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6 de mar. de 2013

Resenha: Excalibur - Bernard Cornwell


Título: Excalibur
Original: Excalibur
Série: As Crônicas de Artur/The Arthur Books #3
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 529
Editora: Record (2004)

Sinopse: A saga do maior guerreiro de todos os tempos vista à luz das mais recentes descobertas arqueológicas chega ao seu final neste terceiro volume da trilogia "As Crônicas de Artur". Uma conclusão surpreendente das aventuras de um homem que todos pensavam ter sido Rei, mas que jamais usou uma coroa. É a história de um homem que luta por seus ideais em uma era brutal, prejudicado por suspeitas e magias do passado, rodeado por intrigas, e que depende apenas de sua habilidade na guerra e do talento para a liderança. Um romance empolgante que revela fatos históricos sobre Artur e seu mundo, imortalizado por bardos que há séculos cantam e contam as aventuras do maior herói de todos os tempos.


A saga de Artur está, infelizmente, chegando ao seu final. Excalibur é o último e derradeiro livro da trilogia e finaliza com chave de ouro as aventuras de Derfel ao lado de seu companheiro mais famoso. Com muito mais ação e com reviravoltas incríveis, o autor consegue prender a atenção do leitor do começo ao fim.

E desta vez, ao contrário do livro anterior, quando Artur teve que lidar com o avanço do cristianismo, o mesmo terá que sobreviver à possível volta dos Deuses Antigos e as complicações que isso trará para a sua Britânia amada. Não preciso nem dizer que nosso herói terá mil vezes mais problemas e o dobro de inimigos pela frente.

A riqueza do detalhamento das cenas e dos personagens é algo que me impressiona desde o primeiro livro do Bernard Cornwell que eu li, mas que nesse último volume atinge o seu ápice, como podemos ver e comprovar nos trechos a seguir:

"Cerdic também me conhecia, mas nem as palavras de Lancelot nem o reconhecimento de um inimigo mudaram a expressão impenetrável de seu rosto. Era um rosto de escrivão, barbeado, de queixo fino e com uma testa alta e larga. Seus lábios eram finos, o cabelo ralo era penteado severamente para trás, fazendo um nó na nuca, mas o rosto pouco notável se tornava memorável devido aos olhos. Eram olhos claros, implacáveis, olhos de assassino." 

"... Lembro-me da confusão e do ruído das espadas se chocando contra espadas, do choque de escudos batendo contra escudos. A batalha é uma questão de centímetros, e não de quilômetros. Os centímetros que separam um homem de seu inimigo. Você sente o cheiro de hidromel no hálito dele, ouve a respiração em sua garganta, ouve seus grunhidos, sente-o mudar o peso, sente o cuspe dele em seus olhos, e procura perigo, olha para os olhos do próximo homem que deve matar, encontra uma abertura, ocupa-a, fecha a parede de escudos de novo, dá um passo à frente, sente o impulso dos homens que vêm atrás, meio que tropeça nos corpos dos que matou, recupera-se, empurra, e mais tarde se lembra de pouca coisa, a não ser dos golpes que praticamente o mataram. Você trabalha, empurra, golpeia para fazer uma abertura na parede de escudos, e em seguida rosna, estoca e corta para aumentar a abertura, e só então a loucura toma conta quando o inimigo se rompe e você pode começar a matar como um Deus, porque ele está apavorado e correndo, ou apavorado e imobilizado, e tudo que pode fazer é morrer enquanto você colhe almas."

O momento mais importante do livro (e de toda a trilogia) é a batalha travada no Mynydd Baddon entre os britânicos sobreviventes e os saxões sedentos por terra. Um momento épico da História que foi magistralmente narrado neste livro por Bernard Cornwell e que me fez sentir na pele o que é uma batalha de verdade, com seus momentos de tensão e euforia, de medo e de coragem.

- Então sim, eu tinha de lutar – retruquei. Na verdade havia gostado da luta. Só um idiota deseja a guerra, mas assim que a guerra começa ela não pode ser lutada de meia vontade. Nem pode ser lutada com arrependimento, mas deve ser levada com uma alegria terrível em derrotar o inimigo, e é essa alegria selvagem que inspira nossos bardos a escrever suas maiores canções de amor e de guerra. Nós, guerreiros, nos vestíamos para a batalha como nos enfeitávamos para o amor: fazíamo-nos belos, usávamos nosso ouro, púnhamos cristas nos elmos engastados de prata, andávamos empertigados, cantávamos vantagem, e quando as lâminas assassinas chegavam perto sentíamos como se o sangue dos Deuses corresse em nossas veias. O homem deve amar a paz, mas se não puder lutar de todo o coração não terá paz.

De ponto negativo mesmo, somente posso destacar que nem todos os fatos apresentados nas Crônicas de Artur são reais, como explica o próprio autor ao final de cada livro, pois não há comprovação do que realmente aconteceu com Artur e as suas batalhas. Mas isso pode ser facilmente deixado de lado, pois o autor cria uma atmosfera cativante e nos faz gostar mais de Artur e Derfel a cada capítulo que passa.

Pontos fortes: a batalha em Mynydd Baddon e a riqueza dos detalhes!
Pontos fracos: faltou dar um ponto final (definitivo) para a saga, mas a inexistência de fatos comprovados pela História dificultou nessa parte.

Avaliação final:

As Crônicas de Artur:

1º livro - O Rei do Inverno
2º livro - O Inimigo de Deus
3º livro - Excalibur

23 de fev. de 2013

Resenha: O Inimigo de Deus - Bernard Cornwell


Título: O Inimigo de Deus
Original: Enemy of God
Autor: Bernard Cornwell
Série: As Crônicas de Artur/The Arthur Books #2
Páginas: 518
Editora: Record (janeiro de 2002)

Sinopse: Este é o segundo volume que retrata, a partir de novos fatos e descobertas arqueológicas, o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro que luta para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. A Britânia está pronta expulsar de uma vez os invasores saxões. Mas se por um lado o país está unificado politicamente, por outro a luta entre as religiões ancestrais e o cristianismo divide o povo. Diante da propagação da nova fé, Merlin empreende uma busca pelo caldeirão sagrado - objeto mágico poderoso, capaz de trazer de volta os antigos deuses e aniquilar os saxões e os cristãos. Ao longo desta jornada, ele é acompanhado pelo guerreiro Derfel em sua peregrinação por lugares distantes e perigosos, onde vivem aventuras inesquecíveis.

Uma obra-prima da literatura estrangeira! Um dos melhores livros já lidos na minha vida! Uma obra sem comparação! Esse é o único jeito possível de começar a resenhar esse livro magnífico de Bernard Cornwell. Com uma narrativa absurdamente leal aos fatos descobertos pelo autor, somos transportados novamente para a Britânia de antigamente, onde seus habitantes tentam defender suas terras dos invasores saxões.

Dessa vez, além dos problemáticos saxões, nosso protagonista também terá que lidar, junto a Artur, com o rápido crescimento do cristianismo na Britânia. Esses cristãos, além de serem fervorosos, procuram acabar com a "magia" dos antigos deuses que sempre estiveram presentes nas orações dos habitantes dessa terra. Para que isso não aconteça, Merlin empreende uma busca por um caldeirão mágico que tem tudo para dar errado, pois o território a ser desbravado é controlado por inimigos sedentos por sangue.

"- Você é um idiota, Derfel. Mas é um idiota bom em usar uma espada, e é por isso que preciso de você se formos andar pela Estrada Escura. – Ele se levantou. – Agora a escolha é sua." Merlin

"Fiquei imóvel quando acordei. Não houvera sonho, mas eu sabia o que queria. Queria pegar o osso e parti-lo em dois, e se esse gesto significasse andar na Estrada Escura até o reino de Diwrnach, que assim fosse. Mas também queria que a Britânia de Artur fosse íntegra, boa e verdadeira. E queria que meus homens tivessem ouro, terras, escravos e posto. Queria expulsar os saxões de Lloegyr. Queria ouvir os gritos de uma parede de escudos rompida e o toque das trombetas de guerra enquanto um exército vitorioso perseguia até a ruína um inimigo espalhado. Queria marchar com meus escudos estrelados na terra lisa do leste que nenhum britânico livre vira em uma geração. E queria Ceinwyn."

A narrativa, assim como no livro anterior, continua sendo em primeira pessoa, o que é importantíssimo para fazer com que o leitor se sinta na pele do personagem em questão. Derfel, agora já velho e cristão, está contando e transcrevendo a história de Artur para a sua atual rainha Igraine, e não há ninguém melhor do que ele para fazer isso, pois lutou ao lado do herói por quase toda a vida.

E também acredito que não só eu, mas todas as pessoas que já leram As Crônicas de Artur, começaram a nutrir um ódio imenso pelo personagem Lancelot. Apesar de ser exaltado como um exímio e leal guerreiro nas canções dos bardos (e em praticamente todos os livros que falam da lenda de Artur) e todos saberem que o mesmo nunca esteve nem mesmo em uma parede de escudos, ele ainda assim não possui miolo algum em sua cabeça e faz de tudo para prejudicar os outros, inclusive Derfel. Prestem bastante atenção nesse personagem, pois ele será imprescindível para o andamento da história.

"Nós comemoramos. E como comemoramos. Porque agora parecia que tínhamos algo por que lutar. Não por Mordred, aquele sapo desgraçado, mas por Artur, porque apesar de toda a sua bela conversa sobre o Conselho governar Dumnonia no lugar de Mordred, todos sabíamos o que as palavras significavam. Significavam que Artur seria o rei de Dumnonia em todos os sentidos, menos no nome, e por este bom objetivo levaríamos nossas lanças à guerra. Comemoramos porque agora tínhamos uma causa pela qual lutar e morrer. Tínhamos Artur."

Quem ainda não deu uma chance para As Crônicas de Artur ou qualquer outro livro desse autor precisa desesperadamente rever os seus conceitos e as suas prioridades de leitura. Vale a pena investir cada centavo do seu bolso e cada minuto do seu tempo em séries dessa magnitude!

Pontos fortes: é melhor que o primeiro livro da trilogia e possui mais partes de ação.
Pontos fracos: eu não achei nenhum.

Avaliação final:

As Crônicas de Artur:

1º livro - O Rei do Inverno
2º livro - O Inimigo de Deus
3º livro - Excalibur

16 de fev. de 2013

Resenha: O Rei do Inverno - Bernard Cornwell


Título: O Rei do Inverno
Original: The Winter King
Série: As Crônicas de Artur/The Arthur Books #1
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 546
Editora: Record (2008)

Sinopse: O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. "O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa," explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Corwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.

Depois de tanto tempo, finalmente consegui começar a ler As Crônicas de Artur e descobrir se os livros são realmente bons como as pessoas falam por aí. O Rei do Inverno é o primeiro livro da trilogia de Bernard Cornwell e nos coloca na pele de Derfel Cadarn, filho de uma escrava saxã e atualmente aos cuidados do druida Merlin. Derfel (pronuncia-se Dervel) é introduzido em um cenário de guerra e várias disputadas pelo poder dentro da própria Grã-Bretanha e passará por diversas provações ao longo do seu caminho.

Eu me agachei, e todo o terror cresceu de novo dentro de mim. Minhas mãos estavam suando, a perna esquerda estava coçando, a garganta estava seca, eu queria vomitar, e minhas entranhas estavam líquidas. Hywel tinha me ensinado bem, mas eu nunca havia enfrentado um homem que quisesse me matar. Podia ouvir os homens que se aproximavam, mas não podia vê-los, e meu instinto mais forte era virar as costas e correr atrás das mulheres. Mas fiquei. Não tinha escolha. Desde a infância vinha ouvindo histórias de guerreiros e fora ensinado repetidamente que um homem nunca dava as costas e fugia. Um homem lutava por seu senhor, enfrentava o inimigo e nunca fugia.

Em meio às dificuldades impostas pelo destino, nosso protagonista encontra vários guerreiros que serão seus leais companheiros ao longo da sua jornada, assim como traidores da pior espécie possível e diversas mulheres que fazem o seu coração bater mais forte. Essas partes de romance são bem distribuídas ao longo de todo o livro e aparecem nos momentos certos, pois as batalhas são o ponto forte dos livros do Bernard Cornwell e nada deve deixá-las em segundo plano.

Há outra coisa que eu devo ressaltar antes de finalizar essa resenha: a descrição das paredes de escudos é simplesmente espetacular. O autor domina essa arte como ninguém e faz de tudo para inserir o próprio leitor em meio às lanças e escudos dos desbravadores no campo de batalha.

Para mim, desesperado por ganhar um anel de guerreiro feito de ferro saxão, parecia loucura não atacarmos, mas eu ainda não havia experimentado a carnificina de duas paredes de escudos entrelaçadas, nem tinha aprendido como é difícil persuadir homens a oferecer seus corpos para esse trabalho macabro.

O livro acaba prendendo a atenção do leitor durante toda a narrativa e tem um final de tirar o fôlego. Vale a pena apostar em Bernard Cornwell e conhecer melhor a história de Artur, Lancelot, Guinevere, Owain, Merlin e muitos outros.

Pontos fortes: as descrições das paredes de escudos!
Pontos fracos: faltou dar um desenvolvimento melhor a alguns personagens da trama.

Avaliação final:

As Crônicas de Artur:

1º livro - O Rei do Inverno
2º livro - O Inimigo de Deus
3º livro - Excalibur

11 de jan. de 2013

Resenha: Irmandade - Oliver Bowden


Título:
Irmandade
Original: Brotherhood
Série: Assassin's Creed #2
Autor: Oliver Bowden
Páginas: 392
Editora: Galera Record (2012)

Sinopse: Roma, outrora poderosa, jaz em ruínas. A cidade está impregnada de sofrimento e degradação, os seus cidadãos vivem sob a sombra da impiedosa família dos Bórgia. Apenas um homem poderá libertar o povo da tirania Bórgia: Ezio Auditore, o Mestre Assassino. A demanda de Ezio irá testá-lo até aos seus limites. Cesare Bórgia, um homem mais malévolo e perigoso que o seu pai, o Papa, não descansará enquanto não tiver conquistado toda a Itália. Nestes tempos tão traiçoeiros, a conspiração está por todo o lado, até no meio da própria Irmandade...

Irmandade é um livro dividido em três partes e possui praticamente o mesmo número de páginas do livro anterior (em torno de 360), o que torna a leitura novamente agradável e sem ficar desgastante para o leitor, ainda mais com capítulos que não passam de 10 páginas cada um, tornando os fatos mais rápidos e as reviravoltas mais constantes.

O segundo livro da saga Assassin's Creed já nos apresenta um Ezio Auditore bem mais velho, com uns quarenta e poucos anos e sem o mesmo vigor físico de vinte anos atrás, mas com a mesma habilidade assassina de sempre. Dessa vez, nosso protagonista deve livrar Roma do controle da família Bórgia, que comanda a Itália com punho de ferro e quer derrotar os Assassinos de qualquer jeito.

"Só o que Ezio sabia com segurança após a experiência – ou melhor, provação – era que a luta ainda não tinha acabado. Talvez um dia houvesse o momento em que ele poderia voltar a Florença, sua cidade natal, e sossegar com seus livros, beber com os amigos no inverno e caçar com eles no outono, perseguir meninas na primavera e supervisionar as colheitas em suas propriedades no verão.
Mas esse dia não seria hoje.
No fundo do coração, Ezio sabia que os Templários e todo o mal que eles representavam ainda não estavam derrotados."

Se ainda não bastassem os Bórgia, novas gangues aparecem, como é o caso da Cento Occhi, e também novos inimigos, como o capanga de Cesare, Micheletto, que está por trás de todos os planos do filho do papa. Mesmo tendo de enfrentar muitos inimigos e não tendo mais a mesma juventude de antes, Ezio agora é bem mais experiente e sabe lidar muito bem com as situações adversas.

... Mas Ezio tinha de fato a satisfação de saber que ainda podia vencer as lutas usando a inteligência e o treinamento; duas coisas que não poderiam ser tomadas dele até o dia que o pegassem e o torturassem até a morte.

Ao longo do livro, Ezio vai passando por várias provações e tem que arcar com as consequências das mortes de alguns familiares e pessoas muito queridas por ele, tornando as suas missões ainda mais difíceis de serem bem-sucedidas. E o pior: algumas brigas dentro da Irmandade dos Assassinos podem comprometer a segurança dos membros e levar tudo por água abaixo.

"Usando a braçadeira e a espada, Ezio foi capaz de se defender contra os ataques cada vez mais frenéticos. A habilidade de Ezio com sua lâmina era contrabalanceada com a necessidade de enfrentar quatro oponentes de uma só vez. Mas a lembrança da amada esposa de Bartolomeo o impulsionou. Ezio sabia que simplesmente não poderia falhar, não tinha o direito de falhar. A maré da batalha se virou a favor dele."

Apesar de bom, esse livro não possui a mesma intensidade do primeiro e peca novamente nas passagens de tempo malucas que o autor costuma fazer. Tirando isso, é uma boa aposta para os fãs do gênero e principalmente para quem gosta dos games!

Pontos fortes: a eterna batalha de Ezio contra os Bórgia.
Pontos fracos: o mapa acabou sendo retirado deste livro e o mesmo não mantém o ritmo alucinante do anterior.

Avaliação final:

Assassin's Creed:

1º livro - Renascença
2º livro - Irmandade
3º livro - A Cruzada Secreta
4º livro - Revelações
5º livro - Renegado

24 de out. de 2012

Resenha: O Herege - Bernard Cornwell


Título: O Herege
Original: Heretic
Série: A Busca do Graal/Grail Quest #3
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 391
Editora: Record (2010)

Sinopse: Em "O Herege", terceiro romance da trilogia A Busca do Graal - iniciada com o romance O arqueiro - Bernard Cornwell conta uma saga tão empolgante quanto as aventuras de Artur e seus cavaleiros narradas na série As Crônicas de Artur, que conquistou milhares de fãs mundo afora. Uma fábula sobre guerra e heroísmo que encanta do início ao fim. Mas o livro não se resume a cenas de batalhas bem escritas e reviravoltas cheias de ação e suspense. O material impõe um diferente tratamento à Guerra dos Cem Anos e mostra a importância de outros acontecimentos além das famosas batalhas de Crecy, Poitiers e Azincourt.

Depois de sobreviver ao cerco de La Roche Derrien, Thomas viaja para o norte até Calais, onde tenta ajudar o exército inglês a invadir a cidade. Mas o seu destino não é esse e a busca pelo Graal ainda não foi concluída, fazendo com que o nosso personagem principal viaje até Astarac para descobrir mais a respeito do misterioso objeto e também sobre a sua família.

Na maior parte da narrativa, o terceiro e último livro da trilogia não mantém o mesmo ritmo do anterior, mas isso não é necessariamente um problema, pelo menos na minha opinião. É que eu estava tão empolgado com o desenrolar da história em “O Andarilho” que acabei não sentindo a mesma coisa com esse livro.

“Ele atirava sem pensar. Sem mirar. Aquilo era a sua vida, sua perícia e seu orgulho. Pegar um arco, mais alto do que um homem, feito de teixo, e usá-lo para disparar flechas de freixo, com penas de ganso na extremidade e armadas com ponta de estilete. Como o grande arco era puxado até a orelha, de nada adiantava tentar mirar com o olho. Eram anos de prática que permitiam saber aonde iriam suas flechas, e Thomas as disparava em ritmo alucinado, uma flecha a cada três ou quatro segundos, e as penas brancas cortavam o ar em direção ao outro lado do pântano, e as compridas pontas de aço atravessavam cotas de malha e couro e penetravam em barrigas, peitos e coxas franceses. Elas atingiam o alvo com o som de um machado de açougueiro caindo sobre carne, e faziam com que os cavalarianos parassem.”

A maior parte deste livro é focada em fugas que Thomas foi obrigado a realizar para conseguir sobreviver, ainda mais depois de ter salvo uma jovem considerada herege da fogueira. Mesmo assim, apesar de não termos tantas batalhas como nos livros anteriores, quando estas acontecem, só Deus sabe o que vai acontecer, pois as reviravoltas acontecem quando menos se espera.

Um dos pontos que eu praticamente tenho a obrigação de mencionar é o seguinte: quando alguém quer MUITO alguma coisa, essa pessoa fará de tudo para consegui-la. Esse desejo está tão explícito no livro do Cornwell que eu também gostaria de destacar um trecho do mesmo:

“Planchard apanhou a lanterna. - Não posso dizer mais nada, excelência, porque não ouvi nada que me diga que o Graal está em Astarac. Mas de uma coisa eu sei, e sei como sei que meus ossos em breve irão descansar com os meus irmãos neste ossário. A busca pelo Graal, excelência, leva os homens à loucura. Ela os ofusca, ela os confunde, e deixa-os choramingando. É uma coisa perigosa, excelência, que é melhor deixar por conta dos trovadores. Que eles cantem sobre ele e façam poemas a seu respeito, mas pelo amor de Deus não arrisque a sua alma indo à procura dele.”

E só para finalizar: o livro fecha de uma maneira muito boa essa excelente trilogia! Gostei bastante dos três livros e achei a narrativa um pouco diferente dos livros das Crônicas Saxônicas, o que é importante para justificar o incrível trabalho do autor, que dedicou-se bastante às pesquisas sobre a Guerra dos Cem Anos e nos brindou com essa ótima coleção.

Pontos fortes: o desfecho da história é digno de Bernard Cornwell. Você vai se surpreender!
Pontos fracos: não há um mapa para ajudar o leitor a localizar-se melhor e a narrativa não é tão empolgante quanto a do segundo livro.

Avaliação:
A Busca do Graal:

1º livro - O Arqueiro
2º livro - O Andarilho
3º livro - O Herege
Extra - 1356

17 de out. de 2012

Resenha: O Andarilho - Bernard Cornwell


Título: O Andarilho
Original: Vagabond
Série: A Busca do Graal/Grail Quest #2
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 462
Editora: Record (2004)

Sinopse: O Andarilho é o segundo capítulo desta aventura, iniciada com o empolgante romance O Arqueiro. Após sobreviver à Batalha de Crécy, Thomas de Hookton, o valente arqueiro inglês, é enviado pelo Rei numa missão na qual teria de descobrir mais sobre o legado de seu pai, que parece ligado ao Graal. Mas Thomas acaba envolvido na luta contra um exército invasor e, nas fileiras inimigas, descobre que há outros na trilha do objeto sagrado. Homens que não se deterão diante de obstáculo algum. Thomas, então, volta à sua aldeia natal em busca de um indício que possa colocá-lo no caminho certo. E encontra pistas que o deixam sob risco ainda maior e que apontam novas direções para a sua missão.

Vou começar bem direto: o 2º livro da trilogia é ainda melhor do que o primeiro! Mais batalhas, mais tramas e mais reviravoltas acontecem no segundo volume dessa trilogia. Desta vez, Thomas está mais interessado em procurar o Graal e volta à sua aldeia natal para procurar o santo objeto.

O que ele ainda não sabe é que novos pretendentes à relíquia aparecem a cada dia e a sua tarefa fica mais difícil. Neste livro, Thomas toma partido em lutas que não lhe dizem respeito, faz novos amigos e inimigos e também descobre várias pistas do que pode ter acontecido com o Graal.

"... Era um sinal, pensou Thomas, e ele não queria acreditar em sinais e visões, queria acreditar no seu arco. Pensou que talvez Eleanor tivesse razão e que o conflito com o seu vencedor inesperado era um sinal do céu de que ele devia entrar na cidade atrás do avant-coureur, mas também havia inimigos no alto da montanha e ele era um arqueiro, e arqueiros não abandonavam uma batalha.- Nós iremos para a cidade – disse ele – depois da batalha."

A narrativa do autor continua sensacional. Não tenho palavras para expressar o quanto fico feliz quando chego ao final de qualquer livro do Bernard Cornwell e me deparo com desfechos realistas e histórias muito bem desenvolvidas. Recomendo muito os livros desse autor para quem gosta de romances históricos e obras que contenham batalhas como cenário principal.

" - Arqueiros! – berrou Thomas, imaginando-se de volta à França e responsável por uma tropa de arqueiros de Will Skeat. – Arqueiros! – gritou, avançando até a borda do fosso. – Matem eles agora!Homens foram para o lado dele, tiveram um grito de triunfo e puxaram suas cordas.Agora era a hora da matança, a hora dos arqueiros."

Pontos fortes: melhor e mais intenso do que o primeiro livro!
Pontos fracos: achei que a trilogia continuaria sem um mapa para me localizar melhor, mas ainda bem que o autor pensou nisso e providenciou um excelente mapa para os leitores.

Avaliação:

A Busca do Graal:

1º livro - O Arqueiro
2º livro - O Andarilho
3º livro - O Herege
Extra - 1356

7 de out. de 2012

Resenha: O Arqueiro - Bernard Cornwell


Título: O Arqueiro
Original: Harlequin
Série: A Busca do Graal/Grail Quest #1
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 444
Editora: Record (2011)

Sinopse: Bernard Cornwell usa como cenário a Guerra dos Cem Anos para dar início à uma saga empolgante. Acompanhe a trajetória do jovem guerreiro Thomas que, aos 18 anos, vê o pai morrer em seus braços num ataque-surpresa à cidade de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão. Em busca de vingança, o rapaz, arqueiro habilidoso, junta-se ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que, sem perceber, lançam-no em busca do Santo Graal.

Eu fui avisado e não tive como fugir disso: Bernard Cornwell vicia muito! Depois de ler As Crônicas Saxônicas, do mesmo autor, praticamente me senti na obrigação de ler essa série, tão bem falada pelos leitores. E ainda bem que eu não me arrependi nem um pouco, pois a escrita continua única e excepcional, digna de um best-seller.

A história se passa durante a famosa Guerra dos Cem Anos, em pleno século XIV. Thomas de Hookton é um rapaz de 18 anos perito no uso do arco longo, arma mortal daquela época que dava muita vantagem aos soldados ingleses nas batalhas contra os franceses. Após ver o seu pai morrer durante um ataque-surpresa, Thomas entra para o exército inglês e é a partir desse momento que a verdadeira aventura começa.

“Eles mataram. Os grandes arcos eram puxados repetidas vezes, e as flechas de penas brancas desciam o morro para perfurar cotas de malha e tecido e transformar o morro mais baixo num campo de morte.”

O primeiro livro da trilogia Busca do Graal é bem realista, sangrento e as descrições das batalhas são tão boas que o leitor não consegue desgrudar o olho nem por um minuto. Mas o principal diferencial nessa história é de que o personagem principal é um arqueiro, muito diferente das milhares de histórias sobre cavaleiros que podemos encontrar nos livros.

Um dos pontos que devo destacar é o ótimo detalhamento das estratégias usadas em combate, muitas vezes até mesmo fazendo o leitor antever o que irá acontecer, o que pode não ser muito bom em alguns livros, mas na escrita do Cornwell ficou muito bom! E falando um pouco mais dessa escrita, o livro é narrado em 3ª pessoa e não usa somente o ponto de vista do personagem principal Thomas. Às vezes, a narrativa alterna-se entre o arqueiro e seus companheiros, e até mesmo os inimigos têm os seus momentos narrados.

“... Muitas batalhas mortais foram travadas, pessoas assassinadas, igrejas roubadas, almas destruídas, jovens e virgens defloradas, esposas e viúvas respeitáveis desonradas; cidades, mansões e prédios incendiados, e assaltos, crueldades e emboscadas cometidos nas estradas. A Justiça falhou por causa dessas coisas. A fé cristã feneceu e o comércio pereceu, e tantas maldades e coisas horrendas seguiram-se a essas guerras, que não podem ser mencionadas, contadas ou anotadas.”

Como consideração final, deixo explícita aqui a minha imensa vontade de ler o segundo livro e descobrir o que o destino esta aprontando para Thomas. Cada minuto investido nesse primeiro livro foi muito bem aproveitado!

Pontos fortes: para quem gosta de Idade Média, é um prato e tanto!
Pontos fracos: não é um livro de leitura rápida, pois as cenas são bem detalhadas e alguns leitores podem perder-se um pouco se não aproveitarem a leitura calmamente.

Avaliação final:

A Busca do Graal:

1º livro - O Arqueiro
2º livro - O Andarilho
3º livro - O Herege
Extra - 1356

22 de set. de 2012

Resenha: Morte dos Reis - Bernard Cornwell


Título: Morte dos Reis
Original: Death of Kings
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #06
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 378
Editora: Record

Sinopse: O amado rei Alfredo está em seu leito de morte. Vendo os dias do soberano se aproximarem do fim, a nobreza saxônica está inquieta: o herdeiro ao trono, príncipe Eduardo, não tem a mesma popularidade do pai, e seus inimigos são numerosos. Enquanto candidatos à coroa surgem a todo o momento, os vikings, antigos adversários dos saxões, se preparam para aproveitar a instabilidade em Wessex e atacar o reino rival. Mas Alfredo fará de tudo para garantir que a paz que instaurou em seu reino perdure após sua morte. Para isso, ele conta com Uhtred, guerreiro saxão que o serve há anos.

Depois de derrotar o exército de Haesten em Beamflot, outro perigo se aproxima: a mort
e de Alfredo, o Grande. Com a saúde extremamente debilitada, a qualquer hora o rei pode morrer e os dinamarqueses só pensam em se aproveitar desse momento para finalmente conquistar Wessex, depois de várias tentativas frustradas.

Para mim, o 6º livro das Crônicas Saxônicas não manteve o bom ritmo dos livros anteriores. Não que isso seja ruim, mas eu estava tão acostumado com aquela narrativa deslumbrante que não senti a mesma coisa com esse livro. Tirando esses contras, o resto ficou ótimo!

14 de set. de 2012

Resenha: Terra em Chamas - Bernard Cornwell


Título: Terra em Chamas
Original: The Burning Land
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #05
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 378
Editora: Record (janeiro de 2010)

Sinopse: O rei Alfredo está com a saúde debilitada. Seu herdeiro ainda é muito jovem. Seus inimigos, os dinamarqueses, fracassaram em tomar Wessex, mas agora a vitória parece iminente. Lideradas pelo brutal Harald Cabelo de Sangue, as hordas vikings atacam. Mas o rei tem Uhtred, que inflige aos vikings uma de suas maiores derrotas. O destino tem outros planos. Os dinamarqueses de Ânglia Oriental e os vikings da Nortúmbria pretendem conquistar toda a Inglaterra. A filha de Alfredo então implora pela ajuda de Uhtred e o guerreiro, incapaz de dizer não, toma a frente do exército derrotado da Mércia, rumo a uma batalha inesquecível num campo encharcado de sangue junto ao Tâmisa.

Depois de livrar Londres do domínio dinamarquês utilizando uma estratégia muito arriscada e tendo que fazer um novo juramento, dessa vez à Aethelflaed, filha do rei Alfredo (cada vez mais doente e próximo da morte), nosso herói precisa novamente defender Wessex, pois os vikings estão reunindo uma horda gigantesca, liderada desta vez por Harald Cabelo de Sangue, guerreiro poderoso que mata um cavalo a cada vez que vai para uma batalha, somente para banhar o seu cabelo em sangue puro e afugentar os seus inimigos.

"... Posso sentir a morte chegando, senhor Uhtred. É como uma emboscada. Sei que ela está ali e não posso fazer nada para evitar. Ela vai me levar e me destruir, mas não quero que destrua Wessex comigo."

O fim de Wessex parece iminente, mas os saxões tem Uhtred, que numa rica narrativa feita pelo autor Bernard Cornwell, consegue expulsar os dinamarqueses dos arredores de Farham, local da batalha onde Harald é derrotado e sai ferido. Segundo relatos históricos, essa foi uma das piores derrotas sofridas pelos vikings em sua tentativa de conquistar o reino inglês.

"... Você quer ser rei, por isso deve mostrar que merece. Comande. Faça o que não fez em Torneie, o que meu primo também não fez. Vá na frente do ataque. Não pode esperar que homens morram por você a não ser que esteja disposto a morrer por eles."

No 5º livro das Crônicas Saxônicas, podemos notar a importância que as mulheres tem na saga, podendo até mesmo mudar o destino de uma guerra, pois Gisela, mulher de Uhtred, acaba morrendo no parto (selecione o texto para ler). Então Skade, mulher que estava com Harald e que acaba sendo capturada por Uhtred, diz que na Frísia existe um tesouro guardado por um dragão e que lá nosso protagonista encontrará o ouro que precisa para capturar Bebbanburg.

O título do livro (Terra em Chamas) refere-se à Mércia, que está sendo atacada pelos dinamarqueses liderados por Haesten, dessa vez senhor de Beamflot, que agora possui uma nova fortaleza praticamente inexpugnável. Querendo ou não, todo amante de guerras deveria ler essa série. Cada minuto é crucial para se definir o lado vencedor e o autor soube muito bem como explorar isso.

Pontos fortes: a narrativa continua sensacional. Cada batalha é praticamente um acervo gigantesco de palavras muito bem inseridas no contexto!
Pontos fracos: pessoas com estômago fraco não devem ler a série este livro! Ainda bem que não é o meu caso...

Avaliação final: 4/5

As Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
2º livro - O Cavaleiro da Morte
3º livro - Os Senhores do Norte
4º livro - A Canção da Espada
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
9º livro - Warriors of the Storm
10º livro - Ainda sem nome
...

5 de set. de 2012

Resenha: A Canção da Espada - Bernard Cornwell


Título: A Canção da Espada
Original: Sword Song
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #04
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 350
Editora: Record


Sinopse: O quarto volume das Crônicas Saxônicas dá prosseguimento à saga de Uhtred, o guerreiro saxão relutante em se aliar a Alfredo, o Grande. Neste livro, ambientado cinco anos após os acontecimentos narrados em Os Senhores do Norte, o leitor é testemunha de como o exército de Alfredo expulsa os dinamarqueses de Londres. O reino de Wessex resistiu aos inúmeros e violentos ataques dos vikings. Agora, com Uhtred na liderança, os saxões do oeste dão início à campanha que culminará na fundação de um novo reino chamado Inglaterra.

Após ver a sua rixa com Kjartan chegar ao fim, Uhtred acha que poderá retomar Bebbanburg do controle de seu tio traidor. Isso acontece nesse livro? Mas é claro que NÃO! O autor Bernard Cornwell sempre nos reserva muitas surpresas e desta vez não foi diferente. Cinco anos se passaram desde a batalha em Dunholm e nosso protagonista é levado à Londres, onde os dinamarqueses, agora comandados pelos irmãos Erik e Sigefrid Thurgilson, ameaçam invadir toda Wessex.

"... E enquanto houver um reino nesta ilha varrida pelo vento, haverá guerra. Portanto não podemos nos encolher para longe da guerra. Não podemos nos esconder de sua crueldade, de seu sangue, do fedor, da malignidade ou do júbilo, porque a guerra virá para nós, desejemos ou não. Guerra é destino, e o destino é inexorável."

27 de ago. de 2012

Resenha: Os Senhores do Norte - Bernard Cornwell


Título: Os Senhores do Norte
Original: Lords of the North
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #3
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 347
Editora: Record (2007)

Sinopse: Depois de lutar ao lado do rei Alfredo na batalha que assegurou Wessex como único reino independente da Inglaterra, Uhtred decide retornar à Nortúmbria, em busca da irmã de criação. No entanto, o jovem encontra um cenário desolador, uma aterra assolada pelo caos e barbárie. Ele se alia então a Guthred, ex-escravo determinado a se tornar rei da Nortúmbria. Juntos, seguirão até Dunholm, em busca da cabeça do senhor viking Kjartan. 

Os dinamarqueses foram expulsos de Wessex após perderem a Batalha de Ethandun para os homens de Alfredo. Uma vitória magnífica dos saxões que acreditam que foi Deus quem ganhou a batalha, mas todos sabem que Uhtred e seus companheiros fizeram a maior parte do trabalho.

E agora, o que fazer? Uhtred tem uma rixa de sangue com Kjartan, o homem que assassinou Ragnar e sequestrou a sua irmã de criação, e também precisa recuperar Bebbanburg, que está sob comando de seu tio Aelfric.

"... Era o destino que me impelia. O ano era 878, eu tinha 21 anos e acreditava que minhas espadas poderiam me dar o mundo inteiro. Eu era Uhtred de Bebbanburg, o homem que havia matado Ubba Lothbrokson ao lado do mar e que havia derrubado Sven do cavalo branco de sua sela em Ethandun. Era o homem que dera a Alfredo seu reino de volta e o odiava. Por isso iria deixá-lo. Meu caminho era o da espada, e esse caminho me levaria de volta para casa. Eu iria para o norte."

Seguindo o mesmo ritmo da narrativa dos livros anteriores, Bernard Cornwell nos prende a atenção do começo ao fim do livro, pois nunca se sabe o que acontecerá ao virarmos a página e nos depararmos com o que as três fiandeiras estão aprontando com o destino de Uhtred, nosso guerreiro-herói.

"... Talvez eu também fosse como o visgo, só que tinha um dever. Tinha uma rixa de sangue para terminar."

Dessa vez, nosso protagonista terá que viver como escravo após uma traição inesperada e descobrirá que não há nada pior do que levar chicotadas e mais chicotadas e não saber se o sol nascerá para ele no dia seguinte. Como você pode ir imaginando, Uhtred reencontrará amigos (e fará novos) e antigos oponentes, que mudarão o seu destino para sempre.

Nesse 3º livro das Crônicas Saxônicas, temos o embate tão esperado contra Kjartan, o Cruel, agora dono de Dunholm, uma fortaleza considerada inexpugnável até o momento. Com a ajuda de Ragnar, Uhtred terá muitos desafios em seu caminho, mas como ele mesmo diz: "Sou um guerreiro da espada e tenho orgulho disso!".

Pontos fortes: a narração em primeira pessoa. Como eu estou mais ou menos na mesma idade que o personagem Uhtred, parece que sou eu brandindo a espada e abrindo a garganta de meus inimigos!
Pontos fracos: dos três primeiros livros, é o que possui menos partes de ação, que para mim é o que realmente interessa em um romance épico, mas não tira o brilho desse excelente livro.

Avaliação:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
3º livro - Os Senhores do Norte
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
9º livro - Warriors of the Storm
10º livro - Ainda sem nome
...
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