20 de out de 2014

Resenha: A Queda de Sieghard - L.P. Faustini & R.M. Pavani


Título: A Queda de Sieghard
Original: A Queda de Sieghard
Série: Maretenebrae #1
Autores: L.P. Faustini & R.M. Pavani
Páginas: 352
Editora: Página 42 (2013)

Sinopse: Província de Bogdana, Sieghard, ano 476 após unificação Uma desconhecida força invasora irrompe pelo Grande Mar e ataca a costa protegida pelos soldados da Ordem utilizando-se de navios nunca antes vistos. Imensos. Terríveis. Destruidores. Ao mesmo tempo, uma estranha peste se espalha pelas comarcas do reino, cegando e invalidando sua população. Nobres e plebeus se nivelam padecendo do mesmo e misterioso mal. Em uma iniciativa desesperada, Sir Nikoláos de Askalor, o oficial responsável por defender a Ordem, abdica de todos os planos e estratagemas para investir de uma só vez contra os inimigos, sem saber que assim cairia na armadilha preparada por eles. Com suas fileiras dizimadas, o exército da Ordem recua e toma a direção do Domo do Rei para defender seu soberano, Marcus II, O Ousado, cuja vida representa a perpetuação dos valores ordeiros. Para um pequeno grupo, porém, composto por Roderick, Petrus, Chikara, Heimerich, Braun, Formiga e Victor Didacus - cada qual personificando um dos sete pecados capitais -, as sucessivas derrotas do reino são apenas o início da maior de todas as suas aventuras e desventuras. Diante deles, e de suas incontáveis diferenças, assombra-se um grande plano arquitetado por Destino. Serão eles capazes de enfrentá-Lo?

Quando invasores chegam a Sieghard cruzando o Grande Mar, tudo leva a crer que chegou o fim do mundo, ainda mais quando o exército local não consegue contê-los e sofre grandes perdas. Porém, um grupo muito peculiar, formado por sete pessoas totalmente diferentes entre si, parece estar destinado a grandes aventuras antes de tudo ruir. Essa é a premissa básica de Maretenebrae, livro de fantasia nacional escrito pelos autores L.P. Faustini e R.M. Pavani que eu finalmente tive a chance de desbravar e venho aqui contar para vocês como foi a minha experiência.

Sieghard é um continente tipicamente medieval, cheio de colinas e planícies arrastando-se pelo território e várias florestas e lugares desconhecidos pedindo para ser explorados, como é o caso das Terras de Além-Escarpas, um dos mistérios do livro. Todo local tem sua particularidade e importância na história e alguns deles são visitados durante A Queda de Sieghard, mostrando um pouco dos habitantes locais e suas particularidades, como vocês podem apreciar no mapa a seguir:


A leitura vai fluindo tranquilamente conforme o tempo passa, melhorando muito (!) a partir da metade do livro, quanto as dificuldades dos nossos protagonistas aumentam consideravelmente e eles se envolvem em grandes aventuras. O começo é típico de livros aclamados desse gênero, com descrições dos personagens aparecendo a todo instante e fatos passados sendo relembrados, tudo para que o leitor possa se situar e entender um pouco melhor a história.

Quanto aos personagens, temos uma gama infinita de opções: Roderick é um arqueiro muito habilidoso, Victor Didacus é um homem muito misterioso e que possui um dom incomum, Sir Heimerich é um guerreiro e cavaleiro da Ordem, responsável por proteger Sieghard, Chikara é uma maga da cidade de Keishu e pode usar o ambiente à sua volta para modificá-lo, Petrus é um simples pastor de ovelhas e que parece não ter habilidade nenhuma que possa ajudar o grupo, Formiga é um ferreiro da cidade de Alódia e grande apreciador de todo tipo de comida e por fim temos Braun, guerreiro selvagem de Kemen e nada simpático. Cada personagem representa um dos sete pecados capitais (Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba), mas deixarei a cargo do leitor identificá-los, já antecipando que os seus pensamentos e atitudes indicam facilmente a qual pecado cada um dos protagonistas "pertence".


Gostei bastante de Braun e Petrus, dois personagens totalmente opostos e com características muito peculiares. Braun tem tanta raiva do mundo e das pessoas ao seu redor que chega a ser engraçado ler os seus diálogos sempre cheios de xingamentos, ofensas e nem um pouco de educação. Já Petrus é o típico ser humano inocente que foi simplesmente jogado no meio de uma guerra e nem sabe por que está ali e o que pode fazer para sair dessa situação, mas aos poucos vai percebendo que não está ali por acaso e pode ser útil em determinados momentos.

Se você está com um pé atrás em ler Maretenebrae e pensa que aqui não encontrará seres fantásticos e grandes obstáculos aos protagonistas, saiba que está muito enganado. Temos trolls monstruosos, lagartos alados, gigantes e, principalmente, os Thurayyas, seres mágicos com poderes avassaladores e que são dificilmente derrotados, fazendo com que os invasores de Sieghard sempre tenham essa vantagem em batalhas.


A intenção dos autores é fazer de Maretenebrae uma série com quatro livros e o segundo já está sendo escrito e deve ser lançado em breve, com nome ainda a ser definido. Caso vocês queiram ter uma oportunidade de discutir mais sobre o livro, o grupo Livros de Fantasia e Aventura estará fazendo uma leitura conjunta do mesmo no Facebook a partir de 07/11 e você está convidado.

Para finalizar, o que tenho a dizer é que Maretenebrae tem tudo que uma fantasia épica e medieval precisa: um mundo onde o fim está (ou não) muito próximo, personagens que possam salvá-lo, animais fantásticos e um pano histórico por trás disso. Tudo isso misturado e somado aos segredos ainda não revelados até o momento nos brindam com um ótimo livro de fantasia nacional, digno de ser desbravado. Que venha o segundo livro!

Avaliação final:

Maretenebrae

1º livro - A Queda de Sieghard
2º livro - O Flagelo de Dernessus (2º semestre de 2015)
3º livro - Ainda sem nome e data de lançamento
4º livro - Ainda sem nome e data de lançamento

11 de out de 2014

Resenha: As Mentiras de Locke Lamora - Scott Lynch


Título: As Mentiras de Locke Lamora
Original: The Lies of Locke Lamora
Série: Nobres Vigaristas/Gentleman Bastard #01
Autor: Scott Lynch
Páginas: 464
Editora: Arqueiro (março de 2014)

Sinopse: O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula. Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas. O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver.

Ah, esse livro. Prepare-se para dar muitas risadas, desbravador, pois se você entrar no mundo de Locke Lamora será difícil sair. Scott Lynch nos brinda com uma história bem humorada, intrigante e que só faz nossa expectativa aumentar a cada capítulo. Dizer que As Mentiras de Locke Lamora é uma das grandes leituras do ano parece pouco perto da diversão que é desbravar todo esse livro e da tristeza que é ler a última página sabendo que o livro acabou.

Nessa obra somos apresentados a Locke Lamora, um pirralho infernal até demais que só apronta confusão no lugar onde mora com outras muitas crianças, o Morro das Sombras. Vendo que ele possui um "dom" especial para esse tipo de situação, o responsável pelo local, chamado Aliciador, resolve vendê-lo para o padre Correntes, figura emblemática do livro e que você com certeza vai aprender a gostar. O que Locke ainda não sabia é que esse padre comandava os Nobres Vigaristas, ladrões de Camorr que roubam dos ricos e devolvem tudo para os pobres acumulam fortunas para eles próprios, vivendo no conforto abaixo da igreja de Perelandro.

"Nós temos um ditado: a boa sorte imerecida esconde sempre uma armadilha."

Não posso esquecer de falar do cenário: Camorr é uma cidade medieval com aquele toque clássico de Veneza, cheia de rios cortando os bairros e com o mar rodeando a cidade. O que gostei disso é que tudo parece extremamente real e palpável, nada é inventado e diferente do que vemos hoje, e assim podemos nos imaginar perfeitamente no meio do cenário.

Locke conhece então seus novos companheiros vigaristas Calo e Galdo (dois irmãos gêmos) e posteriormente Pulga e Jean, as últimas aquisições do padre. Todos têm uma habilidade especial que os diferencia na gangue e os fazem ser importantes nas missões, pois precisam aprender a trabalhar em equipe e engordar os cofres dos Nobres Vigaristas. Desbravador, eu preciso lhe falar novamente: você vai rir MUITO com as trapalhadas dessa gurizada e dos diálogos sarcásticos do livro! Cada capítulo traz uma pérola e fica difícil não gostar de uma história que te divirta tanto. Seguem alguns exemplos:

     Não, ser prudente não era uma alternativa. Pulga precisava vencer. Aquela pilha de lixo bem ali tornava possível uma grande e gloriosa estupidez.

     - Eu só roubo porque é muito divertido, porra!
     - VIGARISTA!

     - Pensei que Graumann estivesse de folga durante essa parte.

    - E está. - Locke gesticulou com impaciência para as costas do gibão. - Preciso dos serviços da mais feia costureira de Camorr.
     - Galo está ajudando Pulga a lavar a louça.
     - Vá pegar suas agulhas, quatro-olhos.

    - Grande consolo. Se consolos aliviassem a dor, ninguém se daria o trabalho de pisar uvas.



Scott Lynch resolveu dividir esse livro em vários capítulos para narrar a história atual de Locke Lamora e, entre esses capítulos, sempre há um interlúdio contando a infância do protagonista e de seus companheiros, como eles cresceram e foram parar onde estão, o que Locke fez para se tornar o líder dos Nobres Vigaristas, entre outras coisas, mas sempre retratando acontecimentos do passado e a história de Camorr. Esses interlúdios acabam quebrando um pouco o ritmo da história, mas todos eles são igualmente importantes por esclarecem fatos e nós entendermos a motivação de alguns atos dos nossos personagens.

Vivendo do roubo e das confusões que aprontam e escondendo os roubos maiores dos olhares de Capa Barsavi, o homem que controla todos os ladrões de Camorr, a gangue vai crescendo e prosperando sem ninguém saber, mesmo que antigamente tenha sido firmado um acordo entre os dois maiores governadores de Camorr, intitulado a Paz Secreta, o qual proíbe que qualquer membro da elite (nobreza) seja roubado. Será que nossos protagonistas respeitam esse pacto? hahaha

Na história atual, Locke (com uma idade próxima dos 27-28 anos, ninguém sabe) e seus companheiros planejam roubar Dom Lorenzo Salvara, um importante nobre da cidade de Camorr e que possui uma grande fortuna. Você, desbravador, irá literalmente pirar acompanhando o golpe dos Nobres Vigaristas e tentando entender a sequência dos acontecimentos, pois o autor resolveu INVERTER a ordem dos acontecimentos durante o golpe e o resultado foi muito bom! Preste atenção a cada detalhe, tudo fará sentido depois de um tempo.

Porém, certo dia, um tal Rei Cinza ronda Camorr e começa a assassinar líderes de gangues em toda a cidade, causando apreensão em todos que vivem lá e botando em perigo pessoas importantes como Capa Barsavi e, por que não, os Nobres Vigaristas. E isso sem falar que esse assassino possui a ajuda de um Mago-Servidor, também conhecido como Falcoeiro, um homem com poderes especiais e dono de um falcão mais perigoso que o próprio dono praticamente (haha).

Toda a trama dá uma guinada gigantesca depois que o Rei Cinza aparece e começa a cometer seus crimes que você dificilmente irá fazer outra coisa que não seja ler e ler e ler mais um pouco para descobrir o que acontece. Todos os seus atos são explicados no final do livro e eu jamais iria dar um spoiler tão gigante sobre isso e estragar a vida do leitor do blog. Leia e descubra, vale a pena!


Eu não encaixaria muito As Mentiras de Locke Lamora no gênero fantasia por haver pouquíssimos elementos fantásticos na história e eles não serem TÃO importantes assim para a trama, tirando algumas poucas partes onde o Mago-Servidor aparece. Diria que "Aventura épica" seria o mais apropriado para isso, mas é somente um detalhe que eu quis comentar.

A série Nobres Vigaristas será composta por 7 livros + 1 com dois contos e todos os livros são "independentes" entre si, ou seja, você não precisa ler o 1º para ler o 2º e assim por diante, sendo que nesse primeiro livro os desdobramentos iniciais se finalizam e no segundo a história já começa em um local totalmente diferente. Porém, como normalmente acontece em séries assim, o ideal é sempre ler na ordem, até para se ter um conhecimento maior dos personagens e seguir a sequência.

Se você procura por um livro instigante, cheio de reviravoltas e com protagonistas hilários e muito divertidos, pare na livraria mais próxima da sua casa e procure por esse livro, trazido ao Brasil pela editora Arqueiro. A chance de você se arrepender é mínima zero!

Avaliação final:

Nobres Vigaristas

1º livro - As Mentiras de Locke Lamora
2º livro - Mares de Sangue
3º livro - República de Ladrões

4º livro - The Thorn of Emberlain (ainda não foi lançado)
5º livro - The Ministry of Necessity (ainda não foi lançado)
6º livro - The Mage and the Master Spy (ainda não foi lançado)
7º livro - Inherit the Night (ainda não foi lançado)
Livro extra com dois contos - The Bastards and the Knives (ainda não foi lançado)

27 de set de 2014

Resenha: Champion - Marie Lu


Título: Champion
Original: Champion
Série: Legend #03
Autora: Marie Lu
Páginas: 304
Editora: Rocco (2014)

Sinopse: No emocionante desfecho da trilogia Legend, June ocupa uma posição privilegiada no governo e Day trocou a alcunha de criminoso mais procurado do país pela de herói nacional. Mas quando tudo parece conspirar a favor da paz, a ameaça da guerra ressurge na forma de um vírus mortal que começa a espalhar o pânico entre as colônias. Em Champion, a vida de milhares de pessoas está novamente nas mãos de June, a menina-prodígio da República. Mas salvá-las significa também enfrentar novos desafios e exigir novos sacrifícios de seu amor. O livro chega ao Brasil pelo selo Rocco Jovens Leitores, que relança também os dois primeiros volumes da série, Legend e Prodigy.

Essa resenha contém alguns spoilers do livro anterior, Prodigy.

Ninguém iria imaginar, lá no começo da trilogia, que Day, o guri criminoso mais procurado pelo país estaria do lado da República dois livros depois, após interromper uma revolução e ajudar Anden, o filho do antigo Eleitor, a se manter no poder. Tudo mudou com esse acontecimento, até mesmo a relação de Day com June, a prodígio da República.

Quando tudo parece estar em paz, Day fica sabendo que seu problema no cérebro o está matando lentamente e ainda lhe restam apenas alguns meses de vida, tudo o que pensa em fazer é se afastar de June, que agora trabalha para o novo Eleitor, e não fazer com que ela sofra. Porém, uma ameaça de praga ronda as fronteiras entre a República e as Colônias e os dois são obrigados a se juntar para combatê-la, já que os combatentes das Colônias acham que a República criou um vírus propositalmente e agora exigem que uma cura seja encontrada, e rapidamente. Como vocês podem imaginar, uma guerra pode estar prestes a explodir!

"Fear markes you stronger." - Day

Os diferentes pontos de vista utilizados, sendo um capítulo para June e outro para Day, sempre intercalando-se, trouxeram um dinamismo muito grande à leitura e torna tudo mais simples e agradável de se ler, pois conseguimos identificar as angústias, medos e pensamentos de ambos sem precisar ficar imaginando o que está se passando em suas cabeças.

Não sei dizer exatamente qual é o melhor livro da trilogia, mas Champion nos traz aquela sensação de que a qualquer momento algo importante irá acontecer, algo que possa mudar o rumo de tudo. Cada capítulo, assim como nos outros livros, é meio frenético, cheio de coisas importantes acontecendo ao mesmo tempo. O que acontecerá com a República se as Colônias resolverem atacar com tudo? Será necessário fazer alianças para sobreviver? Quem é o Paciente Zero que todos precisam para achar a cura para a praga? Day e June ficarão juntos? Essas são questões que rebatem na sua cabeça o tempo inteiro e só lendo para descobrir todas as suas respostas.
“Sometimes, the sun sets earlier. Days don’t last forever, you know. But I’ll fight as hard as I can. I can promise you that.”

Quando comecei a ler a trilogia, láááá com Legend uns 2 anos atrás, achei que iria me deparar com mais uma distopia fraca e com tudo centrado em um mísero romance entre os personagens principais, mas com Legend/Prodigy/Champion é um pouco diferente. Existe romance sim, e bastante, mas esse romance é importante para a história, faz os personagens terem atitudes extremas, importarem-se com coisas que nem pensariam, não é simplesmente um romance jogado ali no meio para fazer duas pessoas ficarem juntas.

A escrita de Marie Lu é simples, intrigante e bem acelerada, sempre mantendo o foco do leitor. Não espere nada muito adulto, mas fique sabendo que as horas gastas com esse livro/essa trilogia são recompensadoras e ao final você saberá que o tempo investido valeu a pena. Torço muito para que Legend torne-se um sucesso aqui no Brasil como é lá fora, principalmente nos Estados Unidos, e acredito que o a trilogia tenha potencial para chegar num patamar BEM maior que Jogos Vorazes e Divergente, por exemplo.


Ah, mais uma coisa: gurias provavelmente chorarão com o final desse livro. Eu avisei!

Os direitos de adaptação da trilogia foram comprados pela CBS Films, mas até o momento não há nenhuma previsão de quando iniciarão os preparativos para transformar Legend em um filme.

Avaliação final:
Trilogia Legend

1° livro - Legend

2° livro - Prodigy
3° livro - Champion

8 de set de 2014

Resenha: Coração de Aço - Brandon Sanderson

Título: Coração de Aço
Original: Steelheart
Série: Executores/The Reckoners #1
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 384
Editora: Aleph (novembro de 2016)

Sinopse: Tudo começou com Calamidade, que surgiu nos céus como uma estrela de fogo, e que ninguém sabe o que é realmente: seria algo alienígena, ou então um experimento do exército norte-americano? Seus efeitos, entretanto, podem ser sentidos algum tempo após seu surgimento: pessoas comuns passam a ter poderes que desafiam as leis da física e da lógica. Parece que uma nova era está para surgir. E surge: os nomeados Épicos não apenas se tornam poderosos, mas também ganham uma sede insaciável de poder e parecem perder toda sua humanidade no processo, deixando o resto da população à mercê de suas vontades e caprichos. Dentre eles o mais poderoso é Coração de Aço, um ser invulnerável a qualquer tipo de ataque e com capacidade de manipular e transformar objetos inorgânicos em metal, que decide tomar a cidade de Chicago e ali estabelecer seu império. Dez anos se passam e os Épicos governam com poder absoluto, com todos os direitos e nenhum dever, se apossando de tudo o que querem a seu bel-prazer, e matando aqueles que ousam desafiá-los. Não existe nada e ninguém que possa impedi-los. A exceção a essa regra são os Executores, humanos normais, munidos de tecnologia de ponta que se utilizam de táticas de guerrilha para derrubar e matar o maior número possível de Épicos. O sonho de David, um jovem criado em um orfanato/fábrica de Nova Chicago é juntar-se aos Executores e destruir Coração de Aço, o homem que matou seu pai e mudou sua vida para sempre.

Coração de Aço é o 1º livro da trilogia Executores, escrita pelo autor Brandon Sanderson. A Aleph publicou a obra em novembro de 2016, mas essa resenha foi feita a partir da versão americana.

Como vocês leram na sinopse acima, David é o personagem principal da trama e passou por situações difíceis até chegar aos seus 18 anos, quando é "expulso" da fábrica onde trabalha. Desde os 8 anos, quando Coração de Aço, um dos Épicos (pessoas comuns que passaram a ter poderes variados após um evento conhecido como Calamidade) mais poderosos existentes, assumiu o poder na cidade de Newcago e ainda por cima matou um familiar do protagonista, David estuda-o para saber as suas fraquezas e um dia ser capaz de matá-lo.


E é na cidade de Newcago, totalmente coberta por aço do chão até o mais alto dos prédios e agora dominada por Coração de Aço, que David encontra um grupo de pessoas especializada em matar Épicos. Os Executores são pessoas normais que se juntaram a fim de destruir todo e qualquer Épico que aparecer no caminho. Utilizando-se de tecnologia e armamentos especiais, eles traçam planos para aproveitar-se da fraquezas dos supervilões e aniquilá-los. Essa "gangue" é formada por Prof, Megan, Abraham, Tia e Cody, membros totalmente diferentes entre si e com habilidades específicas que os tornam fundamentais no andamento das missões.

É muito legal ver a evolução do David ao longo do livro e perceber que todos aqueles anos que ele passou estudante sobre os Épicos o tornaram uma pessoa especialista em detectar pontos fortes e fracos no inimigo, sendo isso o ponto principal para que fosse recrutado pelos Executores, além, é claro, do seu desejo de vingança. Além de David, todos os personagens foram bem utilizados, principalmente David e Prof, os quais guardam várias surpresas para quem se aventurar nessa obra.



Quanto aos diversos vilões da trama, é incrível a diversidade de poderes e habilidades de cada um. Alguns, como Punho da Noite, o responsável pela escuridão eterna em Newcago, podem controlar e criar sombras noturnas para enfrentar seus inimigos. Outros, como Tormenta de Fogo, podem criar ilusões, e Confluência, capaz de controlar energia. Esses e vários outros lhes serão apresentados e todos possuem o seu grau de importância no enredo.

Todo capítulo é elétrico, intenso, tem alguma coisa importante acontecendo, é difícil demais parar de ler quando a narrativa segue esse estilo. Já terminava um capítulo sabendo que no próximo tinha mais, aí não havia o que fazer, era tentar descobrir o que aconteceria o mais rápido possível! Esse livro é um típico blockbuster americano, com cenas de ação e humor a todo o momento, mantendo a atenção do leitor sempre em um nível elevado.

O final é totalmente fora de série e, digamos assim, bem inesperado. Muitas revelações são feitas, coisas que eu nem imaginava ao longo do livro e que só ao final fizeram-me realmente perceber como eu havia deixado passar bastante coisa. Só tenho uma coisa a dizer sobre esse livro: LEIAM O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL! O inglês do Brandon é muito tranquilo de se entender e não há muita gíria. Diversão garantida durante toda a leitura, podem confiar!

Avaliação final:


The Reckoners:
Livro 1 - Coração de Aço
Livro 1.5 - Mitosis
Livro 2 - Tormenta de Fogo
Livro 3 - Calamidade

2 de set de 2014

Resenha: O Cavaleiro dos Sete Reinos - George R. R. Martin


Título: O Cavaleiro dos Sete Reinos
Original: Knight of Seven Kingdoms
Série: As Aventuras de Dunk e Egg #01
Autor: George R. R. Martin
Páginas: 416
Editora: LeYa (janeiro de 2014)

Sinopse: Duzentos anos após a Conquista, a dinastia Targaryen vive seu auge. Os Sete Reinos de Westeros atravessam um tempo de relativa paz, nos últimos anos do reinado do Bom Rei Daeron. É neste cenário que Dunk, um menino pobre da Baixada das Pulgas, tem uma chance única: deixar a vida miserável em Porto Real para se tornar escudeiro de um cavaleiro andante. Quando adulto, o cavaleiro morre e Dunk decide tomar seu lugar e fazer fama no torneio de Campina de Vaufreixo. É quando conhece Egg, um menino de dez anos, cabeça totalmente raspada, que é muito mais do que aparenta ser. Dunk aceita Egg como seu escudeiro e, juntos, viajam por Westeros em busca de trabalho e aventuras. Uma grande amizade nasce entre eles – uma amizade pela vida toda, mesmo quando, anos mais tarde, os dois personagens assumem papéis centrais na estrutura de poder dos Sete Reinos. As aventuras de Dunk e Egg trazem para os fãs de As Crônicas de Gelo e Fogo a oportunidade única de vivenciar outro momento da história de Westeros, de conhecer e analisar fatos que teriam desdobramentos noventa anos depois, na guerra dos tronos.
Nada como degustar novamente uma obra de um dos meus autores favoritos: George Martin. O Cavaleiro dos Sete Reinos se passa quase um século antes dos acontecimentos de A Guerra dos Tronos e possui três contos, todos eles protagonizados por Dunk e Egg, dois personagens que vocês certamente gostarão de conhecer mais. Pois bem, vamos às três histórias:

Em O Cavaleiro Andante, somos apresentados a Dunk, há pouco tempo nomeado cavaleiro por sor Arlan de Centarbor, seu antigo senhor e que acabara de morrer. Em suas andanças, acaba encontrando o garoto Egg (atenção com ele!) em uma estalagem e o convida para ser seu escudeiro. Ambos decidem partir para um torneio em Vaufreixo em busca de ouro e um pouquinho de fama. Lá, entram em grandes apuros e temos direito a uma grande narrativa de uma justa com 7 cavaleiros em cada lado, todos lutando pelo que imaginam ser correto.

No segundo conto, de nome A Espada Juramentada, ambientado praticamente um ano após o conto anterior, Dunk, agora Sor Duncan, O Alto, e Egg estão juramentados e sobre o serviço de Sor Eustace Osgrey, um homem de uma família tradicional, mas há muito tempo quebrada e agora praticamente sem importância na Campina. Aqui, Dunk precisa resolver assuntos particulares com uma senhora vizinha e conta com o perigo constante de um ataque ao território de Sor Eustace. Um combate singular coroa esse conto e aqui já podemos ver um pouco do estilo de Martin, com várias intrigas básicas e algum sangue sendo derramado, tudo com aquela narrativa típica do autor. Além disso, vários flashbacks sobre a Rebelião Blackfyre e seu final na Batalha do Capim Vermelho nos são apresentados nesse conto e é muito legal e interessante saber mais sobre esse momento importante da história de Westeros e suas consequências.

O terceiro e último conto, O Cavaleiro Misterioso, fecha com chave de ouro a obra e nos traz o grande estilo que Martin sempre impôs em seus livros, sempre povoado por intrigas políticas e seus desdobramentos. A caminho do Norte, Dunk e Egg acabam parando num torneio em homenagem ao casamento do Senhor Butterwell de Alvasparedes com uma Frey, cujo prêmio é um ovo de dragão petrificado. Cada página desse conto é intrigante, tudo pode ser considerado traição e nossos protagonistas parecem estar diretamente envolvidos, mesmo sem ter desejado.

Nessa obra, George Martin aproveita-se de uma linguagem mais simples e bem mais tranquila do que a utilizada nas Crônicas de Gelo e Fogo, tornando a leitura mais rápida e igualmente gratificante. Foi bem divertido ler em todo capítulo "cala a boca ou quer um tapão na orelha?" vindo de Dunk e a leve arrogância de Egg. Devo admitir que ambos formaram uma dupla hilária e que com certeza agradará a todos os leitores.

Enfim, O Cavaleiro dos Sete Reinos é uma leitura obrigatória para todos os fãs de George Martin e você certamente apreciará as aventuras de nossos amigos Dunk e Egg. Vale a pena investir e conhecer mais sobre o passado de Westeros.

Avaliação final:
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