresce, Fitz é contratado pelo rei Sagaz para que se torne um assassino e ajude a expulsar os Salteadores dos Navios Vermelhos, bárbaros que começam a atacar a costa dos Seis Ducados e pretendem criar ainda mais problemas. E é a partir daí que o livro começa a ficar bom. A história é contada pelo próprio Fitz muitos anos depois e flui tranquilamente, sendo em primeira pessoa e com as lembranças do protagonista sendo inseridas durante a narrativa.

Para aprender as técnicas de assassinato, Fitz conta com a ajuda de Breu, o antigo assassino do rei e conhecedor dos mais variados segredos dessa arte. Suas aulas nunca têm data certa para acontecer e dependem muito da boa vontade de Breu para que ocorram. Normalmente no meio da noite, quando Fitz está podre de cansado e pretendia ficar dormindo. hahaha

"Se tudo o que eu tivesse feito na vida fosse ter nascido e ser descoberto, ainda assim teria deixado uma marca em toda aquela terra, para todo o sempre. Cresci sem pai nem mãe, numa corte onde todos me conheciam como um divisor de águas. E um divisor de águas me tornei."

Aprofundando-se um pouco mais no livro, conhecemos o Talento, uma espécia de "controle cerebral" que uma pessoa pode ter sobre outra. Essa arte, segundo trecho do livro, é, na sua forma mais simples, o estabelecimento de uma ponte entre os pensamentos de duas pessoas. Há muitas maneiras de empregá-lo. Durante uma batalha, por exemplo, um comandante pode enviar uma simples informação e comandar diretamente os seus oficiais, se estes tiverem sido treinados para recebê-la. Um indivíduo muito Talentoso pode usar sua habilidade para influenciar até mesmo mentes que não tenham sido treinadas ou as mentes dos seus inimigos, inspirando neles medo, confusão ou dúvida. Homens tão dotados são raros. Mas, se incrivelmente agraciado com o Talento, um homem pode aspirar a falar diretamente com os Antigos, estes que são inferiores apenas aos próprios deuses. No mínimo intrigante, né? Ainda mais depois de saber que o Talento é uma herança de família, só transmitida para quem tem sangue real.

Como já dá pra adivinhar, o nosso Fitz possui essa habilidade, mas não tem a menor ideia de como ela funciona e para isso é levado a Galeno, mestre do Talento da Cidade de Torre do Cervo, para que aprenda alguma coisa. Infelizmente, esse Galeno desgraçado não gosta nem um pouco do protagonista e faz de tudo para que ele NÃO desenvolva a sua habilidade. É uma baita sacanagem! Enfim, deixo os detalhes para quem for ler a obra.

Agora vamos ao diferencial do livro: a ManhaEla é o poder do sangue animal, da mesma forma que o Talento vem da linhagem dos reis. Começa como uma bênção, dando a você as línguas dos animais. Mas depois se apodera de você e te puxa para baixo, faz de você um animal como os outros. Até que finalmente não há sequer um resquício de humanidade em você, e você corre e late e prova sangue, como se a matilha fosse tudo o que você alguma vez na vida tivesse conhecido. Até que nenhum homem possa olhar para você e pensar que um dia foi um homem.

Como havia dito lá no começo da resenha, Fitz tem uma ligação especial com os animais, e essa ligação chama-se Manha. Porém, seu "babá" Bronco repudia essa arte e proíbe que Fitz a utilize, o que nem sempre acontece. Ainda mais quando ele está próximo de Narigudo, um cão que aceita essa conexão com Fitz e ambos tornam-se amigos inseparáveis. Nem tudo é alegria, como vocês acabarão descobrindo quando tiverem o livro em mãos.



Voltando um pouco aos bárbaros, os Salteadores dos Navios Vermelhos, por sinal, não tem um papel TÃO importante assim nesse primeiro livro, pois eles são somente apresentados a nós e pouco se sabe sobre quem são e quais as suas motivações. Porém, deve-se considerar algo a respeito deles: quando pegam reféns e os soltam, esses reféns ficam completamente loucos, desprovidos de pensamento crítico, como se não fossem mais humanos, e viram algo bem parecido com zumbis mesmo, num processo que é chamado de Forjamento. Como eles se transformam, o que é feito com eles dentro dos Navios? São perguntas que você só descobrirá lendo.


Porém, o maior mistério desse primeiro livro fica por conta do Bobo. Todo misterioso e cheio de frases enigmáticas, nunca dá para saber se o que ele está falando é brincadeira ou a mais pura verdade, capaz de mudar o destino de muita gente. Para mim não é um personagem que foi simplesmente colocado ali por um acaso do destino, ainda acredito que será muito importante no desenrolar da história. Muitas tretas me aguardam, estou só prevendo!


Só tem um negócio que me incomodou quando finalizei a leitura: eu não consigo ver o Fitz como um assassino! Sim, é isso mesmo!! Ele teve o treinamento dele, cresceu, apanhou e aprendeu com tudo isso, mas enquanto eu lia eu não pensava: "Nossa, esse cara é um matador, nunca vou querer incomodá-lo". Talvez tenha sentido isso justamente por causa do título (O APRENDIZ de Assasssino), mas enfim, acho que é algo remediável e no segundo esse aspecto deve melhorar bastante, espero. Considero também o fato do livro terminar com ele tendo uns 15 anos (pela minha memória), então ainda há muito que se desenvolver e a prática certamente o ajudará com isso.

A autora consegue descrever de uma maneira leve e precisa os Seis Ducados, as descrições não são monótonas e dá pra encaixar perfeitamente Fitz dentro do cenário. Preparem-se também para sentir diversas emoções com alguns personagens: vocês irão odiar/desprezar Majestoso, respeitar Veracidade e desejar saber tudo mais sobre Cavalaria, os três príncipes e filhos de Sagaz. Muitas intrigas políticas estão por trás de todos os problemas, diga-se de passagem...

Enfim, para finalizar, digo que O Aprendiz de Assassino é uma leitura que considerei bem válida e possui suas peculiaridades que a tornam uma obra levemente diferenciada das demais. Não é algo excepcional, que eu PRECISE recomendar para todo mundo que lê fantasia, mas acredito que valha a pena investir e conhecer mais sobre Fitz e o núcleo que o cerca. Os dois volumes finais da trilogia, O Assassino do Rei e A Fúria do Assassino, já foram lançados aqui no Brasil e você pode encontrá-los facilmente em qualquer site pela internet afora. Até a próxima resenha!

Avaliação final:

Saga do Assassino:

1º livro - O Aprendiz de Assassino
2º livro - O Assassino do Rei
3º livro - A Fúria do Assassino

Convite aos leitores de fantasia

Boa tarde, desbravador!

Que tal participar de uma leitura conjunta e ter a oportunidade de discutir mais sobre aquela obra que você tanto queria conhecer? É pensando nisso que o grupo Livros de Fantasia e Aventura faz no Facebook, uma vez ao mês, uma leitura conjunta de alguma obra de escolha dos membros e dessa vez o livro escolhido foi O Aprendiz de Assassino por Robin Hobb.


Fruto de uma infidelidade, Fitz, filho de Cavalaria, é um bastardo real, desprezado pelo mundo, sem amigos e solitário. O rapaz refugia-se nos estábulos da realeza e apenas sua conexão mágica com os animais – a antiga arte conhecida como Manha – proporciona-lhe um pouco de alegria e companheirismo. Mas a Manha, se usada com frequência, é uma mágica perigosa e mal vista pela nobreza. Então, quando Fitz é finalmente adotado pela casa real, ele deve abrir mão de seus antigos costumes e aprender a viver esta nova vida: artilharia, escrita, bons modos, a magia do Talento… e, secretamente, aprender a matar um homem, já que é treinado para se tornar o assassino real e um dos homens de confiança do Rei Sagaz. Quando salteadores bárbaros começam a atacar os povoados costeiros, Fitz será encarregado da sua primeira missão. Ao mesmo tempo, perceberá que está rodeado de intrigas, segredos, desonra, heroísmo, aventuras e magia. Embora alguns o vejam como uma ameaça ao trono, ele talvez se torne a principal peça para a sobrevivência do próprio reino. Em O Aprendiz de Assassino, primeiro volume da série “Saga do assassino”, Robin Hobb cria uma das histórias mais amadas da literatura de fantasia.

Fica o convite então para todos vocês. A leitura inicia amanhã, dia 12 de dezembro!
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