1 de dez de 2014

Resenha: O Olho do Mundo - Robert Jordan


Título: O Olho do Mundo
Original: The Eye of the World
Série: A Roda do Tempo #01
Autor: Robert Jordan
Páginas: 800
Editora: Intrínseca (agosto de 2013)

Sinopse: Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará. Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época das celebrações de final de inverno — o mais rigoroso das últimas décadas —, e, mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira. Quando a vila é invadida por bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como também os conduz àquela que será a maior de todas as suas jornadas. A desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que um dos jovens seja o profético Dragão Renascido — aquele que poderá salvar ou destruir o mundo. 

O Olho do Mundo é o primeiro de uma série de CATORZE livros intitulada A Roda do Tempo, escrita pelo autor Robert Jordan, falecido logo após terminar o 11º livro, mas que felizmente o autor Brandon Sanderson teve a honra e a gigantesca responsabilidade de finalizar os três volumes finais e não deixou os leitores da série na mão e sem saber o final.

Como visto na sinopse acima, é numa vila tranquila na região dos Dois Rios que tudo começa. Vamos sendo apresentados aos jovens personagens principais Rand al'Thor (possui a maior parte dos pontos de vista da história), Mat Cauthon, Perrin Aybara, Nynaeve al'Meara (Sabedoria da vila, comanda o conselho de mulheres da cidade, mesmo sendo apenas uma adolescente) e Egwene al'Vere (filha do prefeito) aos poucos, assim como outros que fazem parte da história e tem lá a sua importância. Enquanto todos festejam o final do inverno, coisas estranhas começam a acontecer: uma desconhecida aparece na vila de repente e um cavaleiro negro misterioso é visto pelos jovens nos arredores, mas ninguém o consegue identificar.

Em determinado momento seres muito estranhos, com cabeças de bode e extremamente musculosos, atacam a vila e destroem tudo e todos ao seu redor, procurando por alguma coisa ou alguém. Até então eles eram somente lendas e mitos para os habitantes da vila, mas os Trollocs agora tornam-se um pesadelo real. E é nessa hora que aparecem Moiraine e Lan. A misteriosa mulher é uma Aes Sedai, capaz de controlar o poder que move a Roda do Tempo, enquanto o homem é um Guardião, jurado a protegê-la e, para mim, um dos grandes mistérios desse primeiro livro, pois somente nos é revelado quem ele realmente é e quais são suas origens na segunda parte do livro. Ambos estão à procura do Dragão Renascido, que segundo as profecias irá ressurgir quando o mal tomar conta do mundo e ele será a salvação (ou não) da humanidade.

 

Falando um pouco mais sobre a parte mágica da história toda, O Poder Único vem da Fonte Verdadeira, a força que impulsiona a Criação, a força que o Criador gerou para girar a Roda do Tempo. Saidin, a metade masculina da Fonte Verdadeira, e saidar, a metade feminina, trabalham uma contra a outra e ao mesmo tempo em conjunto para produzir essa força. Saidin é maculado pelo toque do Tenebroso, somente homens podem utilizá-lo e a maioria deles foi tão corrompida a ponto de enlouquecerem.  Somente saidar, a força utilizada pelas Aes Sedai, pode ser usada com  segurança. Apenas poucas pessoas conseguem aprender a tocar a Fonte Verdadeira e usar o Poder Único, e algumas dessas poucas podem aprender num nível mais elevado, outras, num nível menor. 

Focando bastante na fuga dos protagonistas em direção ao desconhecido, ao longo da história vamos desbravando novos lugares, como Baerlon, Caemlyn, Ponte Branca, Fal Dara, entre outros, com nossos protagonistas (quase) sempre acompanhados por Moiraine e Lan. Aos poucos percebe-se que não só um Dragão Renascido pode ter reencarnado, mas vários falsões Dragões aparecem para tentar preencher esse cargo e com eles as intrigas políticas também começam, pois sempre que alguém resolve se intitular de algo em livros de fantasia épica é certo que alguma treta vai rolar.


Não sei por que, mas esse livro realmente não me convenceu. Existem várias partes boas na narrativa, confesso, mas entre elas a leitura parece se arrastar que até cheguei a parar umas duas vezes para ler outras obras e depois resolvi voltar aqui para finalizá-la. Essas partes boas e ruins intercaladas realmente atrapalharam a dinâmica da leitura, pois sempre que o negócio começava a fluir vinha algo que estragava o ritmo. É claro que as explicações sobre os lugares, as histórias, alguns personagens lendários e afins são importantes em qualquer tipo de livro, mas quando isso acontece a todo momento pode prejudicar a leitura, como foi no meu caso.

Voltando um pouco aos personagens, nesse primeiro livro eles não são tão desenvolvidos assim (compreensível, já que a série tem 14 volumes) e eu acabei não gostando TANTO de nenhum, aquele gostar a ponto de torcer pelo personagem e querer que ele se dê sempre bem. Um leve destaque apenas para Perrin, cuja conexão com os lobos me fez dar um pontinho positivo para ele. Tirando os principais, somente Lan me fez querer ler mais e mais sobre ele, já que aquele ar todo misterioso do Guardião foi bem usado ao longo da narrativa e acredito que ele terá um papel ainda mais importante ao longo dos livros, não só apenas guiar o grupo.

Enfim, para resumir, O Olho do Mundo não foi um livro que me cativou e me fisgou a ponto de me obrigar a ler sua sequência imediatamente e recomendá-lo para todo mundo, mas pode-se perceber todos aqueles ingredientes básicos para uma fantasia épica, como vários personagens, um mundo gigantesco a ser explorado com suas diversas peculiaridades, dezenas de criaturas totalmente diferentes e prontas para matar os protagonistas, assim como muitos outros fatores. Não lerei A Grande Caçada em breve, mas no futuro provavelmente darei uma chance, pois a maioria dos leitores diz que a série melhora mesmo do 2º livro em diante.

Avaliação final:

A Roda do Tempo:

1º livro - O Olho do Mundo
2º livro - A Grande Caçada
3º livro - O Dragão Renascido
4º livro - A Ascensão da Sombra
5º livro - As Chamas do Paraíso
6º livro - Lord of Chaos
7º livro - A Crown of Swords
8º livro - The Path of Daggers
9º livro - Winter's Heart
10º livro - Crossroads of Twilight
11º livro - Knife of Dreams
12º livro - The Gathering Storm
13º livro - Towers of Midnight
14º livro - A Memory of Light
Livro extra - New Spring

25 de nov de 2014

Resenha: The Way of Kings - Brandon Sanderson


Título: The Way of Kings
Original: The Way of Kings
Série: The Stormlight Archive #01
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 1007
Editora: Tor Books

Sinopse: Roshar is a world of stone and storms. Uncanny tempests of incredible power sweep across the rocky terrain so frequently that they have shaped ecology and civilization alike. Animals hide in shells, trees pull in branches, and grass retracts into the soiless ground. Cities are built only where the topography offers shelter. It has been centuries since the fall of the ten consecrated orders known as the Knights Radiant, but their Shardblades and Shardplate remain: mystical swords and suits of armor that transform ordinary men into near-invincible warriors. Men trade kingdoms for Shardblades. Wars were fought for them, and won by them. One such war rages on a ruined landscape called the Shattered Plains. There, Kaladin, who traded his medical apprenticeship for a spear to protect his little brother, has been reduced to slavery. In a war that makes no sense, where ten armies fight separately against a single foe, he struggles to save his men and to fathom the leaders who consider them expendable. Brightlord Dalinar Kholin commands one of those other armies. Like his brother, the late king, he is fascinated by an ancient text called The Way of Kings. Troubled by over-powering visions of ancient times and the Knights Radiant, he has begun to doubt his own sanity. Across the ocean, an untried young woman named Shallan seeks to train under an eminent scholar and notorious heretic, Dalinar’s niece, Jasnah. Though she genuinely loves learning, Shallan’s motives are less than pure. As she plans a daring theft, her research for Jasnah hints at secrets of the Knights Radiant and the true cause of the war. The result of over ten years of planning, writing, and world-building, The Way of Kings is but the opening movement of the Stormlight Archive, a bold masterpiece in the making.

Brandon Sanderson está, de fato, entrando na lista dos meus autores favoritos. Cada livro dele é praticamente uma obra-prima e com The Way of Kings não foi nada diferente, muito pelo contrário, é a confirmação de que o autor está sempre melhorando! Primeiro livro da série The Stormlight Archive, a qual promete ter DEZ livros, essa obra foi feita para aquele leitor que adora batalhas, personagens bem desenvolvidos, momentos vibrantes e todo aquele clima épico que envolve um mundo gigante (Roshar) e que está em guerra.

O livro começa com um prelúdio cerca de 4.500 anos antes da história atual, quando dois Heralds conversam após uma batalha contra os temidos Voidbringers, seres que expalhavam destruição por onde passavam, e decidem partir, deixando suas armas e a humanidade para trás. Vale ressaltar que existem 10 ordens de Radiants e que cada uma dela segue um dos dez Heralds. Quando eles decidiram deixar os humanos, um deles ficou para trás e nunca foi encontrado, além de os Radiants terem se voltado contra a própria humanidade e tentá-lo dizimá-los. Ficou um pouco confusa essa parte, né? Leia e certamente tudo fará sentido!

Após essa explicação inicial, somos transportados no tempo para 4.500 anos depois, quando acompanhamos um banquete de comemoração à união de dois povos: Alethkar e os Parshendi. O ponto de vista fica com Szeth, um Truthless, obrigado a cumprir ordens e jamais desobedecê-las, mesmo que contrariando a si mesmo e desejando não ter sido treinando para matar. Sua missão é muito simples: ser visto matando o rei Gavilar Kholin, governante de Alethkar. Nessa parte nos são apresentadas uma shardplate e uma shardblade, cujos donos se tornam praticamente um exército inteiro, visto que elas têm habilidades especiais e são decisivas no campo de batalha. Enfim, ao final do capítulo, Szeth consegue fazer o seu serviço e é aí que a treta começa.

Antes de avançar, preciso falar sobre Roshar. O mundo criado por Brandon Sanderson é incrível e extremamente diferente dos vistos hoje em dia. Devido às highstorms, tempestades violentas que devastam todo lugar por onde passam e acontecem seguidamente, a população precisou se adaptar a isso e agora vive em formações rochosas que os protegem (um pouco) dessas tempestades, pois não há escolha: ninguém que tenha enfrentado uma highstorm de frente jamais sobreviveu. Como a geografia dos locais virou predominantemente rochosa, as plantas e animais que vivem sobre elas são bem peculiares e adaptados a esse tipo de ambiente.

Mais cinco anos se passam após Szeth ter realizado sua missão e finalmente (!) chegamos à narrativa principal, ambientada principalmente nas Shattered Plains, planícies devastadas e muito peculiares, com abismos gigantes entre si (ver imagem ao lado) e que obrigam os exércitos a utilizarem pontes para atravessá-las devido à sua distância (ver imagem abaixo). Lá, 10 exércitos diferentes do lado de Alethkar lutam contra os Parshendi para vingar a morte de Gavilar, agora comandados por Elhokar, herdeiro do antigo rei. Cada um dos povos vive em um lado oposto das Shattered Plains, os Alethkar a oeste e os Parshendi a leste, e para se enfrentarem precisam atravessar essas formações e tentar escolher o melhor lugar para uma batalha, além de sempre perseguir os chamsfiends (imagem aqui), monstros que possuem gemstones dentro de si, as quais são extremamente cobiçadas.

Shattered Plains
Vale ressaltar também que, em Alethkar, as pessoas que estão no poder possuem olhos claros, enquanto as que têm olhos escuros fazem parte da camada mais baixa da população, principalmente escravos. E é aí que entra um dos nossos personagens principais: Kaladin. Obrigado a abandonar seu treinamento de cirurgião e ir para a guerrar com seu irmão, Kaladin acaba se tornando escravo no exército do Highprince Sadeas e trabalha como bridgeman, responsável por levar as pontes de abismo a abismo para que os exércitos possam cruzar. Um dos personagens mais ferrados e destroçados por dentro de toda a literatura, é o que posso antecipar sobre Kaladin. Antes de virar escravo, Kaladin era um mestre com sua lança e protegia as fronteiras de Alethkar, mas após tantas perdas sucessivas das pessoas que ama e dos seus companheiros é impossível manter-se o mesmo. Após determinando momento Kaladin passa a ser acompanhado por Syl, uma spren, tipo de espírito que estabelece uma ligação com alguém e passa a seguí-lo. No início ela possui uma personalidade extremamente limitada, mas com o tempo começa a adquirir um senso crítico e também desenvolve os seus pensamentos para um nível superior.

Kaladin, ao ver que seus companheiros bridgemen também encontram-se em situações não muito boas, acaba tentando tomar as rédeas da situação e procura sempre uma maneira de fazê-los não morrer na batalha seguinte, pois um bridgeman serve de isca para os Parshendi, já que eles sempre chegam antes ao campo de batalha e precisam largar as pontes para os exércitos lutarem. Muitas provações aguardam por Kaladin, já que ele parece ter sido feito para isso: sobreviver enquanto todos ao seu redor partem.


Outro personagem importante é Dalinar Kholin, shardbearer completo e irmão do antigo rei, comandante de um dos exércitos de Alethkar e agora intrigado com um livro chamado The Way of Kings, que contém pensamentos dos antigos Radiants e seus ideais. Atormentado pelas highstorms, Dalinar sempre tem visões quando elas chegam, mas ninguém sabe ao certo se elas são reais ou apenas frutos de sua imaginação. Preparem-se para as melhores batalhas do livro com Dalinar e seu filho Adolin, dois shardbeares que conseguem suportar ataques de centenas de Parshendi e com isso estão sempre na linha de frente quando uma guerra acontece. Esse cara ainda será muito importante no decorrer da série, ainda mais por nutrir uma antipatia por Sadeas, comandante de outro dos exércitos de Alethkar.
Shardbearers, guerreiros que possuem shardplate e/ou shardblade

Acharam que não ia ter personagem feminina nesse livro? Pois se enganaram! Shallan Davar está aí para provar que nem só de homens fortes e guerreiros se faz uma boa fantasia épica. Com a intenção de virar aprendiz de Jasnah Kholin, filha do antigo rei, Shallan viaja e também tem outros planos em mente, muito menos íntegros. Atormentada pela morte recente do pai, ela deixa sua casa e seus irmãos para trás e aposta todas as suas fichas nisso, mal sabendo que irá se inserir em uma trama muito mais complexa. Shallan foi a personagem que menos simpatizei, mas ela certamente será importante para o desenvolver da história pois acaba nos apresentando diferentes aspectos de Roshar e seus estudos sobre seres do passado provavelmente mudarão o rumo de todos os personagens em algum momento.


O sistema de magias é bem complexo, composto por surgebinding e voidbinding, cada um deles dividido em dez tipos diferentes (imagem abaixo). Não nos são apresentados muitos detalhes sobre isso nesse primeiro volume, então vou deixar essa explicação para outro momento, quando souber melhor como explicá-lo para você, leitor. Só fique sabendo que esse sistema é muito interessante e nem todos os personagens podem utilizar esses diferentes tipos de magia.

Arte interna do livro com anotações de algum leitor

Você, que está lendo essa resenha nesse exato momento e costuma ler em inglês, parta logo para The Stormlight Archive e admire-se com um livro excelente, protagonizado por personagens muito bem construídos e um worldbuilding gigantesco, capaz de deixar qualquer leitor perdido em meio a tantos lugares e suas peculiaridades. Não preocupe-se com o tamanho do menino, 1.007 páginas, algumas delas podem até não fazer sentido em algum momento e parecem apenas enrolação de linguiça, continue, seja insistente, e NÃO TENHA PRESSA EM TERMINÁ-LO. O final te deixará todo tonto e ávido por mais. Eu avisei, podem me cobrar depois...

Por fim, digo para vocês que a edição da Tor Books é simplesmente magnífica. Com capa dura e cheia de imagens incríveis e coloridas ainda por cima, essa edição de The Way of Kings é leitura obrigatória para os fãs de fantasia épica e que ainda por cima não dispensam um livro bonito e gigante, digno de ser folhado. Que venha o próximo, um monstro colossal de quase 1.100 páginas!

Avaliação final:

The Stormlight Archive:

1º livro - The Way of Kings
2º livro - Words of Radiance
3º livro - Oathbringer (previsão de lançamento para 2016)

4º livro - Sem nome
5º livro - Sem nome
6º livro - Sem nome
7º livro - Sem nome
8º livro - Sem nome
9º livro - Sem nome
10º livro - Sem nome

27 de out de 2014

Resenha: O Trono Vazio - Bernard Cornwell


Título: O Trono Vazio
Original: The Empty Throne
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #08
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 302
Editora: Record (agosto de 2015)


Sinopse: As forças de Wessex e da Mércia se juntaram para combater os dinamarqueses, mas a instabilidade da união e a ameaça dos ataques dos reinos pagãos vizinhos são um perigo para a Britânia, pois Æthelred, o senhor da Mércia, está à beira da morte e não tem herdeiros, o que abre caminho para disputas pelo trono. Uhtred de Bebbanburg, o maior guerreiro da Mércia, sempre apoiou a senhora Æthelflaed para que se tornasse a sucessora do trono, mas será que a nobreza aceitará uma mulher como líder? Mesmo ela sendo a viúva de Æthelred e irmã do rei de Wessex? Enquanto os mércios travam brigas internas e os saxões ocidentais tentam anexar o reino aliado, novos inimigos surgem na fronteira norte. Os saxões precisam desesperadamente de uma liderança forte, mas, em vez disso, lutam por um trono vazio, ameaçando arruinar todos os esforços para unir e fortalecer seu reino.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Essa resenha foi feita a partir da versão britânica, intitulada The Empty Throne, em outubro de 2014, data de lançamento do e-book estrangeiro. Depois, foi atualizada com imagens e nomes em português em 12/06/2015, quando foram anunciadas a capa e a sinopse da nossa edição brasileira.

Com a morte de Æthelred pedindo para chegar após ser ferido gravemente na batalha final do último livro, muitas artimanhas se desenrolam para definir quem será o próximo comandante da Mércia. Todo mundo sabe que um trono vazio é sinal de guerras se aproximando, e aqui não é diferente, ainda mais se tratando de um trono tão importante e primordial para que um dia os reinos se unam e formem a tão sonhada Inglaterra almejada por Alfredo, o Grande. Quem deve tomar o seu lugar? Qual pessoa tem mais direito a herdar o trono? Será que uma mulher dará conta do recado? São questões que permeiam todo o livro e trazem alguns debates muito interessantes.

Uhtred ainda está muito (!) machucado depois de ter matado Cnut e quase ter morrido na luta, precisando ficar de repouso sempre que possível e mal conseguindo cavalgar. Um dos objetivos desse 8º livro é fazer Uhtred recuperar-se dos ferimentos e voltar às batalhas, mas o desenrolar eu vou deixar pra vocês descobrirem, não quero estragar a alegria do leitor contando tudo tão cedo.


O livro começa diferente dos demais, com o prólogo sendo narrado pelo filho de Uhtred, provando que é realmente filho de um guerreiro e mostrando um pouco dos seus pensamentos e do seu medo em relação a Æthelflæd, esposa de Æthelred. Aliás, esse livro parece ter sido feito para ela. Æthelflæd torna-se aqui uma das grandes protagonistas para a formação da Inglaterra, num tempo onde mulher nenhuma conseguia se diferenciar e participar tão ativamente das batalhas. E é por ser assim que ela consegue o apoio dos seus subordinados, tornando-se esperança para muitos deles.

Essa obra também foca um pouco em Æthelstan, filho do rei Eduardo e neto de Alfredo, designado a um dia ser rei. Quem acaba tomando conta do garoto é nosso grande protagonista Uhtred, que o ensina a tomar decisões bem difíceis para um garoto de apenas 14 anos e comuns para o futuro rei.

“He needed to know it, see it, smell it, and survive it. I was training the boy not just to be a warrior, but to be a king.” 
“He’s a boy who must learn to be a warrior and a king,’ I said, ‘and death is his destiny. He must learn to give it.’ I patted Æthelstan’s shoulder. ‘Make it quick, boy,’ I told him. ‘He deserves a slow death, but this is your first killing. Make it easy for yourself.” 

Como vocês puderam perceber até agora com essa resenha, Uhtred acaba ficando em segundo plano em praticamente toda a narrativa, mesmo que a história seja narrada sob o seu ponto de vista. Isso acabou tirando um pouco a graça do livro, pois tudo que Uhtred faz é visando outra pessoa, outro ideal, e pouco é desenvolvido a partir das reais necessidades dele. Ah, aqueles juramentos feitos...

Enfim, somos também apresentados a vários novos inimigos nesse oitavo livro da série, alguns deles dinamarqueses, galeses e, a novidade da vez, irlandeses, todos sedentos por mais terras e sempre querendo aumentar os seus domínios. Uhtred e seus aliados acabam tendo que enfrentar alguns e até, digamos assim, torna-se "parente" de um deles. Leia e descubra por conta própria, earsling!!!


O Trono Vazio não mantém de perto o mesmo ritmo de O Guerreiro Pagão, livro anterior da série, pecando em apenas alguns detalhes. Faltaram batalhas mais épicas, mais reviravoltas, mais SANGUE!! Intrigas são vistas ao monte nesse livro, mas elas tomam grande parte do livro (mais de 60%) e tornam a leitura um pouquinho arrastada, não aproveitando o melhor que Cornwell nos dá, que são suas descrições de paredes de escudos e embates singulares. Mesmo assim é uma leitura obrigatória para os fãs da saga e deixa muitas arestas soltas para o futuro, além de explorar outros personagens, sendo esses os únicos motivos para eu não dar uma nota mais baixa para esse 8º livro.

Wyrd biõ ful ãræd: o destino é inexorável.

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
...

20 de out de 2014

Resenha: A Queda de Sieghard - L.P. Faustini & R.M. Pavani


Título: A Queda de Sieghard
Original: A Queda de Sieghard
Série: Maretenebrae #1
Autores: L.P. Faustini & R.M. Pavani
Páginas: 352
Editora: Página 42 (2013)

Sinopse: Província de Bogdana, Sieghard, ano 476 após unificação Uma desconhecida força invasora irrompe pelo Grande Mar e ataca a costa protegida pelos soldados da Ordem utilizando-se de navios nunca antes vistos. Imensos. Terríveis. Destruidores. Ao mesmo tempo, uma estranha peste se espalha pelas comarcas do reino, cegando e invalidando sua população. Nobres e plebeus se nivelam padecendo do mesmo e misterioso mal. Em uma iniciativa desesperada, Sir Nikoláos de Askalor, o oficial responsável por defender a Ordem, abdica de todos os planos e estratagemas para investir de uma só vez contra os inimigos, sem saber que assim cairia na armadilha preparada por eles. Com suas fileiras dizimadas, o exército da Ordem recua e toma a direção do Domo do Rei para defender seu soberano, Marcus II, O Ousado, cuja vida representa a perpetuação dos valores ordeiros. Para um pequeno grupo, porém, composto por Roderick, Petrus, Chikara, Heimerich, Braun, Formiga e Victor Didacus - cada qual personificando um dos sete pecados capitais -, as sucessivas derrotas do reino são apenas o início da maior de todas as suas aventuras e desventuras. Diante deles, e de suas incontáveis diferenças, assombra-se um grande plano arquitetado por Destino. Serão eles capazes de enfrentá-Lo?

Quando invasores chegam a Sieghard cruzando o Grande Mar, tudo leva a crer que chegou o fim do mundo, ainda mais quando o exército local não consegue contê-los e sofre grandes perdas. Porém, um grupo muito peculiar, formado por sete pessoas totalmente diferentes entre si, parece estar destinado a grandes aventuras antes de tudo ruir. Essa é a premissa básica de Maretenebrae, livro de fantasia nacional escrito pelos autores L.P. Faustini e R.M. Pavani que eu finalmente tive a chance de desbravar e venho aqui contar para vocês como foi a minha experiência.

Sieghard é um continente tipicamente medieval, cheio de colinas e planícies arrastando-se pelo território e várias florestas e lugares desconhecidos pedindo para ser explorados, como é o caso das Terras de Além-Escarpas, um dos mistérios do livro. Todo local tem sua particularidade e importância na história e alguns deles são visitados durante A Queda de Sieghard, mostrando um pouco dos habitantes locais e suas particularidades, como vocês podem apreciar no mapa a seguir:


A leitura vai fluindo tranquilamente conforme o tempo passa, melhorando muito (!) a partir da metade do livro, quanto as dificuldades dos nossos protagonistas aumentam consideravelmente e eles se envolvem em grandes aventuras. O começo é típico de livros aclamados desse gênero, com descrições dos personagens aparecendo a todo instante e fatos passados sendo relembrados, tudo para que o leitor possa se situar e entender um pouco melhor a história.

Quanto aos personagens, temos uma gama infinita de opções: Roderick é um arqueiro muito habilidoso, Victor Didacus é um homem muito misterioso e que possui um dom incomum, Sir Heimerich é um guerreiro e cavaleiro da Ordem, responsável por proteger Sieghard, Chikara é uma maga da cidade de Keishu e pode usar o ambiente à sua volta para modificá-lo, Petrus é um simples pastor de ovelhas e que parece não ter habilidade nenhuma que possa ajudar o grupo, Formiga é um ferreiro da cidade de Alódia e grande apreciador de todo tipo de comida e por fim temos Braun, guerreiro selvagem de Kemen e nada simpático. Cada personagem representa um dos sete pecados capitais (Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba), mas deixarei a cargo do leitor identificá-los, já antecipando que os seus pensamentos e atitudes indicam facilmente a qual pecado cada um dos protagonistas "pertence".


Gostei bastante de Braun e Petrus, dois personagens totalmente opostos e com características muito peculiares. Braun tem tanta raiva do mundo e das pessoas ao seu redor que chega a ser engraçado ler os seus diálogos sempre cheios de xingamentos, ofensas e nem um pouco de educação. Já Petrus é o típico ser humano inocente que foi simplesmente jogado no meio de uma guerra e nem sabe por que está ali e o que pode fazer para sair dessa situação, mas aos poucos vai percebendo que não está ali por acaso e pode ser útil em determinados momentos.

Se você está com um pé atrás em ler Maretenebrae e pensa que aqui não encontrará seres fantásticos e grandes obstáculos aos protagonistas, saiba que está muito enganado. Temos trolls monstruosos, lagartos alados, gigantes e, principalmente, os Thurayyas, seres mágicos com poderes avassaladores e que são dificilmente derrotados, fazendo com que os invasores de Sieghard sempre tenham essa vantagem em batalhas.


A intenção dos autores é fazer de Maretenebrae uma série com quatro livros e o segundo já está sendo escrito e deve ser lançado em breve, com nome ainda a ser definido. Caso vocês queiram ter uma oportunidade de discutir mais sobre o livro, o grupo Livros de Fantasia e Aventura estará fazendo uma leitura conjunta do mesmo no Facebook a partir de 07/11 e você está convidado.

Para finalizar, o que tenho a dizer é que Maretenebrae tem tudo que uma fantasia épica e medieval precisa: um mundo onde o fim está (ou não) muito próximo, personagens que possam salvá-lo, animais fantásticos e um pano histórico por trás disso. Tudo isso misturado e somado aos segredos ainda não revelados até o momento nos brindam com um ótimo livro de fantasia nacional, digno de ser desbravado. Que venha o segundo livro!

Avaliação final:

Maretenebrae

1º livro - A Queda de Sieghard
2º livro - O Flagelo de Dernessus (2º semestre de 2015)
3º livro - Ainda sem nome e data de lançamento
4º livro - Ainda sem nome e data de lançamento

11 de out de 2014

Resenha: As Mentiras de Locke Lamora - Scott Lynch


Título: As Mentiras de Locke Lamora
Original: The Lies of Locke Lamora
Série: Nobres Vigaristas/Gentleman Bastard #01
Autor: Scott Lynch
Páginas: 464
Editora: Arqueiro (março de 2014)

Sinopse: O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula. Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas. O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver.

Ah, esse livro. Prepare-se para dar muitas risadas, desbravador, pois se você entrar no mundo de Locke Lamora será difícil sair. Scott Lynch nos brinda com uma história bem humorada, intrigante e que só faz nossa expectativa aumentar a cada capítulo. Dizer que As Mentiras de Locke Lamora é uma das grandes leituras do ano parece pouco perto da diversão que é desbravar todo esse livro e da tristeza que é ler a última página sabendo que o livro acabou.

Nessa obra somos apresentados a Locke Lamora, um pirralho infernal até demais que só apronta confusão no lugar onde mora com outras muitas crianças, o Morro das Sombras. Vendo que ele possui um "dom" especial para esse tipo de situação, o responsável pelo local, chamado Aliciador, resolve vendê-lo para o padre Correntes, figura emblemática do livro e que você com certeza vai aprender a gostar. O que Locke ainda não sabia é que esse padre comandava os Nobres Vigaristas, ladrões de Camorr que roubam dos ricos e devolvem tudo para os pobres acumulam fortunas para eles próprios, vivendo no conforto abaixo da igreja de Perelandro.

"Nós temos um ditado: a boa sorte imerecida esconde sempre uma armadilha."

Não posso esquecer de falar do cenário: Camorr é uma cidade medieval com aquele toque clássico de Veneza, cheia de rios cortando os bairros e com o mar rodeando a cidade. O que gostei disso é que tudo parece extremamente real e palpável, nada é inventado e diferente do que vemos hoje, e assim podemos nos imaginar perfeitamente no meio do cenário.

Locke conhece então seus novos companheiros vigaristas Calo e Galdo (dois irmãos gêmos) e posteriormente Pulga e Jean, as últimas aquisições do padre. Todos têm uma habilidade especial que os diferencia na gangue e os fazem ser importantes nas missões, pois precisam aprender a trabalhar em equipe e engordar os cofres dos Nobres Vigaristas. Desbravador, eu preciso lhe falar novamente: você vai rir MUITO com as trapalhadas dessa gurizada e dos diálogos sarcásticos do livro! Cada capítulo traz uma pérola e fica difícil não gostar de uma história que te divirta tanto. Seguem alguns exemplos:

     Não, ser prudente não era uma alternativa. Pulga precisava vencer. Aquela pilha de lixo bem ali tornava possível uma grande e gloriosa estupidez.

     - Eu só roubo porque é muito divertido, porra!
     - VIGARISTA!

     - Pensei que Graumann estivesse de folga durante essa parte.

    - E está. - Locke gesticulou com impaciência para as costas do gibão. - Preciso dos serviços da mais feia costureira de Camorr.
     - Galo está ajudando Pulga a lavar a louça.
     - Vá pegar suas agulhas, quatro-olhos.

    - Grande consolo. Se consolos aliviassem a dor, ninguém se daria o trabalho de pisar uvas.



Scott Lynch resolveu dividir esse livro em vários capítulos para narrar a história atual de Locke Lamora e, entre esses capítulos, sempre há um interlúdio contando a infância do protagonista e de seus companheiros, como eles cresceram e foram parar onde estão, o que Locke fez para se tornar o líder dos Nobres Vigaristas, entre outras coisas, mas sempre retratando acontecimentos do passado e a história de Camorr. Esses interlúdios acabam quebrando um pouco o ritmo da história, mas todos eles são igualmente importantes por esclarecem fatos e nós entendermos a motivação de alguns atos dos nossos personagens.

Vivendo do roubo e das confusões que aprontam e escondendo os roubos maiores dos olhares de Capa Barsavi, o homem que controla todos os ladrões de Camorr, a gangue vai crescendo e prosperando sem ninguém saber, mesmo que antigamente tenha sido firmado um acordo entre os dois maiores governadores de Camorr, intitulado a Paz Secreta, o qual proíbe que qualquer membro da elite (nobreza) seja roubado. Será que nossos protagonistas respeitam esse pacto? hahaha

Na história atual, Locke (com uma idade próxima dos 27-28 anos, ninguém sabe) e seus companheiros planejam roubar Dom Lorenzo Salvara, um importante nobre da cidade de Camorr e que possui uma grande fortuna. Você, desbravador, irá literalmente pirar acompanhando o golpe dos Nobres Vigaristas e tentando entender a sequência dos acontecimentos, pois o autor resolveu INVERTER a ordem dos acontecimentos durante o golpe e o resultado foi muito bom! Preste atenção a cada detalhe, tudo fará sentido depois de um tempo.

Porém, certo dia, um tal Rei Cinza ronda Camorr e começa a assassinar líderes de gangues em toda a cidade, causando apreensão em todos que vivem lá e botando em perigo pessoas importantes como Capa Barsavi e, por que não, os Nobres Vigaristas. E isso sem falar que esse assassino possui a ajuda de um Mago-Servidor, também conhecido como Falcoeiro, um homem com poderes especiais e dono de um falcão mais perigoso que o próprio dono praticamente (haha).

Toda a trama dá uma guinada gigantesca depois que o Rei Cinza aparece e começa a cometer seus crimes que você dificilmente irá fazer outra coisa que não seja ler e ler e ler mais um pouco para descobrir o que acontece. Todos os seus atos são explicados no final do livro e eu jamais iria dar um spoiler tão gigante sobre isso e estragar a vida do leitor do blog. Leia e descubra, vale a pena!


Eu não encaixaria muito As Mentiras de Locke Lamora no gênero fantasia por haver pouquíssimos elementos fantásticos na história e eles não serem TÃO importantes assim para a trama, tirando algumas poucas partes onde o Mago-Servidor aparece. Diria que "Aventura épica" seria o mais apropriado para isso, mas é somente um detalhe que eu quis comentar.

A série Nobres Vigaristas será composta por 7 livros + 1 com dois contos e todos os livros são "independentes" entre si, ou seja, você não precisa ler o 1º para ler o 2º e assim por diante, sendo que nesse primeiro livro os desdobramentos iniciais se finalizam e no segundo a história já começa em um local totalmente diferente. Porém, como normalmente acontece em séries assim, o ideal é sempre ler na ordem, até para se ter um conhecimento maior dos personagens e seguir a sequência.

Se você procura por um livro instigante, cheio de reviravoltas e com protagonistas hilários e muito divertidos, pare na livraria mais próxima da sua casa e procure por esse livro, trazido ao Brasil pela editora Arqueiro. A chance de você se arrepender é mínima zero!

Avaliação final:

Nobres Vigaristas

1º livro - As Mentiras de Locke Lamora
2º livro - Mares de Sangue
3º livro - República de Ladrões

4º livro - The Thorn of Emberlain (ainda não foi lançado)
5º livro - The Ministry of Necessity (ainda não foi lançado)
6º livro - The Mage and the Master Spy (ainda não foi lançado)
7º livro - Inherit the Night (ainda não foi lançado)
Livro extra com dois contos - The Bastards and the Knives (ainda não foi lançado)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...