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26 de abr. de 2017

Resenha: Jardins da Lua - Steven Erikson

Título: Jardins da Lua
Original: Gardens of the Moon
Série: O Livro Malazano dos Caídos/The Malazan Book of the Fallen #1
Autor: Steven Erikson
Páginas: 608
Editora: Arqueiro (março de 2017)

Sinopse: Desde pequeno, Ganoes Paran decidiu trocar os privilégios da nobreza malazana por uma vida a serviço do exército imperial. O que o jovem capitão não sabia, porém, era que seu destino acabaria entrelaçado aos desígnios dos deuses, e que ele seria praticamente arremessado ao centro de um dos maiores conflitos que o Império Malazano já tinha visto. Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite. O local ainda resiste à ocupação malazana e é a joia cobiçada pela imperatriz Laseen, que não está disposta a estancar o derramamento de sangue enquanto não conquistá-lo. Porém, em pouco tempo fica claro que essa não será uma campanha militar comum: na Cidade do Fogo Azul não está em jogo apenas o futuro do Império Malazano, mas estão envolvidos também deuses ancestrais, criaturas das sombras e uma magia de poder inimaginável. Em Jardins da lua, Steven Erikson nos apresenta um universo complexo de cenários estonteantes e ações vertiginosas que mostram por que esta é uma das maiores sagas épicas.

Jardins da Lua, do autor Steven Erikson, era um dos lançamentos de fantasia mais aguardados no Brasil para esse ano de 2017. E isso que a finada Saída de Emergência havia adquirido os seus direitos um bom tempo atrás, mas acabou não lançando e faliu antes disso, então a obra caiu no colo da editora Arqueiro, que parece ser a mais indicada para tocar a série até o seu final, já que o Steven Erikson escreveu míseros 10 volumes para O Livro Malazano dos Caídos. O histórico da Arqueiro em não abandonar séries é muito bom, então vejo Malazan sendo finalizada em um período de 5 anos, até 2021, aproximadamente, com 1 livro sendo lançado a cada semestre.

Dois anos atrás, eu bem que tentei ler Gardens of The Moon (vulgo Jardins da Lua) em inglês mesmo, mas estava sem foco para ler fantasia na época e acabei largando depois de umas 200 páginas. Não tinha gostado muito, estava bem perdido na leitura, mas na 2ª vez foi mais tranquilo.

O estilo do autor é diferente dos que eu estava mais acostumado a ler, o que acaba tornando a experiência inicial com a série meio... estranha. Ele vai jogando personagens novos na nossa frente a cada 5-10 páginas, muitos vezes sem mencionar exatamente quem eles são, fazendo a ida ao Glossário uma busca constante pela luz no fim do túnel. Que porra é essa que tá acontecendo aqui? Não faço a mínima ideia, jureg. A sensação de "tô bem perdido" é comum nos primeiros capítulos.

O Massacre de Itko Kan (Conselheira Lorn e Ganoes Paran), por Luktarig

Acompanhamos o avanço do Império Malazano no continente de Genabackis, onde boa parte dele já foi conquistada pelos invasores, mas duas das Cidades Livres ainda resistem, Pale e Darujhistan. Essa "ânsia" por conquistar vem da política de guerra da nova imperatriz, Laseen, que assassinou o antigo imperador Kellanved e seu principal conselheiro, Dançarino. Esse golpe é mencionado algumas vezes no livro, mas quero mais detalhes em breve. Pelo que soube, o livro A Noite das Facas, lançamento da editora Cavaleiro Negro, trata bastante dessas mudanças em Malaz.

Logo nas primeiras partes já podemos ter uma noção de como a feitiçaria será tratada na série. Ela está ali, E MUITO PRESENTE, diga-se de passagem. Em meio aos massacres da primeira parte do livro, somos apresentados a personagens que nos acompanharão por muitas páginas de Jardins da Lua, como a conselheira Lorn, braço direito da imperatriz, e Ganoes Paran, atualmente tenente do Império Malazano e enviado a Genabackis para comandar o cerco a Darujhistan, joia do continente.

"Histórias não fazem ninguém sangrar. Histórias não deixam ninguém com fome nem machucam os pés. Quando se é jovem, cheirando a merda de porco, e se está convencido de que não há uma arma em toda a porcaria do mundo que seja capaz de matá-lo, tudo o que as histórias conseguem é fazer você querer se tornar parte delas."

À frente do esquadrão dos Queimadores de Pontes, que Paran assumirá, está o sargento Whiskeyjack. Antes uma unidade de elite do imperador Kellanved, agora os Queimadores foram relegados a tarefas ordinárias e frequentemente suicidas, uma mera amostra do desprezo que Laseen tem por eles. Quem pensa diferente disso é o Alto Punho Dujek Umbraço, o que pode/deve gerar conflitos.

Voltando a falar um pouco da magia em si, o sistema aqui é bem confuso, mas interessante ao mesmo tempo. Os tais Labirintos são legítimos quebra-cabeças para entendê-los, e creio que nesse 1º volume mal vimos do que eles são capaz. Segundo o próprio livro: "Os Labirintos habitavam o além. Encontre o portal e abra uma fenda. O que vazar é seu para modelar. Com essas palavras, uma jovem iniciou o caminho para a feitiçaria. Abra-se para o Labirinto que vem até você – que encontra você. Absorva seu poder, mas lembre-se: quando seu corpo fracassa, o portal se fecha". Espero ter mais para falar nas próximas resenhas, por enquanto vou ficar só nas especulações.

Focando mais em Darujhistan, percebemos claramente que MUITA coisa está em jogo no momento que o Império Malazano bate às suas portas. E é aí que a "escala" de Malazan começa a crescer. Depois de nos acostumarmos com as dezenas de personagens, o negócio começa a fluir de verdade.

Darujhistan, por guat

Para não sucumbir aos ataques, as forças defensoras d'A Cidade do Fogo Azul, como é mais conhecida Darujhistan, por causa da sua iluminação à base de gás, forjam alianças com forças misteriosas. Uma delas é Anomander Rake, tiste andii,o Senhor da Cria da Lua, poderosa fortaleza voadora (WTF?!? hahaha). Com uma espada como Dragnipur nas costas, capaz de enviar as almas de deuses e mortais para serem aprisionadas em uma carroça monstruosa com correntes gigantescas, a balança da guerra pode mudar a qualquer momento. Pode depender de quem tiver mais sorte.


Darujhistan também é palco de diálogos interessantes, principalmente quando o personagem Kruppe estiver presente. Fiquem de olho nele e seus amigos. Envolvidos em uma conspiração junto à Sociedade dos Assassinos, assim como as manobras dos magos locais, os acontecimentos do grupo "principal" nessa parte do livro fazem a leitura fluir num ritmo bem melhor do que no começo.

"Por toda a nossa vida nós lutamos por controle, por um meio de moldar o mundo à nossa volta, uma caçada eterna e inútil pelo privilégio de sermos capazes de prever a forma de nossas vidas."

Quando alguns segredos do passado começam a ser desvendados e fatos milenares tendem a ser desenterrados, percebemos o quanto o worldbuilding (a famosa construção do mundo) faz o seu papel nessa série. Acho que é talvez o grande motivo por eu querer muito ler as sequências e descobrir o que vai acontecer e o que aconteceu. Saber mais sobre as Raças Fundadoras, sobre as guerras que antecederam o reinado de Laseen, entre tantas outras coisas que são pinceladas aqui.

Eu confesso até que não curto tanto essa parada de ter TANTA magia assim envolvida em uma obra de fantasia, onde ela parece não ter tantas limitações num primeiro momento, mas às vezes é bom sair da zona de conforto "espada + escudo" que leio sempre e partir para coisas diferentes. Investir junto com a Arqueiro n'O Livro Malazano dos Caídos é uma de minhas metas para os próximos anos.

Enfim, Jardins da Lua tem praticamente tudo que um leitor de fantasia épica pode desejar: worldbuilding massa, sistema de magia meio louco, mas que te deixa curioso, guerras para todo lado, várias raças, e mais, como as manobras dos deuses entre os mortais. Um mundo que não faz diferenciação entre homens e mulheres, divindades e discípulos. Todos têm um papel a cumprir.

Com tradução de Carol Chiovatto, a série deve ter sua continuidade no 2º semestre de 2017, com o lançamento de Deadhouse Gates, talvez "Portões da Casa Morta". É praticamente unanimidade entre os fãs da série que esse é o livro que arrebata todos os leitores para o mundo malazano. Veremos!

Avaliação final:

O Livro Malazano dos Caídos:

Livro 1 - Jardins da Lua
Livro 2 - Deadhouse Gates
Livro 3 - Memories of Ice
Livro 4 - House of Chains
Livro 5 - Midnight Tides
Livro 6 - The Bonehunters
Livro 7 - Reaper's Gale
Livro 8 - Toll the Hounds
Livro 9 - Dust of Dreams
Livro 10 - The Crippled God

11 de mar. de 2017

Resenha: A Passagem - Justin Cronin

Título: A Passagem
Original: The Passage
Série: A Passagem/The Passage #1
Autor: Justin Cronin
Páginas: 816
Editora: Arqueiro (março de 2013)

Sinopse: Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos traços de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue. Depois, o inimaginável: o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite, a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior. Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao apocalipse. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado. A passagem é um suspense implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que recende a morte.

Quando Brad Wolgast e seu companheiro de FBI Phil Doyle são contratados para fazer parte do misterioso Projeto Noé, eles não imaginavam que teriam de correr à procura de uma garotinha de 6 anos para que fosse usada como cobaia de um experimento científico. Só de saber disso o leitor já pode ir imaginando do que a humanidade é/seria capaz de fazer em busca da sua imortalidade.

Um detalhe: JAMAIS LEIAM AS ORELHAS DO LIVRO! Elas entregam mais de 550 páginas dessa obra.

O Projeto Noé consiste em usar criminosos (12 até o momento) condenados à morte para que sejam usados em testes de uma pesquisa que busca aumentar a expectativa de vida humana. Leia-se "virar imortal". Já que eles não teriam mais motivos importante para viver e estão na beira do corredor da morte, todas suas informações são apagadas e eles passam a ser meras cobaias do experimento.

São nos capítulos iniciais de A Passagem que começamos a perceber o cuidado do autor em tentar embasar a sua obra de fantasia em fatos que realmente pareçam ser verdadeiros, trazendo explicações sobre como funcionam algumas partes do corpo humano, como a glândula timo, um dos pilares do nosso sistema imunológico e parte-chave do Projeto Noé, como vocês descobrirão ao ler.

A is for Amy, por Becky Munich

Quanto à garotinha, seu nome é Amy Harper Bellafonte, que no futuro será chamada de A Garota de Lugar Nenhum, Aquela que Surgiu, A Primeira, Última e Única, a que viveu mil anos. Tudo isso descobrimos logo no primeiro parágrafo da obra, antes que me xinguem por causa de spoilers.

As primeiras 200 páginas tem um ritmo mais tranquilo, contando uma boa parte da infância de Amy até o momento em que seu caminho se cruza com o dos agentes do FBI. E é então que a verdadeira treta começa, que o anunciado na sinopse se mostra ao leitor. A partir daí, meus amigos, fica impossível parar de ler. Os testes com as cobaias do Projeto Noé saem totalmente do controle e as cobaias fogem do complexo, iniciando a carnificina que começa a devastar o território americano e, talvez, não sabemos ainda, o mundo. Agora eles têm sede de sangue e não gostam da luz. Seriam Vampiros? Muito mais que isso, e é óbvio que eu não entregarei nada de bandeja a vocês.

"É fácil ter coragem quando a alternativa é a morte. Difícil é ter esperança."

Com a população sendo dizimada e o vírus se espalhando rapidamente, transformando os humanos em "virais", o mundo começa a mudar e se tornar mais perigoso. A história então avança longos 92 anos no tempo, quando a população já foi reduzida drasticamente e existe uma estimativa de mais de 40 milhões de virais à solta, espalhados pelo continente. Eles sempre andam em múltiplos de 3 (3, 6, 9, 15 e assim por diante), não sabemos por quê, atacando à noite ou em lugares escuros.

Somos apresentados à Primeira Colônia, onde um grupo de sobreviventes conseguiu se estabelecer em uma base, levantando muros, colocando grades e botando geradores de energia para funcionar. Energia essa que não dura para sempre, por sinal. Não pretendo falar dos personagens um por um logo nessa resenha, então só queria dar destaque para alguns, como Peter, Sara, Alicia, Titia e Michael. Esses sobreviventes conseguiram criar uma sociedade com regras e funções para todos os habitantes, mantendo uma disciplina constante para que conseguissem manter os virais longe.

Babcock, uma das cobaias do Projeto Noé, por turbosuo

A Passagem é uma história de como a ambição humana pode se transformar em tragédia, de como pessoas comuns, aliadas a poderes sobrenaturais de uma garota estranha, são capazes de enfrentar desafios para descobrir o que aconteceu no passado distante e assim tentar criar um futuro melhor.

"Uma parte do que somos continua vivendo enquanto alguém se lembra de nós."

Gostei bastante da forma como o Justin Cronin escreve, ele tem aquele jeito peculiar de contar histórias dando sutis detalhes aqui e ali que nos prendem demais à narrativa. O livro é gigante, tem umas 800 páginas, mas passou voando, tamanha a vontade que eu tinha de descobrir o que iria acontecer com os personagens principais. Principalmente Amy, o grande mistério dessa série. Ainda há muito a ser revelado sobre ela e sobre as cobaias + virais nas continuações da trilogia.

Uma história realmente intrigante, de como o mundo foi destruído em questão de horas para que fossem destacados aqueles que querem sobreviver a qualquer custo daqueles que não tem mais uma razão para estar ali. Vale a pena investir nessa série, recomendo muito a leitura de A Passagem!

Avaliação final:

A Passagem:

1º livro - A Passagem
2º livro - Os Doze
3º livro - A Cidade dos Espelhos

3 de out. de 2015

Resenha: Perdido em Marte - Andy Weir

Titulo: Perdido em Marte
Original: The Martian
Autor: Andy Weir
Páginas: 336
Editora: Arqueiro (Outubro de 2014) 

Sinopse: Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico e um senso de humor inabalável, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá. Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, alavancado por uma trama que não para de surpreender o leitor. 

Essa resenha foi feita pelo colaborador Kaue Souza.

Pela sinopse de Perdido em Marte, a ideia que se cria é a de que o livro se desenvolve em cima do "como acontece", e não o mais habitual "o que acontece". Ao fim, tudo se desenrola de uma forma lenta, a ponto de não fazer diferença, sendo essa uma das grandes falhas na construção  da obra.

A maior parte do livro é narrada em primeira pessoa pelo diário de bordo de Watney. Por lá, acompanhamos sua rotina em Marte, onde ele descreve detalhadamente como sobrevive, improvisa alimentos, máquinas e desenvolve planos para se  manter vivo em  Marte. Devido à ideia inicial dada pela sinopse, o final não parece distante, mas apenas um mistério. A dúvida de como o livro irá acabar - já que todas as 336 páginas de  Perdido em Marte parecem desnecessárias para a proposta da obra - a cada capítulo fica  mais óbvia. As mesmas paginas poderiam ter trechos cortados e reduzidos, pois ocupam boa parte só para desenvolver cálculos e teses feitos pelo Mark. A Nasa mesmo se mostrou um mistério - ocupou um espaço tão grande com tantas informações que ao final era só algo a mais e não a protagonista tão esperada no clímax final.

O Mark como personagem não consegue convencer o leitor de seus medos, problemas e dilemas em que se envolve, tudo é fácil, e a proximidade da morte não modifica isso. O humor criado pelo autor acaba funcionando como alívio cômico nas cenas de tensão, e rir da falta de sorte do personagem é inusitado. Em alguns momentos, a impressão é de que tudo foi incluído como forma de diminuir o cansaço causado por tanta informação que o autor inseriu para torná-lo mais real.


Andy é um autor inteligente e escreve de uma forma que manipula os sentimentos e a expectativa do leitor. Na obra toda é possível perceber ideias já usadas no cinema que da a impressão que o livro todo foi escrito como um pré-roteiro para ser adaptado. O desfecho pode até empolgar, mas não sai da obviedade. E a sensação, após o fim de todas as 336 páginas, é saber que, caso leia-se novamente, o impacto não será o mesmo e não ficaram pontas soltas pro futuro.
 

Avaliação final:

23 de mai. de 2015

Resenha: República de Ladrões - Scott Lynch


Título: República de Ladrões
Original: The Republic of Thieves
Série: Nobres Vigaristas/Gentleman Bastard #3
Autor: Scott Lynch
Páginas: 544
Editora: Arqueiro (maio de 2015)

Siqnopse: Envenenado e à beira da morte, Locke Lamora segue para o norte com seu parceiro, Jean Tannen, em busca de refúgio e de um alquimista para curá-lo. Porém, a verdade é que ninguém pode salvá-lo. Com a sorte, o dinheiro e a esperança esgotados, os Nobres Vigaristas recebem uma oferta de seus arquirrivais, os Magos-Servidores. As eleições do conselho dos magos se aproximam e as facções precisam de alguém para fazer o trabalho sujo, manipulando votos. Se Locke aceitar, o veneno será purgado de seu corpo com o uso de magia – mas o processo será tão excruciante que ele vai desejar morrer. Locke acaba cedendo ao saber que o partido da oposição contará com uma mulher do seu passado: Sabeta Belacoros, a única pessoa capaz de se igualar a ele nas habilidades criminosas e mandar em seu coração. Novamente em uma disputa para ver quem é o mais inteligente, Locke precisa se decidir entre enfrentar Sabeta ou cortejá-la, e a vida dos dois pode depender dessa decisão. República de ladrões leva o leitor ao início da vida de Locke enquanto flerta com o seu fim, revelando todos os matizes de Sabeta e de seu relacionamento com o líder dos Nobres Vigaristas. Misturando momentos tensos e cômicos do passado e do presente, esta obra é, até agora, a melhor de Scott Lynch.

Contém alguns spoilers dos livros anteriores.

A narrativa desse 3º livro da série Nobre Vigaristas começa logo após os acontecimentos do volume anterior (Mares de Sangue), quando Locke Lamora e Jean Tannen estão fugindo da cidade de Tal Verrar. Quando chegam a Lashane, Locke começa a sentir fortemente os efeitos do veneno injetado em seu corpo, ao contrário de Jean, que acabou tomando o antídoto todo, como foi visto no último capítulo de Mares de Sangue. E está sentindo tão fortemente esses efeitos que a morte parece certa a cada minuto que se passa. É nessa hora que entram os Magos-Servidores.

Próximos da próxima eleição que elegerá o Konseil, que é composto por dezenove representantes da cidade de Kartane, a Arquidama Paciência resolve pedir a Locke Lamora e Jean Tannen uma ajudinha para que o seu partido, o Raízes Profundas, finalmente vença o oponente Íris Negra depois de dois anos. A contra-partida? Tirar o veneno do corpo de Locke e consequentemente salvá-lo. Seria essa uma troca justa e simples ou a Maga-Servidora tem algum outro plano em mente?


Falando em Magos-Servidores, gostaria até de fazer um adendo aqui: eles são um dos pouquíssimos elementos fantásticos que podemos ver nessa série, e nem por isso ela se torna pior ou melhor que as outras. Eu consideraria Nobres Vigaristas como uma série de aventura de ladrões com uma pitada leve de fantasia e não o contrário, como muita gente fala por aí. Aléms dos Magos, temos sempre um papo aqui e um papo ali sobre os Ancestres, mas esses ainda continuam sendo um mistério impenetrável até o momento. Espero descobrir mais nos próximos livros!

Mas a grande parte desse livro foca em algo que os leitores estavam procurando saber há muito tempo: o relacionamento entre Locke e Sabeta. O autor Scott Lynch havia dado poucas pistas sobre a garota dos sonhos de Locke nos dois livros anteriores, apenas reforçava que ele não conseguia parar de pensar nela um minuto sequer e que a relação entre ambos sempre foi um pouco... conturbada. Ainda mais quando se descobre que ela era/é uma das poucas pessoas no mundo capaz de passar a perna no Nobre Vigarista e criar armadilhas tão criativas quanto Locke.

E é aproveitando-se disso que os Magos-Servidores do partido da Íris Negra, concorrente do Raízes Profundas, contratam Sabeta para ajudá-los na eleição! Vocês podem imaginar o que vem por aí...

Em meio a trocas de farpas e tentativas (ou não) de uns amassos aqui e ali, os dois entram em uma briga ferrenha para saber quem dará ao partido contratante o sabor da vitória. Tudo enquanto os queridos Magos-Servidores estão à espreita por toda Kartane, acompanhando os seus movimentos.


Como de praxe, os interlúdios do livro se passam na infância de Locke e, consequentemente, no começo da gangue. Aqui não é diferente, apenas que o foco dessa vez é em como Sabeta entrou para os Nobres Vigaristas e como os outros se comportavam tendo uma guria entre eles. Uma guria que era mais inteligente que os demais. Uma guria que era capaz de deixar Locke Lamora para trás desde o tempo em que viviam no Morro das Sombras, sob ordens do Aliciador. Foi lá que Locke encontrou Sabeta pela primeira vez e aquela atração toda pela ruiva começou.

Esses interlúdios, por sinal, para mim foram a melhor parte da obra até a metade da leitura, quando os Vigaristas precisam realizar uma missão em outro lugar e o ritmo cai levemente. Mesmo assim, as informações contidas neles são essenciais para se entender o motivo de Sabeta ter deixado os Nobres Vigaristas logo após a morte do Correntes e estar sumida por uns bons anos.

Uma das mudanças desse 3º livro para os demais é que, entre os capítulos "normais" e os interlúdios, temos a presença de interseções, mini-capítulos contados a partir de um ponto de vista muito peculiar, um personagem bem conhecido dos Vigaristas e que promete aparecer mais uma vez...

Aliás, só para constatar que, em matéria de humor e sarcasmo, os campeões disparados desse quesito em República de Ladrões foram Calo e Galdo Sanza. Os irmãos gêmeos deram um show à parte em toda a obra. Sugiro que vocês leiam o trecho a seguir como se estivessem cantando:

Calo mordeu o interior da bochecha, afinou de novo a harpa e recomeçou:

“Disse o patrão à donzela nova na herdade:
Deixe-me mostrar os animais da propriedade!
Aqui está a vaca que dá leite e o porco no chiqueiro
Aqui está o cachorro, uma cabra e um cordeiro;
Aqui está um cavalo orgulhoso e um falcão treinado e valente,
Mas o que você deve ver mesmo é este pinto excelente!”

- Onde você aprendeu isso?! – gritou Correntes.
Calo explodiu num ataque de riso, mas Galdo continuou a canção com uma expressão impassível:

“Alguns pintos acordam cedo e alguns crescem bastante,
Mas o pinto em questão trabalha mais que o restante!
Trabalhar é uma virtude, eu concordo e não minto.
E então, queridinha, venha segurar o meu...”

Explicando um pouco o porquê do nome do livro, além do seu significado óbvio para quem já lê a série, República de Ladrões refere-se à uma peça de teatro que os Nobres Vigaristas devem apresentar juntamente com outros membros de uma companhia fadada ao fracasso. Essa parte me rendeu algumas boas risadas e leves momentos de tensão.

República de Ladrões consegue manter um bom nível, mas acaba não sendo melhor que os dois livros anteriores. A fórmula usada por Scott Lynch nos seus livros continua boa e os mesmos devem (!) obrigatoriamente ser desbravados por todo aquele que é fã dessa série. Recomendo!

Ah, só mais uma coisinha, pra deixar todos vocês com aquele leve gostinho de quero mais: 

"- Vou lhe dar uma pequena profecia, Locke Lamora, do melhor modo que eu a vi. Três coisas você deve tomar e três coisas você deve perder antes de morrer: uma chave, uma coroa e uma criança. - Paciência puxou o capuz para cima da cabeça. - Você vai morrer quando cair uma chuva de prata."

Fui, tchau!

Avaliação final:

Nobres Vigaristas:

2º livro - Mares de Sangue
3º livro - República de Ladrões
4º livro - The Thorn of Emberlain (ainda não foi lançado)
5º livro - The Ministry of Necessity (ainda não foi lançado)
6º livro - The Mage and the Master Spy (ainda não foi lançado)
7º livro - Inherit the Night (ainda não foi lançado)
Livro extra com dois contos - The Bastards and the Knives (ainda não foi lançado)

14 de abr. de 2015

República de Ladrões entra em pré-venda

Bom dia, desbravadores.

O terceiro livro da série Nobres Vigaristas, República de Ladrões, acaba de entrar em pré-venda! Caso ainda não tenham lido as resenhas dos dois primeiros livros da série, As Mentiras de Locke Lamora e Mares de Sangue, confiram aqui e aqui. Série escrita pelo autor Scott Lynch. Seguem a capa oficial e a sinopse:

Envenenado e à beira da morte, Locke Lamora segue para o norte com seu parceiro, Jean Tannen, em busca de refúgio e de um alquimista para curá-lo. Porém, a verdade é que ninguém pode salvá-lo. Com a sorte, o dinheiro e a esperança esgotados, os Nobres Vigaristas recebem uma oferta de seus arquirrivais, os Magos-Servidores. As eleições do conselho dos magos se aproximam e as facções precisam de alguém para fazer o trabalho sujo, manipulando votos. Se Locke aceitar, o veneno será purgado de seu corpo com o uso de magia – mas o processo será tão excruciante que ele vai desejar morrer. Locke acaba cedendo ao saber que o partido da oposição contará com uma mulher do seu passado: Sabeta Belacoros, a única pessoa capaz de se igualar a ele nas habilidades criminosas e mandar em seu coração. Novamente em uma disputa para ver quem é o mais inteligente, Locke precisa se decidir entre enfrentar Sabeta ou cortejá-la, e a vida dos dois pode depender dessa decisão. República de ladrões leva o leitor ao início da vida de Locke enquanto flerta com o seu fim, revelando todos os matizes de Sabeta e de seu relacionamento com o líder dos Nobres Vigaristas. Misturando momentos tensos e cômicos do passado e do presente, esta obra é, até agora, a melhor de Scott Lynch.

Onde comprar: Amazon - Saraiva

23 de mar. de 2015

Resenha: O Duelo dos Reis - Joe Abercrombie


Título: O Duelo dos Reis
Original: Last Argument of Kings
Série: A Primeira Lei/The First Law #03
Autor: Joe Abercrombie
Páginas: 576
Editora: Arqueiro (fevereiro de 2015)

Sinopse: A União está em guerra. Ao norte, o coronel West e suas tropas recuperaram a fortaleza de Dunbrec, mas a batalha pode se arrastar por anos, porque o rei dos nórdicos não irá se render. É hora de Nove Dedos voltar e enfrentar seu pior inimigo. O problema é que, no calor da batalha, nunca se sabe quando o Nove Sangrento surgirá de dentro dele – e o Nove Sangrento não escolhe lado, só quer matar. Na Terra do Meio, uma revolução camponesa por direitos igualitários e participação política desestabiliza os governos locais. Caberá a Jezal dan Luthar negociar a paz e, se preciso, combater o próprio povo. Na capital, com o rei doente e sem herdeiros, os membros do Conselho Fechado começam a comprar apoio dos nobres, numa corrida oculta ao trono. Depois de ter escapado por pouco de Dagoska, Sand dan Glokta precisa sobreviver ao jogo político. Para isso, vai usar os recursos em que é mestre: chantagem, ameaça e tortura. Além disso, tropas gurkenses se movem no sul em direção a Adua, dispostas a travar uma guerra santa e levar Bayaz a julgamento. Para salvar o mundo, o Primeiro dos Magos precisa salvar a si mesmo, porém há riscos enormes quando se mexe com magia. E nada pode ser mais arriscado do que quebrar a Primeira Lei. O duelo dos reis é um épico sombrio e brilhante, um final de tirar o fôlego para a trilogia que redefiniu a literatura fantástica.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

E finalmente chego ao fim da trilogia A Primeira Lei. Confesso para vocês: não terminava uma série há MUITO tempo. A gente vai lendo e lendo vários volumes de várias séries diferentes e esquece de terminar uma por vez. Acontece com a maioria dos leitores, acredito eu...

- Aprendi todo tipo de coisas com meus muitos erros - comentou Cosca, que esticou o pescoço e o coçou. - A única coisa que nunca aprendi foi a parar de cometê-los.

Só para relembrar alguns fatos do final do 2º livro: ao Norte, a fortaleza de Dunbrec foi recuperada pelos guerreiros da União e agora Bethod foge mais ainda para o norte, procurando um local propício às suas armadilhas. Cabe a West e os nórdicos que se juntaram a eles (como o grupo de Cachorrão) irem atrás dele e terminar de uma vez por todas com a ameaça de Bethod. Um reencontro muito esperado acontece nesse livro, já aviso, além de velhas ameaças ressurgirem, como é o caso do gigante Fenris, o Temível.


Na Borda do Mundo, Bayaz e seu grupo chegaram aonde queriam, mas não encontraram a tal Semente (Abercrombie desgraçado, só trollou os leitores).  Resta voltar a Adua e tentar encontrar uma solução para o avanço dos gurkenses. Gurkenses esses que, por sinal, retomaram o controle de Dagoska logo depois do nosso torturador Glokta ter escapado de lá a mando do arquileitor Sult.

Grandes jornadas começam com pequenos passos, como o pai de Logen sempre dizia.

Nesse desfecho, finalmente entendemos mais sobre o que é a Primeira Lei e quais são as suas consequências, sendo elas boas ou más. Tudo depende do ponto de vista, é claro. Novas perspectivas da magia são apresentadas, fantasmas do passado aparecem para atormentar a vida de alguns e os demônios do Outro Lado parecem estar voltando. Bayaz seria a pessoa mais indicada a mexer com esses poderes sobrenaturais. Ou não? Leia e descubra! ;)


Uma boa parte desse livro concentra-se na Ilha do Mundo, onde a capital Adua sofre com a morte do rei atual e prepara-se para uma briga ferrenha nos Conselhos Aberto e Fechado para que se possa escolher o próximo governante. Tudo é jogo político, amigo. Adicionado a isso o iminente avanço das tropas gurkenses contra a União, que parecem não ter gostado de ficar somente do lado de lá do oceano e agora viram suas lanças para a capital Adua.

Mas quem acaba roubando a cena, como sempre acontece, são os personagens Sand dan Glokta e Logen Nove Dedos/Nove Sangrento. Os dois são exímios personagens, extremamente bem construídos e com qualidades e defeitos de um ser humano comum (mais defeitos, por sinal).


Glokta é a personificação pura do humor negro, é impossível não dar risada com os pensamentos dele (grande sacada do Abercrombie ao colocá-los em itálico durante a narrativa) e não sentir dor no próprio corpo quando o torturador sobe alguma escada ou tenta mexer as costas. Isso é algo intrigante e diferenciado nas obras atuais, acostumadas a nos trazer personagens clichês demais.

Logen é um brutamontes nascido para matar, odeia estar no comando (porque sabe que só coisas ruins acontecem nessa hora), mas não foge de uma boa disputa. Sua outra personalidade, o Nove Sangrento, aflora nos momentos mais tensos, e o problema é justamente esse. Quando todos precisam do Nove Sangrento ele está lá, pronto para matar... o que estiver pela frente. As consequências dos atos do Nove Sangrento são monstruosas.

- Brinque de ser o homem bom se quiser, o homem que não tem escolha, mas nós dois sabemos o que você é de verdade. Paz? Você nunca terá paz, Nove Sangrento. Você é feito de morte!

Mas e o Jezal dan Luthar? Ah, aquele guri mala e mimado lá do primeiro livro (O Poder da Espada)... Nada que uma porrada de maça na sequência não resolva alguns dos seus problemas de civilidade!! Preparem-se para se surpreender muito com esse personagem e com os rumos que ele acaba tomando. Foi algo que eu nem imaginava, diga-se de passagem.


Não posso esquecer de comentar sobre a Ferro também, uma personagem forte e decidida, buscando apenas um objetivo: vingança. Mesmo que isso a faça abandonar as (poucas) coisas boas que aparecem na sua vida. Ardee West, irmã de Collem West, acaba tendo um destino inusitado (alguns irão gostar e outros não, mas enfim), ao contrário do seu irmão, que provou ser um dos personagens mais ambíguos e inconsequentes de toda a trilogia.


Percebe-se claramente a evolução de Joe Abercrombie em toda a trilogia, refinando a sua escrita e tornando a leitura muito agradável. Com colocações pontuais a respeito da mitologia por trás de todos os magos e cidades envolvidos na trama, Abercrombie consegue nos brindar com um livro melhor que o outro, mostrando que tudo pode ser melhorado. O único porém foi o autor ter usado um pouco demais o tell nos seus livros. No caso, apenas contar o que aconteceu e não mostrar-nos 'ao vivo'. É aquela máxima do show, don't (just) tell, o que acaba deixando uma sensação de vazio em algumas partes. Certamente umas 50 páginas a mais por livro fariam muita diferença.

Gostei do destino de vários personagens e não curti tanto o de outros, ficando com aquela sensação de que a narrativa poderia ter continuado só um pouquinho mais, já que ainda parece haver coisas para se contar e se revelar (benditas pontas soltas). Muitas coisas intrigantes acontecem nesse 3º livro, algumas delas acompanhadas de revelações surpreendentes, capazes de deixar o leitor mais desavisado de queixo caído. E, não esquecendo de comentar, teremos várias traições por todos os lados possíveis. Um temperinho a mais para acirrar os ânimos no Círculo do Mundo.

A trilogia certamente agradará àqueles fãs de fantasia que gostam de um mundo mais real, mais verossímil, com personagens cinzas e passíveis de punição. Fica a recomendação!

"O poder torna todas as coisas certas. Essa é a minha primeira lei e a última. É a única lei que eu reconheço." - Bayaz, o Primeiro dos Magos

Avaliação final:

A Primeira Lei:

1º livro - O Poder da Espada
2º livro - Antes da Forca
3º livro - O Duelo dos Reis

9 de mar. de 2015

Resenha: Antes da Forca - Joe Abercrombie


Título: Antes da Forca
Original: Before They Are Hanged
Série: A Primeira Lei/The First Law #2
Autor: Joe Abercrombie
Páginas: 496
Editora: Arqueiro (junho de 2014)

Sinopse: Nesta ardilosa sequência de O poder da espada, o futuro da União está em três frentes de batalha - e nenhuma delas parece nem perto da vitória. Sand dan Glokta se tornou o todo-poderoso de Dagoska e tem de impedir que ela seja tomada pelos inimigos - tarefa difícil em uma cidade com muralhas decadentes e escassez de soldados. Além disso, o ex-torturador também precisa desvendar uma conspiração no conselho governante e salvar a própria pele. Enquanto isso, nas terras congeladas de Angland, o coronel West tem pela frente uma complicada missão - proteger o príncipe herdeiro no campo de batalha e evitar que a inexperiência e a arrogância dele levem todos para a morte. Ao mesmo tempo, Bayaz lidera uma expedição que cruzará o continente até a borda do Mundo. Passando por terras amaldiçoadas e esquecidas no passado, ele precisa encontrar a Semente - uma relíquia do Tempo Antigo que poderia pôr um fim à guerra, ao exército de comedores que se multiplica no Sul e aos bandos de shankas que atacam no Norte. Nesta trama inteligente e de personagens complexos, antigos segredos são revelados, batalhas sangrentas são travadas, inimigos mortais são perdoados - mas não antes de estarem na forca.

Dando continuação à trilogia escrita por Joe Abercrombie, dessa vez fui presenteado com um livro bem mais dinâmico, repleto (!) de referências ao passado e com um excelente desenvolvimento de grande parte dos personagens principais. Antes da Forca é muito melhor que O Poder da Espada, só para antecipar a vocês.

West encontra-se no Norte, protegendo o príncipe Ladisla de uma iminente batalha com os nórdicos de Bethod. Glokta foi para Dagoska investigar o desaparecimento do antigo superior e tentará segurar o avanço inevitável dos gurkhenses, loucos para retomar a sua cidade. Já Bayaz está viajando para a Borda do Mundo com o seu grupo (Logen, Ferro, Pé Comprido, Quai e Jezal). Isso é o que dá para resumir do final do livro anterior, como apresentado na sinopse acima.


Como de praxe, o humor de Glokta está presente novamente. Os capítulos dele são terrivelmente hilários, sempre com aquela reclamação constante da dor nas pernas enquanto tortura implacavelmente os inimigos da Inquisição. Só que dessa vez Glokta está em perigo constante, já que Dagoska não é uma cidade conhecida por manter seus superiores com cabeça.


"Já deveria saber. Só os amigos ficam para trás. Os inimigos estão sempre nos calcanhares da gente."

O mais interessante desse livro é que as menções ao passado são bem constantes, não só por parte de Bayaz, mas também por vários dos outros personagens da trama. Conhecemos mais sobre as Primeira e Segunda Leis (Jamais tocar o outro lado e jamais comer a carne de um humano, respectivamente), as guerras de antigamente são explicadas, principalmente aquelas entre os magos Juvens, Kanedias, Gustrod, Khalul e cia. É legal saber dessas coisas, faz diferença num livro, já que todo o aspecto histórico sempre é importante para dar  uma boa sustentação à narrativa, até mesmo a certas atitudes de alguns personagens.

Mas nada supera Logen Nove Dedos. Ou poderíamos simplesmente fazer referência ao Nove Sangrento? Para mim é o melhor personagem dessa trilogia até agora, um homem simples e nascido para lutar, ainda mais por contar com as suas "habilidades especiais", digamos assim. Saber como tudo começou para O Nove Sangrento é intrigante, as bobagens que ele fez e também o seu modo de tentar reparar as coisas. Somente uma coisa ficou em aberto e eu quero muito descobrir no próximo livro: o porquê de sua rixa com Bethod.
– Para mim, não ter medo é ostentação de idiotas. Os únicos homens sem medo são os mortos, ou talvez os que vão morrer logo. O medo ensina a ter cautela e respeitar o inimigo e a evitar se exceder por raiva. Todas essas coisas têm seu uso, acredite. O medo pode mantê-lo vivo, e isso é o melhor que qualquer um pode esperar numa luta. Todo homem que vale alguma coisa tem medo. O que importa é o uso que você faz dele.

Vale ressaltar também que o grupo de Bayaz começa a criar uma conexão mais forte, já que viajar para o outro lado do mundo e simplesmente não dar bola para os outros seria algo meio difícil. Até Ferro, com todo o seu palavrado e aversão aos outros, parece estar mudando (um pouco) o seu temperamento e passa a interagir com os demais. Às vezes de um modo diferente. rsrs

E ainda por cima até o Jezal passa a ser menos mala (por incrível que pareça), mas isso só depois de um acontecimento bem impactante para a sua vida... Leia e descubra. ;)

Mas a melhor coisa nas obras de Joe Abercrombie é a semelhança que podemos traçar com a realidade. Parece que está tudo ali, acontecendo na sua frente. Se alguém tiver que ter um membro amputado, assim o terá. Se você precisar de uma descrição de alguém agonizando, pedindo para morrer o quanto antes, assim você terá. É tudo próximo da realidade, e não sei vocês, mas para mim é isso que eu procuro em uma obra. Quero me sentir no meio da narrativa, sofrendo com os personagens, vibrando com suas vitórias, lutando ao lado dos guerreiros!!


"Nossa perdição se aproxima e todo mundo percebe isso. Coisa estranha, a morte. De longe você pode rir dela, mas, à medida que chega perto, ela parece cada vez pior. Quando está suficientemente perto para ser tocada, ninguém ri."

Por fim, tudo parece estar convergindo para um final bem épico, digno daquelas grandes trilogias. Antes da Forca, assim como seu antecessor, O Poder da Espada, é uma "preparação" para o volume seguinte, deixando o terreno pronto para que algo maior aconteça. Estou com ótimas expectativas para O Duelo dos Reis e espero que elas se confirmem muito em breve.

Ah, só mais uma coisinha: a partir do dia 15 de março (domingo que vem) o grupo Livros de Fantasia e Aventura estará fazendo uma leitura conjunta desse livro e eu mesmo serei o moderador. Sintam-se todos convidados a passar por lá e discutir os capítulos com a gente!  

Avaliação final:

A Primeira Lei:

1º livro - O Poder da Espada
2º livro - Antes da Forca
3º livro - O Duelo dos Reis

7 de fev. de 2015

Resenha: A Música do Silêncio - Patrick Rothfuss


Título: A Música do Silêncio
Original: The Slow Regard of Silent Things
Série: A Crônica do Matador do Rei/The Kingkiller Chronicle #2.5
Autor: Patrick Rothfuss
Páginas: 144
Editora: Arqueiro (janeiro de 2015)

Sinopse: Debaixo da Universidade, bem lá no fundo, há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem de sua existência, uma rede descontínua de antigas passagens e cômodos abandonados. Ali, bem no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem. Seu nome é Auri, e ela é cheia de mistérios. A música do silêncio é um recorte breve e agridoce de sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história nos oferece a oportunidade de enxergar o mundo pelos olhos de Auri. E nos dá a chance de conhecer algumas coisas que só ela sabe... Neste livro, Patrick Rothfuss nos leva ao mundo de uma das personagens mais enigmáticas da série A Crônica do Matador do Rei. Repleto de segredos e mistérios, A Música do Silêncio é uma narrativa sobre uma jovem ferida em um mundo devastado.

Mundialmente conhecido pelos livros O Nome do Vento e O Temor do Sábio, Patrick Rothfuss pensou um pouco diferente dessa vez e criou um livro pequeno (144 páginas) para falar mais sobre uma de suas personagens: Auri. Em A Música do Silêncio, acompanhamos Auri durante sete dias de sua vida estranha nos Subterrâneos enquanto ela aguarda a visita de alguém muito querido, que provavelmente é Kvothe, protagonista d'A Crônica do Matador do Rei.

Com uma narrativa monótona e totalmente diferente do comum (sim, é isso mesmo que você leu), Patrick Rothfuss nos traz algumas informações relevantes para entendermos melhor a personagem e o mundo: [ALGUNS SPOILERS MODERADOS A PARTIR DAQUI] Auri estudou muito a Alquimia enquanto estava nas aulas da Universidade, tanto é que deve ter sido uma das melhores alunas nesse quesito. Auri não é seu verdadeiro nome, como muitos já sabiam. O mundo em que se passam as aventuras chama-se Temerant, essa sim uma informação bem nova e interessante.
Pelo que vi nas resenhas mundo afora, muitos odiaram e muitos amaram o livro, esses últimos comentando sempre sobre a escrita poética e sobre como cada detalhe mínusculo faz diferença na vida da Auri. Mas gente, desculpa, isso não é para mim. Um livro sem diálogo, sem interação, sem um mísero conflito, com somente um personagem passeando por aí com uma engrenagem e gastando mais de 10 páginas com alguém fazendo sabonete? Não, não é para mim! Felizmente pode ser para você, então não leve minha opinião como se fosse a única que você vai ler.

Ainda bem que o próprio Patrick sabia que esse livro contando alguns dias da vida da Auri não iria agradar tanta gente assim enquanto estava escrevendo-o e deixou esse recado sincero no final:

"Então. Se você leu este livro e não gostou, me desculpe. A culpa é minha. Esta é uma história estranha. Talvez você a aprecie melhor numa segunda leitura. (Quase todos os meus livros são melhores da segunda vez.) Mas também pode ser que não. Se você é uma das pessoas que acharam esta história desconcertante, tediosa ou confusa, peço desculpas. A verdade é que provavelmente ela não era para você."
E não era mesmo, pelo menos para mim. Arrisque-se por conta própria e tire suas próprias conclusões, enquanto isso eu pensarei sempre na frágil/pequena Auri pelo ponto de vista do Kvothe.

Avaliação final:

A Crônica do Matador do Rei:

1º livro - O Nome do Vento
2º livro - O Temor do Sábio

3º livro - The Doors of Stone (sem previsão)
Livro da Auri - A Música do Silêncio
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