29 de mar de 2014

Resenha: O Poder da Espada - Joe Abercrombie


Título: O Poder da Espada
Original: The Blade Itself
Série: A Primeira Lei/The First Law #01
Autor: Joe Abercrombie
Páginas: 480
Editora: Arqueiro (julho de 2013)

Sinopse: Sand dan Glokta é um carrasco implacável a serviço da Inquisição de Sua Majestade. Nas mãos dele, os supostos traidores da Coroa admitem crimes, apontam comparsas e assinam confissões – sejam eles culpados ou não. Por ironia, Glokta é um ex-prisioneiro de guerra que passou dois anos sob tortura. Mas isso nunca teria acontecido se dependesse de Logen Nove Dedos. Ele jamais deixaria um inimigo viver tanto tempo. Só que isso foi antes. Agora ele está decidido a mudar. Não quer ser lembrado apenas por seus feitos cruéis e pelos muitos inimigos que se alegrarão com sua morte. Já a felicidade do jovem e mulherengo Jezal dan Luthar seria alcançar fama e glória vencendo o Campeonato de esgrima, para depois ser recompensado com um alto cargo no governo que lhe permitisse jamais ter um dia de trabalho pesado na vida. Mas há uma guerra iminente e ele pode ser convocado a qualquer momento. Luthar sabe que, nos campos do Norte gelado, o embate segue regras muito menos civilizadas que as do esporte. Enquanto a União mobiliza seus exércitos para combater os inimigos externos, internamente se formam conspirações sanguinárias e um homem se apresenta como o lendário Bayaz, o Primeiro dos Magos, retornando do exílio depois de séculos. Quem quer que ele seja, sua presença tornará as vidas de Glokta, Jezal e Logen muito mais difíceis. Agora a linha que separa o herói do vilão pode ficar tênue demais.

Joe Abercrombie era um autor desconhecido para mim, até que tive a oportunidade de conhecê-lo ao moderar uma leitura conjunta no grupo Livros de Fantasia e Aventura (recomendo o grupo, pois sempre é cheio de discussões úteis e informações muito bem dadas, sem aquele monte de propagandas e conversa fiada da maioria dos grupos nas redes sociais) no Facebook.

Quanto ao livro, conforme os capítulos vão passando, somos apresentados ao três personagens principais: Logen, Jezal e Glokta. Falarei um pouco de cada um deles.


Logen é um grande guerreiro do Norte que quase morre após entrar em confronto com um grupo de shankas (criaturas parecidas com orcs) num desfiladeiro. Ao escapar da morte, Logen se dispersa do seu antigo grupo de amigos guerreiros e, a partir daí, vaga solitário até encontrar-se com um aprendiz de feiticeiro que o leva diretamente até Bayaz, o Primeiro dos Magos, segundo ele próprio. Muita atenção com esses dois personagens, pois eles nos trarão muitas surpresas no decorrer da narrativa, principalmente o guerreiro Logen, que certamente prenderá toda a sua atenção próximo ao final do livro.

Já o espadachim Jezal dan Luthar é um pé-no-saco de todo mundo e, na minha opinião, mereceria uma surra para aprender a dar valor às coisas simples da vida. Mimado e arrogante, Jezal está prestes a participar de um campeonato de esgrima e precisa vencer para provar o seu valor para os habitantes da capital.


No entanto, o cartão de visitas de Joe Abercrombie se encontra no personagem Glokta, um antigo herói de guerra que, após quase ser morto em uma delas, vira inquisidor do reino a pedido de Sua Majestade. E é aí que ele descobre que tem vocação para esse trabalho, pois seu sarcasmo e inteligência (que lembram muito o personagem Tyrion das Crônicas de Gelo e Fogo) são postos à prova a todo momento.

Gostei bastante das cenas de interrogatório envolvendo Glokta e suas vítimas (geralmente comerciantes corruptos e nobres tentando se aproveitar dos outros). O humor e a irreverência dos seus práticos (ajudantes) Frost e Severard deixa o clima sempre engraçado (ou perturbador) e torna a descrição dos momentos muito mais impactante e realista, pois uma cena de tortura não é composta somente pela dor em si, mas por várias conversas e fatos que acabam acarretando em uma agressão.

Os diálogos são o ponto forte do livro, assim como as descrições dos cenários, que são um show à parte. Masmorras, castelos, becos escuros e palcos de esgrima são bem destrinchados pelo autor e nos passam a impressão de que ele está atento a tudo e todos.

Em dado momento, Glokta, Jezal e Logen acabam se juntando em uma perigosa aventura, aonde só o futuro nos contará o que Bayaz pretende fazer com os nossos três protagonistas. Nada temos a fazer até lá, a não ser esperar pelo lançamento do segundo livro, que está primeiro para o primeiro semestre de 2014.

Pontos fortes: personagens e cenários bem desenvolvidos.
Pontos fracos: muita coisa ficou em aberto para o segundo livro.

Avaliação final:

A Primeira Lei:

1º livro - O Poder da Espada
2º livro - Antes da Forca
3º livro - O Duelo dos Reis

27 de fev de 2014

Resenha: O Temor do Sábio - Patrick Rothfuss


Título: O Temor do Sábio
Original: The Wise Man's Fear
Série: A Crônica do Matador do Rei/The Kingkiller Chronicle #02
Autor: Patrick Rothfuss
Páginas: 960
Editora: Arqueiro (novembro de 2011)

Sinopse: Em busca de um patrocinador para sua música, Kvothe viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Lá, é rapidamente envolvido na política da corte. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir a sua morte e lidera um grupo de mercenários pela floresta. Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pode resistir ou sobreviver. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva à sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos. Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.

Esse segundo livro da trilogia é bem melhor que o primeiro. Só poderia começar assim a minha resenha da sequência de O Nome do Vento, primeiro livro da trilogia A Crônica do Matador do Rei. Mais ação, mais dinâmica e (um pouco) menos enrolação. Nosso herói (?) volta à Universidade e começa a aprender a arte de nomear as coisas, entre elas, o tão desejado vento. Suas intermináveis rixas com Ambrose, um dos riquinhos da escola, acabam atrapalhando-o tanto que lhe é recomendado que se afaste um pouco dos estudos e se dedique a outras coisas por um tempo.

Kvothe então viaja até Vintas, onde ficará sobre as ordens do maer Alveron e precisará conquistar a sua confiança para conseguir o que deseja: um patrocinador para as suas músicas. Porém, intrigas políticas acabam atrapalhando um pouco o seu caminho e ele quase se dá mal, mas felizmente consegue contornar a situação.

Até que, em certo momento, o maer lhe pede que, juntamente com outras pessoas, vá até uma floresta próxima e acabe com um bando de salteadores de estrada que andam atrapalhando a coleta de impostos e a circulação de pessoas pelo local. E é aí que as surpresas começam a aparecer. Kvothe quase reencontra uma pessoa do seu passado que ele tanto procurava, que poderia responder a muitas perguntas suas e dar um novo sentido à sua vida.




E é nesse grupo designado a caçar salteadores que nosso protagonista encontrará uma pessoa muita peculiar: Tempi, um guerreiro ademriano que o leva à sua terra natal para resolver uma pendência. Lá, Kvothe não será muito bem recebido, mas aprenderá a Ketan, arte milenar praticada pelo povo de Ademre e que ensina diversas técnicas de luta. Nem preciso dizer que fiquei realmente intrigado com a cultura do povo ademriano, pois é essencialmente baseada no uso da linguagem corporal e pouquíssimo no uso da fala, aonde o silêncio é a melhor arma a ser utilizada.



Uma das partes mais interessantes do livro, sem dúvida nenhuma, é o encontro de Kvothe com Feluriana, um ser dos Encantados que hiptoniza os homens e os mata de tanto fazer sexo com eles. É uma parte do livro essencialmente erótica, mas muito bem explorada, pois Kvothe, além de descobrir que Feluriana é real e não apenas um conto de fadas, aprende várias habilidades novas (além das carnais, é claro) e acaba conversando com outro ser que mudará sua vida para sempre, para o bem ou para o mal. Importante ressaltar que Feluriana será a primeira mulher da vida de Kvothe, mesmo que todos nós saibamos que ele é perdidamente apaixonado por outra.

E é aí que ela entra: Denna. Ou Dienna. Ou Dayne. Com seus vários nomes, é impossível decifrar essa guria. Quem ela é? De onde vem? O que anda fazendo ultimamente? Por que sempre desaparece e nunca dá muita atenção para os homens? Será que isso é simplesmente uma desilusão amorosa? Gostaria de saber mais detalhes sobre ela, mas o Rothfuss parece gostar de um suspense e deixou tudo para o último livro. Nós e o Kvothe teremos que esperar para descobrir, portanto.



"São as perguntas que não sabemos responder que mais nos ensinam. Elas nos ensinam a pensar. Se você dá uma resposta a um homem, tudo o que ele ganha é um fato qualquer. Mas, se você lhe der uma pergunta, ele procurará suas próprias respostas."

Pontos fortes: um baita livro, muito peculiar ao seu modo e com detalhes minuciosos sendo revelados a cada nova página virada.
Pontos fracos: é um livro extenso, lento, onde as coisas demoram a engrenar.

Avaliação final:


A Crônica do Matador do Rei:

1º livro - O Nome do Vento
2º livro - O Temor do Sábio
3º livro - The Doors os Stone (sem previsão)

26 de dez de 2013

Resenha: Prodigy - Marie Lu


Título: Prodigy
Original: Prodigy
Série: Legend #02
Autora: Marie Lu
Páginas: 304
Editora: Prumo (2013) e Rocco (2014)

Sinopse: Os opostos perto do caos. Depois que um cataclismo atingiu o planeta Terra, extinguindo continentes inteiros, os Estados Unidos se dividiram em duas nações em guerra: a República da América, a oeste, e as Colônias, formadas pelo que restou da costa leste da América do Norte. June e Day, a menina prodígio e o criminoso mais procurado da República, já estiveram em lados opostos uma vez. Agora eles têm a oportunidade de lutar lado a lado contra o controle e a tirania da República e, assim, alterar para sempre o rumo da guerra entre as duas nações. Resta saber se estão preparados para pagar o preço que as transformações exigirão deles.

Contém alguns spoilers do livro anterior!

Prodigy é a tão aclamada sequência do livro Legend da autora Marie Lu. Utilizando-se de uma linguagem simples, personagens cativantes e narrativa empolgante, temos em mãos um livro que é QUASE melhor do que o primeiro e que nos deixa aguardando ansiosamente pela sua continuação, que tem previsão de lançamento aqui no Brasil para o ano que vem.

Como no livro anterior, os capítulos são todos em primeira pessoa e intercalados por Day e June, personagens principais da trama. Isso traz um dinamismo muito grande à leitura, pois somos sempre apresentados aos pensamentos e problemas de ambos os personagens e ficamos esperando cada vez mais pelo próximo capítulo.

Após lutarem em lados opostos, Day e June precisam juntar forças para enfrentar o poder tirano da República e a sua maneira bárbara de manter a população sob controle, ainda mais agora que a praga está se alastrando cada vez mais rapidamente. Depois de ambos terem alguns familiares mortos, seus instintos mais primitivos se desenvolvem nesse livro e acabam inflamando muitas discussões entre os dois.
   "Cada segundo agora é uma ponte entre a vida e a morte."
Gostei bastante do desenvolvimento dos personagens principais, pois agora eles expressam os seus sentimentos de maneira mais direta e não deixam nada para depois, o que pode não ser bom para os dois. Faltou a autora focar um pouquinho mais nos personagens secundários, que acabam não participando muito da narrativa e se tornam apenas meros pontos de ligação entre alguns acontecimentos.

Por ser um livro de pouca enrolação e muita ação, o que eu considero primordial para o gênero distopia, a trilogia Legend está facilmente entre as melhores de todos os tempos. Dê uma chance, você não irá se arrepender!

Ah, não posso esquecer: "Nada é o que parece ser nesse livro". Leia e descobrirá!

Pontos fortes: narrativa eletrizante, acontecimentos difíceis de se antecipar, personagens identificáveis com o leitor.
Pontos fracos: difícil achar um ponto fraco em um livro tão bom. A falta de maiores detalhes em algumas partes e de um pouco mais de foco em personagens coadjuvantes, talvez.

Avaliação final:

Trilogia Legend:

1º livro - Legend
2º livro - Prodigy
3º livro – Champion

15 de dez de 2013

Resenha: O Nome do Vento - Patrick Rothfuss


Título: O Nome do Vento
Original: The Name of the Wind
Série: A Crônica do Matador do Rei/The Kingkiller Chronicle #01
Autor: Patrick Rothfuss
Páginas: 656
Editora: Arqueiro (2009)

Sinopse: Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso. Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.


O Nome do Vento é um livro que sempre esteve na minha estante, à espera das minhas mãos para abri-lo e degustar de sua história. Muito tempo se passou e finalmente tive a oportunidade necessária para me dedicar à leitura do mesmo. Com uma história envolvente e uma narrativa um pouco diferente do que estou acostumado, acabei gostando dele.

A trilogia A Crônica do Matador do Rei é narrada em primeira pessoa pelo personagem Kvothe, atualmente um mero dono de estalagem em uma pacata cidade, que precisa contar a história da sua vida a um cronista em até três dias (cada livro corresponde a um dia) e o faz relembrar de todos os acontecimentos marcantes por quais passou.


O primeiro deles, o que mais afetará a sua vida, é o assassinato de toda sua família e a trupe que o acompanhava pelos Chandrianos, demônios assassinos que tem como marca muito forte o fogo azul usado por eles nos seus atos. A partir desse momento, Kvothe precisa viver sozinho e sai perambulando pelas florestas próximas e pela cidade de Tarbean, onde começa a procurar informações sobre o grupo que matou seus parentes, sempre na inseparável companhia do alaúde usado por seu pai, umas das únicas coisas que sobraram depois do massacre e que remete Kvothe aos bons tempos de outrora.

- Ademais, tudo isso aconteceu há muito tempo – disse, com um gesto desdenhoso. – O tempo é um grande remédio, e por aí vai.

A partir daí, a história enrola bastante até o momento em que Kvothe chega à tão desejada e sonhada Universidade, onde poderá achar mais informações sobre o Chandriano e também descobrir o "nome do vento". Lá, nosso protagonista encontra todo o tipo de pessoa, mas vale destacar a amizade que ele faz com Wilem e Simon, a sua paixonite aguda por Denna (não posso esquecer de comentar a falta de trato e de experiência do Kvothe com as mulheres, que chega a ser engraçada em vários momentos) e as suas brigas e consequentes complicações por causa de Ambrose, um garoto rico que insiste bastante em pegar no pé de Kvothe e faz de tudo para atrapalhar a sua vida.

Ah, também não posso esquecer de comentar que existe uma ligação muito grande entre Kvothe e a música, pois foi o recurso utilizado pelo personagem para se livrar um pouco da solidão que o acompanha permanentemente e ter algo que ele pudesse chamar de seu, algo que o fizesse ter vontade de viver, o que acaba permeando muitas partes do livro:

"A música é uma amante orgulhosa e temperamental. Recebendo o tempo e a atenção que merece, ela é sua. Desdenhada, chega o dia em que você a chama e ela não responde. Por isso comecei a dormir menos, para lhe dar o tempo de que ela precisava."

O livro só peca mesmo em trazer pouquíssimos momentos de ação (que, no meu ver, são extremamente necessários e fundamentais para esse tipo de livro) e por deixar vários assuntos pendentes para o próximo livro, o que muitas vezes pode ser considerado bom ou ruim, mesmo aguçando bastante a curiosidade do leitor. Faltou também um GRANDE momento no livro, algo que fizesse o livro se tornar indispensável, mas é uma leitura bem válida e eu certamente partirei para a continuação O Temor do Sábio.

Pontos fortes: um estilo diferente de literatura fantástica que tende a me agradar um pouco no futuro, mas que eu só descobrirei quando ler o segundo livro. A estreita relação de Kvothe com a música também dá um toque legal ao livro.
Pontos fracos: pouca ênfase em batalhas e várias "arestas" soltas.

Avaliação final:

A Crônica do Matador do Rei:

1º livro - O Nome do Vento
2º livro - O Temor do Sábio
3º livro - The Doors os Stone (sem previsão)

22 de nov de 2013

PROMOÇÃO: ANIVERSÁRIO DO BLOG "LABIRINTO IMAGINÁRIO"

Bom dia, desbravador. É com muita alegria que anuncio hoje que o blog parceiro Labirinto Imaginário completa um ano de existência!

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Para comemorar essa data especial, o Garibaldi (autor do blog) convidou os amigos dos blogs Restaurante da Mente, Desbravando Livros, Livretando e O Fantástico Mundo da Arte para uma promoção conjunta que irá sortear 5 livros para um ganhador.

Para participar, basta se inscrever no formulário abaixo e seguir os blogs nas redes sociais. Acumulando pontos para o sorteio,você terá mais chances de ganhar. Boa sorte!

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