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23 de mai. de 2017

Resenha: O Portador do Fogo - Bernard Cornwell

Título: O Portador do Fogo
Original: The Flame Bearer
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #10
Autor: Bernard Cornwell
Tradutor: Alves Calado
Páginas: 322
Editora: Record (maio de 2017)

Sinopse: Uhtred é o senhor de Bebbanburg e nada nem ninguém ficará no seu caminho para reconquistá-la nesse décimo volume da série Crônicas Saxônicas A Britânia enfim encontra um momento de paz. Sigtryggr, senhor da Nortúmbria, e a rainha Æthelflaed, senhora da Mércia, chegaram a um acordo e decretaram uma trégua, com o apoio do maior guerreiro da época, Uhtred de Bebbanburg. Uhtred vê então a chance de recuperar suas terras, tomadas por seu tio tantos anos — e agora mantidas por seu ardiloso primo. Mas os inimigos que Uhtred fez depois de tantos anos em guerra e os juramentos que prestou, além de uma rede de intrigas, o desviam temporariamente do sonho de recuperar Bebbanburg. E isso abre espaço para o surgimento de um novo inimigo, o temível Constantin da Escócia, que aproveita o clima de incertezas para comandar seu exército para o sul e conquistar terras da Nortúmbria. Porém, Uhtred está determinado, e nada, nem novos nem antigos inimigos, será capaz de mantê-lo afastado de seu direito de nascimento.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Enfim chega ao Brasil o DÉCIMO livro das Crônicas Saxônicas. Parece até que foi ontem (2012) que comecei a série acompanhando a vida de um pirralho e literalmente devorando os livros seguintes.

Após os acontecimentos do 9º volume, quando Uhtred, Finan e seus guerreiros derrotam o exército do irmão de Sigtryggr, Ragnall, além das mortes de Brida e Haesten, agora as atenções do nosso protagonista voltam-se totalmente ao norte, em direção à Bebbanburg, sua fortaleza de direito.

Ajudado pelo fato do seu genro Sigtryggr, casado com Stiorra, ser o comandante atual da Nortúmbria, Uhtred sabe que não terá que se preocupar com inimigos às suas costas quando avançar para o norte, focando-se somente no que interessa. Para manter a paz, um acordo foi feito com Æthelflaed, onde Sigtryggr abriu mão de várias terras e de vários burhs que havia conquistado.

Mas nem tudo são flores, é claro. Ao aproximar-se de Bebbanburg, Uhtred descobre que seu primo está sendo abastecido com comida e contratando guerreiros a partir do norueguês Einar, o Branco, já temendo um ataque de Uhtred à fortaleza inexpugnável. As coisas ainda pioram quando um exército escocês aparece, liderado pelo chefe de guerra Constantin, reivindicando todas as terras acima da Muralha de Adriano. Para eles, essa parte do território é escocesa, e isso inclui as terras em volta de Bebbanburg. Com uma quantidade de guerreiros bem menor e sem querer se arriscar, Uhtred é obrigado a recuar, indignado com as artimanhas aprontadas pelas fiandeiras do destino.

"Eu digo aos meus netos que a confiança vence batalhas. Não desejo que eles lutem, preferiria tornar o mundo de Jeremias uma realidade e viver em harmonia, mas sempre há algum homem, e geralmente é um homem, que olha com inveja para os nossos campos, que quer a nossa casa, que acha que seu deus rançoso é melhor que o nosso, que virá com fogo, espada e aço tomar o que construímos e torná-lo seu. E, se não estivermos prontos para lutar, se não tivermos passado aquelas horas tediosas aprendendo a usar espada, escudo, lança e seax, esse homem vencerá e nós morreremos. Nossos filhos serão escravos, nossas mulheres serão prostitutas e nosso gado será morto. Por isso precisamos lutar, e um homem que luta confiante vence."

Um oponente do passado aparece para atrapalhar ainda mais a sua vida: o poderoso ealdorman Æthelhelm, sogro de Eduardo e atualmente o homem mais poderoso do reino de Wessex. Determinado a confirmar seu neto como sucessor do atual rei, ele deseja uma invasão o quanto antes da Nortúmbria, o que vai de encontro à vontade de Uhtred. Æthelhelm teria que passar por cima de Sigtryggr e Stiorra, mas como foi visto no 9º livro, não se mexe com a família dos outros.

Os primeiros capítulos desse 10º livro são cheios de intrigas políticas e incertezas quanto ao futuro da Inglaterra. Ao acompanharmos os pensamentos de Uhtred, percebemos que a união dos quatro reinos ainda está bem longe de acontecer, apesar do domínio territorial saxão indicar o contrário. E isso é algo que com certeza será MUITO explorado também nos próximos volumes da série, quando os próprios saxões entrarão em conflito entre si para decidir quem seguirá o sonho de Alfredo.

Com um ritmo menos empolgante que o antecessor, O Portador do Fogo sofre um pouquinho com a parte política na primeira metade, quando o leitor é constantemente deslocado para um lado e para outro, tentando entender o que está acontecendo e quais serão as consequências.

No entanto, quando chegamos na parte onde se cumpre o prometido na sinopse, a coisa pega fogo.

Nesse livro acontece algo que praticamente todos os fãs da série estavam esperando. Não escreverei aqui exatamente o que é para não dar spoilers aos desavidos, mas quem acompanha a história do Uhtred desde pequeno não tem como errar. É pra glorificar de pé, irmãos! Chegou o grande dia!

Eu tinha desamarrado as placas faciais do elmo, deixado que eles vissem o sangue no meu rosto, que vissem o sangue na minha cota de malha, nas minhas mãos. Eu era um homem de ouro e sangue. Era um senhor da guerra e estava tomado pela fúria da batalha. O inimigo estava a dez passos de distância e eu caminhei cinco desses dez, ficando sozinho diante deles. — Esta é a minha rocha! — vociferei para eles.

E que narrações sensacionais! Nos capítulos finais passa um filme na nossa cabeça, do Uhtred levando uma pancada do Ragnar velho para depois ser recebido pelo Ragnar filho, da batalha com Ubba à beira do mar, dele derrubando Svein do Cavalo Branco, de acompanhar a morte de Kjartan pelas mãos de Ragnar, da briga por Lundene, dos momentos íntimos com Gisela e seus herdeiros, da morte do rei que ele amava e odiava ao mesmo tempo, entre tantas outras coisas que fazem das Crônicas Saxônicas um conjunto de narrativas épicas de brilhar os olhos. Wyrd bið ful aræd

Impossível não se emocionar por um momento que esperávamos por tanto tempo.

Com um (baita) peso a menos nas costas, a série poderá avançar bastante, até momentos tensos na história da formação da Inglaterra, como a disputa pela sucessão do trono quando Eduardo, o filho do falecido Alfredo, morrer. Muitas tretas para os leitores nas sequências das Crônicas Saxônicas.

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
10º livro - O Portador do Fogo
11º livro - ?
...

19 de fev. de 2017

Resenha: O Poderoso Chefão - Mario Puzo

Título: O Poderoso Chefão
Original: The Godfather
Autor: Mario Puzo
Páginas: 518
Editora: Record (2013)

Sinopse: O submundo da Máfia e o talento literário de Mario Puzo ganharam notoriedade com a publicação de O Poderoso Chefão. O carisma de Don Vito Corleone encanta na mais perfeita reconstituição da vida e dos negócios das famílias mafiosas de Nova York. Apesar de implacável, Don Vito é, essencialmente, um homem justo. Padrinho benevolente, nada recusa aos seus afilhados: conselho, dinheiro, vingança e até mesmo a morte de alguém. Em troca, o poderoso chefão pede apenas o respeito e a amizade de seus protegidos. Mas ninguém pode vencer as trapaças da idade. Quando seus inimigos atacarem juntos e tudo que a família Corleone significa estiver por um fio, o velho Corleone terá de escolher, entre seus filhos,um sucessor à altura. Um mundo de intrigas e decisões cruéis habilmente construído por Mario Puzo.

Finalmente tive a chance de ler a aclamada obra do autor Mario Puzo. E nunca me arrependerei.

Logo no primeiro capítulo somos apresentados ao homem que dá vida ao título do livro. Don Vito Corleone é O Padrinho, o negociador, o estrategista, a mente por trás da vinda da família Corleone à América depois de complicações na Sicília, uma ilha italiana dominada pela Máfia na primeira metade do século XX. Durante o casamento de sua filha Connie, percebemos de cara a influência que o Don tem no meio da sociedade. Ele não cobra nada quando seus "afilhados" vêm em busca de favores, apenas pede a sua amizade e que estejam à sua disposição quando precisar. Uma oferta irrecusável, uma lição que todos os leitores irão aprender, invariavelmente, durante a narrativa.

"O próprio Don Corleone não estava zangado. Aprendera havia muito tempo que a sociedade impõe afrontas que devem ser suportadas, confortadas pelo conhecimento de que neste mundo chega o momento em que o mais humilde dos homens, se conservar os olhos abertos, pode vingar-se do mais poderoso."

Quando os inimigos da família Corleone decidem tomar uma atitude drástica, o futuro do império do Don fica ameaçado. Será que algum dos seus filhos será capaz de assumir o seu lugar quando for necessário? Os três herdeiros Sonny, Freddie e Michael têm personalidades completamente distintas e que lhes favorecem em algumas situações, ao mesmo tempo em que podem ser fatais em outras.

Os ensinamentos de Don Vito Corleone estão presentes em todos os momentos, e esse é um cara que merece o respeito que tem, conquistado com trabalho duro e muita inteligência na hora de fechar negócios e proteger a sua família. Aliás, pensando no lado familiar, eu como descendente de italianos por parte de pai e mãe, fica impossível não gostar desse mito. Que homem, meus amigos!


Os pontos de vista apresentados na história são bem variados, com personagens de características próprias e vidas que acabam conectadas à do Padrinho, fazendo com que todos os capítulos sejam interessantes e tenham algo a mais para acrescentar. Nada está ali apenas por um mero acaso.

Anos após o lançamento de The Godfather e da sua obra ser bem recebida pela crítica, o autor Mario Puzo foi acusado de ser um membro da Máfia, tamanha a veracidade das informações contidas no seu livro. O retrato de como viviam as famílias da máfia italiana em Nova York foi tão bem feita que as pessoas começaram a desconfiar de um possível envolvimento do autor com os mafiosos. De um modo ou de outro, esse foi considerado um "prêmio" pela qualidade de sua escrita.

"Vários rapazes começavam trilhando uma trajetória para chegar ao seu verdadeiro destino. O tempo e a sorte geralmente os punham no caminho certo."

Aliás, o retrato da época é bem feito, com temas como racismo, abusos com a mulher e a pressão da sociedade em pauta da primeira à última página, além do preconceito dos mafiosos com alguns tipos de funções, como os advogados e os policiais, que só estariam ali para atrapalhar a sua vida.

O trabalho de pesquisa de Puzo foi fundamental para que a obra se perpetuasse até os dias de hoje.

Mesmo tendo sido lançado em 1969, não considerei a narrativa em 3ª pessoa de O Poderoso Chefão lenta em momento algum, muito ao contrário, parece até que Mario Puzo é aquele avô nosso que junta todos os netos para contar uma história de sua infância e das aventuras que teve o prazer de vivenciar. Tudo que um bom livro precisa está ali, só aguardando pelos olhos aguçados de um leitor.

Agora posso dizer, sem sombra de dúvidas, que esse livro entrou para a minha seleta lista de favoritos da vida inteira. A construção de Don Vito Corleone, sua trajetória da infância até o auge, a forma como ela é narrada, simplesmente incrível, digna de nota máxima nas minhas avaliações!

Eu lhe farei uma oferta que ele não poderá recusar.

Pensando um pouco sobre a tradução literal do título, de The Godfather para O Padrinho, acredito que a escolha brasileira de colocar O Poderoso Chefão foi acertada. A não ser que a qualidade da obra fosse intensamente divulgada, dificilmente eu, por exemplo, compraria um livro com um título simples como "O Padrinho". Não seria algo que me chamasse atenção nas livrarias. O escolhido pela editora Record ficou de acordo com a obra e correspondeu às expectativas, eu diria.

Já em relação à versão digital que eu li pelo Kindle, não tenho praticamente nada a reclamar, talvez um errinho mínimo aqui e ali que passou pela revisão, mas o resto está impecável.

Definitivamente um clássico 5 estrelas, recomendo demais MESMO, larguem tudo o que vocês estão fazendo/lendo no momento e partam para a leitura de O Poderoso Chefão! Qualidade garantida.

Avaliação final:

1 de set. de 2016

Resenha: Rebelde - Bernard Cornwell


Título: Rebelde
Original: Rebel
Série: As Crônicas de Starbuck/Starbuck Chronicles #1
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 392
Editora: Record (novembro de 2014)

Sinopse: Durante o verão de 1861, os exércitos do norte e do sul dos Estados Unidos se preparam para travar o que entraria para a história como a Guerra de Secessão. Rebelde é a fantástica história de como o jovem nortista Nathaniel Starbuck se rebela e luta a favor dos sulistas. Abandonado pela mulher que julgava amá-lo e afastado da família, Nathaniel chega a Richmond, na Virgínia, capital da Confederação sulista. Lá, depara-se com uma turba acossando nortistas e tenta não se envolver. Porém, quando percebe que seu sobrenome é capaz de gerar uma fúria ainda maior pois é filho do reverendo Elial Starbuck, grande defensor de ideias antiescravagistas , é resgatado por Washington Faulconer, um milionário excêntrico que deseja reunir uma companhia de elite para lutar contra os ianques. Como forma de gratidão, Nathaniel se alista na Legião Faulconer, mesmo sabendo que isso significa ter de lutar contra o próprio povo. Outros cidadãos enfrentam dilemas semelhantes, no entanto, em pouco tempo, todos se renderão ao caos e à violência que dividiu a América em duas.

Só pra variar um pouquinho, mais uma resenha do autor Bernard Cornwell aqui no blog. Esse é o 21º (!) livro do autor que eu desbravo e simplesmente não consigo parar. Minha meta é ler todos os livros do mestre até morrer, então tenho um bom tempo e muitas histórias ótimas pela frente.

A bola da vez foi Rebelde, primeiro livro d'As Crônicas de Starbuck, lançado no finalzinho de 2014 aqui no Brasil pelo Grupo Editorial Record. Logo no primeiro capítulos somos apresentados a Nathaniel Starbuck, o protagonista dessa história sangrenta que dividiu os Estados Unidos em dois.


Em 1861, quando vários estados escravagistas do Sul declararam secessão e formaram os "Estados Confederados da América", ou "Confederação, fazendo oposição aos demais estados, que ficaram conhecidos como "União" ou "Norte", ninguém imaginaria que o conflito ficaria conhecido como um dos mais sangrentos da História. A Guerra de Secessão, como foi chamada, durou quatro anos, até 1865, e deixou mais de 600 mil mortos em seu rastro. É no meio desse fuzuê todo que Nathaniel Starbuck se encontra e teremos a história narrada pelo seu ponto de vista, em terceira pessoa.

O estopim de tudo foi a tomada do Forte Sumter em abril de 1861, na Carolina do Sul, pelas forças armadas da Confederação. O que parecia apenas uma crise no início do governo do então presidente republicano Abraham Lincoln acabava de se transformar em uma temida guerra civil.

Após ter largado os estudos para seguir uma jovem e ver essa mesma o abandonar, Nathaniel, um nortista nascido em Boston, filho do famoso reverendo Elial Starbuck, chega até a cidade de Richmond, na Virgínia (estado sulista), à procura de Adam, seu amigo de infância e filho do coronel Washington Faulconer. Ao chegar em Richmond, é rapidamente identificado como um nortista e encurralado pelos civis, só sendo poupado quando o próprio Washington aparece.

Nesse primeiro capítulo já podemos ter uma amostra do clima de tensão existente entre os estados americanos. Uma mistura perigosa de xenofobia e ódio crescentes, muito próxima de explodir.

"Como poderia haver uma guerra nessa terra boa? Esses eram os Estados Unidos da América, o apogeu da luta do homem por um governo perfeito e uma sociedade temente a Deus, e os únicos inimigos jamais vistos nessa terra feliz foram os ingleses e os índios, e esses dois inimigos, graças à providência divina e à força americana, haviam sido derrotados."

Voltando ao que interessa, descobrimos que o coronel Washington Faulconer está montando uma legião para lutar na guerra, e Starbuck acaba sendo inevitalmente recrutado para a mesma, onde começa a trabalhar para o dono da Faulconer Court House, condado da Virgínia.

É só a partir daí que a história começa a andar num ritmo mais rápido, com personagens novos sendo apresentados, como Anna Faulconer, filha do coronel, e Ethan Ridley, seu prometido. Sally e Thomas Trusllow, outros dois personagens, também terão papéis importantes na vida de Nathaniel. Preste atenção neles. Outros também poderia ser mencionados, mas farei isso mais adiante.

Ao contrário dos outros personagens principais de Bernard Cornwell, como Uhtred, Derfel e Richard Sharpe, Nathaniel Starbuck não é um daqueles protagonistas que começamos a gostar desde as primeiras páginas. Remoído pelo seu passado e atormentado por pesadelos, Starbuck tem receio em cometer pecados que possam afrontar o seu Deus, e isso é algo bem recorrente em todos os capítulos desse primeiro livro da série, onde ele deixa de tomar certas atitudes que lhe parecem corretas num primeiro momento por causa do seu temor religioso e uma possível punição divina.

Sem contar que ele, como nortista lutando pelo Sul, estará enfrentando pessoas do seu "país".

A trama toda vai se construindo de uma maneira regular e sem pressa, chegando ao seu ápice na Batalha de Manassas, próxima ao riacho Bull Run, onde os exércitos Confederados e da União se encontrarão para um primeiro embate sangrento. Torcemos por alguns personagens e aguardamos ansiosamente pela morte de outros, um misto de empatia e até mesmo admiração por aqueles que fizeram parte de um momento histórico, não só para a formação de um país, mas para o mundo.


É possível sentir o cheiro da pólvora que fica no ar após os tiros de canhão e disparos das pistolas, a agonia de soldados feridos tentando se agarrar ao último resquício de vida. Bernard Cornwell é um mestre em fazer isso e aqui também podemos perceber a sua habilidade em narrar batalhas, mesmo que eu, pessoalmente, prefira a boa e velha luta de guerreiros com espadas e escudos.

"Se você cresce no campo, vive ouvindo falar do circo. Todas as maravilhas do circo. Os shows de aberrações e os números com animais, incluindo o elefante, e todas as crianças ficam perguntando o que é o elefante, mas você não consegue explicar, até que um dia leva seus filhos e eles veem. A primeira batalha de um homem é assim. Igual a ver o elefante. Alguns homens mijam na calça, alguns correm feito o diabo, alguns fazem o inimigo fugir."

Confesso até que, num primeiro momento, nem me interessava muito pela Guerra de Secessão, visto que na escola é um assunto debatido muito rapidamente e sem o aprofundamento necessário, mas agora, com outra visão, quero entender mais sobre como essa guerra afetou toda a nação norte-americana. Afinal, temos a oportunidade de ler um período desses na escrita de B. Cornwell.

Rebelde foi uma leitura bem aguardável, mas guardarei a 5ª estrelinha para os próximos livros, que pretendo desbravar no próximo ano. Traidor ainda precisa ser comprado e os seguintes lançados aqui no Brasil, mas quem sabe eu não parto para a leitura deles em inglês mesmo? Só o tempo dirá!

Avaliação final:

As Crônicas de Starbuck:

Livro 1 - Rebelde
Livro 2 - Traidor
Livro 3 - Battle Flag (previsão de lançamento no Brasil para 2017)
Livro 4 - The Bloody Ground

17 de out. de 2015

Resenha: Guerreiros da Tempestade - Bernard Cornwell

Título: Guerreiros da Tempestade
Original: Warriors of the Storm
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #9
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 350
Editora: Record (8 de agosto de 2016)

Sinopse: Filhos do falecido rei Alfredo, Eduardo e Æthelflaed já dominam a maior parte do território saxão. Seus exércitos conquistam e garantem a soberania por onde passam. Mas isso não impede que os incansáveis nórdicos realizem constantes ataques aos seus reinos. Uhtred de Bebbanburg comanda a guarnição do burh de Ceaster, uma poderosa fortaleza no norte da Mércia construída pelos romanos. O poder da senhora Æthelflaed na região se expande, o que atrai olhos cobiçosos. Ragnall, o Cruel, reúne forças irlandesas e nórdicas no maior exército que jamais ameaçou o universo saxão. Com isso, a solução de Æthelflaed é colocar suas forças no interior de Ceaster para resistir aos ataques inimigos. Porém, quem será capaz de manter Uhtred entre as paredes de um burh quando sua filha, casada com Sigtryggr, irmão e inimigo de Ragnall, é colocada em perigo? Na luta entre deveres familiares e lealdade aos seus guerreiros, entre ambições pessoais e compromissos políticos, não há um caminho fácil. Mas um homem com a coragem de um verdadeiro guerreiro é capaz de trilhá-lo. Este homem é Uhtred, e este momento é decisivo para seu destino.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Como já é de praxe, no momento em que o autor Bernard Cornwell lança um livro novo das Crônicas Saxônicas/Saxon Stories eu já vou correndo atrás e tento ler o mais cedo possível, já que essa é minha série favorita e Uhtred de Bebbanburg é o personagem que mais gosto. O único problema depois disso tudo é ter que esperar mais um ano pela sequência, mas faz parte. hahaha

Depois de defender a fortaleza de Ceaster contra os ataques dos noruegueses liderados por Sigtryggr no final do volume anterior (O Trono Vazio), Uhtred e seus guerreiros têm uma nova ameaça à frente: o irmão de Sigtryggr, Ragnall Ivarson, um viking poderoso e que comanda única e simplesmente pelo medo (Kjartan 2), pronto para saquear as terras da Mércia e atrapalhar o sonho do já falecido Alfredo de juntar os reinos existentes e formar a Inglaterra que ele tanto queria.

Drakkar at night, by joaomachay
“Ragnall Ivarson. Eu nunca me encontrei com ele, mas eu o conhecia. Sabia de sua reputação. Nenhum homem navegava melhor um navio, nenhum homem lutava mais ferozmente, nenhum homem causava mais terror. Ele era um selvagem, um pirata, um rei de lugar nenhum.”

Velhos conhecidos aparecem e temos alguns dos seus destinos selados. Pessoas que eu nem lembrava direito onde estavam e o que faziam, mas que entraram no caminho de Uhtred por bem ou por mal e o nosso saxão terá negócios para resolver. Negócios sangrentos, digamos assim.

As descrições das paredes de escudos estão fenomenais, como sempre, e foi exatamente nesse quesito tão importante que o autor apostou para retomar a excelente narrativa do 7º livro, O Guerreiro Pagão. Narrativa essa que acabou se perdendo um pouquinho no seguinte, que acabou não sendo um dos melhores volumes da série. Warriors of the Storm não tem esse problema e os leitores podem ficar tranquilos quanto a isso, já que a carnificina rola solta e desenfreada por aqui.

Schiltrom, por xenos60
“Trinta passos, vinte, e você pode ver os olhos dos homens que tentarão te matar, e ver as pontas das lanças, e o instinto te diz para parar, apertar os escudos. Nós nos contraímos durante a batalha, o medo enterra suas garras em nós, o tempo parece parar, há silêncio mesmo que milhares de homens gritem, e naquele momento, quando o terror ataca o coração como uma besta enjaulada, nós devemos nos jogar para dentro daquele horror. Porque o inimigo sente o mesmo. E você veio matá-lo. Você é o demônio dos seus pesadelos."

Tive algumas sensações nostálgicas durante a leitura, relembrando bastante do Uhtred lá dos 2-3 primeiros livros, que desobedecia todo mundo e fazia o que bem entendia. Dessa vez, novas ordens não são cumpridas e elas acabam trazendo algumas consequências. Tudo pela família, diga-se de passagem. Só que dessa vez Uhtred é um senhor da guerra, experiente, com reputação a mente, com pessoas a seu serviço e que dependem da sua palavra, e qualquer ameaça à sua família, por menor que seja, é considerada um ultraje sem precedentes e não deve jamais ser ignorada.

“Eu o faria gritar e assistiria enquanto sangrava, cortaria sua carne fresca em pedaços antes de me preocupar com Æthelflaed. Isso era pela família. Isso era por vingança.”

Outro que é sempre bom ver por perto é Finan, que Uhtred conheceu há muito tempo no período em que era escravo. O irlandês é um lutador exímio e deixará sua marca em combates singulares.

Um dos pontos importantes a se destacar é a grande evolução de Uhtred ao longo de toda a série. Agora mais velho, com quase 60 anos, ele não tem o mesmo físico de antes e não tem como ser o primeiro cara a pular uma muralha, é mais lento que muitos dos seus adversários, mas compensa os seus defeitos com a sua experiência de anos na primeira linha das paredes de escudos dos saxões.

Uhtred, por Yago Oliveira

Muitos por aí dizem que ele é apenas um personagem com a profundidade de uma poça d’água, mas enganam-se ao não notar que as suas preocupações ao longo dos livros mudam constantemente, além de ter sempre aquela questão de gostar mais dos dinamarqueses do que dos próprios saxões.

As piadinhas com os padres continuam e são sempre hilárias, disso o leitor jamais poderá reclamar.

“Você é cristão?”     “Mas é claro!”     “Você acredita em milagres?” eu perguntei, e ele concordou. “Então é melhor você pegar os seus cinco pães e dois peixes,” continuei, “e rezar para que o seu deus miserável providencie o resto.”

Repleto daquele humor irreverente e das batalhas que tanto amamos ver nos livros de Bernard Cornwell, Warriors of the Storm é leitura obrigatória para todos os fãs das Crônicas Saxônicas e deve ser feita o quanto antes. O destino é inexorável, diriam alguns, e Uhtred parece estar se aproximando cada vez mais de Bebbanburg, a fortaleza na Nortúmbria que é sua por direito.

A edição brasileira do nono livro da série só deve chegar ao Brasil no 2º semestre de 2016, mas até lá temos o seriado baseado na série e que a BBC está produzindo. Intitulado The Last Kingdom, iniciou-se em 10 de outubro. Recomendo fortemente que todos vocês assistam o quanto antes!

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
9º livro - Guerreiros da Tempestade
10º livro - O Portador do Fogo
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3 de out. de 2015

Resenha: Os Ossos das Colinas - Conn Iggulden

Título: Os Ossos das Colinas
Original: Bones of the Hills
Série: O Conquistador/Conqueror #3
Autor: Conn Iggulden
Páginas: 490
Editora: Record (2010)

Sinopse: Gêngis Khan é o poderoso líder de uma nação fruto da união de diversas tribos e guerreiro vitorioso na longa campanha contra os jin. Agora o inimigo surge do oeste: suas caravanas são expulsas e seus homens, mortos ou mutilados. Assim, Gêngis e seus exércitos, liderados por seus filhos e irmãos e outros generais de confiança, embarcam em uma grande viagem através dos atuais Irã e Iraque e pela costa do Mediterrâneo. Conquistando cidade após cidade, um império após o outro, por meio da guerra, do medo e da persuasão, o poder mongol domina toda a região. O grande cã ergueu um império maior do que qualquer outro já visto. Durante essas campanhas, seus filhos e irmãos disputavam o favoritismo, o direito de liderar o mais bem-sucedido exército e de realizar as maiores conquistas, para ser escolhido como sucessor. Gêngis já provou ser um grande guerreiro. Agora, seu desafio é mostrar-se um governante e líder excepcional para seu povo, alguém que possa coordenar a transição de poder sem sobressaltos. Das terras férteis dos jin até as áridas rochas do Afeganistão, Iggulden tece um épico sobre o conquistador mais enigmático da história, aqueles que o temiam, aqueles que o desafiaram e aqueles cujos ossos deixou para trás. Os Ossos das Colinas é o terceiro volume de O Conquistador, série que reconstrói a saga de Gêngis Khan e de seus descendentes.

Essa resenha contém alguns spoilers do final desse livro e também dos livros anteriores.

Após devastar boa parte do território chinês, Genghis Khan mira suas atenções mais ao sul e ao oeste, onde a maioria dos povos islâmicos/muçulmanos estão. Tudo começou com a morte de patrulheiros enviados por Genghis a terras distantes. Com a sua morte, o líder mongol não pode deixar essa ameaça de lado e precisará reunir todas as forças para marchar contra o novo inimigo.

Importante situar o leitor de que esse 3º volume de O Conquistador se inicia três anos após o 2º, quando Genghis envia seus vários generais a várias direções para que conquistem novos lugares.

Essa situação é perfeita para entendermos um pouquinho mais da mente daquele que é considerado o maior conquistador de toda a História: não é permitido ameaçá-lo e esperar sair impune, como foi visto no 2º livro, quando o imperador chinês quebra um acordo com os mongóis e fogem, deixando a sua fortaleza para trás, só para que Genghis e seus guerreiros a queimassem até o chão.

— Eu vim a estas terras porque, quando um homem me ameaça e eu desvio o olhar, ele tirou algo importante de mim. Se eu lutar e morrer, tudo que ele pode tomar é minha vida. Minha coragem e minha dignidade permanecem. Devo fazer menos pela nação que criei? Devo permitir a meu povo menos honra do que reivindico para mim?

Uma das grandes diferenças dessa obra para as demais é que os filhos do grande khan estão crescendo e começando a assumir funções importantes dentro do exército mongol, como o comando das tumans, formações com 10.000 mongóis. E, com esse crescimento, voltam à tona as brigas por poder. Jochi pode não ser filho de Genghis e sim de um estupro que a sua esposa sofreu na infância, e isso reflete diretamente no modo como Genghis o trata e na relação de Jochi com Chagatai, o filho seguinte do khan. Preparem-se para ler sobre momentos bem intensos envolvendo esses dois.

O choque cultural apresentado em Os Ossos das Colinas também merece ser notado, visto que diversas regiões são invadidas durante o período, como a Rússia, Afeganistão, Irã, etc. E, com isso, novas táticas de batalha também são apresentadas. Ao longo de suas campanhas, Genghis reuniu engenheiros das mais variadas nacionalidades que começaram a construir armas de cerco, já que as planícies frias da terra natal dos mongóis ficaram para trás, dando lugar às altas fortalezas dos novos povos. Achei interessante ter todos esses elementos inseridos na narrativa, já que o próprio Genghis assume em alguns momentos que a importância dessas armas de cerco foi tamanha que ele até aproveitava as semanas e os meses em que estava diante de uma fortaleza, apenas esperando que os seus habitantes se rendessem devido à fome, à sede e doenças que os acometiam lá dentro.

— Quando eu tiver morrido, não quero que os homens digam: "Vejam quanta riqueza a dele, suas cidades, seus palácios e suas roupas finas." — Gêngis fez uma pausa. — Em vez disso, quero que digam: "Certifiquem-se de que ele morreu mesmo. É um velho maligno que conquistou metade do mundo." — Ele deu um risinho, e parte da tensão se esvaiu do grupo. — Não estamos aqui para ganhar riquezas com um arco. O lobo não pensa em coisas finas, só quer que sua matilha esteja forte e que nenhum outro lobo ouse atravessar seu caminho. Isso basta.

Não posso esquecer de mencionar alguns nomes entre as fileiras do grande khan, como Tsubodai e Jebe, homens que foram crescendo aos poucos dentro do contingente mongol e se tornaram os "cães de caça" de Genghis, ao lado também dos seus irmãos Khasar e Kachiun, que mantém uma relação forte desde a infância, quando estiveram perto da morte e até tiveram que matar um dos irmãos para sobreviver, história essa que foi contada no excelente 1º livro da série, O Lobo das Planícies.

Uma das curiosidades introduzidas aqui são os assassinos, uma seita de matadores experientes contratada pelo povo muçulmano para tentar acabar com a ameaça dos mongóis na sua terra.

Narrado em 3ª pessoa, com mudanças constante de pontos de vista, a narrativa flui como os cavalos mongóis em uma planície, agradável de se ler e com elementos do cenário sempre ali presentes.

Enfim, também preciso dizer que esse volume fecha um "ciclo", digamos assim, nos livros da série. O comando precisa ser passado adiante, como sempre aconteceu em todas as nações guerreiras. Eu temia muito (!) pelo momento em que a morte de Genghis Khan chegaria, assim como todos os leitores e fãs dessa série, mesmo que os seus minutos finais estejam cercados de diversas especulações e incertezas, que vão desde a causa da sua morte até quem teria sido o responsável.

— Todos homens morrem — continuou Jelme, ignorando a explosão. — Pode ser esta noite, no ano que vem ou dentro de quarenta anos, quando você estiver desdentado e fraco. Tudo que você pode fazer é escolher como se portar quando ela chegar.

Até os tempos atuais podemos encontrar descendentes de Genghis Khan entre o povo mongol, e uma das nossas maneiras de reverenciá-lo é lendo essa obra fantástica do Conn Iggulden o quanto antes.

Por fim, só me resta recomendar esses livros a todos aqueles que são amantes de ficção histórica!

Avaliação final:

O Conquistador:

2º livro - Os Senhores do Arco
3º livro - Os Ossos das Colinas
4º livro - Império da Prata
5º livro - Conquistador

5 de set. de 2015

Resenha: O Tigre de Sharpe - Bernard Cornwell

Título: O Tigre de Sharpe
Original: Sharpe's Tiger
Série: As Aventuras de Sharpe/Sharpe #1
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 406
Editora: Record (2005)

Sinopse: Misore, Índia, 1799. Richard Sharpe é um jovem recruta a serviço da realeza britânica e integrante da expedição para derrubar o impiedoso sultão Tipu, no poder com a ajuda dos aliados franceses. Acusado de insubordinação por seu superior, o sargento Hakeswill, Sharpe acaba destacado para uma perigosa missão: infiltrar-se na intransponível Seringapatam, cidade-fortaleza do líder indiano. Fingindo-se de desertor, o jovem soldado deve contatar um espião escocês aprisionado e descobrir a melhor maneira de o exército britânico conquistar a cidade. Caso seja bem-sucedido, Sharpe ganhará as divisas de sargento. Entretanto, se fracassar, ficará frente a frente com os assustadores tigres de Tipu. Em um mundo exótico e estranho para o recruta, um passo em falso significará a morte. A situação complica-se ainda mais quando o jovem espião descobre que deve lutar contra seus velhos camaradas para salvar a própria vida. O tigre de Sharpe é o emocionante livro de estréia protagonizado pelo oficial britânico Richard Sharpe, que participará de conflitos na costa de Portugal e Espanha até a derrota do exército napoleônico em Waterloo. Os livros da série As Aventuras de Sharpe já venderam mais de 4 milhões de cópias no mundo todo e tornaram-se seriado de televisão na Inglaterra.

Como fã do Bernard Cornwell, não poderia deixar de ler Sharpe, uma das séries mais recomendadas do autor e que sai um pouco daquele período medieval que o Cornwell costuma abordar nas suas outras obras. As Aventuras de Sharpe passam-se durante o período das Guerras Napoleônicas, quando Inglaterra e França travavam batalhas ferrenhas para decidir quem era o país mais forte.

O Tigre de Sharpe introduz ao leitor o personagem principal Richard Sharpe, um recruta da Companhia Ligeira do 33º Regimento do rei que encontra-se atualmente na Índia, mais precisamente indo em direção à imponente fortaleza de Seringapatam, uma importante rota de comércio da região, que agora está sob o domínio do famoso sultão Tipu, que recentemente aliou-se aos franceses e agora precisará defender o local com unhas e dentes contra a invasão inglesa.


Pensando em desertar e levar sua amada Mary consigo, Sharpe acaba se envolvendo (infantilmente) em uma briga com o sargento Hakeswill, seu superior, e é condenado a levar 2.000 chicotadas (morte certa), punição essa que acaba não sendo totalmente feita, pois Sharpe é convocado pelo alto escalão e recebe uma missão urgente: infiltrar-se na fortaleza de Seringapatam e encontrar um espião escocês que tem informações extremamente úteis ao exército inglês, que precisa derrubar logo a fortaleza, pois as monções estão chegando e podem atrapalhar muito o seu avanço.

"Era por causa disso que pensava tanto em abutres. Estava pensando que queria fugir, mas que não queria servir de comida para os abutres. Não queria ser capturado. Essa era a regra número um do exército, e a única que importava. Porque se você fosse apanhado os bastardos ou açoitavam-no até a morte ou reorganizavam suas costelas com balas de mosquete. E, de um jeito ou de outro, os abutres esbaldavam-se."

Hakeswill acaba sendo o grande vilão desse livro, fazendo de tudo para que Sharpe se ferre e seja expulso do exército/morto. O sargento acaba sendo um homem de humor extremo, mas de uma vontade maior ainda de acabar com a alegria dos homens. Dei algumas risadas com ele durante a leitura, mas na maior parte do tempo senti um ódio extremo e vontade de espancá-lo. hauhuahua


Narrado em 3ª pessoa por vários pontos de visto, mas principalmente o de Sharpe, essa obra começa com um ritmo bem cadenciado, apresentando ao leitor os vários personagens que integram o lado inglês e o lado do sultão Tipu, enquanto vamos nos acostumando com o vocabulário particular da época, principalmente no que se relaciona ao arsenal, como baionetas, alabardas, mosquetes e assim por diante. Tudo muito bem feito, afinal, Cornwell é um autor mestre em ficção histórica, mesmo que alguns acontecimentos narrados não sejam verídicos, onde Cornwell tomou uma certa liberdade para criá-los e tornar O Tigre de Sharpe uma ótima leitura sobre o período desbravado.

Quando eu pensava que o ritmo iria manter-se até o final, eis que novas perspectivas aparecem, começamos a entender as motivações dos personagens, principalmente Tipu, um homem a ser admirado até mesmo por seus inimigos, além das relações meio conturbadas que os muçulmanos e os hindus têm um com o outro, ameaçando o destino dos milhares de habitantes de Seringapatam.

E é dentro da fortaleza que Sharpe mostra o seu grande potencial como soldado, tomando decisões arriscadas e muitas vezes contradizendo um de seus próprios superiores, o que pode ser entendido inicialmente como um sinal de rebeldia, mas revela aos outros a sua excelente visão estratégica.

A tomada de Seringapatam
"Seus homens uivavam com ele. Estavam contagiados pela loucura de Baird. Nesse momento, enraivecidos pelo calor inclemente e embriagados pela araca e pelo rum bebido durante a longa espera nas trincheiras, os casacas vermelhas eram deuses da guerra. Ofertavam morte com impunidade, enquanto desciam uma muralha ensanguentada seguindo um escocês enlouquecido. Baird conquistaria esta cidade ou morreria em sua poeira."

Inicialmente focando mais nas estratégias nas estratégicas militares do que no desenvolvimento dos personagens, temos aqui uma boa opção para quem gosta do tema e quer algo agradável de se ler.

As partes finais de O Tigre de Sharpe são excelentes, com uma tensão crescendo envolvendo o destino de Richard Sharpe e seus companheiros mais próximos, todos ao alcance de Tipu, um líder militar que é reconhecido até hoje quando se fala sobre o período das Guerras Napoleônicas, sem contar que os seus famosos tigres estão presentes na narrativa, com um papel de grande destaque.

As Aventuras de Sharpe é uma série composta por mais de 20 livros, sendo que, lá fora, eles foram lançados em ordem não-cronológica, diferentemente daqui do Brasil, onde a editora Record resolveu publicá-los na ordem cronológica, o que eu imagino ser uma decisão que faz mais sentido.

Certamente lerei os volumes seguintes, pois Sharpe é um personagem característico de Cornwell, com muitas qualidades e vários defeitos, mas impossível de não gostar. E que venha o próximo!

Avaliação final:

As Aventuras de Sharpe:

1º livro - O Tigre de Sharpe
2º livro - O Triunfo de Sharpe
3º livro - A Fortaleza de Sharpe
4º livro - Sharpe em Trafalgar
5º livro - A Presa de Sharpe
6º livro - Os Fuzileiros de Sharpe
7º livro - A Devastação de Sharpe
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